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V => velocidade-renda da moeda P => nível geral de preços

Y => produto real

Alerto que não vale a pena enveredarmos pela explicação da TQM. Nesse contexto, vale explicar que a velocidade-renda é o número de vezes que a moeda circula na economia num determinado. Se em uma economia cujo o produto é 2000, a oferta de moeda é 1000, cada unidade monetária circula duas vezes naquele período.

Na teoria clássica, considera-se que a velocidade-renda da moeda (V) é constante. Nessa hipótese, teremos que o nível de preços será inversamente proporcional ao produto real, para uma determinada oferta de moeda (M). Essa relação nos permite traçar o gráfico da Demanda Agregada Clássica abaixo.

Incrementos na oferta de moeda deslocam a curva para a direita (política monetária expansionista). Assim, para qualquer nível de preços, a quantidade demandada aumentará com o aumento da oferta de moeda. Redução na oferta de moeda deslocará a curva DA para a esquerda.

De acordo com a versão Keynesiana, é possível construir a curva da DA a partir das curvas IS e LM, já que elas mostram, para cada nível de preços, o nível de produção no qual os mercados de bens e monetário estão simultaneamente equilibrados.

Vimos que o modelo IS-LM serve para determinar o nível de renda no curto prazo, quando o nível de preços é considerado constante. Para efeito de construção da curva de demanda agregada, devemos permitir que o nível de preços varie, uma vez que a curva DA representa quanto os agentes econômicos estão dispostos a adquirir de produto nacional a cada nível de preços.

À medida que o nível de preços (P) sobe, dado o estoque nominal de moeda (M), a oferta real de moeda (M/P) cai, deslocando a curva LM para a esquerda. Conseqüentemente, a taxa de juros se elevará, reduzindo o investimento e contraindo o nível de renda. Verifica-se, portanto, que, quando o nível de preços aumenta, o nível de renda diminui, o que confere a declividade negativa da curva DA.

Assim, mantido em repouso o mercado de bens e dada a oferta nominal de moeda (M), uma elevação no nível de preços provoca retração no produto, ou seja, quanto maior o nível de preços menor a renda. Observem que a queda na renda e o aumento da taxa de juros reequilibram os mercados real e monetário.

Vejam que não há diferença gráfica entre as versões clássica e keynesiana da curva DA.

Por se tratar de uma representação dos resultados do modelo IS-LM, os deslocamentos da curva DA se dão em função das políticas econômicas e dos choques que deslocam as curvas IS e LM. Assim, movimentos expansionistas, que deslocam as curvas IS e LM para a direita, provocarão deslocamento na curva DA no mesmo sentido, ao passo que os movimentos contracionistas deslocarão DA para a esquerda.

Vejamos como se constrói a curva da oferta agregada.

Na versão Clássica, de uma forma simplificada, podemos determinar a curva de oferta agregada a partir da função de produção.

A oferta agregada será função da tecnologia, do estoque de capital e do mercado de trabalho5, donde se conclui que todas as variáveis que influenciam a oferta agregada são variáveis reais, ou seja, não estão quantificadas em termos monetários. Assim, o produto não depende de variável nominal como nível de preços ou salário nominal. Portanto, a oferta agregada é inelástica (insensível) ao nível de preços, o que significa que a curva da oferta é vertical no gráfico, ou seja, a quantidade produzida independe do preço.

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 Para produzir um bem as empresas necessitam de capital e mão‐de‐obra, de acordo com uma dada tecnologia. Desta relação, vale a função de produção:  

Y  =  F(K,N,T);  onde  K  é  o  estoque  de  capital  utilizado,  N  é  a  quantidade  de  trabalho  utilizada  e  T  é  o  nível  tecnológico.  Da  Teoria  da  Produção,  que  será 

estudada  oportunamente,  tem‐se  que,  no  curto  prazo,  dado  um  nível  tecnológico,  todos  os  fatores  de  produção  são  constantes,  menos  um,  que  aqui  consideraremos como o fator trabalho. O nível de emprego do fator trabalho é determinado no mercado de trabalho, onde ocorrerão as contratações. Ao  considerarmos  o  mercado  de  trabalho  como  de  concorrência  perfeita  (em  que  os  preços  são  determinados  pela  oferta  e  demanda),  no  modelo  clássico,  sempre que houver excesso de oferta de trabalho, haverá queda no salário real, e sempre que houver excesso de demanda, haverá aumento do salário real. 

