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2. ACUMULAÇÃO E DINÂMICA CAPITALITA: UMA VISÃO DE

2.3. KEYNES: O INVESTIMENTO E EFICIÊNCIA MARGINAL DO

2.3.1. Mudando algumas concepções: Demanda Efetiva e

As concepções teóricas apresentadas na teoria geral estão assentadas em três pilares: a renda, o investimento e a taxa de juros. É esta a estrutura que guia a obra, ao apresentar novos elementos ao debate econômico, corroborando para consolidação de um pensamento que difere das tendências neoclássicas.

No breve primeiro capítulo da “Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda”, Keynes afirma:

Argumentarei que os postulados da teoria clássica se aplicam apenas a um caso especial e não ao caso geral [...] Ademais, as características desse caso especial não são as da sociedade econômica em que realmente vivemos, de modo que os ensinamentos daquela teoria seriam ilusórios e desastrosos se tentássemos aplicar as suas conclusões aos fatos da experiência. (Keynes, 1983, p. 15)

Uma primeira quebra de paradigma acontece quando Keynes elabora a ideia de demanda efetiva. Até então, a teoria econômica tradicional estabelecia que a oferta cria sua própria demanda4.

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Analisando sob a óptica do emprego, oferta e demanda se igualam, sendo este “equilíbrio” existente em qualquer situação de emprego e produção.

A oposição Keynesiana está baseada na proposição de que o nível de emprego não é estabelecido a priori, ou apresenta um valor determinado de equilíbrio. Keynes (1983) afirma que o nível de emprego está associado ao lucro esperado5 pelo empresário. “O lucro do empresário é [...] a quantia que ele procura elevar ao máximo quando está decidindo qual o volume de emprego que deve oferecer” (KEYNES, 1983, p. 29). Assim, o nível de emprego está associado, em grande medida, à disposição em investir dos empresários.

Logo, ao determinar o nível de emprego, passa-se a formalização de que a demanda exerce influência sobre a oferta. Isto ocorre, pois, ao visualizar uma possibilidade de lucro, o empresário aumenta o volume de emprego acima do nível anterior, até o ponto onde a demanda e a oferta de emprego se tornam iguais. Conclui Keynes (1983, p. 30):

Assim, o volume de emprego é determinado pelo ponto de interseção da função da demanda agregada e da função da oferta agregada, pois é neste ponto que as expectativas de lucros dos empresários serão maximizadas. Chamaremos demanda efetiva o valor de D no ponto de intersecção da função da demanda agregada com o da oferta agregada.

Quanto à relação entre poupança e investimento cabe destacar que Keynes chega a uma nova formulação. Se anteriormente a poupança determinaria o volume de investimentos, sendo esta igual aquela, agora a relação causal se inverte. A poupança é um resíduo da renda, que por sua vez é determinada pelas decisões de consumo e investimento. Portanto “Assim sendo, nenhum ato de investimento, por si, mesmo, pode deixar de determinar que o resíduo ou margem, a que chamamos de poupança, aumente numa quantidade equivalente” (KEYNES, 1983, p.53).

A renda, por sua vez, é determinada em função do produto obtido pelo empresário, diminuído de seus custos primários - custo de uso dos

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Keynes (1983) entende por lucro a diferença entre o valor de produção, e os custos de fatores e custos de uso.

fatores ou custos dos fatores6. O significado da importância da atividade do empresário e de suas expectativas, para a comunidade, está representado no custo dos fatores. Isto, pois, esse representa a remuneração dos elementos produtivos envolvidos no processo produtivo, ou seja, é a renda do restante da comunidade. Há que se mencionar, também, o papel dos custos suplementares7. Estes são os custos associados a eventos inesperados ou que envolvem alguma probabilidade de acontecimento. Sua importância está associada a determinação da renda líquida do empresário: “A importância causal da renda líquida reside na influência psicológica da magnitude de U [custo de uso] sobre o consumo corrente” (KEYNES, 1983, p.30).

Determinada a renda, é preciso definir a forma como são tratadas duas outras categorias analíticas importantes: poupança e investimento. Quanto à definição de poupança, Keynes se alinha ao pensamento comum: “segundo eu entendo, todos concordam em que poupança significa o excedente do rendimento sobre os gastos do consumo” (KEYNES, 1983, p. 52). Aqui se faz necessário distinguir o consumo de investimento, uma vez que a soma destes fatores determina a renda agregada. O consumo deve ser entendido como as vendas agregadas de todas as espécies, diminuída das vendas entre empresários. Conforme, Keynes, agora, “chegando-se agora à definição, tanto de renda como de consumo, a definição de poupança, que é o excedente da renda sobre o consumo, torna-se consequência natural” (KEYNES, 1983, p. 52).

A igualdade entre poupança e investimento, em Keynes, resulta das relações estabelecidas entre produtor, consumidor e empresários compradores. Assim:

A renda cria-se pelo excedente do valor que o produtor obtém da produção que vendeu sobre o custo de uso, mas a totalidade desta produção deve ter sido vendida, obviamente, a um

6 Por custo de uso entende-se a quantia de insumos despendida na

obtenção do produto, enquanto que custo de fatores representa o valor pago, pelos empresários, aos demais fatores de produção.

7 A quantificação do custo suplementar depende do método utilizado pelo

empresário o medir. Por isso, Keynes afirma que é “um erro por toda a ênfase na renda líquida cuja relevância apenas se aplica às decisões relativas ao consumo [...] é também um erro negligenciar [...] o conceito de renda propriamente dito, que é o conceito relevante para as decisões concernentes à produção corrente e que está isento de qualquer ambiguidade” (KEYNES, 1983, p.51)

consumidor ou a outro empresário e o investimento corrente de cada empresário é igual ao excedente sobre o seu próprio custo de uso do equipamento que comprou a outros empresários. Portanto, em conjunto, o excedente da renda sobre o consumo, a que chamamos de poupança, não pode diferir da adição a equipamento de capital, a que chamamos investimentos. [...] A poupança, de fato, não passa de um simples resíduo. As decisões de consumir e as decisões de investir determinam, conjuntamente, os rendimentos. (KEYNES, 1983, p.53).

Deste modo, nota-se que, independente de qual elemento social esteja observando, consumidor ou empresário, seu comportamento tomado em conjunto determinará a fração dos rendimentos que serão resguardados a título de poupança. Logo, a poupança pode - não necessariamente deve - ser igual ao investimento, mas é dada pelas decisões resultantes de ação de consumo ou investimento.

Esta mudança no tratamento das categorias analíticas expostas modifica o escopo da análise, pois passa a ser importante analisar o comportamento do consumidor quanto a consumir, e do empresário quanto a investir. Assim, a construção passa a ser dada em torno da questão da propensão a consumir, e não mais a poupar.

Keynes (1983) passa a considerar, também, que as decisões sobre a realização de investimentos pelo empresário, ponderam o aumento da demanda efetiva em suas escolhas. Logo, quando o empresário determina o nível de emprego através da sua escolha em maximizar seus lucros, também estará interferindo na dinâmica de geração de renda e consequentemente de poupança. Há, assim, um papel importante atribuído as expectativas dos agentes econômicos na dinâmica da economia.

2.3.2. O Papel da Expectativa: O Longo Prazo e a Eficiência

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