• Nenhum resultado encontrado

Mudando Relações: O que se Pode Fazer com a Terra

No documento Download/Open (páginas 54-66)

CAPÍTULO II TERRA E AGROECOLOGIA

2.3 Mudando Relações: O que se Pode Fazer com a Terra

A conquista de terras, como parte da experiência agroecológica de Araponga, foi uma estratégia desenvolvida para mudar uma situação na qual o equilíbrio de poder era desfavorável, principalmente para os trabalhadores rurais sem terra, pequenos agricultores familiares que dependiam das relações de parceria, em número bastante elevado no município. Era a alternativa para obterem maior autonomia, tanto do ponto de vista produtivo como social e político. O embate principal era com grandes proprietários, mas também era com as condições mais gerais de produção e reprodução social que eram replicadas e impostas em grande parte por estes atores no espaço local. Se a posse da terra era uma oportunidade de mudar tais relações, havia também um risco e a necessidade de “dar certo”.

A proposta agroecológica como eixo importante do acesso à terra vai trazer alternativas para os processos produtivos, para relações sociais, reduzindo a dependência externa. A terra pode ser vista como um espaço, uma condição para a experimentação, para a inovação. A acessibilidade da proposta agroecológica faz com que a apropriação de conhecimentos e sua utilização sejam também estimuladores da autonomia dos agricultores.

“A agroecologia lida com conhecimento e com recursos que estão disponíveis, pro técnico e para o agricultor. Então, por isso que é uma ciência que abre para a criatividade. A ciência agrícola tradicional, ela fecha para a criatividade cultural, no máximo que o agricultor pode ter é a participação operacional na pesquisa. Mas, ele não tem o domínio do conhecimento, então, como a agroecologia propõe a valorização dos recursos locais que estão disponíveis? Na verdade, a variável que tem que ser trabalhada aí é o conhecimento. Então, se você tem um processo dinâmico, de interatividade, de rede, de intercambio, você reaquece culturalmente, parece que essa idéia da cultura, ela foi perdida, ela não é mais uma cultura porque a coisa agora já

47

vem pronta. Não é agricultura isso” (entrevista com diretor executivo da AS-PTA,

2005).

Mas, havia limites para a ampliação do poder dos pequenos agricultores. A terra que, para os novos proprietários, representava autonomia em diversos sentidos, era também importante instrumento de controle social em Araponga: com o controle sobre as terras era possível manter o controle político, alimentar relações clientelistas, manter a dependência e a subalternidade daqueles que também dependem deste recurso para sobreviver.

A conquista de terras vai mostrar que existem outros caminhos e oportunidades de acesso. A posse da terra, aliada à recuperação dos solos, à maior capacitação dos agricultores, à melhoria da produção e produtividade, ao resultado de adoção de práticas agroecológicas, vai permitir que os agricultores se tornem mais autônomos em relação à elite dominante no meio rural de Araponga. Isso significa que eles conquistam o direito e condições de tomarem suas próprias decisões, seja na gestão da propriedade, no âmbito social e político. Além da auto-estima, os agricultores afirmam que conquistaram respeito e são tratados de forma “diferente” por outros agricultores e por representantes de algumas instituições com as quais se relacionam.

“Afixar o rótulo de ‘valor humano inferior’ a outro grupo é uma das armas usadas pelos grupos superiores nas disputas de poder, como meio de manter sua superioridade social. Nessa situação, o estigma social imposto pelo grupo mais poderoso ao menos poderoso costuma penetrar na auto-imagem deste último e, com isso, enfraquecê-lo e desarmá-lo. Conseqüentemente, a capacidade de estigmatizar diminui ou até se inverte, quando um grupo deixa de estar em condições de manter seu monopólio das principais fontes de poder existentes numa sociedade e de excluir da participação nessas fontes outros grupos interdependentes – os antigos outsiders”

(ELIAS & SCOTSON, 2000:24).

Os agricultores envolvidos na experiência percebem diferenças nas relações sociais.

