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Natureza e trabalho 2 A divisão do

No documento Revista Completa (páginas 197-200)

trabalho e seus efeitos morais e sociais. A profissão e os deveres profissionais. 3. A questão social: a propriedade e o trabalho.

Unidade XV — A vida política: 1. Escôrço histórico da sociedade política. O Estado, sua natureza e suas atribuições. 2. A

lei, o Estado, a liberdade.

Democracia e igualdade, direitos e deveres cívicos. 3. A pátria e as relações internacionais. 4. O ideal de compreensão humana.

E) Noções de estética Unidade XVI — Objeto da estética:

1. Noticia histórica dos estudos da es tética. 2. Estética, psicologia e socio logia, 3. Os fatores da atividade estética. 4. Os domínios da arte e o seu sentido na vida atual.

F) Noções de metafísica

Unidade XI 'II -- Objeto da metafísica: 1. O positivismo e o critícismo. 2. Divisão da metafísica. 3. Dogmatismo e ceticismo. 4. Relativismo, pragmatismo, sociologismo, intuicionis mo bergsoniano.

Unidade XVIII — O espaço e o tempo: 1. A existência do mundo exterior.

2. O conhecimento e a verdade. 3. A matéria, a vida e o espírito. 4. Matéria-- lismo e espiritualismo. Deus.

G) Noções de história da filosofia Unidade XIX — Filosofia e história

da f i lo s of i a : 1. A evolução dos problemas e a história dos sistemas e doutrinas. 2. Filosofia oriental. 3, Filosofia grega. 4. