• Nenhum resultado encontrado

De acordo com Falcão (2009) o primeiro museu verdadeiramente público, foi o Museu do Louvre, aberto para visitação em 1793, após a Revolução Francesa que despertou grande interesse da população, independentemente da condição social, teve acesso livre pela primeira vez às antigas coleções privadas da realeza francesa que se tornaram públicas. Desde então, o museu passou a ser visto como um instrumento de educação, ensino e esclarecimento do povo (vulgus).

Os museus não existem sem seus públicos as exposições não existem sem um público que a contemple e a re-interprete (MURRIELO, 2006). De certa forma, na relação museu e sociedade, o público é a principal audiência e um dos responsáveis pela sobrevivência dos museus ao longo de séculos e que, cada vez mais, se firmam como espaços culturais, sociais e de preservação de memórias e patrimônio histórico.

A vocação de um museu é construída ao longo de sua história, a partir das relações que ele estabelece com a comunidade circundante, com os visitantes e com os não visitantes. Essas relações refletem os contextos sociais, econômicos, políticos e culturais que formatam seus projetos ao longo do tempo, nem sempre expressos no texto de sua missão (DAMICO et al., 2010).

A exemplo da estação ferroviária de Peirópolis, que dado suas características históricas, culturais e principalmente o potencial científico educacional da região, foi transformada em um museu, cuja intenção era a divulgação científica e a preservação do patrimônio social e cultural. Um espaço público onde as pessoas se reúnem independente da condição financeira, escolaridade, nacionalidade, ou classe social.

Ao longo do desenvolvimento desta dissertação e, diante de toda a teoria exposta, foi possível compreender os processos históricos e evolutivos pelos quais os museus foram submetidos ao longo do tempo e espaço, bem como, os processos inerentes à construção do conhecimento científico, essencial para desenvolvimento e caracterização dos museus como os conhecemos hoje, especialmente os museus de história natural, uma vitrine para divulgação científica, assim como o Museu dos Dinossauros.

5.1 - Como e por que conhecer o público visitante do museu

No Brasil, pesquisas e estudos sobre o público visitante de museus, tem ganhado maiores proporções nas duas últimas décadas. Grupos de estudos como o

GEENF8, vinculado à Faculdade de Educação da USP, vem realizando diversas

pesquisas sobre o perfil do público visitante de museus e também do não visitante, na intenção de verificar quais os motivos da visita e da não visita.

Tais pesquisas são essenciais para o gerenciamento da instituição museu, uma vez que, permite a tomada de decisões mais conscientes sobre a continuidade e/ou criação de novas ações e exposições, planejamento financeiro coerente com direcionamento equiparado de verbas e principalmente a proximidade, o contato e o diálogo direto com o público visitante reconhecendo seu potencial.

Neste sentido, a fim de complementar e contribuir com o referencial teórico abordado neste trabalho, faz-se necessário conhecer e entender os diferentes públicos que visitam o Museu dos Dinossauros.

5.1.1 – Questionário de avaliação científica

No intuito de apresentar dados qualitativos e quantitativos, que pudessem enriquecer as discussões levantadas, foram coletados dados in loco, sobre o perfil

8

Desde 2002, sob coordenação da Prof. Dr.ª Martha Marandino, o Grupo de Estudo e Pesquisa em Educação Não Formal e Divulgação em Ciência – GEENF, se dedica ao estudo, a pesquisa, a produção e avaliação de ações e materiais no campo da educação não formal e da divulgação em ciência. O GEENF atua em parceria com diversas instituições museológicas e de pesquisa, nacionais e internacionais, como museus, centros de ciências, zoológicos, jardins botânicos, aquários, entre outros espaços de educação não formal. Muitas dessas parcerias resultam em artigos publicados, trabalhos apresentados em congressos, oficinas e cursos ministrados, além da produção de materiais didático-culturais.

dos diferentes públicos que visitam o Museu dos Dinossauros e a percepção destes quanto ao conteúdo científico exposto.

