Características gerais
9. Núcleo do paramento em Opus Caementicium.
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moderno, estas se dão no tamanho das pedras utilizadas e na forma como o concreto era aplicado na obra. As pedras no caementicium tinham tamanho mediano ou grande e eram colocadas manualmente na argamassa, enquanto que no moderno a mistura à base de cimento continha pequenas pedras, pedriscos, e era derramada no lugar a ser concretado (LANCASTER, 2008: 260-261, 2014: 172-173).
Da análise de Jean-Pierre Adam (2011: 78-81) sobre as argamassas, dois pontos merecem destaque: a preparação e a aplicação do concreto. Na preparação do concreto, seguindo as recomendações vitruvianas, quatro composições principais podem ser conhecidas:
h. Quadro com as composições do concreto romano
Ligante Agregado Água
1 volume de cal 3 volumes de areia fóssil 15 a 20%
1 volume de cal 2 volumes de areia fluvial 15 a 20% 1 volume de cal 2 volumes de areia fluvial e
1 volume de cerâmica
15 a 20%
1 volume de cal 2 volumes de pozzolana 15 a 20%
A proporção de água na mistura da argamassa depende inteiramente do clima e do local de aplicação. Argamassa menos úmida se for empregada como núcleo interno de paramentos ou fundações, mais úmida em juntas e revestimentos. A preparação da argamassa para a sua aplicação na construção não mudou muito da forma como é feita nos dias atuais, isto é, numa vala próxima do local a ser edificado. O pedreiro abria uma vala de determinado tamanho e profundidade onde colocava ao centro a areia e depois a cal. Em seguida, ia acrescentando aos poucos a água, sempre movimentando a mistura com o auxílio de uma enxada. No momento da aplicação, a mistura da argamassa era transportada até o local de uso em gamelas ou vasilhas e colocada no seu destino final junto com os agregados, se for como núcleo interno, ou aplicada nas juntas das paredes feitas com pedras ou tijolos, ou em revestimento externo dos paramentos.
Na aplicação do opus caementicium, os paramentos acabavam por ter função de cofragem, isto é, duas paredes externas (de pedra ou tijolo) permitiam que um massivo interno, constituído pelo concreto, fizesse parte do muro tornando todo o conjunto muito
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mais resistente. A cofragem era também um recurso comum na construção das fundações, só que ao invés das paredes fazerem o papel de elementos contenedores do concreto (que poderia ser pré-preparado com argamassa e cascalho ou vertido líquido sobre as caementa), a madeira acabava por ter essa função. Rabun Taylor sintetiza adequadamente esse aspecto importante da edificação (TAYLOR, 2003: 77; RIBEIRO, 2010: 87):
The typical Italian method, used for example on the Pantheon and the Basilica of Maxentius in Rome, was to dig trenches shored up by a wooden framework of posts and clapboards held against the opposing trench walls with horizontal struts. Properly speaking this wooden shutthering was not formwork, as it is often called. It was designed structurally to resist pressure from without, not to retain material within. (….) it could not be removed either before or after the pouring of the concrete. It was simply left in place, eventually to rot away.
O opus signinum69, à parte do que já foi mencionado por Vitrúvio, é basicamente uma argamassa constituída com terracota ou tijolo moído usado inicialmente para o revestimento interno de paredes que necessitavam de uma proteção extra quando em contato com a água, como nas piscinas, cisternas ou canalizações hidráulicas, e também em pavimentos em ambientes termais. Segundo Lancaster e Malacrino, argamassas que continham cerâmica moída entre os seus ingredientes são conhecidas desde o século X a.C. e foram utilizadas tanto pelos gregos em instalações termais como em Gortys quanto pelos samnitas e romanos desde o século III a.C. para paredes em contato com umidade. Somente quando a técnica se difundiu da Península Itálica para as províncias é que passou a ser utilizada nas estruturas também (LANCASTER, 2014: 173, 2010: 261; MALACRINO, 2010: 71-72; RIBEIRO, 2010: 87).
