3.3 MUDANÇA ORGANIZACIONAL
3.3.4 Mudança, tomada de decisões e resistência
Não basta apenas descrever e diagnosticar a existência de comportamentos organizacionais, prescrevendo direções alternativas para as mudanças onde for necessário.
Uma mudança organizacional para obter sucesso requer, um importante elemento: visão estratégica. Ela é fundamental para estabelecer o inter- relacionamento entre estratégia, estrutura, processo e teoria organizacional, com o intuito de desfazer a relação organização-ambiente vista até então, que, segundo Miles e Snow (1978), de forma mecânica e de concepção determinística. Outros autores também defendem uma visão menos rígida da interação entre as organizações e seus ambientes, fato que leva em conta o intercâmbio dinâmico entre as duas forças. Child apud Miles e Snow (1978), por exemplo, aproxima a escolha estratégica e o ambiente organizacional, reconhecendo que a tomada de decisões principais pela administração, serve para definir o relacionamento organizacional com o ambiente mais amplo. Já, Weick (1978), introduziu um conceito semelhante, denominado representação ambiental, por meio do qual preconiza que as organizações não respondem às condições ambientais pré- ordenadas, mas em vez disso, criam os seus próprios ambientes por meio de uma série de escolhas que compreendem os mercados, os produtos, as tecnologias, a balança desejada de operações, e assim sucessivamente.
Para um redesenho do comportamento da organização, levando-se em consideração o ambiente externo sem padrões previsíveis, e ambiente interno com o desenvolvimento de novas tarefas, é necessário que se tenha visão estratégica, ainda que pese o fato de que careça de compreensão o relacionamento entre estratégia, estrutura, processo e teoria organizacional, sendo ainda bastante confusa e pouco explorada. De qualquer maneira, é imperativo que os administradores, que limitaram suas tomadas de decisões fixando-se em teorias organizacionais até então existentes, necessitam de uma visão mais maleável, de forma a considerar, também, outras variáveis do ambiente.
A adoção de uma visão mais ampla, segundo Miles e Snow (1978) permite orientar o processo de tomada de decisão no processo de mudança de rumos das organizações. Assim sendo, o ambiente e as dificuldades internas durante a
mudança necessitam de uma base teórica, ou um modelo de adaptação que aborde as decisões necessitadas pela organização para manter um efetivo alinhamento com o ambiente, e que retrate os diferentes padrões de comportamento utilizados pelas organizações. A busca de um novo equilíbrio é influenciada pelas estruturas e processos que se pode observar em estudos de diversos pesquisadores. Dentre eles, Miles e Snow (1978) destacam os trabalhos de Chandler e Drucker, Thompson (1967), Lawrence e Lorsch (1967), Perrow (1967) e Galbraith (1973), os quais têm tentado desenvolver armações e critérios para fazer escolhas sobre a estrutura e processos organizacionais, dada a natureza do ambiente e a escolha de estratégia de administração. E, de forma mais minuciosa, Chandler e Drucker apud Miles e Snow (1978), ao se referirem à relação estratégia-estrutura, consideram que a relação entre estratégia e estrutura são complexas.
Em um lado, as pesquisas de Drucker, Chandler e Perrow apud Miles e Snow (1978) indicam que a estrutura tende a seguir a estratégia e que os dois devem ser alinhados corretamente para uma organização ser efetiva. Por outro, investigadores como Fouraker, Stopford, March, Simon e Cyert citados na mesma obra, têm demonstrado que a estrutura constrange a estratégia; uma organização é raramente capaz de mudar substancialmente seu atual curso sem alterações nas estruturas e processos principais.
Para tanto, durante o processo de tomada de decisões, deve-se estar atento para as interações de estratégia-estrutura, em busca de um ajuste entre elas e, também, da compreensão dos constrangimentos estruturais que limitam as estratégias.