Murriello e Lopes (2004), Murrielo (2006), Damico et al. (2010), McManus (2013), Martins et al. (2013), Ceratti (2014), Costa et al. (2015), Castro et al. (2015) e Mano et al. (2015), foram trabalhos essenciais para a elaboração do questionário, coleta de dados e tabulação pois tratam diretamente de pesquisas de público e análise de perfil do público visitantes de museus nacionais e internacionais.

Dado sua dinamicidade, eficiência na coleta e facilidade na tabulação, optou- se pela utilização de um questionário de avaliação científica de duas páginas com 22 perguntas abertas e fechadas, estruturadas em três partes: perfil, didática museal (conhecimento científico prévio e adquirido) e espaço museal (apêndice I).

A primeira parte do questionário contém informações gerais, como localidade, faixa etária e escolaridade. A segunda parte diz respeito aos conhecimentos prévios e adquirido com a intenção de identificar o grau de percepção que os visitantes sobre as geociências, especialmente a sedimentologia e a paleontologia. A terceira parte diz respeito à satisfação dos visitantes com relação às práticas museais, objetos, exposições, coleções, dioramas, painéis, espaços físicos, e outros.

O questionário estruturado é uma ferramenta de pesquisa eficiente, pois permite interrogar rapidamente, um grande número de pessoas, e tratar os dados estatisticamente para deles tirar conclusões gerais e realizar um diagnóstico a partir dos dados obtidos.

De acordo com Laville e Dione:

Para interrogar os indivíduos que compõem uma amostra representativa a abordagem mais usual consiste em preparar uma série de perguntas sobre o tema visado, perguntas escolhidas em função da hipótese. Para cada uma dessas perguntas, oferece-se aos interrogados uma opção de respostas, definida a partir dos indicadores, pedindo-lhes que assinalem a que corresponde melhor a sua opinião (LAVILLE e DIONE, 1999).

Para além das perguntas fechadas, sempre com opção de respostas fixas, há também os questionários com perguntas abertas, de modo que o entrevistado tenha um espaço livre para emitir sua opinião.

Na etapa do tratamento dos dados, o pesquisador terá de construir categorias e ele mesmo deverá interpretar as respostas dos sujeitos em função dessas categorias. As comparações entre sujeitos

serão também mais delicadas de estabelecer (LAVILLE e DIONE, 1999).

Os questionários foram entregues aos visitantes na saída do museu após a realização da visita, sem métodos ou padrões pré-estabelecidos, com preenchimento voluntário e não obrigatório, sem nenhum tipo de identificação pessoal. No total foram preenchidos 56 questionários avaliativos, dois foram descartados, pois as respostas obtidas estavam incongruentes com a pesquisa. Logo, a base amostral utilizada foi composta por 54 questionários (n54), aplicados e respondidos de maneira aleatória, no período de 20 a 25 de junho de 2017, durante uma semana de funcionamento normal do museu.

Para as respostas livres, obtidas com as questões abertas, os dados foram tabulados a partir da criação das seguintes categorias: aprendizado, estudos e pesquisas, diversão e lazer, outros. Todas as informações coletadas com os questionários físicos foram repassadas para web, alimentado uma planilha eletrônica onde foram gerados gráficos e tabelas apresentados neste capítulo.

Outros dados qualitativos e quantitativos foram obtidos também a partir da análise de documentos e arquivos do museu, os livros de registros espontâneos e as planilhas com agendamentos de escolas e grupos organizados foram os principais documentos consultados.

5.2 - Perfil dos visitantes por grupos de visitação: espontâneo, escolar e organizado

O Museu dos dinossauros ainda não dispõe de meios para controle de acesso e estatísticas oficiais de visitação, não há catracas ou qualquer contagem real de visitantes. Atualmente a entrada no museu é gratuita, a cobrança de ingresso, no valor de 3,00 reais está suspensa desde outubro de 2016, por motivos administrativos. O museu dispõe apenas de verbas públicas, repassadas pela UFTM, para limpeza, manutenção e segurança patrimonial (serviços terceirizados), compras de insumos e pagamento de energia elétrica e água.

