3. Análise
3.1. Análise da estrutura da troca
3.1.2. Movimentos complexos
3.1.2.1. Movimentos complexos: fase 1
Como mencionado previamente, o uso de movimentos complexos variou nas sessões síncronas que aconteceram durante a fase 1. Para ilustrar essa variação, o uso de movimentos complexos foi quantificado e classificado em quatro categorias de acordo com o número de movimentos que formaram o movimento complexo: 2 movimentos, 3 movimentos, 4 movimentos, e 5 movimentos ou mais. Além disso, para que fosse possível comparar o uso de movimentos complexos nas quatro sessões, a quantidade de cada categoria de movimentos complexos foi dividida pelo número de participantes. Dessa forma, os resultados apresentados na tabela 3 representam a média de movimentos complexos por participante. Os participantes foram divididos de acordo com alunos (representados pela letra A) e o professor (representados pela letra P), e foram organizados em duas sub-colunas de acordo com as sessões síncronas (Sessão A, Sessão B etc.). Na primeira coluna, é possível ver cada categoria de movimentos (2, 3 etc.), assim como o número total de movimentos (última linha do quadro):
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Tabela 3. Uso de movimentos complexos na fase 1
Movimentos complexos por participante na fase 1 Sessão A Sessão B Sessão C Sessão D
Movimentos A P A P A P A P 2 5,8 11 2 10 4 6 1,1 3 3 2,8 6 3 11 1,5 4 0,5 - 4 0,5 2 1 5 1,2 - - - 5 ou mais 0,1 1 - 2 1,3 - - - TOTAL 9,3 20 6 28 8 10 2 3
Ao olhar a última linha da tabela 3, é possível verificar que a professora da sessão B é quem usa mais movimentos complexos (28). Além disso, se observarmos a coluna correspondente a essa professora é possível perceber também que essa professora usa os movimentos complexos mais longos (5 movimentos complexos formado por 4 movimentos e 2 movimentos complexos formados por 5 movimentos ou mais). A professora da sessão síncrona B usa os movimentos complexos ao explicar para os alunos como as atividades do curso devem ser realizadas:
Exemplo 67
K1 Teacher: You are not evaluated by a specific activity or Unit: K1 you are evaluated gradually,
K1 taking in consideration the whole course.
K1 In other words, everything you did in the course (the activities, the comments you wrote about your colleagues* work, the interactions, the chat participations, etc).
No exemplo 67, a professora está explicando para um aluno o processo de avaliação. O uso de movimentos complexos parece indicar que essa professora privilegia explicações mais longas e detalhadas durante as sessões síncronas. Em oposição, a professora da sessão síncrona D usa poucos movimentos complexos ainda que tenha dedicado a sessão exclusivamente a orientação sobre a participação no curso. Ela opta por oferecer explicações mais curtas e enviadas para os alunos aos poucos.
Enquanto a professora da sessão B tende a usar movimentos complexos para dar explicações e orientar os alunos em relação às atividades do curso, os alunos da sessão B
117 usam movimentos complexos para falar sobre problemas ou dúvidas durante o curso ou sobre a realização de atividades no curso:
Exemplo 68
K1 Student M: Im late with my lessons, K1 but Im preparing them.
K1 I will have more subjects to talk after the lessons that I hope to finish
today.
No exemplo 68, o aluno está falando sobre seu atraso ao fazer as lições. Embora os alunos da sessão síncrona B usem movimentos complexos, ao olhar a tabela, 3 é possível perceber que isso não é feito com freqüência.
A professora da sessão síncrona A usa 8 movimentos complexos menos do que a professora da sessão síncrona B. Além de usar movimentos complexos para dar explicações e orientar os alunos sobre a participação no curso, como ilustrado no exemplo 67, a professora da sessão A usa movimentos complexos para comentar sobre o contexto profissional dos alunos, pois isso também é tópico de discussão durante a sessão síncrona:
Exemplo 69
K1 Teacher: I studied in public school too K1 and I remember it was different.
K1 The students really respected the teachers.
Quanto aos alunos que participaram da sessão síncrona A, eles usaram metade dos movimentos complexos usados pela professora. Entretanto, esse grupo de alunos é o que usa movimentos complexos com maior freqüência; ou seja, no geral os alunos tendem a usar menos movimentos complexos do que as professoras. Ao usarem movimentos complexos, eles falam sobre o curso e as atividades (como no exemplo 69) e conversam sobre seu contexto profissional:
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Exemplo 70
K1 Student E: I would like that things were different.
K1 I do my best.
Exemplo 71
K1 Student R: Everybody says about the limits, K1 but the parents don´t teach this for them.
Ao contrário do uso mais freqüente de movimentos complexos pelos professores e alunos das sessões A e B, o uso de movimentos complexos pelos professores das sessões C e D é menos freqüente, como pode ser observado na última linha do quadro. Durante a sessão C, a freqüência de movimentos complexos usados pela professora e pelos alunos é parecida. Além disso, movimentos complexos são geralmente usados para abordar questões relacionadas ao contexto profissional dos alunos, que é tópico de discussão durante grande parte da sessão. Os participantes da sessão síncrona D são os que usam menos movimentos complexos e, quando os usam, é geralmente para falar sobre as atividades do curso. Além disso, movimentos complexos na sessão D não são formados por muitos movimentos conhecedor primário (K1); ou seja, os movimentos complexos não são longos, como mostram os exemplos 70 e 71. Nessa sessão, a professora é quem freqüentemente possui e oferece informação, pois ela dá explicações sobre as atividades que precisam ser realizadas no curso; e, ao oferecer informação, ela opta por turnos mais curtos geralmente formados por um único movimento K1.
O uso diferenciado de movimentos complexos na fase 1 indica que a elaboração de informação estava mais relacionada as escolhas pessoais dos participantes e do que eles julgavam mais adequado para comunicações síncronas. Eles não refletem concordância entre as professoras, por exemplo, sobre o tipo de intervenção que era esperado delas nas sessões síncronas (explicações mais elaboradas ou sintéticas, etc.). E, indicam também que os alunos optaram por elaborar as informações quando o julgaram pertinente. Isso reflete diferenças no desempenho de papéis pelos alunos durante as sessões, pois às vezes eles pareciam assumir a posição de quem necessitava de informações e, em outros momentos, assumiam o papel de quem podia não só dar informações, mas também elaborá-las.
119 Como pode ser observado, o uso de movimentos complexos foi irregular nas quatro sessões síncronas da fase 1. No entanto, nas três sessões síncronas da fase 2, o uso de movimentos complexos mostrou-se mais regular. Essa regularidade será apresentada mais detalhadamente no próximo sub-tópico.