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Nannostomus unifasciatus Steindachner 1876

Comprimento máximo: 2,6 cm CP.

Distribuição: espécie amplamente distribuída pela bacia Amazônica, bacia do Orinoco e rio Es-sequibo, Guiana (Weitzman & Cobb, 1975; Weitzman & Weitzman, 1982; 2003). No Teles Pires foi capturado à jusante da cachoeira da Rasteira.

Material testemunho: INPA 27225; MZUSP 118153.

Comentários: corpo alongado e baixo, boca terminal, com mandíbula inferior ligeiramente me-nor que a superior; narinas separadas entre si. Linha lateral com 25-27 escamas perfuradas, três

Pyrrhulina sp.

Comprimento máximo: 2,8 cm CP.

Distribuição: capturada no rio Teles Pires unicamente à jusante da cachoeira da Rasteira.

Material testemunho: MZUSP 118144.

Comentários: Corpo alongado e baixo, boca terminal, com a mandíbula inferior ligeiramente maior que a superior; narinas anterior e posterior sobrepostas. Linha lateral com 25-26 escamas perfuradas, duas séries de escamas entre a origem da nadadeira dorsal e a linha lateral, e duas es-camas entre a linha lateral e a inserção da nadadeira pélvica. Colorido marrom-claro dorsalmen-te, com uma listra marrom-escura larga ao longo da linha longitudinal, mancha escura na porção médio-anterior da nadadeira dorsal. Ocorre em pequenos tributários sendo rara no trecho em estudo. Similar, porém distinta, da recentemente descrita Pyrrhulina marylinae Netto-Ferreira &

Marinho 2013; trata-se provavelmente de uma espécie não descrita.

Família Ctenoluciidae (bicuda, caibro)

Os representantes dessa família têm corpo bastante alongado, de médio à grande porte, crânio bem ossificado, mandíbulas longas e pontudas com dentes pequenos e nume-rosos, alimentam-se de outros peixes. Apresentam alguma importância na pesca esportiva e profissional.

Essa família apresenta dois gêneros e sete espécies, distribuídas desde o Panamá até a bacia Amazônica (Eschmeyer & Fong, 2015). Um dos gêneros (Ctenolucius) ocorre apenas nos rios a oeste dos Andes, da Colômbia, Venezuela e Panamá, enquanto que o outro gênero (Boulengerella) ocorre na bacia Amazônica, bacia do Orinoco e rios guianenses. Apenas duas espécies do gênero Boulengerella foram encontradas no rio Teles Pires.

Chave de identificação para as espécies de Ctenoluciidae

1. Presença de pequenas manchas escuras arredondadas pelo corpo nos adultos; nadadei-ra dorsal posicionada um pouco anteriormente da origem da nadadeinadadei-ra anal; nadadeinadadei-ra caudal com manchas ou faixas escuras ...Boulengerella maculata 1’. Ausência de manchas escuras arredondadas pelo corpo nos adultos, apenas uma mácula

no final do pedúnculo caudal; nadadeira dorsal posicionada um pouco atrás da origem da nadadeira pélvica; nadadeira caudal sem manchas ou faixas ...Boulengerella cuvieri

Comprimento máximo: 37,5 cm CP.

Distribuição: amplamente distribuído na bacia Amazônica, bacia do rio Orinoco, e rios Essequibo (Guiana) e Oiapoque (Guiana Francesa e Amapá) (Vari, 1995; 2003). No rio Teles Pires ocorre ao longo do trecho estudado.

Material testemunho: INPA 44501, 44376, 44894 e 44518 e 44622; ZUEC 10355, 10340.

Comentários: corpo bastante alongado e baixo. Linha lateral com 100-117 escamas, das quais as últimas 4-5 não são perfuradas; 13 séries de escamas entre a linha lateral e a origem da nadadeira dorsal, e 9-10 séries de escamas entre a linha lateral e a origem da nadadeira pélvica. Colorido

Boulengerella cuvieri

(Agassiz 1829)

Boulengerella maculata

(Valenciennes 1850)

Comprimento máximo: 25,8 cm CP.

Distribuição: amplamente distribuída na bacia Amazônica e bacia do Orinoco (Vari, 1995; 2003).

No rio Teles Pires foi capturado no rio São Benedito.

Material testemunho: INPA 45783.

Comentários: corpo bastante alongado e baixo. Origem da nadadeira dorsal ao mesmo nível da origem da nadadeira anal. Linha longitudinal com 88-100 escamas, das quais 15-26 são per-furadas, nove séries de escamas entre a linha lateral e a origem da nadadeira dorsal, e sete sé-ries de escamas entre a linha lateral e a origem da nadadeira pélvica. Colorido claro, com dorso enegrecido e muitas manchas escuras arredondadas, menores no dorso e maiores nos flancos;

nadadeira caudal com faixas e manchas escuras; faixa longitudinal escura conspícua e larga no flanco de exemplares preservados em álcool. Rara no trecho, tendo sido apenas coletada no rio São Benedito.