Oficialmente, a equipe técnica do museu se resume ao diretor e um técnico administrativo, não há lojinha ou qualquer venda de produtos relacionados a exposição ou ao museu, o serviço de recepção ao visitante é feito por vigias

terceirizados, não há serviços de monitoria. Este serviço é oferecido aos grupos visitantes, por empresas particulares ou moradores locais, que cobram cerca de 2,00 reais por pessoa para visitas guiadas com no mínimo 10 pessoas.

De acordo com o diretor do Complexo Cultural e Científico de Peirópolis, o Museu dos Dinossauros recebe cerca de 50 mil visitantes por ano e, desde a sua inauguração, o número total de visitantes é de aproximadamente 1,5 milhões de pessoas, de diferentes localidades, cerca de 1200 municípios, dos 27 estados da federação e de 44 países diferentes, entretanto, estes números não são exatos e foram extrapolados em 3 vezes pois tem como base o livro de registros espontâneos.

A base de dados utilizada para contabilização, se limita aos agendamentos de grupos e principalmente, o livro de registros espontâneos, localizado estrategicamente no pequeno hall de entrada do museu (figura 5.12 tem A), onde as pessoas registram presença de maneira voluntaria, escrevendo nome, local de origem e data. Cerca de 3 a cada 10 pessoas que adentram o museu assinam o livro.

Nesta dissertação, para fins estatísticos, foram contabilizados apenas os visitantes que assinaram os livros de registros espontaneamente. Assim como, foram considerados também, apenas os grupos escolares ou organizados que agendaram antecipadamente à visita ao Museu, cujas solicitações foram oficialmente registradas e documentadas, pela direção da instituição.

Importante ressaltar que o pesquisador, autor deste trabalho, durante o período de coleta de dados e atividades de campo, teve livre acesso às dependências e departamentos do CCCP, incluindo museu, laboratório e alojamentos. Acesso facilitado também a alguns documentos, arquivos e aos livros de registros de 2015, 2016 e 2017. O livro de registros de 2015 foi descartado, pois havia uma lacuna no período de julho a outubro, tal defasagem no preenchimento comprometeria a análise das informações.

De início, a tabulação dos dados coletados aponta a predominância de três grupos distintos de visitantes: público espontâneo, grupos escolares e grupos organizados. Sendo o público espontâneo.

Visitantes espontâneos são os frequentadores mais assíduos do museu e o visitam por diversos motivos, podem ser crianças, jovens, adultos e idosos, em grupos familiares e/ou de amigos, casais, turistas e/ou moradores. Os visitantes em

grupos escolares, predominantemente, são alunos da educação básica, desde o primeiro ano no ensino fundamental ao terceiro ano do ensino médio, crianças e adolescentes em idade escolar entre 6 e 17 anos. Os visitantes classificados como grupos organizados, são aqueles que visitam o museu com intenções de estudos, pesquisas, lazer ou atividade sócio cultural, são constituídos por alunos do ensino superior, do ensino técnico, do EJA (Educação de Jovens e Adultos), turistas (city tour) e grupos de jovens e idosos que apresentam elevados índices de vulnerabilidade social que são atendidos por órgãos públicos da assistência social.

Em 2016 o museu contabilizou oficialmente 14634 visitantes, já no primeiro semestre de 2017 foram contabilizados 8771 visitantes. A contabilidade oficial de visitantes no período de 18 meses (de 31/01/2016 até 30/06/2017) foi de 23405 pessoas, sendo 16809 pessoas em vistas espontâneas, 5868 alunos em grupos escolares e mais 728 visitantes organizados em grupos (tabela 5.1).

Tabela 5.1: Total de visitantes separados por grupos.