Só serão admitidas alterações na oferta em virtude de modificações das variáveis reais da economia.

No modelo clássico, a demanda agregada não constitui fator de determinação do produto da economia, são as condições de oferta que determinarão o nível de produto (Lei de Say – a oferta cria sua própria procura). Desse modo, a única variável determinada pela demanda é o nível de preços.

Nesse modelo, o nível de produto é chamado de nível de produto de pleno emprego, onde todos os recursos são empregados em sua plenitude, ou, de forma mais realista, onde o desemprego está em sua taxa natural. Portanto, neste ponto não haverá desemprego involuntário.

Na versão Keynesiana, ao contrário do modelo clássico, os preços, bem como o salário nominal, são rígidos, sendo assim, o produto poderá ser determinado pela demanda agregada via políticas fiscal e monetária. A versão keynesiana representa melhor o curto prazo - CP, enquanto que a hipótese clássica está mais para o longo prazo - LP. A curva da oferta agregada keynesiana será uma reta horizontal.

Assim, as alterações na demanda agregada impactarão o produto e o emprego no curto prazo. Uma redução da oferta monetária, por exemplo, deslocará a curva da demanda para a esquerda, reduzindo o nível do produto.

As movimentações da curva da demanda agregada não dependerão dos preços, mas das variações dos componentes da demanda – C, I, G6 – e da oferta

monetária (M), ou ainda pela velocidade renda da moeda.

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Resumindo: no CP, os preços são rígidos, a curva de oferta agregada é horizontal (keynesiana) e alterações na demanda agregada afetam o produto da economia; no LP, os preços são flexíveis, a oferta agregada (clássica) é vertical e as alterações na demanda agregada alteram apenas o nível de preços.

Analisemos os efeitos das alterações da demanda agregada do curto ao longo prazo no gráfico abaixo, o que nos permitirá solucionar a questão.

Inicialmente a economia se encontra no ponto de equilíbrio de longo prazo, onde vemos o cruzamento das três curvas. O equilíbrio no LP é o ponto onde a curva da demanda agregada corta a curva de oferta agregada de LP. Os preços se ajustaram para alcançar este equilíbrio, portanto, a curva de oferta de CP também cruza este ponto.

Supondo-se uma redução na oferta de moeda, a demanda agregada se desloca para a esquerda. No CP, os preços são rígidos, deslocando a economia do ponto A para o ponto B, onde o nível de produto e o emprego estão abaixo de suas taxas naturais (recessão). Com o passar do tempo, com a redução da demanda, preços e salários cairão. Esta redução gradual do nível de preços conduz a economia ao longo da curva de demanda agregada até o ponto C, que será o novo ponto de equilíbrio de LP. Neste ponto, o nível de produto e o emprego retornarão às suas taxas naturais, no entanto, os preços serão inferiores aos do ponto anterior.

No gráfico mais à direita, que corresponde ao caso da questão, a saber, a prática de política monetária expansionista, ocorrerá um incremento na demanda agregada, deslocando a curva DA para a direita. No curto prazo, em que os preços são rígidos, a economia se deslocará para o ponto B, cujos níveis de produto e emprego são superiores ao de equilíbrio. Com o passar do tempo, as novas contratações decorrentes do aquecimento da demanda pressionarão os salários, que se elevarão, levando os preços consigo. À medida que os níveis de preço aumentam, a quantidade demandada diminui, conduzindo a economia gradualmente a um novo equilíbrio. Entretanto, no novo ponto de equilíbrio, C, os preços são superiores ao anterior.

A alternativa correta, então, é a letra , que afirma que, no curto prazo, haverá aumento da demanda agregada, levando a economia a PIB

(produto) superior ao de equilíbrio, sendo ajustado via preços no longo prazo, conforme se demonstrou acima.

