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3 REGISTRO DE PATENTES

3.3 Núcleos de proteção intelectual em universidades

Uma das maiores preocupações para quem pesquisa hoje é proteger suas inovações científicas. O assunto se tornou parte dos protocolos dos laboratórios nos últimos anos e chamou a atenção dos cientistas. Em palestra proferida no auditório do departamento de Zoologia, a pesquisadora associada da Universidade de São Paulo (USP), Marília Coutinho, traçou o retrato da morosidade que é o processo de registro das descobertas científicas no Brasil, especialmente, as que são fruto de pesquisas realizadas nas universidades públicas. Com base em uma pesquisa da qual participaram 150 pesquisadores, Marília aponta o amadorismo como um dos principais problemas do registro de patentes no Brasil. Para ela, as empresas brasileiras passam a responsabilidade para os pesquisadores, que, raramente, são especializados no processo. No caso específico das universidades públicas, o quadro é mais desanimador: “Todas as instituições têm um escritório de patentes. Mas a maioria dos cientistas desconhece isso". Essa falta de informação seria um forte indício de que não funcionariam adequadamente (COUTINHO,2006).

para discutir a Lei de Inovação e um tema amplamente abordado foi o que traz a questão das agências de fomento reclamarem a titularidade das patentes. Segundo Maria Beatriz Amorim Páscoa, após uma ampla discussão, as universidades se posicionaram contra as agências deterem essa titularidade e conta que o CNPq, por exemplo, considera que as universidades não têm estrutura suficiente para tocarem sozinhas a questão da propriedade intelectual, e que, por esta razão está se estruturando para dar suporte a elas (VOGT, 2006).

3.3.1 Patentes em universidades no Brasil

Segundo o Instituto de Tecnologia do Paraná (2006), no âmbito do Convênio de Cooperação Técnica entre o Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) e a Rede de Tecnologia do Rio de Janeiro, foi idealizado o Projeto "Estímulo à Criação e Consolidação de Núcleos de Propriedade Intelectual e Transferência de Tecnologia em Instituições de Ensino e Pesquisa Brasileiras". Este projeto teve como marco inicial o mapeamento das universidades brasileiras no que diz respeito à gestão de sua propriedade intelectual. Tal mapeamento - realizado pelo Escritório de Interação e Transferência de Tecnologia (EITT) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), também parceira neste projeto, caracterizou-se por um levantamento quantitativo do número de universidades brasileiras que possuem uma estrutura responsável pela proteção legal de suas tecnologias e por uma avaliação qualitativa dessas estruturas e sua relação com a universidade (ANEXO H).

O levantamento de dados foi viabilizado através de dois questionários enviados a 143 universidades brasileiras (dentre públicas e privadas) para a identificação das eventuais estruturas de propriedade intelectual onde foi possível obter todos os dados alcançados através de tal mapeamento, e que indica, pelo número de respostas obtidas, que existe a possibilidade de se fomentar o interesse de um maior número de instituições de ensino superior no Brasil pelo tema propriedade intelectual. O Governo Federal vem implementando políticas que encorajam um maior envolvimento da comunidade científica e tecnológica com o uso da proteção de patentes. O projeto de Lei de Inovação oferece a possibilidade de uma participação mais ativa dos pesquisadores no processo de proteção e

comercialização de tecnologias. Nesse contexto, Acredita-se que um retrato da situação das universidades brasileiras em relação à propriedade intelectual contribuirá para balizar o planejamento de novas políticas que estimulem o maior envolvimento de um grupo importante de geradores de conhecimento no processo de proteção legal de tecnologias novas (INSTITUTO DE TECNOLOGIA DO PARANÁ, 2006).

Para o reitor da Unicamp, Carlos Henrique de Brito Cruz, tanto a universidade como a empresa pode gerar patente, mas o que a experiência dos países desenvolvidos mostra é que a maior parte delas é gerada na indústria. (VOGT, 2006).

Segundo Vogt (2006), o Reitor da Unicamp, Carlos Henrique Brito Cruz, enfatiza que existe hoje, um mito de que a propriedade intelectual pode ser uma fonte de receita para as instituições acadêmicas. Ele salienta que em nenhum lugar do mundo isso acontece, nem mesmo nos EUA, onde o assunto propriedade intelectual já está estabelecido. “Algumas universidades americanas conseguem uma receita apreciável com os licenciamentos, mas, mesmo assim, eles têm uma despesa grande com a estrutura para buscar o licenciamento. O registro é caro e o licenciamento mais ainda". Dificilmente uma universidade vai se sustentar com direitos sobre propriedade intelectual.

3.3.2 Patentes nos Estados Unidos

3.3.2.1 Licenciamento nas universidades e a Lei Bayh-Dole

A Lei Bayh-Dole, de 1980, permite às universidades patentear e licenciar, com exclusividade, invenções financiadas por fundos federais. Devido ao grande aumento de licenciamentos por universidades, a lei tornou-se controversa e objeto de debate enquanto política pública. Para as 84 instituições dos EUA que responderam às pesquisas de 1991 e 2000, da Association of University Tecnology Managers´ (AUTM), o número de invenções cresceu 84%, a solicitação de novas patentes em 238%, os acordos de licenciamento em 161%, e os royalties em mais de 520%. Os defensores da Lei Bayh-Dole argumentam que, sem ela, muitos resultados de pesquisas feitas com fundos federais permaneceriam nos laboratórios; os críticos dizem que as licenças exclusivas não são necessárias para transferência de tecnologia, e que as universidades estão buscando lucros. Fato importante é

se, e quando, o licenciamento exclusivo se faz necessário para aumentar esses canais. O licenciamento exclusivo pode ser necessário quando as invenções precisam de mais desenvolvimento antes do uso. Direitos exclusivos de patente incentivam as empresas a investir em desenvolvimentos caros, mas somente até o ponto em que as patentes efetivamente protegem a propriedade intelectual, o que varia de acordo com a indústria (THURSBY, 2006).

Na pesquisa feita pela AUTM, em 2000, os 156 consultados dos EUA declararam uma receita de US$ 1.24 bilhão, resultante de royalties e participação em "dinheiro vivo" livre de taxas legais não reembolsadas. Este valor representa cerca de 4,7% das despesas com a pesquisa. Para cada dólar de receita, há cerca de US$ 0,20 de pesquisa patrocinada ligada a uma licença. A receita média por licença ativa é de US$ 66.465, mas somente 43% receberam royalties e 0,56% ganhou mais de US$ 1 milhão em 2000 (THURSBY, 2006).