Grupos Características Total de Visitantes

2016 e 2017/1

Espontâneo

Adultos, crianças e idosos, Visitação em grupos de amigos, e/ou familiares, casais,

turistas e moradores

16809(72%)

Escolar

Ensino Fundamental I (1º ao 5º ano) Ensino Fundamental II (6º ao 9º ano) Ensino Médio

(1º ao 3º ano)

5868 (25%)

Grupos Organizados

Alunos do EJA (Supletivo), alunos do Ensino Técnico, Universitários, Grupos Socioeducativo, Idosos, Turistas

728 (3%)

*23405 visitantes contabilizados de 1/1/2016 à 30/6/2017

No período estabelecido, 72% dos visitantes foi de maneira espontânea, outros 25% eram grupos escolares e somente 6% agendaram a visita enquanto, grupos organizados. O gráfico 5.1 apresenta a porcentagem total de visitantes divididos por grupos, no comparativo entre os anos de 2016 e 2017.

[VALOR] (10040) [VALOR] (4169) 2,9% (425) [VALOR] (6769) [VALOR] (1699) [VALOR] (303)

Espontâneo Escolar Grupos Organizados

Grupos de Visitantes - 2016 e 2017/1

2016 2017

Gráfico 5.1: Total de visitantes por grupo de visitação: Espontâneos, Escolares e Grupos Organizados, comparativo entre 2016 e 2017/1.

Os períodos de visitação variam conforme os diferentes grupos, sendo os meses de vacância escolar (dezembro, janeiro e julho) com maiores índices de visitação espontânea (foto 5.8). Nos meses de maio, junho, outubro e novembro, de segunda a sexta feira, predomina a visitação de grupos escolares. Os grupos organizados, que agendam a visita antecipadamente, se distribuem ao longo do ano, não necessariamente, estabelecendo um período padrão de visitação.

Em janeiro de 2017 o total de pessoas em visitas espontâneas (total 1968) no museu foi 80% maior que janeiro de 2016, em contrapartida, abril e maio de 2016 (total 2593), recebeu 45% mais visitantes espontâneos do que abril e maio de 2017.

Foto 5.8: Visitação espontânea, grupo familiar observando os fósseis expostos. Na lateral do piso areia e sedimentos espalhados e a direita no fundo, painel de fossilização. Foto do autor, 2017.

O público escolar foi 35% (2604) maior no primeiro semestre de 2016 quando comparado com o primeiro semestre de 2017 (1699). Este é o único grupo de visitantes, em que se observa um padrão de visitação com crescimento ascendente de fevereiro até junho em 2016 e 2017. Destaque para o mês de junho de 2016 onde o público escolar foi superior ao público espontâneo. Os grupos organizados representaram 3% do total de visitantes, em novembro de 2016, 141 em um total de 728 visitantes.

O gráfico 5.2 é interessante, pois, deixa claro que a distribuição dos três grupos de visitantes não é homogênea e varia ao longo do ano. O gráfico também confirma a informação de que o museu, apesar de ser pequeno e com poucos recursos administrativos, recebe muitos visitantes ao longo do ano.

1093 911 746 1320 1273 601 911 319 484 567 759 1056 1968 1083 604 1060 727 1327 137 225 496 687 906 153 88 296 593 380 208 123 105 276 491 704 8 72 21 82 44 141 57 45 97 47 114 0 200 400 600 800 1000 1200 1400 1600 1800 2000

Visitantes por Grupos - de janeiro de 2016 à junho de 2017

Espontâneo Escolar Grupos Organizados

Gráfico 5.2: Comparativo mês a mês entre os diferentes grupos de visitantes do Museu dos Dinossauros, no período de 01 de janeiro de 2016 a 30 de junho de 2017. Em azul, visitantes espontâneos, em vermelho, grupos escolares e em verde grupos organizados.

Em se tratando de grupos escolares, no gráfico 5.3 e 5.4 é possível observar o total de visitas realizadas mês a mês em 2016 o tipo de escola visitante, se pública ou particular e as series predominantes.