No seu estudo sobre a construção de abóbodas na Roma imperial, Lynne Lancaster analisa, entre outros componentes materiais na edificação das abóbodas, os ingredientes (a cal, a pozzolana, e as caementa70) e os dois tipos de argamassas romanas - o opus
69 O arqueólogo francês Pierre Gros faz uma longuíssima digressão sobre a natureza terminológica do opus
signinum em Vitrúvio e as implicações e aplicações construtivas e literárias desta técnica e deste termo,
incluindo a sua associação com o termo cocciopesto, tanto no passado entre os próprios romanos quanto entre os arqueólogos do presente (GROS, 2006: 473-484). O raciocínio de Pierre Gros é muito rico e difícil para ser sintetizado em poucas linhas. Portanto, evitaremos fazê-lo aqui.
70 No Dictionnaire Methódique de l’Architecture, o termo latino caementum (caementa no plural) descreve os elementos rochosos talhados, de diferentes dimensões pequenas, para serem utilizados por um único homem e cujos formatos não corresponderiam a nenhum elemento arquitetônico reconhecido, ou seja, o cascalho ou seixo (GINOUVÈS, 1985: 55). O termo aparece na obra de Vitrúvio (Livro II, 7. 1) quando o arquiteto está explicando a forma de extração das pedras e as qualidades inerentes a cada tipo conhecido e empregado nas construções – Sequitur ordo lapidicinis explicare, de quibus et quadrata saxa et
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caementicium e o opus signinum71, que ela nomeia preferencialmente como cocciopesto. Para a autora, o termo italiano cocciopesto é relacionado às argamassas compostas com terracota moída, sendo que algumas vezes elas também contêm a pozzolana. Atualmente, o termo italiano é visto na literatura de maneira intercambiável com o termo latino opus signinum, ainda que alguns autores como o estudioso italiano Cairoli Guiliani considerem a comparação inadequada. A importância da inclusão da terracota moída na argamassa, para torná-la comparável àquela com a pozzolana, jaz nas propriedades químicas da argila cozida que contém sílica solúvel, na estrutura interna que seria menos porosa do que a pozzolana e cuja reação química seria mais lenta do que aquela argamassa contendo as cinzas vulcânicas possibilitando, assim, o contínuo endurecimento da argamassa mesmo embaixo da água. Todos estes elementos em conjunto tornariam esta argamassa hidráulica mais efetiva e preferível para a utilização em estruturas em contato com a água, como as cisternas e piscinas (LANCASTER, 2005: 58).
5. Abóbodas e arcos
As termas romanas tinham muitos elementos arquitetônicos e estruturais característicos os quais ela compartilhava com outros tipos de edifícios públicos e construções utilitárias no mundo romano, os mais notórios são a abóboda e o arco, a primeira empregada como cobertura de alguns ambientes termais como o caldarium e o frigidarium e o segundo como elemento de sustentação dos pisos dos caldaria e tepidaria.
caementorum ad aedificia eximuntur copiae et conparantur. Haec autem inveniuntur esse disparibus et
dissimilibus virtutibus (Segue-se o momento próprio de tratar das pedreiras, das quais se extraem e
aprontam as pedras esquadriadas e os fornecimentos de alvenaria para os edifícios. Com efeito, estes materiais apresentam características variadas e diferentes.). Durante a construção de um edifício, nas suas diferentes partes (fundações, paredes, tetos e abóbodas), os artesãos e pedreiros precisariam saber selecionar adequadamente as pedras e tijolos, isto é, os agregados que compõem o concreto romano. Lancaster nomeia caementa para qualquer um dos agregados que eram inseridos na argamassa, independentemente da sua natureza (pedra ou tijolo). No momento da edificação, os artesãos ou pedreiros devem saber escolher os agregados a serem empregados levando em conta as suas características internas de resistência. As mais duras e densas seriam destinadas às fundações, como a selce (lava leucítica) e o granito, os mais temperados ou menos densos seriam destinados aos paramentos, como os tijolos, as tufas e os arenitos, e os mais leves ficavam reservados para a construção dos tetos e abóbodas, como os fragmentos ou artefatos de terracota, a pedra pome e as escorias vulcânicas (LANCASTER, 2014: 173, 2005: 59-60).
