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MUSEOLOGIA, MUSEOGRAFIA E MUSEUS 

No documento Turismo cultural. Uma visão antropológica (páginas 193-196)

PATRIMÓNIO

7.2.  MUSEOLOGIA, MUSEOGRAFIA E MUSEUS 

Numa perspectiva antropológica é hoje inquestionável a importância que os museus têm para o turismo e para o desenvolvimento de áreas rurais e urbanas. Pensamos que é uma obrigação do especialista em turismo cultural saber aproveitar os diferentes tipos de museus com fins turísticos, recreativos, educativos e comunitários.

Para isso, a primeira noção conceptual que tem que distinguir o profissional do turismo cultural é a de museu (Alonso Fernández, 1993: 28):

“The word "museums" includes all collections open to the public, of artistic, technical, scientific, historical or archaeological material, including zoos and botanical gardens, but excluding libraries, except in so far as they maintain permanent exhibition rooms.” (ICOM -Comissão Internacional de Museus-, 1946) “The word of museum here denotes any permanent establishment, administered in the general interest, for the purpose of preserving, studying, enhancing by various means and, in particular, of exhibiting to the public for its delectation and instruction groups of objects and specimens of cultural value: artistic, historical, scientific and technological collections, botanical and zoological gardens and aquariums. Public libraries and public archival institutions maintaining permanent exhibition rooms shall be considered to be museums”. (ICOM, 1956)

“A palavra museu define todo o estabelecimento permanente, administrado em função do benefício e interesse geral, para conservar, estudar, fazer valer por meios diversos e, sobretudo, expor para desfrute e educação do público, um conjunto de elementos de valor cultural: colecções de objectos artísticos, históricos, científicos e técnicos, jardins botânicos, zoológicos e aquários. As bibliotecas públicas e os centros de arquivos que têm salas de exposições de forma permanente, serão assimilados aos museus” (ICOM, 1961).

“... é uma instituição permanente, não lucrativa, ao serviço da sociedade e seu desenvolvimento, aberta ao público, que adquire, conserva, investiga, comunica e principalmente expõe os testemunhos materiais do Homem e seu meio ambiente, para fins de estudo, educação e prazer” (ICOM, 1974).

Estas definições foram repensadas em 1989, 1995 e 2001 (Ver

http://icom.museum/hist_def_eng.html). Das definições do ICOM, emerge uma ideia importante, que é a de que o museu é uma instituição permanente ao serviço da sociedade e não apenas uma simples “colecção”; ainda que, como bem sabemos, muitas colecções simples sejam chamadas de “museu”, por constituírem

uma etiqueta social de maior prestígio e de melhor saída comercial. Sobre esta questão pensamos que não podemos perder de vista a origem etimológica da palavra “museu”, que deriva do latim “museum” e do grego “mouseion”, e que quer dizer “o lugar das musas”. Este sentido etimológico converte o museu num lugar de inspiração, sentido que devemos ter sempre como referência com o objectivo de revitalizar constantemente o museu nas suas diferentes modernidades.

O estudo do museu corresponde à “museologia” (Riviére, 1989; Alonso Fernández, 1993: 18 e 37; Nabais, 1984: 44), que é a ciência do museu. Ela encarrega-se de pensar os princípios filosóficos que orientam a prática museística, mas também o seu papel na sociedade, as suas funções sociais (conservação, educação, investigação e outras). A museologia interliga o continente com o conteúdo, o edifício com o projecto museológico, é mais teórica, normativa e planificadora. Portanto, não devemos confundir a museologia com a “museografia”, que é o conjunto de técnicas e práticas de aplicação da museologia. A museografia trata do planeamento arquitectónico, dos aspectos administrativos e da gestão dos espaços museísticos (ex.: temperatura a 18º C e 60% de humidade relativa); trabalhando com o continente do museu e com as técnicas a aplicar nele (ex.: instalações eléctricas, iluminação).

Quais os objectivos dos museus? Pois bem, os objectivos centrais dos museus são os de conservar, investigar e difundir o património natural e cultural (Alonso Fernández, 1993: 180). Associados a estes objectivos estão os de educar e fazer desfrutar. O museu também pode ser definido pelas suas funções:

COLECCIONAR IDENTIFICAR DOCUMENTAR REGISTAR INVENTARIAR INVESTIGAR CATALOGAR PRESERVAR CONSERVAR EXIBIR

DIFUNDIR

As funções mais clássicas são as de coleccionar, conservar e exibir. De entre estas funções, o problema radica em que, coleccionar implica seleccionar, arrumar e classificar objectos e ideias. O museu tem por objecto ser espelho das comunidades para ajudá-las a descobrir quem são, de onde vêm e para onde vão.

Do mesmo modo o museu tem por objectivo ser janela ou vidro (Riviére, 1989). E, na actualidade, o museu converteu-se numa montra para turistas.

Na actualidade, as definições “clássicas” de museu têm mudado muito. Antes eram muito latas e não permitiam um critério uniforme para a classificação da enorme variedade de museus existentes: museus de arte, arqueologia, história, ciências naturais, tecnologia, etnografia, etnologia e antropologia; museus locais, regionais, nacionais, mundiais; museus públicos, museus privados. Ainda que o ponto de interesse comum a todos os museus seja o património cultural e natural, hoje em dia, muitos museus têm passado a ser um instrumento fundamental do desenvolvimento local, através da sua exploração turística. É por isso que o museu é um elemento fundamental para o turismo cultural: nalguns casos o turismo cultural precisa do museu e noutros o museu precisa do turismo cultural para a sua própria sobrevivência. Ainda que em menor medida o museu também pode viver à margem do turismo e não precisar dele.

O que é certo é que o conceito de museu abandonou a ideia de simples armazém de peças e objectos para converter-se num espaço ao serviço das comunidades. Neste sentido, o museu é um meio de comunicação (Alonso Fernández, 1993:32) de ideias, valores e identidades, mas também deveria ser uma instituição ao serviço do desenvolvimento comunitário. Na actualidade o museu é cada vez mais um instrumento de interpretação das culturas e dos grupos sociais e, como afirma Monserrat Iniesta (1994:18) os museus são um instrumento de reprodução simbólica da sociedade, um gerador de imagens culturais que reflectem a dinâmica dialéctica das hegemonias. Desde este ponto de vista o museu é um instrumento de criação de um imaginário colectivo e uma fábrica de identidades.

No documento Turismo cultural. Uma visão antropológica (páginas 193-196)