SEGURANÇA SOCIAL 2015
IX. A NÁLISE DE A LGUMAS DAS P RINCIPAIS R UBRICAS DA E XECUÇÃO O RÇAMENTAL 1. P ENSÕES E C OMPLEMENTOS
IX.3.3. Subsídio por tuberculose
IX.3.3.3. Número de baixas processadas com subsídio por tuberculose, 2011-2015
De uma forma global, o número de baixas concedidas no âmbito da “tuberculose” tem diminuído consecutivamente entre 2011 e 2014, conforme evidencia o quadro seguinte. Contudo, em 2015 verificou-se um ligeiro aumento, tendo sido concedidas cerca de mil baixas por “tuberculose”, mais 24 do que as registadas em 2014. Ainda assim, nos últimos cinco anos, verificou-se uma quebra de 18,0% no número de baixas processadas.
Quadro 59 – Número médio anual de baixas por beneficiário do subsídio por Tuberculose - Continente e RA´s – 2011-2015
Fonte: II, IP
Gráfico 70 – Número de baixas processadas com subsídio por Tuberculose - Continente e RA´s - 2011-2015
Fonte: II, IP
Tx var (%) Beneficiários Peso relativo Beneficiários Peso relativo 2015/14
Continente 916 98,2 934 97,6 2,0
Madeira 8 0,9 10 1,0 25,0
Açores 9 1,0 13 1,4 44,4
TOTAL 933 100,0 957 100,0 2,6
2014 2015
Var. % Var. % 2015/14 2015/2011
Número de beneficiários (s ub. tuberc.) 1.159 1.072 944 932 957 2,7 -17,4
N.º de baixas 1.251 1.155 1.015 1.002 1.026 2,4 -18,0
N.º de baixas por beneficário (média anual) 1,08 1,08 1,08 1,08 1,07 2015 2013
2011 2012 2014
RELATÓRIO DA CONTA DA SEGURANÇA SOCIAL 2015
Por beneficiário, verifica-se que o número de baixas tem-se mantido estável no período em análise, sendo que, em 2015, cada beneficiário requereu, em média, 1,07 baixas por “tuberculose”.
IX.3.3.4. Despesa paga (2011 – 2015)
Em 2015, a despesa com o subsídio por tuberculose, no Continente e Regiões Autónomas, ascendeu a 3.014,6 milhares de euros, registando um aumento de 221,1 milhares de euros relativamente a 2014 (+7,9%), mas assumindo um valor dentro da média dos últimos cinco anos.
Quadro 60 – Despesa com subsídio por Tuberculose - Continente e RA´s – 2011-2015
Gráfico 71 – Despesa com subsídio por Tuberculose - 2011-2015
No quinquénio 2011/15, a evolução da despesa com o subsídio por tuberculose seguiu uma tendência inicialmente decrescente, que se inverteu apenas no último biénio. Em 2012/13 registou-se a maior redução dos últimos cinco anos, acima dos dois dígitos (-16,0%). Comparativamente à “doença”
(+0,13%), a variação média no período em análise foi negativa (-3,9%), devido essencialmente à significativa redução ocorrida em 2013 (-16,0%, que compara com -6,4% na doença).
A tendência de evolução da despesa com “tuberculose” reflete a descida consistente da incidência deste tipo de doença em Portugal, nos termos dos dados estatísticos disponibilizados pela Direcção-Geral de
milhares de euro
2011 2012 2013 2014 2015
Subs ídi o por tubercul os e 3.536,2 3.349,6 2.813,3 2.793,6 3.014,6
Taxa de variação (%) -0,9 -5,3 -16,0 -0,7 7,9
-20,0 -16,0 -12,0 -8,0 -4,0 0,0 4,0 8,0 12,0
0 1.000 2.000 3.000 4.000 5.000
2011 2012 2013 2014 2015
Uni d.: milhares de euro Subsídio por tuberculose Tx var nominal
RELATÓRIO DA CONTA DA SEGURANÇA SOCIAL 2015
Saúde (ver gráfico infra)47. O ligeiro aumento do número de beneficiários (e da despesa) verificado em 2015 não é, aparentemente explicado pelo aumento de novos casos, mas apenas por acumulação de casos transitados de anos anteriores.