“Eu me sinto diferente, trabalho mais à vontade, me solto. (...) Algumas pessoas respeitam mais o agricultor agroecológico, mas, são só alguns. O pessoal, no começo, criticava muito quem estava envolvido na agroecologia. Eles passam a tratar a pessoa melhor porque vê que tá dando certo” (entrevista com agricultor de Araponga, 2004).

“O agricultor agroecológico é mais valorizado, se está fazendo as coisas bem feitas. Recebe elogios. As pessoas estão acostumadas com uma coisa só, convencional... e quando vêem algo diferente, elogiam e até exageram. Eu sinto mudado. O comportamento com o meio ambiente e com a vida em geral” (entrevista com

agricultor de Araponga, 2004).

Os ganhos de autonomia dos pequenos agricultores, a partir do acesso à terra, implica em perda de poder dos grandes proprietários. Estes deixam de exercer o controle sobre a vida e as decisões dos pequenos. Embora as relações entre eles ainda sejam marcadas por um equilíbrio desigual de poder em favor das elites locais, os novos proprietários já não podem ser simplesmente coagidos a realizar determinadas ações.

Além disso, quando os parceiros quebram a relação de dependência com outros proprietários para irem tocar suas próprias terras, os proprietários precisam procurar outras pessoas para levar adiante o trabalho. Ainda que não seja significativa cria-se uma disputa por mão-de-obra. “Porque os agricultores que saíam pra conquista da terra, os fazendeiros

tinham que arrumar outra pessoa pra tocar o serviço” (entrevista com coordenador executivo

do CTA-ZM, 2005).

É importante lembrar que a terra mediava relações amplas de dominação, portanto, não se trata apenas substituir um trabalhador, mas de admitir a perda de controle sobre uma família, um grupo, não apenas no espaço da produção, mas também na comercialização e na política, por exemplo.

Tais mudanças implicam em novas oportunidades de trabalho ou, segundo um agricultor, “Se o meeiro passar a ser pequeno agricultor, o bóia fria vai ser meeiro, e o

latifúndio fica sem mão-de-obra”. Embora, talvez, esta análise seja muito otimista, é preciso

observar que, ao construírem-se novos laços de parceria, repetem-se, em alguma medida, tradicionais relações de dominação.

Por trás da proposta agroecológica, como concebida em Araponga, está não apenas o conteúdo e contexto técnico, mas, a necessidade de mudanças mais amplas nas relações que os agricultores vivenciam como forma de estimular maior a autonomia destes. No entanto, embora haja um discurso forte e estratégias para que os agricultores se apropriem da proposta agroecológica (o que de fato se observa sob muitos aspectos e em muitas situações), esta ainda é, para muitos, uma proposta dos mediadores. Os agricultores têm bastante liberdade de escolha, de combinações de técnicas, de opções produtivas, mas, mesmo assim, a maioria ainda depende muito do acompanhamento dos técnicos do CTA-ZM.

“O CTA e STR trabalham dando opinião e as pessoas pegam se quiserem. Inclusive, se olhar em volta, tem muitas coisas aqui que estão plantadas até mesmo meio fora de escala porque a gente plantou livremente. Eles incentivam o plantio, mas não é dizer que tem que ser assim. Faz do jeito que você achar que deve. Em outros tempos teria medo, porque sem ter um respaldo, um acompanhamento de alguma instituição. É isso que acaba fortalecendo as pessoas” (entrevista com agricultor de Araponga, 2004).

Por um lado, este domínio que os técnicos têm da proposta agroecológica é o que faz com que a parceria com os agricultores locais se mantenha. Em alguma medida, é diferente das propostas apresentadas pela EMATER local, por exemplo, que não se adaptam às condições de produção e de vida de agricultores com poucos recursos (ainda que muitos queiram aderir a este modelo). Além disso, o discurso de trabalho autônomo proposto pelo CTA-ZM, simbolizado fortemente na figura do agricultor experimentador28 se aproxima dos desejos mais antigos dos agricultores, facilitando uma aproximação e trabalho conjunto entre eles.

Bem, liberdade ainda é uma palavra que representa um anseio geral das pessoas. Afinal, quem não quer maior autonomia? Isso não é diferente no caso dos agricultores.

