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3 EM BUSCA DO PERFIL DO PROFESSOR LEITOR

3.3 DELINEANDO PERFIS

3.3.1 Narrativas Biográficas

Nesta seção, exponho a análise dos dados coletados por meio do Questionário de Identificação, já mencionado, sob a ótica das seguintes categorias: 1 - a trajetória profissional e a formação docente e 2 - a relação com a cidade e as condições socioeconômicas.

Primeiramente explano sobre os dados coletados a partir do questionário de identificação, no intuito de revelar e problematizar tanto a trajetória profissional e a formação docente de cada um, quanto a relação dos entrevistados com a cidade e as condições socioeconômicas deles.

Logo de início, uma característica do grupo chamou-me à atenção e considero importante revelá-la. Além de todos serem efetivos na SME Florianópolis, a grande maioria, quase 90%, já acumula uma boa experiência pedagógica e demonstra estabilidade e constância em seus percursos funcionais. O tempo em que estão na instituição é um dos dados que comprova essa afirmação, já que somente três deles, que passavam pelo período de estágio probatório no momento da pesquisa, atuam na SME há menos de dois anos, os demais empenham seus esforços profissionais há um expressivo tempo nessa Rede de Ensino, ou seja, entre cinco e 27 anos. O tempo de atuação de cada qual na educação também revela essa característica. Dois destes colegas estão na área há aproximadamente cinco anos, quatro deles entre cinco e dez; uma está próxima de quinze anos, outras três há quase vinte, e seis acima de vinte anos. E ainda, três destes profissionais atuaram em outras instituições de ensino, em momentos anteriores, uma em escolas particulares e outros dois em escolas estaduais Palhoça (SC), Biguaçú (SC) e Governador Celso Ramos (SC), localizadas nas proximidades de Florianópolis (SC).

Quanto à formação, pode-se afirmar que o grupo é representativo do quadro de estatística da formação acadêmica dos profissionais do magistério29 da SME, divulgado em abril de 2014 e fornecido pela

29

Disponível em:

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Gerência de Articulação de Pessoal, setor responsável por tais informações junto à Diretoria de Administração Escolar dessa Secretaria. Tal instrumento expõe que apenas 0,33% dos efetivos não são graduados, 74,14% fizeram uma especialização, 10,22% são mestres e 0,72% são doutores. À semelhança desses índices, considerando apenas as professoras entrevistadas nesta pesquisa, 91,67% delas são graduadas, 41,67% possuem especialização e 16,67% concluíram o Mestrado.

Neste sentido, vale destacar que quinze, ou seja, quase a totalidade das pessoas pesquisadas é graduada, duas delas inclusive acumulam duas graduações, sendo que uma pela UFSC e pela UDESC, outra pela UDESC e pela Faculdade Portoalegrense de Educação. Frequentaram, em sua maioria, universidades públicas, seis delas a UFSC, três a Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC), uma a Universidade Federal de Pelotas (RS) e uma a Fundação Municipal de Educação e Cultura de Santa Fé do Sul (SP) (FUNEC). Algumas delas optaram por outras universidades reconhecidas, uma pela Universidade Católica de Pelotas (RS), uma pela Universidade do Sul de Santa Catarina (UNISUL) e uma pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (RS). Metade delas também possui pós-graduação, sendo que seis fizeram uma especialização e duas educadoras têm tanto uma especialização como o mestrado.

Já em relação à formação continuada especificamente voltada para o trabalho com leitura literária, os dados revelam o comprometimento do grupo de pesquisados com a qualificação da sua prática e com a busca de conhecimentos que sustentem seu fazer pedagógico. Isso porque a grande maioria, dez dos pesquisados, revelaram ter passado por esse tipo de curso exclusivamente na formação permanente da SME Florianópolis (SC), entre 2011 e 2012. Seis educadoras informam sua participação também em cursos nessa perspectiva, promovidos por outras instituições, como o Serviço Social do Comércio (SESC- SC), a Agência de Capacitação Educacional (ACAPED), a Faculdade Decisão, o Centro de Ensino Tecnológico de Brasília (DF) (CETEB), Secretaria de Educação à Distância (SEED) do MEC (Programa TV Escola – Salto para o Futuro) e a Universidade do Sul de Santa Catarina (UNISUL).

No campo pessoal, um aspecto pode tê-las influenciado a se interessarem um pouco mais pela literatura catarinense, o fato de

bibliotecários não estão incluídos neste quadro. Eles fazem parte do quadro civil.

escolherem a cidade de Florianópolis (SC) como seu lugar para viver. É interessante notar que apenas quatro entrevistadas são nativas desta capital, e estas só residiram fora dela por um curto período, mas dentro do próprio Estado (Chapecó, Paulo Lopes e Blumenau), exceto uma que morou em Barracão (PR). Em outras cidades de Santa Catarina, nasceram cinco delas, São Bonifácio, Tubarão, Lauro Müller, São Francisco do Sul e uma em Celso Ramos, na região da Grande Florianópolis. Cinco também são as que nasceram em outros estados brasileiros, sendo três no Rio Grande do Sul, uma no Rio de Janeiro, outra em São Paulo. Entretanto, apenas cinco moram há menos de dez anos na capital, as demais já residem aqui entre 17 e 46 anos, incluindo uma que sempre residiu em Palhoça (SC), município próximo a Florianópolis. Considerando que, mesmo sendo naturais de outras localidades, tenham fixado residência aqui, é compreensível que, ao longo do tempo, constituíssem um carinho especial pela cidade e um interesse maior por sua cultura.

Observei que a faixa etária desses educadores é bem variada, sendo que os três mais jovens estão na casa dos vinte anos, quatro dos trinta anos, cinco dos quarenta, e quatro dos cinquenta. Sete das pessoas pesquisadas são solteiras, uma é viúva e as demais são casadas ou têm uma união estável. Quatro delas têm um filho, uma tem duas filhas e uma delas tem quatro filhos.

A princípio, estes podem parecer dados superficiais, mas se pensarmos que a profissão de educador requer um tempo significativo de dedicação a atividades profissionais na residência do trabalhador, estes dados podem se revelar importantes detalhes a serem considerados na análise das condições de trabalho desses profissionais. O fato de constituírem famílias, por exemplo, por si só já evidencia o acréscimo de mais uma jornada de trabalho, caracterizada pelos afazeres domésticos relacionados aos cuidados com os filhos e o lar.

O poder aquisitivo pode ser mais um indicativo da realização dessas tarefas, já que esses profissionais, em geral, não possuem renda suficiente para contratar serviços de trabalhadores domésticos. Some-se aí que treze educadoras têm cargas horárias entre 31 e 40 horas semanais e duas de 20 horas, enquanto que apenas o bibliotecário possui uma carga horária de 10 horas semanais de atuação ma unidade educativa.

A renda familiar é também uma informação que pode estar relacionada à (in)disponibilidade orçamentária para o lazer e as artes em geral, inclusive para a compra de ingressos para cinema, teatro e também a de livros. Os dados coletados nesta pesquisa evidenciam que a maioria percebe rendimentos na faixa entre dois e dez salários mínimos,

sendo seis com ganhos de seis a 10 salários mínimos, enquanto sete estão abaixo deste patamar e somente duas acima disto. Nessas condições, acredito que o investimento na formação cultural do educador fica comprometida.

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