CAPÍTULO 3. A ANÁLISE DA INFORMAÇÃO
2. Análise da informação recolhida
2.1 Motivos do requerimento e contacto com a medida
Este ponto destina-se à apresentação de duas categorias elencadas. Por um lado, a que diz respeito aos motivos que levaram as beneficiárias a requerer o RSI e, por outro, a que diz respeito ao seu conhecimento da medida. O quadro 5 remete-nos para questões de fundo relativas à medida RSI. O nosso objectivo era perceber o que poderia ter estado na base do requerimento da prestação de RSI das nossas beneficiárias. Foram, de facto, apresentadas pelas beneficiárias uma série de razões para tal facto. Verificamos, no entanto, que o denominador comum que motivou o requerimento do RSI foi o desemprego coadjuvado pelos outros factores. A ausência de qualificações escolares e/ou profissionais é apontada, neste cenário, como causa do desemprego, pelas beneficiárias.
Relativamente ao quadro 6 gostaríamos de estabelecer, antes de mais, uma ligação com os primeiros depoimentos apresentados. Efectivamente apercebemo-nos pela leitura dos mesmos que a questão central para as beneficiárias é mais a questão pecuniária do que qualquer outra. Não existe da parte destas beneficiárias um conhecimento concreto da medida relativamente a outros apoios e tão pouco relativamente às questões processuais associadas à execução da medida. O que está em causa é a garantia de algum rendimento para fazer face às despesas do agregado. Note-se que o desconhecimento da existência (e consequentemente das funções) das Equipas de acompanhamento é generalizado.
Entre o Rendimento Social de Inserção e as Novas Oportunidades: posicionamentos face às medidas
44
Quadro 5: Motivos do requerimento
TIPOS DE MOTIVOS ENTREVISTADOS DEPOIMENTOS
Dificuldade em assumir compromissos por baixos rendimentos
B1 Foi a dificuldade de assumir o
compromisso, principalmente do crédito da casa. Foi isso. Posso explicar, …estou desempregada à dois anos, mas eu quando fui ao fundo de desemprego disseram-me que eu não tinha direito a nada por ser sócio- gerente e então, …
Depois durante as aulas de cidadania a minha professora aconselhou-me, Porque não podia ir a actividades, nem nada, porque estava a ficar muito apertada
Trabalho a tempo parcial B2 Eu quando fui meter os papéis para o
R.S.I., estava só com 3 horas de serviço, ganhava cento e poucos euros, (…)
Desemprego (pessoal e do conjugue) B2, B3, B4, B5, B6 (…) entretanto o Pai da minha filha que estava na altura comigo, também ficou desempregado, e foi por isso que fui requerer o R.S.I….
Desemprego pessoal e do marido Ausência de qualificações escolares e/ou
profissionais
B3, B6 [Precisava de] uma carteira
profissional, e então, pronto, diziam sempre que não e eu fiquei desesperada.
Começou a ser exigido o 9º ano e não tinha nenhuma formação
O facto de ter filhos B3 A gente tem filhos e tornou-se
difícil…
você pelo menos ao rendimento mínimo tem direito, portanto meta os papéis e veja a sua situação”.
Porque na altura eu falei com pessoas, até com a minha mãe e tudo e toda gente me dizia a mesma coisa para meter o R.S.I., que na altura era o Rendimento Mínimo.
Quadro 6: Contacto com a medida
FORMAS DE CONTACTO COM A MEDIDA
ENTREVISTADOS DEPOIMENTOS
Desconhecimento da existência de equipas de acompanhamento
B1, B3, B4, B6 (…) por acaso não me informaram, não. Aliás eu meti os papéis, não disseram nada, e aguardei. Não tinha conhecimento.
Não, não fui informada, …no momento em que fui meter os papéis, …não informaram-me de nada. (…) eu fiquei a conhecer na entrevista[em sede de
acompanhamento pela Equipa da Cooperativa Sol Maior] do que se tratava…
Conhecimento prévio ao acompanhamento pela Equipa da Cooperativa Sol Maior
B5 Sim. Fui informada num serviço de
apoio ao emprego. Conhecimento após acompanhamento
pela Equipa da Cooperativa Sol Maior
B2 Realmente é um apoio muito grande, porque estão sempre disponíveis a ajudar estão sempre disponíveis para orientar-nos,...porque é muito importante, como por exemplo, para ajuda do currículo é importantíssimo, a maioria das pessoas não sabe, não é? Apesar de estar a frequentar o curso,
Entre o Rendimento Social de Inserção e as Novas Oportunidades: posicionamentos face às medidas
46
tenho o TIC, mas o professor podia tomar o cuidado,...como somos adultos não é? E fazer o curso, também não levou em atenção,...até hoje ainda não aprendi.
(Des) conhecimento dos apoios B1, B4, B5 (…) eu por exemplo disse que também que também estava com problemas de visão, que precisava de óculos e assim, ...e então ela disse para arranjar orçamentos, coisa que eu desconhecia completamente.
Não sabia que tinha direito pelo facto de, na altura, ter habitação própria. (Des) conhecimento das áreas de
inserção
B2, B3 Sim, …Eu acho que sim. A partir do momento em que uma pessoa está empregada, não está a trabalhar. Eu acho que sim…
…Sim, …sim. E uma pessoa vai tendo uma actividade, não é? Uma pessoa não tendo um trabalho, tem de ter uma actividade. Eu acho bem, uma pessoa fala, tenta falar uns com os outros e isso é muito bom.
Pronto, primeiro é bom para as pessoas, porque ficam a conhecer e a saber como (…) coisas que não sabiam, não é? E isso é muito bom, …e por outro lado, é bom porque a pessoa começa-se a entregar mais na,…pronto, a saber mais as coisas, porque não é chegar à Segurança Social pedir o Rendimento Mínimo que as pessoas, não é? Que ficam a
saber. Havendo estes acompanhamentos a gente fica a saber
futuro até pode ser que as coisas melhorem. Que é o que a gente precisa.
Sim, …quer dizer, …com o tempo até pode ser que sim, e até era bom, não era? Porque se a gente tivermos outra coisa além de estarmos assim com o Rendimento de Inserção era muito melhor não era?
Era questão que eu não conhecia….
Pela análise dos dados, e numa leitura conjunta dos dois quadros, constatamos que os motivos do requerimento, por terem que ver, às vezes quase exclusivamente, com questões de ordem financeira, estão intimamente ligados ao tipo de contacto com a medida. Persiste, de facto, um forte desconhecimento dos contornos da medida e/ou, apesar de algum conhecimento da mesma, a questão que mobiliza os requerentes é, numa primeira abordagem, a necessidade de fazer face a alguma carência financeira ou mesmo ausência de rendimentos e nunca a possibilidade de serem accionados outros recursos que lhes permitam, por si só, responder àquelas carências.
2.2 Representações das beneficiárias face à conjuntura do mercado de trabalho e