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NA AUSÊNCIA DA 1ª PESSOA, PREVALECE A 2ª PESSOA – VERBO NA 2ª PESSOA DO PLURAL:

No documento Curso Regular Claudia Kozlowski (páginas 140-143)

Em tempo: niilista significa o que tudo nega, detém descrença absoluta.

NA AUSÊNCIA DA 1ª PESSOA, PREVALECE A 2ª PESSOA – VERBO NA 2ª PESSOA DO PLURAL:

Tu, ela e os peregrinos visitareis o santuário.(VÓS)

Nesse segundo caso, modernamente vários autores (Rocha Lima, Sacconi, dentre outros) já aceitam a conjugação na 3ª pessoa do plural, haja vista o desuso das segundas pessoas na linguagem coloquial brasileira.

Tu, ela e os peregrinos visitarão o santuário (VOCÊS).

Se a oração estiver em ordem inversa (VERBO + SUJEITO COMPOSTO), pode haver a concordância atrativa, ou seja, o verbo pode também concordar com o primeiro elemento:

Irá ao museu ela e eu (3ª p.sing.) / Irei ao museu eu e ela (1ª p.singular) OU

1.d) Com núcleos em correlação (tanto...como; como; não só ... bem como) POLÊMICA À VISTA! Vários autores registram o emprego do verbo concordando com o primeiro.

O cientista assim como o médico pesquisa a causa do mal.

Esse é o posicionamento do mestre LUIZ ANTÔNIO SACCONI (em Gramática

Básica) – Os exemplos dados pelo professor apresentam o segundo elemento

isolado por vírgulas, com a flexão somente com o primeiro elemento:

Meus amigos, assim como eu, gostam de estudar Português. Eu, bem como meus amigos, gosto de estudar Português.

No entanto, também há registros de concordância com todos os elementos.

- CELSO CUNHA & LINDLEY CINTRA (em Nova Gramática do Português

Contemporâneo) - O posicionamento dos professores Celso Cunha e Lindley Cintra

é que, se não houver pausa entre os sujeitos (ou seja, não houver vírgula), o verbo irá para o plural:

“Qualquer se persuadirá de que não só a nação mas também o príncipe

estariam pobres.”

Os gramáticos ainda destacam o caso de sujeitos ligados por conjunção comparativa. Segundo eles, quando dois sujeitos estão unidos por uma das conjunções comparativas como, assim como, bem como e equivalentes, a concordância depende do valor que atribuímos ao conjunto. O verbo concordará com o primeiro elemento se quisermos destacá-lo:

A íris, como a impressão digital, é única em cada pessoa.

Nesse caso, a conjunção conserva seu valor comparativo, e o segundo termo vem enunciado entre pausas, indicadas na escrita pelas vírgulas.

Se os elementos se adicionam, se complementam, o verbo vai para o plural, seguindo o modelo apresentado nas estruturas correlativas não só... mas

também, tanto...como, visto acima.

- ROCHA LIMA (em Gramática Normativa da Língua Portuguesa)- O mestre registra a dupla possibilidade de flexão, destacando como preferível a flexão no plural:

“Se o sujeito é construído com a presença de uma fórmula correlativa, deve preferir-se o verbo no plural.

‘Assim Saul como Davi, debaixo do seu saial, eram homens de tão grandes espíritos, como logo mostraram suas obras’ (ANTÔNIO VIEIRA)”

Segundo o autor, é raro aparecer o verbo no singular:

‘(...) tanto uma, como a outra, suplicava-lhe que esperasse até passar a maior correnteza’.”

- EVANILDO BECHARA (em Moderna Gramática Portuguesa)- Também merecem registro as palavras do emérito professor Evanildo Bechara, que apresenta a possibilidade de construir no singular ou no plural, indistintamente:

“Se o sujeito composto tem os seus núcleos ligados por série aditiva enfática

(não só... mas, tanto...quanto, não só...como, etc.), o verbo concorda com o mais próximo ou vai ao plural (o que é mais comum quando o verbo vem antes do sujeito).

Vamos eliminar esse monstro que apareceu aí: série aditiva enfática. “Série” porque estamos diante, não de uma, mas de várias palavras (não só...mas também, tanto...como, por exemplo). “Aditiva” por apresentar idéia de adição, equivalente à conjunção “e”. Finalmente, “enfática” por enfatizar cada um dos elementos da construção, ou até mais um do que outro, ao contrário do que faria uma mera conjunção “e”, que coloca os dois elementos no mesmo patamar. Compare: “Eu e meu irmão vimos o acidente.” / “Não só eu como também meu irmão vimos o acidente.”. Percebeu a diferença?

