4. RESULTADOS E DISCUSSÃO
4.6. NÍVEL DE OBESIDADE
Na Tabela 7 são apresentadas as médias e desvio padrão do Índice de Massa Corporal dos alunos do 1° e último períodos dos cursos de Enfermagem, Educação Física, Medicina e Odontologia nos semestres 2009/2 e 2010/1.
Segundo classificação da Organização Mundial da Saúde (Anexo A), observa-se que as médias de todos os cursos foram classificadas como Normais em relação ao nível de obesidade.
Tabela 7: Índice de Massa Corporal em alunos de diferentes cursos da área da saúde da Universidade Federal de Sergipe nos semestres 2009/2 e 2010/1.
& # * p ≤ 0,05
Quando comparadas as médias do IMC entre os alunos do 1° e último períodos em cada curso encontrou-se diferença significativa apenas em Educação Física (p= 0,00), sendo que, apesar de Normal, os formandos apresentavam maior média que os calouros.
Quando comparadas as médias do IMC entre os cursos, independente de período, encontrou-se diferença significativa entre o curso de Enfermagem com o de Educação Física (p= 0,01) e Medicina (p= 0,00), sendo que os alunos de Enfermagem eram os que apresentavam menor Índice de Massa Corporal.
Para visualização da ocorrência de sobrepeso e obesidade por meio do Índice de Massa Corporal na população estudada, a Figura 5 mostra o percentual de classificação do nível de obesidade segundo a tabela da Organização Mundial da Saúde (Anexo A) dos universitários do 1⁰ e último períodos dos cursos estudados nos semestres 2009/2 e 2010/1.
Quando comparados os percentuais de classificação do IMC em cada curso entre os alunos do 1° e último períodos encontrou-se diferença significativa na categoria Sobrepeso nos cursos de Educação Física (p= 0,01) e Medicina (p= 0,01), sendo que houve uma piora do quadro de obesidade para os formandos.
Quando comparados os percentuais de classificação do IMC entre os cursos encontrou-se diferença significativa na categoria Sobrepeso entre os formandos dos cursos de Enfermagem com Educação Física (p= 0,00) e com Medicina (p= 0,00), e na categoria Normal entre os formandos dos cursos de Enfermagem com Educação Física (p= 0,02) e com Medicina (p= 0,03), sendo que os formandos de Educação Física e Medicina apresentavam o pior quadro de sobrepeso/obesidade.
CURSOS
ÍNDICE DE MASSA CORPORAL (kg/m²)
1⁰ Período Último Período Ambos os períodos Enfermagem 20,9 ± 2,5 (n= 53) 20,9 ± 2,8 (n= 30) 20,9 ± 2,6 (n= 83) # &
Educação Física 21,7 ± 4 (n= 74) * 23,7 ± 3,9 (n= 49) * 22,1 ± 4,1 (n= 123) #
Medicina 22,7 ± 4,4 (n= 77) 23,1 ± 2,9 (n= 43) 22,9 ± 3,9 (n= 120) &
¥ £ § & # * p < 0,05
Figura 5: Percentual do nível de obesidade por meio do Índice de Massa Corporal dos alunos de diferentes cursos da área da saúde da Universidade Federal de Sergipe nos semestre 2009/2 e 2010/1.
0% 11%
78% 11%
1⁰ PERÍODO
Obesidade
Sobrepeso
Normal
Peso baixo
3%3% 84% 10% FORMANDOS 6% 12% 67% 15% 1⁰ PERÍODO 8% 31% 57% 4% FORMANDOS 6% 18% 67% 9% 1⁰ PERÍODO 4% 15% 70% 11% FORMANDOS 2% 38% 58% 2% FORMANDOS 8% 17% 65% 10% 1⁰ PERÍODO
Observando a classificação do nível de obesidade por meio do IMC da população estudada, independente de curso e período, foram encontrados 18% de sobrepeso e 5% de obesidade. Em outras pesquisas com universitários que também avaliaram o nível de obesidade através do IMC foram encontrados dados semelhantes. Em Oliveira et. al. (2008) 19,5% tinham sobrepeso e 8,0% estavam com obesidade grau I, II e III; em Marcondelli et. al. (2008) a média de IMC foi de 21,3 ± 2,8 kg/m², sendo que 10,0% dos alunos estavam com sobrepeso e 1,4% estavam com obesidade; e em Feitosa et. al. (2010), com alunos da Universidade Federal de Sergipe, 17,9% apresentavam sobrepeso/obesidade.
