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Indagadas sobre o que as motivou a procurar a escola e matricular-se na EJA, é importante trazer as seguintes respostas:

A razão é que eu queria aprender, só isso. Ai motivo também pra ver se minha mente volta pra algum lugar, pra alguma coisa porque eu esqueço, que eu tô falando alguma coisa aqui, depois se me procura, depois eu não sei (El1).

O que motivou foi que eu não tava trabalhando, não tava empregado mais, ai eu falei: quer saber, eu vou caçar um jeito de empatar minha mente, né?! Pra não ficar olhando pra televisão, ficar bebendo cachaça junto com os colegas, então eu corri atrás disso aí fazer ao menos um algo pra mim. Você tem que fazer um empatamento da gente pra aprender alguma coisa e evoluir em alguma coisa, que agente estiver precisando né?! (EI2).

Aí rapaz, é muito ruim sem saber ler e escrever né?! Muito ruim e cê fica assim estressado pra ler dá um trabalho danado (risos). Cê vai soletrando as letras (EI3).

Porque você chega num lugar você vê um preço de um coisa você não sabe, tem que tá perguntando a um e a outro, então eu, mesmo assim, pouquinho mas eu já sei de alguma coisa um pouquinho também sabe

(El4).

Fui procurar a escola. Pra estuda... Pra aprender alguma coisa, por que... ... olha, você num sabe o número dos ônibus, pra onde vão, daí você vai passa e sabe. Realmente isso foi verdade. Aí, quando meu marido morreu,

de eu tanto morar na chácara, aí ele me levava, me buscava, era um amor de pessoa, eu vou dizer a você. Mas.... Aí faço que nem a históra, eu vivia, eu vivia nas asa dele, né?! É igual, como é que aquele que voa, como diz, igual a garça, ele vai e me leva, ele vem e me traz. Mas quando ele caiu... Quando ele morreu eu entrei numa depressão muito grande. E cai, caí que esmagalhei. E quando a gente cai, não tem nem, não tem nem como dizer assim “taca aqui a mãozinha”, não tem não, te vira, tem que se levantar. Entendeu? Então... os outros caido, você tem que ser o quê? Ter sabedoria. Pra tua sobrevivência, pra tua vida. Por quê? Tu é o mais velho, tu diz assim, bom eu procuro entender os mais novo, os mais novo não tem mais força do que eu (El5).

Querer e ter vontade de aprender alguma coisa ―nova‖ ou ―diferente‖, ocupar o tempo e a mente, socializar-se, saber conviver com os outros, ser mais educada, superar algo que o incomoda, inclusive uma doença, melhorar como um todo, como pessoa, aprender a escrever o próprio nome, ler e escrever, ser mais livre, não depender dos outros e até ter sabedoria, esses são alguns dos inúmeros motivos que levam os idosos a procurar a escola para frequentar a Educação de Jovens e Adultos.

Contudo, antes de qualquer coisa é importante destacar que o aluno idoso busca a educação e a escola, incluindo a Educação de Jovens e Adultos, porque está a procura e deseja encontrar espaços de socialidade (FURINI et al, 2011).

Segundo registra a autora:

É comum os adultos procurarem grupos culturais, religiosos e de lazer, indo ao encontro de seus interesses e na expectativa de realização pessoal e de constituição de sua sociabilidade (LAFFIN, 2011, p. 181).

E entre tantos espaços possíveis, a escola surge como um dos mais viáveis e propícios para fomentar a inserção e a interação dos idosos com a sociedade.

De modo a reforçar esta visão, porém, vinculando-a com maior ênfase à educação, é possível afirmar que a educação pode auxiliar os idosos a perceber a necessidade de mudança, de união, a sentir a força que têm, valorizando-se, recuperando sua autoestima e, assim, efetiva e plenamente exercer sua cidadania, lutar por seu reconhecimento, por seus direitos, beneficiando a criação de espaços em que possam tornar visíveis suas necessidades.