(Sefaz-RJ – 2009/FGV) A respeito do efeito de eventos sobre a curva de demanda agregada, que relaciona os preços com o PIB real de uma economia, assinale a afirmativa incorreta.

(A) A expectativa de aumento da receita devido à produção de petróleo nos próximos anos implica um deslocamento da curva de demanda agregada para a direita.

(B) A queda vertiginosa no valor dos imóveis desloca a curva de demanda agregada para a esquerda.

(C) As políticas fiscais afetam a demanda agregada diretamente por meio das compras governamentais e indiretamente devido às mudanças nos tributos e nas transferências governamentais.

(D) A política monetária afeta indiretamente a demanda agregada por meio de mudanças na taxa de juros.

(E) A expectativa de um mercado de trabalho fraco no próximo ano implica um deslocamento da curva de demanda agregada para a direita.

Além dos movimentos provocados por políticas econômicas, as curvas IS e LM, conseguintemente a curva DA keynesiana, podem sofrer deslocamentos decorrentes de outras perturbações.

A curva IS pode sofrer choques resultantes de mudanças exógenas na demanda por bens e serviços. Ondas exógenas e talvez auto-realizáveis de pessimismo ou otimismo podem provocar alterações na demanda agregada. Suponhamos que uma onda de pessimismo acerca do futuro atinja os empresários, que decidem reduzir seus investimentos. Haverá aí uma contração na demanda, em razão da queda do investimento, sem que houvesse aumento na taxa de juros. Essa queda no investimento provocará o deslocamento da curva IS para a esquerda, bem como da curva DA, reduzindo a renda e o emprego.

Mudanças na confiança dos consumidores no desempenho econômico também podem provocar deslocamentos na curva IS. Suponha-se que os consumidores aumentem seu grau de confiança na economia, o que os induz a poupar menos, portanto, a consumir mais. Assim, haverá um aumento no consumo sem que houvesse aumento na renda, elevando a demanda agregada e, por sua vez, aumentando a renda e o emprego. Nesse caso, a curva IS se deslocará para a direita, provocando o deslocamento da curva DA.

Com relação ao mercado monetário, a curva LM poderá sofrer choques decorrentes de mudanças exógenas na demanda por dinheiro. Um aumento exógeno na demanda por moeda, por exemplo, fará com que, num dado nível de renda, a taxa de juros necessária ao equilíbrio do mercado monetário se eleve (posto que haverá excesso na oferta de títulos). Consequentemente, a curva LM se deslocará para a esquerda (e com ela a DA), reduzindo a renda e elevando a taxa de juros.

Diante dessa exposicao, podemos analisar as alternativas uma a uma. a) corresponde a uma situação de euforia dos agentes econômicos, que deslocará a curva da DA para a direita.

b) A queda nos preços dos imóveis, conduz os indivíduos a um ambiente de pessimismo, tornando-se mais cautelosos e, com isso, consumindo menos, deslocando a curva DA para a esquerda.

c) Conforme afirmamos quando tratamos do modelo IS-LM, as politicas fiscais influenciam a demanda diretamente pelos gastos do governo e indiretamente pelos tributos e pelas transferências, que impactarão a renda e, assim, o consumo, que é componente da demanda agregada.

d) Da mesma forma, a política monetária influenciará indiretamente a demanda agregada, por meio da taxa de juros, que influenciará o investimento, componente da demanda agregada.

e) Essa é a alternativa errada. Pois, a expectativa de um mercado de trabalho fraco cria um ambiente de pessimismo e, como afirmamos na alternativa, os indivíduos se tornarão mais cautelosos, haja vista a possibilidade de perderem seus empregos, passando a poupar mais e consumir menos, o que deslocará a curva DA para a esquerda e não para a direita, como a alternativa dispõe.

Pessoal, hoje ficamos por aqui. Para se obter melhor equilíbrio, fiz um ajuste na programação e, por isso, não tratamos o assunto Políticas de Comércio Internacional nessa aula. Estudaremos esse assunto na próxima aula.

Grande abraço e bons estudos! Alexandre Candido

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