Família Serrasalmidae (piranha, pacu, tambaqui)

A família Serrasalmidae abrange 16 gêneros e 88 espécies atualmente reconhecidas como válidas, distribuídas desde a bacia do Lago de Maracaibo, no norte da Venezuela, até o rio de La Plata na Argentina. São os peixes conhecidos como pacus e piranhas, caracterizados por terem o corpo com formato ovoide à discoidal, com escamas modificadas em espinhos no abdômen que formam uma estrutura que lembra uma serra, de onde vem o nome da família. Os pacus são tipicamente herbívoros, alimentam-se principalmente de sementes, frutas e folhas, mas podem ingerir também invertebrados (particularmente quando na fase juvenil); algumas espécies, como as dos gêneros Myleus, Tometes, Ossubtus e Mylesinus ali-mentam-se quase que exclusivamente de macrófitas aquáticas encontradas nos ambientes encachoeirados como as plantas das famílias Podostemaceae e Myrtaceae. Por outro lado, as piranhas são os representantes carnívoros da família, mas algumas espécies, como por exemplo Pygopristis denticulata, podem eventualmente alimentar-se de frutos e sementes, principalmente no período de cheia dos rios quando o alimento está disperso nas águas e os peixes têm acesso as florestas inundadas.

A família possui ainda o maior caraciforme neotropical, Colossoma macropomum que é conhecido como tambaqui, esta espécie pode alcançar 1 m de comprimento total e ultra-passar os 40 kg de peso. Os serrasalmídeos são de grande importância para a pesca, princi-palmente na região Amazônica. Neste estudo foram encontradas 14 espécies distribuídas em seis gêneros para o trecho do rio Teles Pires estudado.

Chave para as espécies de Serrasalmidae

1. Duas fileiras de dentes no pré-maxilar, dentes com base larga, molariformes ou incisifor-mes, com cúspides sem borda cortante ...2 1’. Uma única fileira de dentes no pré-maxilar, dentes triangulares e cortantes, com uma

cúspide principal mais alta evidentemente pontiaguda (piranhas) ... 12 2. Dentes molariformes de base larga, não comprimidos antero-posteriormente; duas filei-ras de dentes no pré-maxilar tipicamente com espaçamento entre si ...3 2´. Dentes incisiformes relativamente comprimidos antero-posteriormente; duas fileiras de

dentes no pré-maxilar claramente encostadas uma na outra sem espaçamento entre si ..

... 10 3. Nadadeira adiposa com base evidentemente longa, comprimento da base da adiposa

igual ou maior que o espaço entre o final da nadadeira dorsal e a origem da nadadeira adiposa ...4 3’. Nadadeira adiposa com base curta, comprimento da base da adiposa claramente menor

que o espaço entre o final da nadadeira dorsal e a origem da nadadeira adiposa...5

5. Espinho pré-dorsal ausente ...6 5’. Espinho pré-dorsal presente ...7 6. Nadadeira adiposa raiada; maxilar sem dentes; comprimento pós-orbital longo, compri-mento do focinho contido mais que três vezes dentro do compricompri-mento pós-orbital ...

...Colossoma macropomum 6’. Nadadeira adiposa não raiada; maxilar com 1 a 3 pequenos dentes; comprimento pós--orbital moderado, comprimento do focinho contido duas vezes ou menos no compri-mento pós-orbital ...Piaractus brachypomus 7. Presença de uma faixa vertical preta larga no meio do corpo ...

...Myloplus schomburgkii 7’. Faixa vertical no meio do corpo ausente ...8 8. 24-27 raios ramificados na nadadeira dorsal; distância entre a nadadeira dorsal e a nada-deira adiposa contida três vezes no comprimento da base da dorsal; pedúnculo caudal baixo e alongado ...Myloplus asterias 8’. 19-22 raios ramificados na nadadeira dorsal; distância entre a nadadeira dorsal e a nada-deira adiposa contida no máximo duas vezes no comprimento da base da dorsal; pedún-culo caudal alto e curto ...9 9. Nadadeira caudal uniformemente clara ou com a borda distal acizentada, primeiro raio

da nadadeira dorsal sem pigmentação ...Myloplus rubripinnis 9’. Nadadeira caudal com uma faixa escura bem definida na porção distal, primeiro raio da

nadadeira dorsal densamente pigmentado ...Myloplus arnoldi 10. Espinhos pré-pélvicos formando uma quilha bem marcada na região ventral próximo às

nadadeiras pélvicas, pré-maxilar com os dois dentes mais anteriores lateralmente juntos ou quase ... 11 10’. Espinhos pré-pélvicos reduzidos, região abdominal arredondada, ausência de quilha

pré-pélvica, pré-maxilar com os dois dentes mais anteriores visivelmente afastados ...

...Tometes sp. “Teles Pires”

11. Dentes incisiformes sempre delgados antero-posteriomente, dentes do pré-maxilar tipi-camente visíveis externamente, cabeça afilada ...Myleus setiger 11’. Dentes incisiformes delgados nos juvenis e aparentando serem molariformes nos adul-tos, dentes do pré-maxilar não visíveis externamente, cabeça robusta, “hiperossificada”

...Myleus sp. “dentuço”

12. Nadadeira caudal com pigmentação escura presente apenas na base da nadadeira, por-ção distal da nadadeira caudal hialina ... 13 12’. Nadadeira caudal uniformemente escura em exemplares adultos, nadadeira caudal nos

juvenis com base e porção distal pigmentada ...Serrasalmus rhombeus 13. Mancha na base da nadadeira caudal com 1/3 ou mesmo a metade do comprimento da

nadadeira; manchas redondas grandes ou alongadas verticalmente sobre os flancos .. 14 13’. Mancha na base da nadadeira caudal cobrindo quase completamente a nadadeira, for-mado uma finíssima porção distal hialina; manchas sobre os flancos, quando visíveis,