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100 Não tinha companheiro(a) 33

No documento lucienecarnevaledesouza (páginas 81-85)

6 MÉTODOS E TÉCNICAS

Total 74 100 Não tinha companheiro(a) 33

Total 110 100 Influência de sua idade sobre convívio familiar

Extremamente comprometido 5 4,5 Substancialmente comprometido 8 7,3 levemente comprometido 15 13,6

não comprometido 82 74,5

Total 110 100

Projeções de dados censitários divulgados no ano de 2013 apontam para a existência de dois modelos de arranjos de convivência das pessoas idosas quando analisados do ponto de vista

63 do núcleo familiar. Na primeira forma de convivência, uma entre cada quatro pessoas idosas convivia com seu parceiro/companheiro sem o acréscimo de filhos, parentes ou agregados. Na segunda forma de convivência, 30,2% das pessoas idosas conviviam com filhos, cuja idade era ≥ 25 anos e tinham ou não outro parente ou agregado inserido na convivência(127).

Ao comparar os dois padrões descritos na literatura anterior com os dados da presente investigação, foi possível identificar a ocorrência de três padrões de convivência: no primeiro, 52

(47,3%) pessoas idosas viviam somente com o(a) companheiro(a); no segundo, embora sem

companheiro(a) em decorrência de solteirice, viuvez ou divórcio, 44 (40%) participantes conviviam

com familiares e, no terceiro, havia 14 (12,8%) participantes que sempre viveram sozinhos ou

optaram por esta forma após período de viuvez ou separação.

A análise da convivência familiar possibilitou identificar que, entre os participantes, havia uma rede de pessoas com as quais eles convivem em seus cotidianos. São duas as razões atribuídas a este fato: 1) a extensão do núcleo familiar (in)direto, fato não identificado nas investigações realizadas com pessoas idosas de origem europeia, entre as quais a redução do número de integrantes do núcleo familiar exige a preservação da autonomia pela inexistência de vínculos em quantidade para preencher o cotidiano e 2) a baixa renda familiar dos filhos/parentes que faz com que a aposentadoria dos participantes seja um atrativo para reunião com fins de ajuda financeira a outros membros da família(128).

Considerando que as mulheres vivem mais em anos e que o aumento da idade impacta sobre o grau de autonomia, buscou-se identificar se havia associação entre o gênero e a modificação do núcleo familiar entre os 110 participantes (Tabela 6).

O processo de envelhecimento traz para a pessoa idosa um acréscimo de limitações físicas e/ou intelectuais que surgem de forma progressiva com o passar dos anos, fazendo com que a pessoa idosa necessite de auxilio parcial ou total de outra pessoa próxima para a execução das atividades cotidianas. Este fato faz com que o cônjuge, os filhos, os netos ou pessoas próximas necessitem ser inseridas em mudanças em seus cotidianos para lhes auxiliar no processo de enfrentamento da perda da independência e/ou autonomia. Para oferecer o cuidado a pessoa idosa, o cuidador precisa dispensar tempo para lhe atender, fato que repercute em mudanças no seu dia- a-dia a ponto de necessitar reestruturar seu contexto familiar e/ou projetos de vida(129). Embora o

surgimento de limitações possa justificar modificações no convívio familiar de pessoas idosas com seus familiares entre os participantes o nível com que eles se mantiveram ativos e menos dependentes pode ter minimizado tal influência.

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Tabela 6: Associação entre faixa etária e gênero com as situações do cotidiano familiar. Juiz de Fora, Jan/2015. Variáveis sobre o

cotidiano da pessoa idosa com

os familiares 65I --- 75 75I --- 85 85I --- 95 ≥65I -- Tota

l Teste X2 Gênero Teste X2

Fem Masc

valor df Sig N % N % valor df Sig

Modificação do núcleo familiar nos últimos 5 anos Não 29 5 2 - 36 5,626a 3 0,131 16 23,1 20 48,7 7,651a 1 0,006 sim 44 25 4 1 74 53 76,9 21 51,3 Subtotal 73 30 6 1 110 69 100 41 100 Avalia participação dos familiares na rotina Insuficiente/ razoável 12 8 3 - 23 4,819a 3 0,186 12 17,4 11 26,8 1,385a 1 0,239 Boa/excelente 61 22 3 1 87 57 82,6 30 73,2 Subtotal 73 30 6 1 110 69 100 41 100 Autopercepção influência idade sobre convívio familiar Não /levemente comprometido 66 23 6 - 95 11,833a 6 0,066 58 84,1 37 90,2 1,538a 2 0,464 Substancialmente/ extremamente comprometido 6 6 - 1 13 9 13 4 9,8 Não responderam 1 1 - - 2 2 2,9 0 0 Subtotal 73 30 6 1 110 69 100 41 100

Fator que gerou modificação no núcleo

familiar N %

Não modificou 27 24,5 Em si: Estado de saúde 22 20 Em si: Limitações estilo de vida 12 10,9 No entorno: Morte parente ou companheiro 26 23,6 No entorno: desvinculação de convívio 2 1,8

No entorno: no ambiente onde está 11 10 Não se aplica 10 9,1 Total 110 100 Nota das autoras: a: Há células com número ≤5 componentes

Cabe acrescentar que, durante a presente investigação, foi possível captar, por meio do registro de diário de campo, a importância da renda da pessoa idosa para seu contexto familiar, advinda da aposentadoria, pensão, ou fruto de ocupações remuneradas que ainda exerce. Este fato a capacitava a contribuir financeiramente na manutenção da família a ponto de alguns dos entrevistados alegarem ser a referência financeira de sua família e auxiliar regularmente os filhos e os netos(130).

