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Nascendo o Bombeiro: Subjetivando-se pela operacionalidade e

5 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS

5.2 Cultura

5.3.1 Nascendo o Bombeiro: Subjetivando-se pela operacionalidade e

todos os recrutas passavam por esta instrução, tanto de combate a incêndio como de salvamento como de armador da escada, tudo relativo, “a combate a incêndio” era …relacionado ao serviço de bombeiro .... aí talvez com isso foi o que foi, é talvez eu tivesse, é… sonolento, tivesse dormindo esse meu lado de bombeiro aí foi o que fez com que acordasse (PRAÇA EGRESSO- PERSEU).

Perseu propõe a ideia que, durante o curso de formação, a operacionalidade permite o despertar da identificação profissional, concepção que também verifiquei no discurso do formador, Jasão.

Dando aula pra essa última turma, tem algum, alguns “concurseiros”, né, que tinham entrado só pra fazer ponte pro outro concurso e já disseram que querem ficar, que perceberam a grandeza da tarefa, da ação operacional que é executada pela instituição, e acham que dinheiro nenhum paga o que eles podem fazer aqui pelo reconhecimento que podem ter pela atividade. Mesmo sabendo das dificuldades institucionais, mesmo sabendo das dificuldades administrativas, mesmo sabendo da... do... da remuneração, né, que não é remuneração condigna. Disseram, pelo menos, assim, durante a aula, que desistiram de fazer concursos pra sair. (OFICIAL

FORMADOR – JASÃO).

Compreende seu processo formativo a partir da racionalidade vigente na instituição, valorizando o fazer, a operacionalidade, a prática.

Depois, foi tão bom que o ruim que passou foi tão pouco que o que veio de bom em forma de conhecimento supriu a necessidade “o que você chama do que veio de bom em forma de conhecimento é o que teve de positivo no curso? “exatamente, só foram as instruções, não tanto o teórico, o teórico às vezes em sala de aula, quando a gente é aluno dá muito sono, porque fica uma coisa muito repetitiva, é mais era a apostila que tinha que ler, as apostilas era meio espessa, meio grande...as apostilas, aí o recruta tinha de saber de cor do início ao final aí tornava-se muito cansativo. Às vezes a instrução, no caso de combate a incêndio, era de treze horas às dezessete horas, às vezes era à tarde todinha, não era tão cansativo, nós, claro, ficávamos cansados, mas no final não era tão cansativo como às vezes duas horas de sala de aula. (PRAÇA EGRESSO - PERSEU).

Neste mesmo panorama, Ulisses, explicita o cotidiano delineando o SER BOMBEIRO, me permitindo compreender que a imprevisibilidade e as adversidades

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do exercício da profissão minimizam o papel da teoria ou dos estudos teóricos durante a formação.

E isso aí a gente pega ocorrências parecidas, mas nunca iguais, e com essas ocorrências, com o dia a dia é que a gente vai aprender tirar é... aprender mais ainda a ser bombeiro. (...) A gente vê muito a teórica, muita teoria, muita teoria, certo? E a gente só vai aprender muito depois, é no dia a dia, nas ocorrências, como eu te falei, você pode pegar uma ocorrência aqui no momento e estudar toda a ocorrência. Aqui nós estamos no ar condicionado, a gente ta sentado, todo no conforto. No local lá nós não vamos ter. A vítima gritando, a vítima com hemorragia, a vítima com fratura, o risco de o carro também até já pegar fogo, ou então já ter o cheiro da gasolina. Tem como eu te falei, os curiosos que podem furtar, que atrapalham muito. (OFICIAL EGRESSO – ULISSES).

Apesar de ter trazido uma reflexão crítica acerca da carência do curso de formação no que concerne uma preparação para além da racionalidade técnico- instrumental, Teseu apresentou um entusiasmo ao se reportar à sua vivência curricular, quando esta trazia a operacionalidade como ponto central, o que permitiu, inclusive, reafirmar sua identificação com a profissão.

então já estava tão adaptado que eu, poxa, eu tô brincando aqui, se esse realmente é o curso de formação prático, pra mim eu tô em casa, eu tô feliz aqui. Aí eu vi que era por ali mesmo a ideia da profissão, então pra mim realmente “caiu como uma luva” foi, eu posso dizer exatamente (risos) isso, foi fantástico. (PRAÇA EGRESSO - TESEU).