71 Na obra Tratado de Arquitetura (Livro II, 4.3; Livro V, 10.3), há duas passagens nas quais Vitrúvio menciona explicitamente a composição da argamassa signina. A primeira é quando ele ser refere às areias (como vimos acima no corpo do texto) – Fluviatica vero propter macritatem uti signinum liaculorum
subactionibus in tectorio recipt soliditatem (A areia fluvial, todavia, devido a sua magreza, recebe
consolidação no revestimento, como acontece na obra signina com as técnicas de alisamento), a segunda é quando ele trata da aplicação de revestimento nas partes internas das abóbodas termais – inferior autem
pars, quae ad pavimentum spectat, primum testa cum calce trullizetur, deinde opere albario sive tectorio poliatur (Quanto à parte inferior, na face virada para o pavimento, reboca-se em primeiro lugar com
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As abóbodas se configuravam em vários modelos tipológicos, sendo que as mais comuns são a abóboda cilíndrica ou abóboda de berço, a abóboda de arestas e o domo ou cúpula. Já o arco tinha pequenas variantes como o arco em cavalete e o arco em lintel, mas foi o arco com aparência semicircular ou arqueada que se manteve em uso desde o período republicano e com várias aplicações construtivas como nos aquedutos, arcos do triunfo, vãos de passagem, etc.
As informações sobre estes elementos arquitetônicos nas fontes literárias são de natureza variada. Em Sêneca é feita uma rápida citação quando o autor expõe com um tom negativo a luxuosidade das termas da sua época, no séc. I d.C., em que menciona o cintilar vítreo das abóbodas nestes edifícios se comparado à escuridão e a austeridade dos banhos da villa de Cipião (Epístolas morais a Lucílio, 86.6). Aquém desta informação, existe outra passagem nas epístolas em que Sêneca trata da composição estrutural dos arcos e os perigos do colapso das aduelas no espaço interno abaixo. Segundo o autor latino: Quaedam amplificata in suo genere et in sua proprietate perdurant. Quaedam post multa incrementa ultima demum vertit adiecto et novam illis aliamque quam in qua fuerunt, condicionem inprimit. Unus lapis facit fornicem, ille, qui latera inclinata cuneavit et interventu suo vinxit. Summa aedictio quare plurimum facit vel exigua? Quia non auget, sed implet72.
Na obra de Luciano de Samósata, não temos informações explícitas sobre o tipo de cobertura que os diferentes ambientes tinham, mas apenas que eles eram altos e amplamente iluminados, citando inclusive a presença de luz e janelas na terma. Só há uma única menção feita à cobertura quando ele menciona a beleza de um dos ambientes que era decorado com mármore frígio até o teto (Hípias ou o banho, 6). De acordo com o estudo realizado por Fikret Yegül, embora não haja menção ao tipo de cobertura no texto retórico de Luciano sobre a terma de Hípias, o autor latino cita a todo momento a excelente iluminação interna, inclusive pela presença de janelas e pela orientação sul e sudeste do edifício seguindo as prescrições vitruvianas para o bom aquecimento interno dos ambientes através do calor gerado pelo sol do final do dia. A ampla iluminação
72 Tradução (MALACRINO, Carmelo, 2010: 132-133) – Algumas coisas perduram de acordo com o seu tipo e as suas qualidades peculiares, mesmo quando elas são ampliadas; existem outras, no entanto, que depois de muitos incrementos são alteradas pela última adição; há impressas sobre elas uma nova característica, diferente daquela anterior. Uma pedra faz um arco – a pedra cunha nas laterais inclinadas e sustenta o arco unido por sua posição no centro. E por que a última adição, embora muito singela, faz uma grande diferença? Porque não aumenta: preenche.
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interna, assim como o calor proporcionado pelo sol da tarde, foi possível pela inclusão no edifício de grandes e amplas janelas nas salas quentes e frias ou por meio de lunetas naquelas cujas coberturas eram em abóboda em berço ou em arestas (YEGÜL, 2009: 77- 78).