Gráfico 72 – Taxa de notificação e incidência em Portugal - 2000-2015
Fonte: Direcção-Geral de Saúde - Programa Nacional para a infecção VIH/SIDA e Tuberculose, Dia Mundial da Tuberculose, 24 de março de 2016
IX.3.3.5. Decomposição da despesa – Continente e Regiões Autónomas
A decomposição da despesa com subsídio por tuberculose no Continente, por distritos, assim como a respetiva variação no período 2014/15, é apresentada nos gráficos seguintes.
De referir que se distinguiram os distritos em que se verificou uma redução da despesa (cores cinza) dos distritos em que se registou um acréscimo de despesa com subsídio por tuberculose em 2015 (cor amarela e castanha). Referenciam-se ainda os distritos em que se verificou a variação máxima da despesa (Guarda) e mínima (Coimbra).
Da decomposição do crescimento médio anual registado no subsídio por tuberculose no Continente, em 2015 face ao período homólogo de 2014, constatou-se um aumento de 7,8%. Paralelamente, o número de distritos que registaram um crescimento da despesa entre 2014 e 2015 foram: Braga (+2,5%), Aveiro, Évora, Faro, Santarém, Lisboa, Viseu, Castelo Branco e Guarda (+88,4%), mais um do que no ano anterior. Com exceção de Lisboa, os restantes oito distritos representaram 28,9% da despesa com subsídio de tuberculose no ano (em 2014 foram oito os distritos com crescimento da despesa e representaram 15,7% da despesa).
Dos distritos com maior peso relativo na despesa em 2015, destacam-se Lisboa (+36,9%) e Porto (-11,4%), que representaram, conjuntamente, 57,6% da despesa total com este subsídio (os dois distritos despenderam 1.704,6 milhares de euros, sendo que Lisboa ultrapassou o Porto no maior volume de despesa, com 913,3 milhares de euros).
47 Programa Nacional para a infecção VIH/SIDA e Tuberculose, Dia Mundial da Tuberculose, 24 de março de 2016
RELATÓRIO DA CONTA DA SEGURANÇA SOCIAL 2015
Gráfico 73 – Variação da despesa com subsídio por Tuberculose no Continente (por distrito de residência),
de 2014 para 2015
Gráfico 74 – Distribuição da despesa com subsídio por Tuberculose no Continente, por distritos – 2014-2015
Quadro 61 – Distribuição da despesa com subsídio por Tuberculose no Continente, por distritos – 2014-2015
Gráfico 75 – Despesa com subsídio por Tuberculose no Continente e RA´s – 2014-2015
Distrito 2014 2015 Var. absoluta Var %
Continente
RELATÓRIO DA CONTA DA SEGURANÇA SOCIAL 2015
Quadro 62 – Despesa com subsídio por Tuberculose no Continente e RA´s – 2014-2015
Fonte: II, IP
Os restantes oito distritos do Continente viram a sua despesa com subsídio por tuberculose reduzir-se em 2015. Estes distritos, que representaram 13,5% da despesa (400,0 milhares de euros), corresponderam a Coimbra, Viana do Castelo, Vila Real, Bragança, Portalegre, Beja, Setúbal e Leiria. O distrito de Vila Real foi o que despendeu menos com esta prestação (9,1 milhares de euros), reduzindo 35,8% face a 2014, o que representou uma diminuição de despesa na ordem dos 5,1 milhares de euros.
Relativamente às Regiões Autónomas, estas evidenciaram uma despesa total de 55,6 milhares de euros em 2015, representando 1,8% do total da despesa paga com subsídio por tuberculose no país, mais 0,1 p.p. do que em 2014. O aumento do peso relativo das RA’s no total do país, entre 2014 e 2015, apesar da redução observada na Madeira (-16,3%), deve-se ao aumento significativo da despesa nos Açores (+138,6%).
Em 2015, a RA da Madeira despendeu com “tuberculose” 32,3 milhares de euros (menos 6,3 milhares do que em 2014), enquanto a RA dos Açores apresentou uma despesa de 23,3 milhares de euros (mais 13,5 milhares do que em 2014).