O cotidiano da operacionalidade seja nos cursos de formação ou na atuação profissional propriamente dita, a que se referiram Perseu, Ulisses e Tesseu, também surge no discurso de Aquiles e Ajax como sendo o berço ou a gestação do papel profissional do Bombeiro.

Quando o cara vai pra primeira ocorrência que sabe que aquela vítima tá precisando de ti, tá precisando do teu apoio, tu precisa vir lá e salvar, aí doutora, a senhora viu o quanto é que é, entendeu? (PRAÇA EGRESSO AQUILES).

eu aprendi a ser bombeiro realmente na prática, no dia a dia desde o curso de formação até a experiência que nós tivemos com as ocorrências operacionais. Então aquilo é… criou assim um mecanismo interno dentro da minha pessoa, no sentido de que a gente passou a gostar muito da profissão, pelo fator da gente ter a oportunidade do dia a dia estar ajudando o próximo com o nosso trabalho. (PRAÇA EGRESSO – AJAX).

É possível observar que o cotidiano delineia a compreensão sobre ser bombeiro também para o formador e, consequentemente, se manifesta em sua prática pedagógica.

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a forma como eu vejo o que é ser bombeiro hoje em dia. Na realidade não é tirado de rascunhos, não! É da vivência do dia a dia, do que a gente percebe, que a gente vai criando e moldando que é para a gente mesmo. (...) Parte da construção pessoal do formador, o processo vem se constituindo, vai vendo, vendo as realidades que nos cercam, a gente vai percebendo como ser, o que é ser, né, bombeiro hoje em dia. (OFICIAL

FORMADOR - DEON).

Assim como Deon, Jasão também propõe a ideia do dia-a-dia na subjetivação sobre a profissão. Todavia Jasão lança luzes sobre algo diferenciado, trata-se da patente e da hierarquia32, apresenta e discuta na categoria IDEOLOGIA, sob a ótica que mediam os papéis e estruturam as fronteiras das ações e relação na instituição.

Olha, há uma diferença muito grande de... Trabalhar com formação de oficiais e formação de “praças”. Os oficiais, a gente tem que ter o cuidado de formar lideranças. É o indivíduo que vai tá ligado à gestão da instituição, ele vai aprender técnicas pra ser não um executor, mas pra ser um multiplicador. Ele tem que ter esse espírito muito mais forte nele. O soldado, o cabo, o sargento, na formação deles, há preocupação muito mais no apuro técnico. Ele tem que ser um bom executor da técnica, porque, assim, há duas dimensões no cenário operacional que... Algumas pessoas não conseguem perceber. Uma é o fazer prático da ação e o outro é comandar a ação. Eu posso, tando só uma equipe, isso não fica muito claro de se perceber. Mas eu tendo várias equipes atuando no cenário, eu preciso de alguém que articule essas ações pra que elas não entrem em choque, pra que as pessoas não façam a mesma coisa gastando recursos e equipamentos e nem fiquem sem fazer nada. Se eu tenho uma equipe no cenário operacional sem fazer nada, ela tá lá gastando dinheiro público sem necessidade. Então é importante que, na formação, o oficial, ele entenda o papel dele, que não é só executar, mas ser um multiplicador e gestor do cenário operacional, e o soldado, o sargento, o cabo, os “praças”, eles entendam que são os executores de ações pontuais. (OFICIAL

FORMADOR- JASÃO).

A partir de um olhar hermenêutico-crítico, compreendo estes fenômenos de forma articulada e dialética, em que este instrumento ideológico que se manifesta no cotidiano dialoga e se conecta com o processo formativo, incidindo-se e sustentando os mecanismos de subjetivação.

5.3.2 O currículo sob a ótica dos egressos: os sentidos, as percepções e os