A principal informação literária que chegou até nossos dias, a respeito das abóbodas termais, se encontra no tratado de Vitrúvio Polião. O autor latino dedica todo o décimo capítulo do livro quinto aos Banhos, e descreve em detalhes a construção das abóbodas. É interessante reproduzirmos a passagem inteira descrita pelo autor sobre as abóbodas em sua versão em latim e na tradução para o português feita pelo pesquisador Justino Maciel:
Concamarationes vero si ex structura factae fuerint, erunt utiliores; sin autem contignationes fuerint, figlinum opus subiciatur. Sed hoc ita erit faciendum. Regulae ferreae aut arcus fiant, eaeque uncinis ferreis ad contignationem suspendantur quam creberrimis; eaeque regulae sive arcus ita disponantur, uti tegulae sine marginibus sedere in duabus invehique possint, et ita totae concamarationes in ferro nitentes sint perfectae. Earumque camararum superiora coagmenta ex argilla cum capillo subacta liniantur; inferior autem pars, quae ad pavimentum spectat, primum testa cum calce trullizetur, deinde opere albario sive tectorio poliatur. Eaeque camarae in caldariis si duplices factae fuerint, meliorem habebunt usum; non enim a vapore umor corrumpere poterit materiem contignationis, sed inter duas camaras vagabitur.
As abóbodas, por seu turno, serão melhores se forem construídas em obra cimentícia. Se, todavia, se fizerem madeiramentos, serão revestidos com barro. E deve-se proceder da seguinte maneira: forjam-se réguas ou arcos de ferro que se prendem o mais justamente possível ao vigamento com ganchos também de ferro. Estes arcos ou réguas serão dispostos de tal modo que no espaço entre uns e outros possam assentar tégulas sem rebordos, ficando desse modo todas as abóbodas bem executadas com apoio de ferro. As junturas superiores desses tetos abobadados deverão ser revestidas de argila amassada com cabelo. Quanto à parte inferior, na face virada para o pavimento, reboca- se em primeiro lugar com fragmentos de telhas e cal e remata-se depois com estuque ou
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assim a umidade do vapor corromper a madeira dos vigamentos, antes se espalhando entre as duas abóbodas. (VITRÚVIO, Livro V, 10.3)
Um sério problema ligado ao estudo das abóbodas das termas no contexto provincial da Hispânia é a escassa evidência deste tipo de cobertura no registro arqueológico. Os vestígios arqueológicos são na sua grande maioria tégulas de diferentes tipos e fragmentos de concretagem em caementicium que, em geral, nem sempre é possível atribuir explicitamente à cobertura dos ambientes. As termas na Hispânia sofreram um processo de extração de material construtivo e de degradação edilícia ao longo do tempo que inviabiliza quase que totalmente nos dias atuais uma análise adequada das abóbodas ou da cobertura em telhas dos edifícios, veja-se o caso das armações em madeira ou vigamento dos telhados que
simplesmente não sobreviveram. Todavia, em nosso catálogo constam seis termas de épocas diferentes, três edifícios para a Península Ibéria e dois para a Península Itálica, com elementos arquitetônicos laterícios e metálicos que foram identificados com segurança pelos escavadores como parte do sistema de abóbodas das termas.
Devido a essa situação, certamente será mais profícuo para o texto sintetizar alguns pontos relativos às definições terminológicas e aos aspectos construtivos73 gerais para, em
seguida, comentarmos cada caso. Algumas definições terminológicas são dadas pela bibliografia.
73 Além da obra geral de Jean-Pierre Adam sobre a construção no mundo romano, uma obra de referência acerca das abóbodas e domos é o estudo aprofundado realizado por Lynne Lancaster (2005) sobre os edifícios da Roma imperial. Em seu estudo, a autora analisa tanto os aspectos técnico-construtivos, como as cimbras, os arcos estruturais das abóbodas, os impulsos e trações das cargas sobre as estruturas de cobertura quanto os elementos materiais, como os ingredientes do concreto e os elementos metálicos que faziam parte das armações das abóbodas. O estudo de Lancaster é realmente muito valioso e extenso para conseguirmos sintetizá-lo aqui, e nem é esse o objetivo.
10. Reconstrução de uma cimbra com alinhamento de tijolos.
113 | P á g i n a i. Quadro com a definição geral terminológica das abóbodas
Definição geral com base no Dicionário Visual de Arquitetura e no Dictionnaire Méthodique de l’Architecture
Termo Termo latino Definição
Arco ARCUS / FORNIX Peça estrutural arquitetônica em curva destinada a suportar o peso de uma carga vertical por meio da compressão axial sobre as suas peças componentes. A estrutura deve ocupar a espessura de um muro e ter uma cavidade no intradorso. Pode ser construída de pedras individuais ou de aduelas de tijolo.