Sabe-se que o cálculo do Índice de Massa Corporal não leva em consideração a massa muscular do indivíduo, por isso neste estudo também foi coletado o percentual de gordura através das dobras cutâneas para uma melhor análise do quadro de obesidade dos alunos (FERNANDES FILHO, 2003).
Na Tabela 8 são apresentadas as médias e desvio padrão do percentual de gordura dos alunos do 1° e último períodos dos cursos de Enfermagem, Educação Física, Medicina e Odontologia nos semestres 2009/2 e 2010/1.
Tabela 8: Percentual de gordura dos alunos do 1° e último períodos de diferentes cursos da área da saúde da Universidade Federal de Sergipe nos semestre 2009/2 e 2010/1.
# * p ≤ 0,05 CURSOS GÊNERO PERCENTUAL DE GORDURA 1⁰ Período Formandos ENFERMAGEM Homens 15,05 ± 2,35 (n= 11) 17,84 (n= 1) Mulheres 15,87 ± 2,86 (n= 42) 16,22 ± 2,98 (n= 29) EDUCAÇÃO FÍSICA Homens 12,74 ± 3,92 (n= 37) * 16,61 ± 4,61 (n= 22) * Mulheres 14,82 ± 3,15 (n= 37) # 16,82 ± 4,35 (n= 27) # MEDICINA Homens 14,67 ± 3,98 (n= 48) 16,44 ± 2,98 (n= 22) Mulheres 16,71 ± 3,98 (n= 29) 17,32 ± 2,53 (n= 21) ODONTOLOGIA Homens 14,73 ± 3,88 (n= 16) 14,81 ± 1,71 (n= 6) Mulheres 16,12 ± 3,92 (n= 18) 17,83 ± 3,48 (n= 21)
Segundo a classificação de Heyward e Stolarczyk (Anexo A), observou-se que os alunos do 1° período foram classificados como Normais, porém as médias dos homens dos cursos de Educação Física, Medicina e de Odontologia eram valores limítrofes para a classificação Normal. Nos formandos, as médias do %G dos homens dos cursos de Enfermagem, Educação Física e Medicina foram classificadas como Sobrepeso, os homens de Odontologia e as mulheres de todos os cursos estudados encontravam-se Normais.
Quando comparadas as médias entre os alunos do 1° e último períodos em cada curso encontrou-se diferença significativa no curso de Educação Física entre os homens calouros e formandos (p= 0,00) e entre as mulheres (p= 0,03), sendo que os formandos possuíam maior média de %G.
Percebe-se que em quase todos os cursos, exceto Odontologia, houve uma piora do quadro de obesidade dos homens, quando comparados os alunos do 1° e do último período. Esses resultados mostram que a ocorrência da obesidade prevaleceu nos homens, já que as mulheres apresentaram classificação Normal tanto para o IMC quanto para o %G. Feitosa et. al. (2010), que também pesquisaram alunos da Universidade Federal de Sergipe, encontraram baixo peso entre as mulheres (19,2%) e sobrepeso/obesidade entre os homens (28,5%).
Isso provavelmente pode ser explicado, porque as mulheres geralmente estão mais preocupadas que os homens na manutenção de uma massa corporal adequada, já que sofrem uma maior exigência da sociedade com relação a um padrão de corpo tido como perfeito, o corpo magro.