0 137 225 496 687 906 153 88 296 593 400 208 0 200 400 600 800 1000

Total de Alunos Visitantes por Mês em 2016

76 568 1240 154 53 1268 787 43 Educação Infantil 1º ao 5º Ano 6º ao 9º Ano 1º ao 3º ano do Médio

Número Total de Alunos Visitantes - Educação Básica - 2016

Pública Particular

Gráfico 5.3: Grupos escolares, alunos mês a mês em 2016. Total de 4189 alunos.

Gráfico 5.4: Grupos escolares, educação básica, relação de alunos por series e por tipo de instituição em 2016. Total de 2038 alunos escola pública e 2151 alunos de escola particular.

Mais de 4 mil alunos da educação básica visitaram o Museu dos Dinossauros em 2016, e estão divididos da seguinte maneira: 51% de escolas particulares e 49% de escolas públicas, distribuídos entre o ensino fundamental I, do 1º ao 5º ano (6 a 10 anos) e o ensino fundamental II, do 6º ao 9ª, (11 a 14 anos). Grupos de alunos da

12 12 30 40 65 162 15 96 139 91 27 44

Terça Quarta Quinta Sexta Sábado Domingo

Relação de visitantes ao longo de uma semana

Espontâneo Escolar Organizado

educação infantil de 4 a 5 anos, e alunos do ensino médio, adolescentes de 15 a 17 anos, também marcaram presença no museu em 2016.

Como já mencionado, o museu abre para visitação pública de terça a domingo e dado a sua dinamicidade e diversidade, os períodos de visitação não seguem um padrão e são variados, por vezes, o museu recebe muitos visitantes no período da manhã e poucos visitantes no período da tarde e vice-versa, o total de visitantes ao longo dos dias da semana também variam.

O gráfico 5.5 aponta a dinâmica de visitação dos três principais grupos de visitantes durante uma semana funcionamento normal do museu, entre os dias 20 e 25/6/2017 foram contabilizados 733 visitantes.

Gráfico 5.5: Relação de visitantes ao longo de uma semana, em azul público espontâneo, em vermelho grupos escolares e em verde grupos organizados. Total de 733 pessoas.

Os grupos escolares têm seu pico de visitação no meio da semana, esporadicamente, algumas escolas de ensino médio visitam o museu aos sábados. Para os grupos organizados, não há um padrão de visitação, estes aparecem quando agendados às vezes durante a semana, ou por vezes aos finais de semana. Como observado no gráfico 6.5, especificamente na semana de acompanhamento e

coleta de dados, no sábado houve a visita de um grupo de escoteiros vindos do interior de São Paulo da cidade de Ituverava.

O público espontâneo tende a aumentar na medida em que o final de semana se aproxima, haja vista que o Complexo Científico e Cultural de Peirópolis, além do museu, têm também outros atrativos, diferentes atividades de cultura e lazer como piqueniques, jogos e brincadeira infantis nos jardins e gramado que circunda o museu, passeios a cavalo e banhos de cachoeiras. Há também no comercio local, as tradicionais casas de doces artesanais e os restaurantes de comida mineira caipira, com música ao vivo, moda de viola típica do triângulo mineiro, que triplicam o movimento no almoço de domingo graças aos grupos de amigos e familiares que visitam o CCCP e demais atrativos de Peirópolis.

A localização estratégia do CCCP, às margens da rodovia BR-262 no km 784, a 20 quilômetros de distância do centro da cidade de Uberaba, facilita o acesso ao Museu dos Dinossauros, e justifica em partes, o grande volume de visitações que o museu recebe por ano. O deslocamento médio dos visitantes do complexo é de aproximadamente 190 km, distantes uma ou duas horas do local de partida. Baseado na leitura do livro de registros e nos questionários aplicados foi possível construir o gráfico 5.6 com a representação das principais localidades e distância média que as pessoas percorrem para chegar ao museu.

Dados como tempo de deslocamento e distância percorrida são importantes, na medida em que podem ser interpretados como grau de interesse dos visitantes, independente da distância percorrida.

