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NARRATIVAS COMPLEXAS E O UNIVERSO DE WESTWORLD

Westworld é mais uma série exibida pela HBO que se constitui em uma narra- tiva complexa. Para Mittel (2012),16 essa perspectiva vem se consolidando ao

longo dos últimos 20 anos e se caracteriza pela experimentação e inovação da narrativa, proporcionando momentos de fruição.

Ainda para Mittel (2012, p. 48):

Esta necessidade de adquirir competências para decodificar histórias e mundos diegéticos é particularmente relevante para uma parte da mídia no momento. Certamente os videogames pressupõem essa habilidade para que se entenda e interaja com uma gama de mundos ficcionais e de interfaces – quase todos

16 A primeira edição do texto desse autor foi em 2006, portanto, há 14 anos. O autor argumenta que a narrativa complexa inicia em 1990. Portanto, se formos considerar o momento atual, já vem sendo utilizada como uma estratégia há 30 anos para fidelizar os fãs.

os jogos contêm seus próprios módulos de treinamento diegético conforme os jogadores aprendem a dominar os controles e expectativas desse mundo em particular. O cinema também acompanhou o surgimento de um ciclo de filmes quebra-cabeça que demandavam do público entender suas regras em particular para poder compreender a sua narrativa.

Essa perspectiva caracteriza aspectos presentes em Westworld que, integrando duas linguagens – a das séries televisivas e a dos jogos digitais –, desafiam o es- pectador/fã a solucionar puzzles e desvendar easter eggs, entrando no jogo da hibridação de linguagens.

A hibridação desses formatos atinge públicos de diferentes faixas etárias, especialmente a geração que vive imersa no universo dos jogos digitais e das séries. Tais práticas inovativas vêm se consolidando ao logo dos últimos 30 anos (MITTELL, 2012), delineando o que passou a ser conhecido como a nova era de ouro da televisão, por inovar nos formatos e conteúdos para atingir ao público que tem TV por assinatura e streaming. (ANAZ, 2018) A consolidação desse modelo que não está preocupado com números, mas com a fidelização dos fãs, contribui também para emergência de uma comunidade de espectadores que não quer apenas assistir, mas participar da narrativa, seja criando suas próprias histórias ou fomentando as criadas e mantidas pelas franquias, seja através de blogs, fóruns, jogos ou redes sociais.

No caso de Westworld, podemos destacar a extensão transmídia Westworld Mobile,17 jogo criado e disponibilizado para download no dia 21 de junho de

2018, após a campanha de marketing para pré-registro e futuro acesso. O re- ferido jogo foi descontinuado e excluído das lojas de aplicativos por questões relacionadas a plágio.18 Nesse god game, o jogador seria um funcionário da

Delos, empresa responsável pelo Parque Westworld, e aprenderia a controlar o parque. O jogo estava disponível gratuitamente para os sistemas operacio- nais Android e iOS e tinha um sistema de monetarização no qual o jogador poderia comprar itens e acesso para avançar. Foi desenvolvido e distribuído pela Warner Bros Games.

17 Ver: https://westworldmobile.com/en.

18 Disponível em: https://esportes.yahoo.com/noticias/westworld-mobile-é-descontinuado-102922067. html.

A produtora da série também criou um site, no final da primeira temporada – que está inativo agora para explorações dos conteúdos –, no qual o fã podia conversar com uma assistente virtual sobre o parque,19 ampliando e explorando

novas informações sobre o universo de Westworld.

Outras produções interessantes vêm sendo realizadas pelos youtubers que criam canais para discutir os episódios, compartilhando suas teorias sobre a série. E há a rede social Amino,20 na qual os fãs também discutem as franquias

que as seduzem, a exemplo de Westworld.

Essas extensões ampliam o universo da série, engajando os seus fãs e pro- movendo a emergência de distintas comunidades virtuais que se organizam mediadas pela IC (LÉVY, 1996), se constituindo em scaffolding que auxilia na compreensão das narrativas.

CONCLUSÃO

Dentro desse contexto, o desafio é imergir nesse universo, aprendendo com aqueles que constroem sentidos para as narrativas complexas, desenvolvendo novas habilidades de letramento, planejamento e produção mediados pelos conteúdos que os mobilizam.

O diálogo com essas narrativas seriadas que têm como principais consu- midores os jovens pode fortalecer também os espaços de aprendizagem esco- lares, possibilitando que estudantes e professores possam discutir suas séries favoritas, estabelecendo relações com questões éticas, políticas, de gênero, sociais, consumo consciente, entre outras, com os conteúdos que precisam ser estudados no universo escolar, aproximando-se dos jovens e quiçá diminuindo o fosso geracional existente entre alunos e professores. Tal perspectiva pode contribuir também para estabelecer relação entre a escola e o que acontece fora dela, potencializando novas estratégias de letramento, na medida em que diferentes linguagens são evidenciadas ao decifrar a complexidade das narrativas seriadas.

19 Ver: https://www.delosdestinations.com/#home. 20 Ver: https://aminoapps.com/.

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