Esses resultados são condizentes com os dados encontrados a nível nacional, pois segundo o Ministério da Saúde a população brasileira possui 13,9% de adultos obesos, em que a relação obesidade e escolaridade é inversa nas mulheres, quanto maior o nível de escolaridade menor o nível de obesidade, porém nos homens não existe diferença significativa na ocorrência da obesidade entre os diferentes extratos de escolaridade (BRASIL, 2010).
Para melhor entendimento desse quadro, a Tabela 9 apresenta a ocorrência de obesidade por meio do % G por gênero dos alunos do 1° e último períodos dos cursos de Enfermagem, Educação Física, Medicina e Odontologia.
Pode-se observar que a ocorrência da obesidade no gênero masculino chama a atenção em quase todos os cursos e períodos, exceto no 1⁰ período de Educação Física com 18%.
Tabela 9: Ocorrência de sobrepeso/obesidade por meio do percentual de gordura dos alunos do 1⁰ e último períodos de diferentes cursos da área da saúde da Universidade Federal de Sergipe nos semestres 2009/2 e 2010/1.
CURSO
1° PERÍODO FORMANDOS
Homens Mulheres Homens Mulheres
Enfermagem 54% (n=11) 0% (n=42) 100% (n=1) 3% (n=29)
Educação Física 18% (n=37) 3% (n=37) 55% (n=22) 19% (n=27)
Medicina 38% (n=48) 7% (n=29) 73% (n=22) 5% (n=22)
Odontologia 38% (n=16) 6% (n=18) 33% (n=6) 5% (n=21)
Para melhor visualização da ocorrência de sobrepeso e obesidade na população estudada, independente de sexo, a Figura 6 mostra o percentual de classificação do nível de obesidade segundo a tabela de Heyward e Stolarczyk (Anexo A) utilizando como parâmetro o percentual de gordura dos universitários do 1⁰ e último períodos dos cursos estudados nos semestres 2009/2 e 2010/1.
Quando comparados os percentuais de classificação em cada curso entre os alunos do 1° e último períodos encontrou-se diferença significativa no curso de Educação Física na categoria Sobrepeso (p= 0,00) e Normal (p= 0,00), sendo que os formandos apresentavam maior nível de obesidade.
Quando comparados os percentuais de classificação entre os cursos encontrou-se diferença significativa na categoria Sobrepeso entre os calouros de Educação Física com Medicina (p= 0,03) e nos formandos entre os cursos de Enfermagem com Educação Física (p= 0,02) e Medicina (p= 0,00), e entre Medicina e Odontologia (p= 0,01); na categoria Normal houve diferença significativa entre os calouros de Educação Física com Medicina (p= 0,03) e nos formandos entre Enfermagem com Educação Física (p= 0,01) e com Medicina (p= 0,00), e entre Medicina e Odontologia (p= 0,01), sendo que os alunos de Educação Física e Medicina apresentaram o pior quadro de sobrepeso e obesidade dentre os cursos.
Observando a classificação do nível de obesidade por meio do percentual de gordura da população estudada, independente de curso e período, foram encontrados 19% de sobrepeso e 1,3% de obesidade, dados semelhantes ao observado com a análise do IMC.
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Figura 6: Percentual do nível de obesidade por meio do percentiual de gordura dos alunos de diferentes cursos da área da saúde da Universidade Federal de Sergipe nos semestre 2009/2 e 2010/1.
40% 60% 0% FORMANDOS 0% 11% 89% 1⁰ PERÍODO
Obesidade
Sobrepeso
Normal
0% 93% 7% FORMANDOS 9% 89% 2% 1⁰ PERÍODO 31% 65% 4% FORMANDOS 21% 79% 0% 1⁰ PERÍODO 11% 89% 0% FORMANDOS 23% 74% 3% 1⁰ PERÍODO
A origem da obesidade é multifatorial e determinada por uma inter-relação complexa de diversos fatores (bioquímicos, genéticos, psicológicos, fisiológicos e ambientais), porém sabe-se que um desequilíbrio energético positivo entre alimentação e atividade física é determinante no desenvolvimento da obesidade (FARIAS JÚNIOR, 2002; NEGRÃO et. al., 2000; SCHUTZ, 1995). Neste sentido, a alta ocorrência de sedentarismo e a frequência de consumo de alimentos não-saudáveis pela população estudada pode explicar o quadro de obesidade encontrado.