No entanto, DEMO (2003) lembra que o ser humano é capaz de gestar relativa autonomia, emancipando-se dos condicionamentos até certo ponto e lançando-se como sujeito capaz de história própria. O móvel mais efetivo da autonomia humana é a habilidade de conhecer e aprender. Assim, segundo ele, o animal político está sempre em marcha, porque a autonomia não é situação dada e muito menos completa, mas processo interminável e intrinsecamente periclitante.

Na prática, esse processo, muitas vezes delicado, de construção de relações mais autônomas pode gerar muitos conflitos, inclusive naqueles aspectos sobre os quais os agricultores têm mais domínio.

28 “Agricultores experimentadores” são aqueles que, na experiência, passam a ser responsáveis pela multiplicação das técnicas e experiências para os demais agricultores, instituições, etc. São capacitados para serem agentes da experiência contribuindo para a autonomia da mesma em relação aos agentes externos.

49

O estímulo à criatividade e inovação dos agricultores pode abrir portas ainda não imaginadas, permitindo-lhes descobrir capacidades e potenciais muitas vezes desconhecidos ou não experimentados. Tais capacidades se transformam em produtos, processos e técnicas que podem ser usados para melhorar a produção e produtividade, mas cujos impactos sobre o ecossistema nem sempre são conhecidos. Em muitos casos, inovações locais podem ser também perigosas para o meio ambiente, um dos focos de atenção e motivação da agroecologia.

Relato da visita realizada por Miguel Altieri, um dos precursores da agroecologia, a comunidades do centro-sul do Paraná onde se desenvolve um trabalho com agroecologia coordenado pela AS-PTA alerta para esse tipo de risco: “A criatividade dos agricultores

manifestada na produção de diversos tipos de adubos naturais é admirável. (...) é importante também reforçar que nem todas as inovações camponesas são necessariamente desejáveis e ecologicamente as mais viáveis e efetivas.(...) É necessário avaliar criticamente esses tipos de inovações e informar os agricultores sobre os possíveis riscos associados ao uso de tais insumos” (ALTIERI & NICHOLLS, 2000: 3).

Por essa avaliação, as inovações técnicas também estariam sujeitas a aprovação de outros, de tal forma que a liberdade dos agricultores seria restringida por questões ou parâmetros que eles não dominam plenamente. Recoloca-se, assim, a disputa entre indivíduo e natureza, que não tem sido positiva para nenhum dos dois lados. No caso de Araponga, este tipo de conflito não foi identificado (depois da intervenção sobre a implantação do PESB) até porque há um viés mais humanista nas propostas do CTA-ZM, o que significa não ignorar as pessoas em nome da conservação ambiental.

Esta característica do processo é também resultado da construção da experiência, uma vez que relatos, como o de TEIXEIRA (1994), apontam que, no início do trabalho do CTA- ZM, os agricultores avaliavam que esta organização tinha uma visão ecológica muito radical e, aos poucos, foram amadurecendo sua forma de ver e lidar com a realidade dos agricultores.

Esta situação é também reflexo da priorização das questões ligadas ao desenvolvimento local e territorial, reduzindo o foco sobre as questões ligadas à inovação técnica no âmbito das propriedades (embora não sejam ignoradas). Ao mesmo tempo, talvez seja possível pensar que, em Araponga, o potencial de inovação técnico- produtiva não está sendo levado ao extremo pelos agricultores e as orientações do CTA-ZM ainda são o norte para a maioria deles.

Para aqueles que estão no início, as diretrizes do CTA-ZM são bases fundamentais; para aqueles que estão “mais adiante” e se envolveram com a produção de café orgânico, por exemplo, há muitos padrões a serem seguidos.

No princípio, relatam técnicos, sindicalistas e agricultores, era comum que estes últimos se assustassem com a falta de orientações mais diretas, de normas, uma vez que estavam acostumados com “pacotes fechados” para a produção agropecuária. “Tem

princípios? Tem... que você vai seguir.... mas, as pessoas, às vezes, se aproximam querendo a fórmula. Aí descobrem que não é bem isso e começam a se afastar...Daí a gente vê que não tem a ver com a proposta. Tem gente que fica sem chão, mas, já, já se acha. É uma coisa social: a gente é formado por modelos... daí, quando você diz que pode decidir como fazer, a pessoa fica sem chão” (entrevista com técnica do CTA-ZM, 2004).

