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MUNICÍPIO E SEUS DEVERES

No documento Mudanças climáticas e desastres no Brasil (páginas 76-79)

2 DIREITO E DESASTRES

2.5 MUNICÍPIO E SEUS DEVERES

A Constituição Federal de 1988 versa em seu 19Art. 23, incisos XI e XII, sobre a competência a todos os entes federados. O município tem apenas competência local, mas é ele quem primeiro detecta qualquer forma de poluição, desmatamento, agressão à fauna e flora, desde que tenha planejamento, mapeamentos, dados atualizados e, principalmente, fiscalização, por isso é o órgão mais importante para que o sistema da defesa civil tenha um bom desempenho.

Encontramos no Art. 30, inciso I da Constituição Federal, que o município pode apenas legislar sobre assuntos locais. No mesmo artigo, encontramos no inciso VIII, que os impactos causados pelos desastres são mais numerosos nos grandes centros urbanos devido ao crescimento descontrolado da população e da falta de fiscalização do município em retirar as famílias das áreas de risco.

Art. 30. Compete aos Municípios:

I - legislar sobre assuntos de interesse local;

II - suplementar a legislação federal e a estadual no que couber; III - instituir e arrecadar os tributos de sua competência, bem como aplicar suas rendas, sem prejuízo da obrigatoriedade de prestar contas e publicar balancetes nos prazos fixados em lei;

IV - criar, organizar e suprimir distritos, observada a legislação estadual;

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Art. 23. É competência comum da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios: (...) VI - proteger o meio ambiente e combater a poluição em qualquer de suas formas; VII - preservar as florestas, a fauna e a flora; (...). BRASIL. Constituição (1988).

Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm>. Acessado em: 14 mai. 2015.

V - organizar e prestar, diretamente ou sob regime de concessão ou permissão, os serviços públicos de interesse local, incluído o de transporte coletivo, que tem caráter essencial;

VI - manter, com a cooperação técnica e financeira da União e do Estado, programas de educação pré-escolar e de ensino fundamental;

VI - manter, com a cooperação técnica e financeira da União e do Estado, programas de educação infantil e de ensino fundamental; VII - prestar, com a cooperação técnica e financeira da União e do Estado, serviços de atendimento à saúde da população;

VIII - promover, no que couber, adequado ordenamento territorial, mediante planejamento e controle do uso, do parcelamento e da ocupação do solo urbano;

IX - promover a proteção do patrimônio histórico-cultural local, observada a legislação e a ação fiscalizadora federal e estadual20.

A Lei n° 12.340/10, antes de ser modificada pela Lei n° 12.680/12, trazia a concepção de pós-desastre, ou seja, todas as medidas eram tomadas após uma ocorrência de dano causado por um desastre. Neste momento é que as medidas eram tomadas para reverter a situação. Com a nova Lei n° 12.680/12, medidas de precaução contra os desastres começaram a ser adotadas.

Conforme uma pesquisa apresentada pela Folha de São Paulo apud Carvalho e Damacena (2013, p. 86), em 2012 demonstrou que:

[...] a adaptação dos municípios brasileiros quanto à elaboração de planos de desastres naturais é bastante deficitária. Pesquisa divulgada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) revela que, em 2011, apenas 6,2% dos 5.565 municípios brasileiros tinham plano municipal de redução de riscos relacionados a desastres naturais, como enchentes, deslizamentos de terras e secas. Em outros 10,1%, o plano estava em processo de elaboração [...].

A grande questão é que os municípios que passarem a fazer parte do sistema (S2ID) incumbe obrigatoriamente cumprir os requisitos que foram demonstrados no item 2.3. A partir do momento em que é decretada pelo município a situação de emergência ou estado de calamidade pública, passa a encadear várias obrigações, como elaborar mapas de risco, plano de

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Art. 30. Compete aos Municípios: I - legislar sobre assuntos de interesse local; (...). BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm>. Acessado em: 14 mai. 2015.

contingência, plano de implantação de obras e serviços, fiscalização para evitar a edificação em áreas de risco e elaborar carta geotécnica de urbanização. Neste contexto, Carvalho e Damacena (2013, p. 87) ressaltam que “A lei estabelece que medidas preventivas devam ser tomadas pelo ente federado quando da constatação de áreas de risco de desastre em seu território”.

Neste mesmo sentido, o município fica obrigado a cumprir o que está expresso no Art. 3°-A, § 2°, inciso II, que é elaborar um Plano de Contingência de Proteção e Defesa Civil, tendo prazo de um ano para elaboração e, ainda, deverá submeter uma avaliação e prestação de contas anual. Conforme foi mencionado sobre a obrigação de o município ter Plano de Contingência de Proteção e Defesa Civil após o cadastro no S2ID, o Plano terá de conter os seguintes elementos:

Art. 3º-A. O Governo Federal instituirá cadastro nacional de municípios com áreas suscetíveis à ocorrência de deslizamentos de grande impacto, inundações bruscas ou processos geológicos ou hidrológicos correlatos, conforme regulamento.

... § 7° São elementos a serem considerados no Plano de Contingência de Proteção e Defesa Civil, a ser elaborado pelo Município:

I - indicação das responsabilidades de cada órgão na gestão de desastres, especialmente quanto às ações de preparação, resposta e recuperação;

II - definição dos sistemas de alerta a desastres, em articulação com o sistema de monitoramento, com especial atenção dos radioamadores;

III - organização dos exercícios simulados, a serem realizados com a participação da população;

IV - organização do sistema de atendimento emergencial à população, incluindo-se a localização das rotas de deslocamento e dos pontos seguros no momento do desastre, bem como dos pontos de abrigo após a ocorrência de desastre;

V - definição das ações de atendimento médico-hospitalar e psicológico aos atingidos por desastre;

VI - cadastramento das equipes técnicas e de voluntários para atuarem em circunstâncias de desastres;

VII - localização dos centros de recebimento e organização da estratégia de distribuição de doações e suprimentos21.

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Lei n° 12.340, de 01 de Dezembro de 2010. Planalto. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2010/Lei/L12340.htm>. Acesso em: 15 mai. 2015.

Muitos dos desastres que acontecem no Brasil poderiam ser evitados pela aplicação da fiscalização, implantação da adaptação, prevenção e precaução. Vimos que o Brasil tem normatizações para minimizar os desastres. Os entes federados, principalmente os municípios, não se comprometem com a correta aplicação das normas, assim acarreta omissão, deixando de trabalhar os pontos principais, como populações em áreas de risco, planejamento estratégico, habitação em áreas de preservação ambiental, fiscalização, além de outros que poderiam diminuir os desastres. Todas essas indagações nos levam à seguinte pergunta: onde está a aplicação dos entes federados, mediante as normas que possibilitam a diminuição da vulnerabilidade? Como está sendo julgada a responsabilidade civil aos entes que não estão cumprindo com as normatizações? Iremos analisar estas relevantes questões no próximo capítulo.

No documento Mudanças climáticas e desastres no Brasil (páginas 76-79)

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