Nessa nova ordem dos ambientes, a habilidade para organizar um ambiente novo ou diferente é influenciada por aquilo que já se conhece sobre alocação, estruturação e desenvolvimento de recursos, na forma de organizações. As organizações, tida como invenção social tem evoluído através de várias formas distintas (MILES e SNOW, 1978).
Stinchcombe (1968) indicou que cada nova forma tem também sofrido de "obrigação da inovação" e, assim, os gerentes podem ser relutantes em adotar novas estruturas e processos, a menos que as demandas ambientais sejam especialmente fortes. Assim, é conveniente que a representação ambiental seja
procedida cautelosa e crescentemente até que as novas formas organizacionais sejam claramente articuladas.
No geral, a representação de um ambiente organizacional não pode acontecer de imediato, fora dos limites de conhecimento presentes, e concernentes a uma forma organizacional e teoria de administração. Não obstante, isto é claro, como Child, Weick, Argyris et al. apud Miles e Snow (1978) discutiram que administradores desfrutam de significativa liberdade para criar, amoldar e administrar os ambientes nos quais suas organizações existe. Deste modo, o comportamento estratégico organizacional diz respeito aos meios que as organizações desenvolvem para responder consistentemente aos ambientes que eles têm trabalhado.
Nas pesquisas desenvolvidas por Miles e Snow (1978), os resultados indicaram que cada estratégia da organização era um determinante da estrutura da organização e método de operação. O que representava padrões diferentes de comportamento organizacional, descoberta esta que resultou na proposta de um modelo dinâmico do processo de adaptação, para clarear a nova dinâmica dos ambientes.
Em linhas gerais, o modelo de adaptação de Miles e Snow (1978), contempla a adaptação organizacional sob três perspectivas gerais, sendo elas, o ajuste ou fit por seleção natural, por seleção racional e por escolha estratégica. A seleção natural é um processo de alinhamento com os requisitos do ambiente, de forma que as organizações que desenvolverem as características determinadas pelo ambiente, serão as que sobreviverão. A seleção racional também é um processo de alinhamento, sendo que neste caso, a responsabilidade da organização em selecionar, adaptar e descartar componentes estruturais e do processo é que manterá a organização em equilíbrio com o seu ambiente. E a escolha estratégica, tende a representar o melhor caminho para alinhar os objetivos da organização com seu ambiente.
Mesmo em assim sendo, Miles e Snow (1978) argumentaram que a estrutura de uma organização é apenas parcialmente influenciada pelas condições do ambiente. Nesta terceira perspectiva de escolha estratégica, Miles e Snow (1978) prendem sua atenção e destacam que o papel dos gerentes nas organizações não se limita apenas a ajustar a estrutura organizacional às condições do ambiente quando for necessário, mas tentar manipular o próprio ambiente objetivando trazê-lo
dentro da conformidade com o que a organização está fazendo. Sob esta perspectiva, uma organização tem habilidade para ajustar-se às condições contingenciais do ambiente e exercer influência nos ambientes que opera.
Das características da escolha estratégica têm-se a coalizão dominante, as percepções, a segmentação, a procura de atividades e as restrições dinâmicas. Coalizão dominante refere-se àquele grupo de executivos com a maior influência. Percepções significa que a organização responde à percepção da coalizão dominante. Segmentação indica que a coalizão dominante é responsável pela identificação dos segmentos do ambiente onde atuará, assim como, pela alocação dos recursos a esses segmentos. Procura de atividades trata-se da responsabilidade que a coalizão dominante tem por observar os elementos mais críticos no ambiente, decidindo-se ser reativo ou pró-ativo. E, as restrições dinâmicas, consideram que as decisões adaptativas da coalizão dominante são limitadas pela estratégia no passado e no presente. Assim sendo, segundo Miles e Snow (1978), no processo de adaptação de uma organização, o seu ambiente e o desenvolvimento de uma estratégia deverá ser a partir da avaliação crítica dos elementos que compõem o ambiente.