Observa-se nessa pesquisa que os universitários da área da saúde não possuem hábitos que condizem com sua formação acadêmica e com as informações que detêm, especialmente no quesito nível de atividade física. Crespo et. al. (1999) afirmam que quanto maior o nível educacional do indivíduo, maior deveria ser o entendimento do valor dos benefícios do exercício e de outros comportamentos de vida que afetam a saúde, tais como a alimentação balanceada visando à manutenção da massa corporal. Entretanto, não foi isso o que se observou neste estudo.
5. CONCLUSÃO
Diante das evidências encontradas pode-se concluir que os universitários do 1⁰ e último períodos dos cursos de Enfermagem, Educação Física, Medicina e Odontologia da Universidade Federal de Sergipe possuem comportamentos de risco à saúde como hábito alimentar inadequado, com regularidade de consumo de alimentos não-saudáveis e a baixa freqüência de consumo de alimentos saudáveis, ocorrência de consumo de tabaco e álcool, alto nível de sedentarismo e existência de casos de sobrepeso e obesidade, especialmente entre os homens.
6. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Os dados encontrados demonstram que as informações recebidas pelos alunos participantes desta pesquisa durante o curso de graduação sobre a importância de ter um estilo de vida saudável parecem não fazer muito efeito sobre suas práticas diárias.
Entretanto, fatores como a recente submissão a uma prova de vestibular ou o excesso de atividades acadêmicas de alunos que estão prestes a concluir o curso, podem ter exercido alguma influência sobre os resultados. Por isso a realização de outras pesquisas é necessária para um entendimento mais abrangente desse quadro, como por exemplo, o desenvolvimento de um estudo longitudinal.
Mas, mesmo diante dessas limitações, esse estudo aponta para a necessidade de um melhor direcionamento de estratégias para a promoção da saúde, prevenção e controle de doenças nas universidades, em que o incentivo à prática regular de exercício físico e alterações na alimentação devem ser fatores cruciais.
A sociedade precisa de profissionais que não só passem informações, apóiem e estimulem a adoção de hábitos saudáveis, mas que também sirvam de modelo de conduta, de comportamento, com hábitos compatíveis com sua condição de profissional da saúde.
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ANEXO A
TABELAS DE CLASSIFICAÇÃO DO ÍNDICE DE MASSA CORPORAL, PERCENTUAL DE GORDURA E NÍVEL DE ATIVIDADE FÍSICA
ÍNDICE DE MASSA CORPORAL (OMS) - ADULTOS
CLASSIFICAÇÃO VALOR RISCOS ASSOCIADOS À SAÚDE
PESO BAIXO < 18,5 BAIXO
NORMAL 18,5 – 24,9 MODERADO
SOBREPESO 25 – 29,9 AUMENTADO
OBESIDADE I 30 – 34,9 ALTO
OBESIDADE II 35 – 39,9 GRAVE
OBESIDADE III 40 OU MAIOR MUITO GRAVE
Fonte: FERNANDES FILHO, J. A Prática da Avaliação Física: teste medidas e avaliação física em escolares, atletas e academias de ginástica. 2º edição, Rio de Janeiro: Shape, 2003.
CLASSIFICAÇÃO DOS PERCENTUAIS DE GORDURA CORPORAL
Classificação Homens Mulheres
Peso Baixo 5% 8%
Normal 6 a 15% 9 a 23%
Sobrepeso 16 a 24% 24 a 31%
Obesidade 25% 32%
Fonte: Adaptado de Heyward e Stolarczyk (1996) apud PITANGA, F. J. G. Testes, medidas e