Abóboda CONFORNICATIO /
CAMARA
Estrutura arqueada construída em pedra, tijolo ou cimentação destinada a formar o teto ou cobertura de um salão ou espaço. Outra definição a caracteriza como uma construção autoportante lançada entre dois muros, com vista a um espaço vazio e compreendendo duas condições – ser aparelho de forma que a construção suporte a compressão e apresentar uma concavidade voltada para baixo.
Abóboda em berço Abóboda cuja seção é um arco de
círculo. Este tipo apresenta a seguintes variantes: baixo (seção inferior ao semicírculo), semicircular, em berço rampante, etc.
Abóboda em aresta Abóboda desenhada pelo encontro de
duas abóbodas ou painéis, ou ainda uma abóboda formada pela intersecção perpendicular por duas abóbodas formando arestas diagonais.
Além dessas definições básicas, um detalhamento terminológico e funcional dos arcos os caracteriza como uma estrutura curvada de pedras ou de tijolos composta de diversos elementos que se arranjam radialmente ou em curva ao redor de um centro e erguido sobre duas colunas, muros ou elementos verticais para suportar o peso dos elementos radiais e da carga do próprio muro dirigindo-a para os lados. As cargas exerceriam por meio da gravidade um peso sobre cada elemento radial mantendo assim a estrutura compacta e unida; os arcos eram melhores para suportar as compressões do que
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as tensões. Além disso, os arcos poderiam ocupar a espessura completa de um muro ou o espaço entre colunas. A forma mais tradicional do arco é uma curva arqueada formada por elementos pétreos ou laterícios em forma de cunha (cuneus), denominados arquitetonicamente aduela, e que convergem desde a imposta e a aduela de nascença em direção à aduela central chamada chave ou fecho, e cuja importância jaz na prevenção de colapso de todo o conjunto. A parte superior do arco é denominada extradorso e a parte inferior intradorso (MALACRINO, 2010: 132-134; RIBEIRO, 2010: 348; LANCASTER, 2008: 257-258, 2014: 182).
A inserção dos arcos na construção termal romana, pelo menos nos edifícios analisados no catálogo e cujos vestígios arqueológicos são representados em sua maioria por materiais pétreos e laterícios, se dá basicamente como elemento de sustentação dos pisos aquecidos, como vão de passagem dos gases quentes por dentro do hypocaustum, e como boca de alimentação do fogo e entrada de calor no setor do praefurnium em vários edifícios termais apenas como, por exemplo, em Miróbriga [31], Carmona [14], Carthago Nova [16] e Tongobriga [35].
Antes de tratarmos das abóbodas como elemento de cobertura dos ambientes termais, é relevante definir a maneira como elas foram construídas no mundo romano. A forma mais simples de construir uma abóboda era por meio de uma armação de madeira arqueada apoiada sobre o solo com o formato da abóboda de berço ou de aresta, chamada cimbre ou cambota, e sobre a qual eram assentadas as tégulas planas (bipedales, pedales ou sesquipedales) de diferentes maneiras e sobre as quais podia ir o concreto romano com caementa compostas por fragmentos cerâmicos ou pedras mais leves do que aquelas dos muros ou fundações e cuja plasticidade permitia que se adequasse à forma do cimbre ou dos tijolos. Após o início da secagem a estrutura de madeira era removida deixando o conjunto no lugar sem o risco de desmoronar (TAYLOR, 2003: 178-179; MALACRINO, 2010: 136-137; RIBEIRO, 2010: 348, 483-484). Jean-Pierre Adam tem a definição mais simples: Le cintre est constitué d’au moins deux arcs de cercle en bois solidement triangules, reliés par um plancher demi-cylindrique appelé couchis, quis est le moule de la voûte, l’ensemble devant prendre appui, soi directment sur le sol à l’aide de poteaux, soit à hauteur de la naissance afin d’éconimiser du bois (ADAM, 2011: 189).
Para focalizar diretamente as abóbodas nos centraremos nos estudos de Lynne Lancaster e Jean-Pierre Adam, procurando sintetizar os pontos mais relevantes que ainda faltam. De acordo com Adam, a razão pela qual as abóbodas são construídas com concreto jogado diretamente sobre as fiadas de tijolos horizontais e/ou verticais, ou então sobre o
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cimbre a partir da época flaviana, se deve à resistência que as abóbodas adquirem após a