O gráfico 5.7 confirma essa informação, haja vista que 54% dos visitantes, entraram no Museu dos Dinossauros pela primeira, destes, a maioria se deslocou cerca de 200 km de distância do seu local de origem. Aqueles que vistam o museu pela segunda ou terceira vez tem um deslocamento médio 140 km. Já para aqueles que visitaram o museu mais de três vezes, o deslocamento médio foi de 62 km de distância da localização de origem.

Interessante observar, a maioria dos visitantes que conheceram o museu pela primeira vez, seja em grupos espontâneos, escolares ou organizados, não residem próximos ao museu.

15 23 47 56 60 86 94 115 116 120 132 142 156 160 166 175 187 214 236 253 256 276 306 346 405 456 497 0 100 200 300 400 500 Peiropólis Ponte Alta - MG Uberaba - MG Delta - MG Igarapava - MG Sacramento - MG Ituverava - SP Araxá - MG Pedrinopólis - MG São Joaquim da… Guaíra - SP Orlândia - SP Uberlandia - MG Frutal - MG Franca - SP Monte Carmelo - MG Jardinopolis - MG Ribeirão Preto - SP Douradoquara - MG Catalão - GO Bambuí - MG Canápolis - MG Itumbiara - GO Araraquara - SP Rio Claro - SP Campinas - SP

Belo Horizonte - MGSão Paulo - SP

Deslocamento médio até o Distrito de Peiropólis

26 (48%) 12 (22%) 14 (26%) 0% 20% 40% 60%

Primeira Vez De 2 a 3 vezes Mais de 3 Vezes Quantas vezes você já visitou o Museu dos Dinossauros?

Gráfico 5.6: Principais localidades e distância percorrida pelos dos visitantes do museu. Como referência o distrito de Peirópolis localizado no centro do gráfico no km zero.

Gráfico 5.7: Frequência de visitação do Museu dos Dinossauros, em números absolutos e porcentagem (n=54).

O Museu dos Dinossauros possui uma audiência considerável e um enorme potencial para a vulgarização científica, diante dos dados analisados, podemos inferir que, o museu ainda que pequeno, sem controles formais de acesso e sem conhecimento específico do seu público, recebe visitantes de vários lugares do país, por vezes do mundo, sua audiência é elevada, as pessoas se deslocam de grandes distâncias para conhecê-lo e, aqueles que o visitam pela primeira vez, dão certeza de voltar e trazerem consigo novos frequentadores.

5.3 - Gostos e Interesses

É necessário entender os motivos e interesses, que levaram os diferentes públicos a visitarem o Museu dos Dinossauros, importante entender o quão eficiente e significativo foi o museu ao divulgar os conhecimentos científicos/acadêmicos.

O Museu dos Dinossauros tende a agradar todas as idades, a faixa etária dos visitantes é bastante variada, desde crianças, adolescentes, jovens e adultos até os mais velhos e experientes, com mais de 60 anos de idade.

O gráfico 5.8 foi elaborado baseado em diferentes faixas etárias, sendo a escolar correspondente aos intervalos 6 a 10 (ensino fundamental I), 11 a 14 (ensino fundamental II) e 15 a 17 (ensino médio), 48% dos visitantes têm entre 11 e 17 anos, 34% com idades entre 18 e 39 anos de idade, 13% dos visitantes tem mais de 40 anos.

Gráfico 5.8: Faixa etária dos visitantes, observada ao longo de uma semana de funcionamento normal do museu, em números absolutos e porcentagem (n=54).

Com relação aos motivos da visita, estes são variados, 49% dos visitantes apontaram como motivo principal da visita à possibilidade de conhecer algo novo, entendido aqui como disposição para conhecer e aprender sobre diferentes tipos conhecimentos. Passeio com familiares e amigos, motivou cerca de 26% dos visitantes que estiveram no museu pela primeira vez.

A tabela 5.2, apresenta os principais motivos dados pelos visitantes, quando questionados “22- Por que veio ao museu hoje?” (Apêndice I), pergunta do tipo fechada, com a possibilidade de marcação de uma ou mais alternativas.

Documentos relacionados