Tx var (%) Despesa Peso relativo Despesa Peso relativo 2015/14
Continente 2.745,2 98,3 2.959,0 98,2 7,8
Madeira 38,6 1,4 32,3 1,1 -16,3
Açores 9,8 0,3 23,3 0,8 138,6
TOTAL 2.793,6 100,0 3.014,6 100,0 7,9
Unidade: milhares de euro
2015 2014
RELATÓRIO DA CONTA DA SEGURANÇA SOCIAL 2015
RELATÓRIO DA CONTA DA SEGURANÇA SOCIAL 2015
IX.4. PRESTAÇÕES POR PARENTALIDADE
IX.4.1. Enquadramento
Em 2015, à semelhança do sucedido em 2014, registou-se um aumento efetivo dos montantes despendidos com prestações de parentalidade (+10,6%), no valor global de 432,6 milhões de euros. Esta variação reflete, embora com intensidade diferente, comportamentos idênticos nas duas componentes:
o Sistema Previdencial assistiu a um crescimento da despesa em 11,1% e o Subsistema de Solidariedade cresceu 0,3%, invertendo a tendência do último quinquénio, conforme se pode visualizar no gráfico seguinte.
Gráfico 76 – Variação da despesa com subsídio e subsídios sociais de parentalidade – 2013/2015
A evolução registada nos dois últimos biénios contraria a redução da despesa entre 2012 e 2013, em resultado da aplicação do Decreto-Lei n.º 133/2012, de 27 de Junho.
De facto, as alterações legislativas implementadas no segundo semestre de 2012 (a partir de julho), ao eliminarem os subsídios de férias e de Natal no apuramento do valor da prestação, contribuíram para a redução da prestação média mensal por beneficiário, em 2013 e 2014. Considerando-se as médias nos períodos “jan.11-jun.12” e “jan.13-dez.15” (antes e depois do impacto da medida), observa-se uma redução na prestação por beneficiário na ordem dos 100 euros/mês (98,45€). No entanto, ao longo do ano de 2015 registou-se um aumento de 1,2% da prestação média por beneficiário face à média do período “jan.13-dez.15”, conforme visualizado no gráfico seguinte.
-13,0%
4,6%
11,1%
-6,5%
-2,4%
0,3%
-15,0%
-10,0%
-5,0%
0,0%
5,0%
10,0%
15,0%
2013/12 2014/13 2015/14
(em percentagem)
Previdencial Solidariedade
RELATÓRIO DA CONTA DA SEGURANÇA SOCIAL 2015
Gráfico 77 – Prestação média mensal por beneficiário – subsídio parental inicial (S. Previdencial) – 2011/2015
Em 2015/14, a prestação mensal por beneficiário situou-se em 663,74 euros, ou seja, um aumento de 2,6%, em média, face aos 647,03 euros do ano de 2014. Esta variação contribuiu para explicar parte do aumento da despesa em 2015.
O maior aumento da despesa no biénio 2015/2014 traduz, também, o aumento do número de beneficiários do principal agregado, o subsídio parental inicial (+85%), invertendo a tendência de redução dos últimos três biénios. Este comportamento reflete, por sua vez, a evolução de alguns indicadores demográficos, nomeadamente, o aumento da taxa de natalidade em 2015, que contrariou o declínio observado nos anos mais recentes.
A evolução de beneficiários em prestações como o risco clinico durante a gravidez e o subsídio parental alargado mantiveram, à semelhança do sucedido em 2014, um forte ritmo de crescimento (+16,8% e +43,0%, respetivamente).
Relativamente ao regime não contributivo (subsídios sociais), o aumento registado em 2015 resultou do aumento no número de beneficiários do subsídio parental inicial (+1,0%), o que sucede pela primeira vez no último quinquénio. Estas prestações são atribuídas em situações de carência económica, quando os pais não se encontram abrangidos por qualquer regime de proteção social obrigatório ou voluntário, estando sujeitas à obrigatoriedade da prova da “condição de recursos”4849.
48 O Decreto-Lei n.º 70/2010, de 16 de junho veio harmonizar as condições de acesso às prestações sociais não contributivas, estendendo ainda a sua aplicação a todos os apoios sociais concedidos pelo Estado, cujo acesso tenha subjacente a verificação da condição de rendimentos. Neste contexto, o referido diploma estabelece as regras para a determinação dos rendimentos, composição do agregado familiar e capitação dos rendimentos do agregado familiar para a verificação da condição de recursos;
49 Nos termos da alínea d) do número 1 do artigo 1.º do Decreto-Lei n.º 70/2010, de 16 de junho.
500 600 700 800 900
J F M A M J J A S O N D J F M A M J J A S O N D J F M A M J J A S O N D J F M A M J J A S O N D J F M A M J J A S O N D
2011 2012 2013 2014 2015
Jan11 - Jun12(Sem impacto DL133/2012) Jul12-Dez15(Com impacto DL133/2012)