Em face dos conflitos evidenciados entre a proposta agroecológica e modelos dominantes, devido às diversas restrições enfrentadas por agricultores e técnicos, o processo de transição para a agroecologia, a apropriação de suas idéias pelos agricultores e técnicos e os resultados destas práticas demandam tempo; um tempo muito variável de agricultor para agricultor, de local para local.

De acordo com DOMINGUES (1999:65), “se considerarmos a vida social como uma

inovações e sua difusão dependem da constituição das coordenadas espaço-temporais da vida social, ao mesmo tempo em que as moldam (cf.. Hagerstrand, 1968; Domingues, 1995). As linhas espaço-tempo da ação dos indivíduos e do movimento das coletividades distribuem- se, no que se refere a memória e à criatividade sociais, de acordo com centros de depósito de memórias, e por vezes de resistência à mudança, e centros de inovação, que por sua vez se difundem desigualmente em direções distintas e em ritmos diferentes”.

Em geral, observa-se que há avanços, tempestades, estagnação e, até mesmo, retrocesso neste tipo de iniciativa porque as relações se modificam, criam-se novas situações de tensão e conflito, há mudanças mais gerais na sociedade, tais como mercado, política pública ou economia que afetam as relações locais, às vezes provocando retrocessos e, em um outro momento, podem se desenvolver novas estratégias para lidar com os novos problemas, gerando mais inovação e mudança.

A trajetória da experiência agroecológica de Araponga tem mostrado que a medida em que ela avança e se consolida, surgem novas demandas que exigem conhecimentos, habilidades específicas que nem sempre estão ao alcance dos agricultores no momento em que são demandadas. Ao mesmo tempo, não se pode esperar que os agricultores se capacitem para tais decisões, sendo a intervenção dos mediadores necessária. Essa constante e crescente demanda de atuação dos técnicos pode gerar dependência da experiência e dos agricultores em relação a eles.

Além do mais, encontram-se envolvidos na experiência agricultores com situações muito diferentes cujas demandas em relação aos mediadores e projetos de vida são muito específicos. A necessidade de consolidar a experiência leva a uma certa concentração dos técnicos naquele grupo que está mais à frente e que, de alguma forma, leva mais adiante a experiência. Mas, isso não elimina a necessidade de apoiar aqueles que estão começando, que têm maiores dificuldades e mesmo aqueles que podem ser atraídos pela experiência, sobretudo quando uma das maiores preocupações do STR e do CTA-ZM é atender a agricultores com menor disponibilidade de recursos e exatamente aqueles que demandam mais atenção, proximidade, recursos, acompanhamento porque não têm, muitas vezes, uma base mínima para começar a mudança.

Os agricultores mais pobres ou com menor acesso a recursos são também aqueles que, em geral, não exercem com autonomia suas relações, nem mesmo no espaço da produção, o que significa que o incentivo ao protagonismo pode encontrar obstáculos nos próprios agricultores.

ALMEIDA (2003) afirma que a atual condição de marginalização e exclusão de certos grupos sociais é um fator que joga contra a capacidade de contestação das idéias agroecológicas, pelo menos no curto e médio prazos. Nesse sentido, a experiência agroecológica exige mais que mudanças técnicas ou produtivas, mas transformações nos valores, no comportamento de agricultores e mediadores e em certas condições gerais de sobrevivência destes.

Neste aspecto também, explicitam-se as diferenças de história, trajetória, acessos e oportunidades que criam limites para que os agricultores possam conduzir autonomamente seus projetos, sobretudo quando eles se chocam com padrões sociais.