Parece que ouvi alguém gritar: “Claudia, o que eu faço na hora da prova???”.

Resposta: vai depender da banca examinadora. Primeiramente, há as que indicam bibliografia. Se isso acontecer, siga o que diz o gramático indicado. Em outros casos (a maioria, infelizmente), devemos tomar todo cuidado. Vejamos como se comportou a ESAF:

(ESAF/Assistente de Chancelaria/2002)

As viagens ao exterior e os encontros com figurões estrangeiros constituem, desde o reinado de Dom Pedro II, um trunfo na estratégia das lideranças brasileiras. De fato, as críticas às viagens internacionais do Presidente da República ou de outros dirigentes parecem despropositadas. Tanto o governo como a oposição devem reposicionar os interesses brasileiros num mundo em plena mutação. O problema que se coloca é de outra natureza e se resume numa interrogação pouco formulada na campanha presidencial: quais devem ser os rumos de nossa diplomacia?

(Luiz Felipe de Alencastro, Veja, 10/04/2002, com adaptações)

d) o conectivo “Tanto...como”(l.4-5) for substituído por Não só ... mas também, o verbo seguinte pode ser empregado no plural, “devem”(l.5), ou no singular, deve.

A banca considerou CORRETO este item, ou seja, a partir dessa questão, podemos afirmar que o entendimento da ESAF é que, em séries aditivas enfáticas, o sujeito poderá facultativamente se flexionar no singular ou no plural, com ou sem pausa (vírgula).

Precisaríamos analisar como se comportam as demais bancas, mas algumas passam ao largo da discussão e não exploram questões como essa.

1.e) Ligado por COM : verbo concorda com o antecedente do COM ou vai para o plural, entendendo que formam um sujeito composto.

O professor, com os alunos, resolveu o problema. O maestro com a orquestra executaram a peça clássica.

A opção por uma ou outra flexão é livre, mas não indiferente. Vai depender da ênfase que se queira dar. O plural destaca o conjunto dos elementos, com idéia de “cooperação”, enquanto que o singular enfatiza somente um deles.

Se a intenção for realçar apenas um dos núcleos, o verbo concorda com ele. Neste caso, como nos ensina Rocha Lima, o segundo sujeito (ligado pela preposição com) “é posto em plano tão inferior que se degrada à simples condição de um

complemento adverbial de companhia”. A vírgula, neste caso, é facultativa. A carta com o documento foi extraviada.

1.f) Ligado por OU: verbo no singular ou plural, dependendo do valor do OU. Se for alternativo, com idéia de exclusão dos demais, o verbo fica no singular.

Valdir ou Leão será o goleiro titular.

Também permanece no singular se a conjunção “ou” exprimir equivalência, de tal forma que o verbo possa se dirigir a qualquer dos elementos.

Um cardeal, ou um papa, enquanto homem, não é mais do que uma pessoa”. (MANUEL BERNARDES)

Se o valor da conjunção for aditiva, de modo que a ação possa abranger todos os sujeitos, indistintamente, o verbo vai para o plural.

Alegrias ou tristezas fazem parte da vida.(tanto umas como outras)

O mesmo acontece quando um dos elementos já se apresenta no plural.

O policial ou os populares poderiam ter prendido o perigoso assassino.

1.g) Ligado por NEM: segue o mesmo raciocínio que o caso 1.f (sujeito composto

ligado por OU) – verbo pode ficar no plural ou no singular.

Nem Paulo nem Maria conquistaram a simpatia de Joana.(valor aditivo) Nem Ciro nem Enéas será eleito presidente.(valor alternativo ou excludente)

Nesses dois últimos casos (1.f e 1.g - sujeito composto ligado por OU / NEM), havendo, entre os sujeitos, algum expresso por um pronome reto, devemos seguir a regra 1.c (primazia das pessoas – 1ª. e 2ª):

Nem meu primo, nem eu freqüentamos tal sociedade.(1ª p.plural)

1.h) Resumido com pronome indefinido: o verbo concorda com o pronome, que exerce a função de aposto resumitivo. Esse é um caso de concordância especial, em que o verbo concorda, não com o sujeito (todos os elementos), mas com o aposto (pronome indefinido).

Jovens, adultos, crianças, ninguém podia acreditar no que acontecia.

1.i) Modificado pelo pronome CADA: quando o pronome indefinido cada é seguido por substantivo ou pronome substantivo, o verbo fica na 3ª pessoa do singular.

Cada homem, cada mulher, cada criança ajudava os flagelados.

No documento Curso Regular Claudia Kozlowski (páginas 140-143)