Mulheres mais e menos instruídas
Mulheres mais e menos instruídas
Mulheres mais e menos instruídas
Detenhamo-nos então e em primeiro lugar pelas taxas de fecundidade em mulheres de 40 e mais anos, de acordo com o grau de instrução14 em 2001 [Quadro 4.1 – Anexo]. Analisando
em primeiro lugar a distribuição para a totalidade dos nados vivos, facilmente se conclui que, apesar de em termos absolutos o maior número de nascimentos ocorrer em mulheres com o ensino básico, seguidas das que possuem o ensino secundário e só depois das que têm o ensino superior; em termos de taxas específicas de fecundidade por grau de instrução, o valor mais elevado situa-se no grupo das mulheres que têm o ensino superior, onde se regista uma taxa de 63,06‰, seguidas das que possuem o ensino básico com 47,45‰ e, em terceiro lugar das que têm o ensino secundário, com uma taxa de 44,63‰. Às mulheres sem nível de ensino reserva-se a taxa de fecundidade mais baixa, designadamente, 4,37‰. No caso particular dos nascimentos ocorridos em mulheres de 40 e mais anos para o mesmo 2001, verifica-se que a taxa de fecundidade mais elevada continua a situar-se entre as mulheres que possuem o ensino superior, com uma taxa de 6,24‰, seguidas das que têm, não o ensino básico mas o ensino secundário, onde a taxa é de 4,92‰ e só depois as mulheres com o ensino básico, onde a taxa é de 3,45‰ e, finalmente, as que não têm qualquer nível de ensino com uma taxa de 0,87‰. À semelhança do
14 No contexto da informação compilada pelas Estatísticas Demográficas 2001, entende-se por
instrução o mais alto grau de ensino completo possuído pelo indivíduo, de entre os seguintes: “não sabe ler nem escrever”; “sabe ler sem ter frequentado o ensino”; “ensino básico”; “ensino secundário” e “ensino superior”. Tendo em conta que os resultados do Recenseamento Geral da População agrupam a população, segundo a instrução, nas categorias de “sem nível de ensino”; “ensino básico”; “ensino secundário” e “ensino superior” e por forma a calcular as taxas de fecundidade por grau de instrução, agregaram-se os nados vivos ocorridos em mulheres que não sabem ler nem escrever e sabem ler sem ter frequentado o ensino em “sem nível de ensino”.
146
que acontece em termos globais, também a análise da fecundidade tardia deixa, assim, perceber uma bi-polarização dos nascimentos entre mulheres mais e menos instruídas.
Outras conclusões, resultantes de interacções particulares entre níveis de instrução inferiores e superiores evidenciam-se igualmente à malha mais fina [Gráfico 4]. Ao nível regional, constata-se que, em todas as regiões consideradas, com excepção das Regiões Autónomas dos Açores e Madeira, as taxas de fecundidade em mulheres de 40 e mais anos são mais elevadas nas que detêm o ensino superior, seguidas das que possuem o secundário, enquanto que, no caso dos arquipélagos, se observa que as taxas de fecundidade mais elevadas, entre as mulheres de 40 e mais anos, são as registadas no grupo das que possuem o ensino secundário, seguidas das que detêm o ensino superior, nos Açores, e o básico, na Madeira.
Taxas de fecundidade, por grau de instrução, em mulheres de 40 e mais a Taxas de fecundidade, por grau de instrução, em mulheres de 40 e mais a Taxas de fecundidade, por grau de instrução, em mulheres de 40 e mais a
Taxas de fecundidade, por grau de instrução, em mulheres de 40 e mais anos, NUTS II nos, NUTS II nos, NUTS II nos, NUTS II –––– 2001200120012001 (desvios em relação à média nacional)
(desvios em relação à média nacional)(desvios em relação à média nacional) (desvios em relação à média nacional)
[Gráfico 4] -3,50 -2,50 -1,50 -0,50 0,50 1,50 2,50 3,50 4,50 Norte Centro LVT Alentejo Algarve RA Açores RA Madeira Á re a g e o g rá fi c a d e r e s id ê n c ia d a m ã e Desvio (%0)
Sem Nível de Ensino Ensino Básico Ensino Secundário Ensino Superior
Fonte: Fonte:Fonte:
Fonte: Cálculos próprios (Quadro 4.1 – Anexo), com base no INE, Estatísticas Demográficas 2001 (IDNP) e
147
Relativamente aos graus mais baixos de instrução, verifica-se que, no caso das mulheres de 40-49 anos que não possuem qualquer nível de ensino, as taxas de fecundidade que mais distam da média nacional (com desvios superiores a 0,5‰) o fazem de forma positiva, designadamente no Alentejo e Algarve, e sobretudo no Alentejo que, com 1,66‰, regista a mais elevada taxa de fecundidade em mulheres com este nível de instrução. No nível de instrução imediatamente acima, ou seja, no grupo de mulheres que possuem o ensino básico, é no Centro que as taxas de fecundidade mais se afastam dos valores nacionais, com um desvio negativo de 0,68‰, traduzido numa taxa de fecundidade de 2,77‰. Por outro lado, é nas regiões do Algarve, Região Autónoma dos Açores e Madeira que as taxas de fecundidade neste nível de ensino mais surgem sobre-representadas, com desvios positivos relativamente à média nacional superiores a 1‰ e que, no caso da Região Autónoma da Madeira, regista mesmo o valor mais elevado, encontrando-se aí uma taxa de 5,17‰ entre as mulheres de 40 e mais anos que possuem o ensino básico.
No conjunto das mulheres que detêm o ensino secundário, o Norte, Alentejo e Algarve apresentam desvios negativos à média nacional superiores a 5‰, atingindo o máximo no Algarve onde a um desvio de –0,98‰ corresponde a menor taxa registada, designadamente, 3,94‰. Quanto aos desvios positivos mais significativos, surgem estes nas Regiões Autónomas, sobretudo nos Açores que regista um desvio positivo em relação aos valores nacionais na ordem dos 2,83‰, a que corresponde a mais elevada taxa de fecundidade entre as mulheres com 40 e mais anos e o ensino secundário: 7,75‰. Finalmente, no que respeita às mulheres com o ensino superior, é de referir que nas regiões Norte, Centro, Alentejo e Região Autónoma da Madeira se verificam desvios negativos em relação à média nacional superiores a 0,5‰, verificando-se nesta última o maior desvio, querendo com isto dizer que é nesta região que menos mulheres com o ensino superior têm filhos depois dos 40 anos. De salientar ainda que a região de Lisboa e Vale do Tejo constitui, nesta matéria, um caso único, traduzindo o único desvio positivo à média nacional, donde resulta uma taxa de fecundidade de 7,61‰ em mulheres de 40 e mais anos com o ensino superior.
148