Isso demanda dos mediadores um acompanhamento muito próximo dos agricultores e, ao mesmo tempo, muitas informações “de fora” para enfrentar as situações de crise que surgem. É evidente que isso leva a uma certa concentração de poder importante nas mãos dos mediadores, algo que os agricultores reconheceram em algumas entrevistas, mas que não é motivo de conflito. Por um lado, porque os agricultores não consideram estas diferenças de poder significativas, por outro, porque eles reconhecem a contribuição dos mediadores para a experiência, inclusive com este diferencial de poder. Estes fazem também trabalho de mediação para fora – divulgação e troca de experiências em outros locais. No entanto, essa

51

situação nem sempre é enfrentada de forma pacífica. Pesquisa realizada por LUZZI (2001) sobre uma experiência agroecológica, por exemplo, identifica divergências entre as visões dos agricultores e técnicos e, neste contexto, muitas vezes, os agricultores sentem-se coagidos no desempenho de suas atividades.

Há casos em que a dependência dos agricultores em relação aos técnicos é condição para a sobrevivência dos mediadores e suas organizações, representando a possibilidade de continuação do trabalho. Em Araponga, no entanto, observa-se um interesse dos mediadores em ampliarem a experiência, o que, com a reduzida capacidade operacional do CTA-ZM e do STR, não pode ser feito sem uma crescente autonomia dos agricultores de Araponga e também de outros municípios nos quais o CTA-ZM atua.

NEVES (1991) avalia que a transmissão de conhecimento no processo de mediação tem duplo caráter: permite a apropriação e a alienação. “Os mediadores (...) tentam impor a

sua visão de mundo e a das instituições que representam. Contudo, este encontro pelo desencontro permite aos mediados objetivarem e personalizarem o mundo que se impõe e que desconhecem. Devendo participar de mundos sociais cuja produção e objetivação de regras ignoram, contam com o saber oferecido pelos mediadores para a construção de sentido das ações dos ‘outros’. Através deles fundamentam as possibilidades de elaboração de uma previsibilidade de comportamento. Portanto, apropriam-se deste saber reconsiderado para formularem interpretações e objetivarem estas formas externas de poder e autoridade”.

Talvez seja mais crítica para a experiência a diferenciação de poder que surge entre os próprios agricultores. Uma vez que o processo de mediação não se dá em uma única direção, há agricultores, sindicalistas e os agricultores experimentadores que fazem o que se pode chamar de um trabalho de “mediação de dentro”. Auxiliam na difusão de conhecimentos e práticas, no acompanhamento de alguns agricultores, tornando-se referências importantes no espaço local. Com isso, podem acumular um diferencial de poder em relação aos demais, um poder que pode ser legitimado por aqueles que fazem parte da experiência já que é resultado do trabalho, do esforço e da vivência de um outro agricultor, mas que também pode desencadear conflitos. Isso, no entanto, não parece afetar o comprometimento com a experiência, sendo tratado no âmbito das relações pessoais.

Talvez se trate de um risco inerente a uma iniciativa que se propõe a redistribuir poder, na qual sempre há risco de que o conhecimento se cristalize em um grupo ou vários grupos, levando a exercerem poder sobre outros, implicando em outras formas de dominação dentro das novas relações construídas. Talvez essa seja uma situação inerente a todas as relações sociais, estejam elas vinculadas ou não a experiências como esta.

Observou-se um outro tipo de conflito na experiência, que alerta para a diferenciação dentro do grupo, relacionada à liberação de agricultores-sindicalistas, pelo STR para atuar como monitores do CTA-ZM.

“Araponga nunca aceitou muito ter uma pessoa liberada, uma pessoa ficar liberada em tempo integral, sabe? Eles sempre, quando foi proposto, por exemplo, ter uma liberação para trabalhar ali na região ali e tal, ele topavam, mas, dividindo em duas pessoas; para que eles não perdessem um vínculo com a propriedade. (...) Mas isso trouxe alguns, alguns conflitos. Nesse momento (...) que teve esse conflito lá com os experimentadores da agrossilvicultura, uma das coisas que veio à tona foi isso aí também. Ah!, porque você pode plantar lá as árvores no meio do café e não produzir, porque você ganha por fora, não é? Você tem outra remuneração, mas eu não, eu dependo disso que eu estou fazendo aqui para poder, né? Então, questionou algumas lideranças, inclusive o papel delas, porque elas recebiam liberação. O que mais eu posso te dizer assim que, pode ter surgido de conflito aí?”.

“Aí [no caso da liberação] acho que houve uma diferenciação de agricultores que

No documento Download/Open (páginas 54-66)