65 Se, por um lado, a pessoa idosa é apoio para seus familiares pelos motivos anteriormente mencionados, por outro, o fato de ela pertencer a um grupo familiar coeso a possibilita desfrutar de proteção e inclusão social, manutenção de vínculos e inserção enquanto componente de um contexto social(131).

Usufruir de uma rede de apoio familiar pode equivaler a condições consideradas intervenientes sobre a qualidade de vida e auxiliar no enfrentamento das dificuldades do cotidiano, a ponto de intervir sobre a promoção da saúde e do bem-estar de todos os envolvidos(132).

A importância do convívio e do estreitamento de laços interfamiliares e intergeracionais pode ainda ser analisada na perspectiva da (in)dependência da pessoa idosa em relação à realização de suas atividades. Estima-se que cerca de 40% dos indivíduos com idade de ≥65 anos precisam de algum tipo de ajuda para realizar pelo menos uma tarefa(132).

Além da dependência física para a realização de suas atividades diárias, a pessoa em processo de envelhecimento também está mais exposta à dependência emocional. A ausência de apoio emocional pode ser interpretada como abandono, falta de carinho e atenção. A ausência de uma pessoa para confiar, para compartilhar sentimentos, apreensões, decisões ou para ouvi-los quando julgam oportuno pode gerar frustrações e aumento da vulnerabilidade(132).

A avaliação da participação dos familiares na rotina foi considerada excelente e boa por 87 (79%) e razoável ou insuficiente por 25 (20,9%) deles e a autoavaliação da influência da idade dos participantes sobre o convívio familiar considerado com algum grau de comprometimento em 28 (25,4%).

O fato de a pessoa com idade ≥65 anos morar com familiares não assegura que haja interação entre eles de forma cotidiana e satisfatória. Neste sentido a avaliação da participação dos familiares junto às pessoas entrevistadas mostrou-se como insuficiente/razoável por 23 (20,9%) deles e como boa/excelente por 87 (79%) participantes.

Por outro lado, a família é culturalmente um ponto de apoio e uma facilitadora para interação social dos idosos. Deste modo, a falta de um convívio familiar estável pode gerar alterações na qualidade de vida como agravamento de morbidades e aumento da mortalidade(91).

Vários fatores podem interferir na manutenção de um ambiente de convívio familiar adequado, sendo as fragilidades inerentes do envelhecimento um fator que pode levar ao desgaste do convívio devido à possibilidade de sobrecarga de função dos familiares e cuidadores(128).

Outro fator que necessita ser considerado é a progressão dos anos vividos, que representa o surgimento de restrições peculiares à idade, sendo a percepção da idade pela pessoa com idade

66 ≥65 anos um fator capaz de comprometer a convivência intergeracional, gerar vulnerabilidade social a ponto de ser preditora para o isolamento(26).

Foi indagado aos participantes o quanto a idade é capaz de comprometer a convivência intergeracional em nível familiar, conforme apresentado na Tabela 7, uma vez que a forma como o indivíduo em processo de envelhecimento percebe esta fase da vida pode possuir componentes pessoais e/ou ser fruto de um imposição por parte daqueles que convivem com ele e/ou participam de seu cotidiano.

Tabela 7: Fatores intervenientes e avaliação da convivência familiar e intergeracional na perspectiva dos 110

participantes segundo o gênero. Juiz de Fora, Jan/2015.

Fatores intervenientes sobre convivência familiar

gênero Total Avaliação da convivência intergeracional

Gênero Total Fem Mas N % Fem Mas N % Avaliação da participação dos

familiares na rotina Convivência com pessoas MAIS JOVENS

participação insuficiente 4 5 9 8,2 nunca demonstrado 2 - 2 1,8 participação razoável 8 6 14 12,7 raramente demonstrado 4 4 8 7,3 participação boa 20 7 27 24,5 comumente demonstrado 8 4 12 10,9 participação excelente 37 23 60 54,5 consistentemente demonstrado 55 33 88 80

Subtotal 69 41 110 100 Subtotal 69 41 110 100

Influência da idade no convivívio

familiar Convivência com pessoas MAIS VELHAS

não houve influência 2 - 2 1,8 nunca demonstrado 17 7 24 21,8 Extremamente comprometido 5 - 5 4,5 raramente demonstrado 6 4 10 9,1 Substancialmente comprometido 4 4 8 7,3 comumente demonstrado 4 8 12 10,9

levemente comprometido 10 5 15 13,6 consistentemente demonstrado 42 22 64 58,2 não comprometido 48 32 80 72,7 Subtotal 69 41 110 100

Subtotal 69 41 110 100

Convivência com pessoas

CONTEMPORÂNEAS

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