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TIPOLOGIA DOS MUSEUS

MUSEUS BRASILEIROS

0 Brasil ê um privilegiado país que possui cursos regulares de graduação, pós graduação, especialização e reciclagem na área de Museologia.

Mas, lastimavelmente, não possui uma política nacional de mu

seus, embora a maioria dos museus pertença ao poder público, sendo

esparsas as fundações particulares.

A própria profissão de museólogo não foi, atê o presente,re

gulamentada. Cada estado brasileiro tem profissionais em museolo -

gia, mas só existem dois órgãos de classe;

, Associação Brasileira de Museologia, com sêde no Rio de

Janeiro e

. Associação de Museologos da Bahia, com sêde em Salvador. A nível de consultoria, funciona no Rio de Janeiro um Comi tê Nacional do Conselho Internacional de Museus.

lelros tenhani uma posição definiãa, com base em consenso de classe, quanto ã atuação dos museus em benefício da sociedade ?

0 Brasil ê um pais de m.emoria curta quanto ãs propostas c\xl

turais .e rauito pouca praticidade na realização de seus objetivos so ciais.

Para citar apenas alguns exemplos, era 1967 a Associação Bra sileira de Educação, proraovendo o I Congresso Nacional de Audiovisu al, convidou a Associação Brasileira de Museologia a participar e , ao final do Congresso, surgiu ura documénto cham.adp Novos Rumos para os Museus, que não foi alêra de mero docmraento.

Em 1976, portanto quase dez anos depois, o Instituto Joa­

quim Nabuco de Pesquisas Sociais, em'Recife, promoveu o Encontro Na cional de Dirigentes de Museu, do qual resultou um ou'tro documento; ■Subsídios para implantação de uma política Museolõgica Brasileira.

Deste encontro participaram inúmeros diretores de museus, profissio

nais de áreas afins, autoridades governamentais. Do documento re£

tou tão somente a boa intenção.

Em 1980, em Petrõpolis (R.J.), novo Encontro de Dirigentes

foi realizado. Em 1981, no Rio de Janeiro, o VII Congresso Nacional

de Museus foi organizado pela Associação Brasileira de Museologia e

a; I Conferência Geral dos Museus Brasileiros foi promovida pela As_

sociação de Membros do ICOM-Comitê Brasileiro. Ainda em 1981, rea

lizou-se em Salvador, o Encontro Nacional de Museõlogos, onde foi

apresentado um Ante-projeto para Regulamentação da Profissão de Mu seólogo.

Debates, conversas, discussões, planos, comissões de estudoI E o museu brasileiro ?

E o patrimônio cultural ?

Continuara ã mercê do bom senso, da capacidade profissional, da formação cultural de cada diretor ou técnico.

Já existe uma tomada de consciência sobre as funções soei

ais do museu, ma.s ê ainda incipiente a nível de país.

Das atitudes remanescentes da geração passada, a mais cons- tante é a valorização do poder individual em detrimento da atitude coletiva, advinda do trabalho de uma equipe integrada dentro do Mu seu.

Uma nova geração de museõlogos e até mesmo de proftssiona is em áreas afins, vêm procurando dotar os museus de condiçoes mu seolõgicas e museogrâficas adequadas, cora vistas a encaminhar o mu

seu para o correto desempenho de suas funções, São porém, atitu­

des isoladas, sem o respaldo oficial necessário.

Hã, por outro lado, toda uma estrutura educacional defici­

ente e confusa, que valoriza a informação em detrimento da forma

ção global do indivíduo, É um círculo vicioso que condiciona mu

seus e escolas ( de 19. e 29. grau e várias universidades )ao não

aproveitamento do potencial museolõgico existente'.

A mais acentuada tendência dos museus brasileiros ê a pre servação dos objetos de valor histérico e artístico, com as mesmas características europeizantes do século passado, sem realizarem uma apresentação sob critérios científicos, com as peças inseridas em 'contextos sugestivos e esclarecedores.

No que se refere a museus de ciências - história natural ou tecnologia - o interesse demonstrado é muito pequeno e os exemplos característicos de tecnologias primitivas vão., pouco a pouco, desa parecendo. .

Muito relacionada a estas atitudes alheatérias que sofrem­ os museus, por parte dos órgãos públicos competentes nas áreas cul turais , a maior parte das instituições mussológicas brasileiras - não ê levada a sério , o que dificulta as proposições científicas-

desenvolvidas no âmbito das mesmas. Esta dificuldade ê sentida na

falta de apoio financeiro e técnico para a continuidade dos progra mas, na falta de Sistemas Estaduais de Museus acoplados a um Siste ma Nacional, que unidos estipulem regras para a atuação de direto

res, técnicos, pessoal administrativo e de apoio, trabalhando nos

museus , normalizando, de acordo com as recomendações do Conselho- Internacional de Museus, a preservação e o uso das coleções e monu mentos.

Apesar de todas estas constatações, a preservação de bens significativos a o 'patrimônio' cultural tem tido mais atenção,a par tir da atuação ímpar de Aloísio Magalhães â frente da Se cretaria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e da Fundação Pró-Memóri a.

trabalho permanente, ainda que, atê o momento, esta coordenadoria- s5 atinja museus do ânü^ito federal, não legislando sobre os demais,

(estaduais, municipais e particulares)

A tabela a seguir, demonstra objetivamente as preferências museolõgiças brasileii-as.

Cr e s c i m e n t o do Nú m e r o de Mu s e u s no Br a s i l a p ô s

1950

TIPOS DE MUSEUS ATÊ 1950 APÔS 1950 Q'0.

. Museus de História 84 1 97 234

. Museus de Artes Plásticas 7 1 1 1 57

.. Museus de Artes Decorativas 7 8 124

. Museus de Artes e Tradições

Populares 8 15 - 187

. Museus de Ciência e Tecnologia

Industrial 5 7 140

. Museus de Ciência e História

Natural 18 35 1 94

Fontes; CARRAZQNI, I-laria Elisa, coord. Guia dos Museus dO Brasil, 2?- ed. Rio de Janeiro, Expressão e Cultura7AGGS,~~1978, 167 p. il, (Gui.as Culturais Brasileiras, 1).

AIMEIDA, Fernanda de Camargo, coord. Gt.tias'dos'Museus■do Brasil.

Rio de Janeiro, Expressão e Cultura/AGGS, 1972.

OBS.; A data limítrofe tem um significado especial tendo em vista a criação da UNESCO em 1946 e do'Conselho Internacional de Mu

• seus em 1947

No Brasil, tal como ocorre na maioria dos países latino-ameri canos os museus históricos têm preferências sobre os demais.