Tomando como base a realidade e o contexto social, educacional e escolar, Pereira (2012) busca analisar os motivos que levam os idosos para a escola e explicar o aumento de alunos com 60 anos de idade ou mais na Educação de Jovens e Adultos, para o que a autora apresenta a possibilidade deles de resgatarem o significado do ―ser estudante‖ e a imagem que isso representa, além das lembranças que lhes foram roubadas, daquilo que lhes foi negado no passado e que, no presente, possibilita o fortalecimento da imagem de uma velhice ativa, capaz e com visibilidade social, redefinindo o papel do idoso na sociedade.

Nesse sentido, Oliveira (2015) observa que a inserção do idoso em um espaço educacional, além de levar o idoso a adquirir conhecimento, possibilita sua integração social, a elevação de sua autoestima, sua valorização pessoal, o conhecimento de seus direitos e deveres, mas também, o exercício pleno da cidadania.

Isso não decorre de uma possível evolução do pensamento pedagógico, mas sim da necessidade de constante atualização das pessoas (OLIVEIRA, 2015).

Entre os motivos que levam as pessoas idosas a voltarem a estudar, Coura (2008) registra que a escola pode significar para cada um uma forma de completar algo que julgavam deficitário em suas vidas e, assim, a busca pelo sonho de estudar pode dar mais sentido para suas vidas.

A respeito da expectativa delas, ou seja, o que esperavam do estudo e da escola, as respostas foram:

Ah! Eu, o que eu esperava, eu aprender. Aprender, saber ler e escrever

(El1).

Ah, eu esperava coisas boas que fosse mais, né?! (risos) Porque é muito ruim cê não saber, cê vai pegar um ônibus e fica procurando pelos outros, é muito ruim, né?! Então você tem que aprender alguma coisa pelo menos pra pegar um ônibus e ver o lugar que você quer ir sem precisar depender de ninguém, né?! Ver qual é o interesse da gente nesse momento, pra mim me fez muita falta o que eu aprendi mas algumas coisa nunca esqueci até hoje, né?! (El2).

Melhorar né, melhorar né os estudos né?! (El3).

O que eu esperava da escola era aprender a escrever meu nome que eu não sabia eu errava muito né?! Inventava letra, faltava letra, então eu esperava isso, né?! E aprender mais um pouquinho né?! Cê i pra uma parada de ônibus, chegá lá... É bom porque você ocupa a sua cabeça mais

um pouco, você conhece as pessoas você faz amizade com as pessoas da escola (El4).

Nota-se que os motivos que levam essas pessoas a procurar a escola, ingressar e permanecer na EJA, se misturam às expectativas, ou seja, àquilo que elas esperam obter com o estudo e na escola.

E assim, mais uma vez cabe destacar o que elas tanto esperam da escola e do estudo: querer e ter vontade de aprender alguma coisa ―nova‖ ou ―diferente‖, ocupar o tempo e a mente, socializar-se, saber conviver com os outros, ser mais educada, superar algo que o incomoda, inclusive uma doença, melhorar como um todo, como pessoa, aprender a escrever o próprio nome, ler e escrever, ser mais livre, não depender dos outros e ter sabedoria.

Além dessas, de acordo com minha vivência na EJA e o convívio com os educandos, posso afirmar que é bastante comum entre eles, mesmo os idosos, alimentarem o sonho e manterem a esperança de continuar a estudar até conquistarem a entrada em uma faculdade e poderem se formar em um curso superior (RAPOSO DE ALMEIDA, 2017).

E mais, se a obrigação de trabalhar impediu essas pessoas de frequentarem uma escola e estudar, ou provocou a evasão escolar, a necessidade imposta pelo mercado de trabalho que exige maior escolaridade, é motivo para elas procurarem a escola, a EJA, e estudar, gerando importante expectativa para a vida dessas pessoas que esperam galgar um futuro melhor e ascender social e financeiramente (NAIFF e NAIFF, 2008).

6.3 PERCEPÇÃO DOS EDUCANDOS QUANTO A UM TRABALHO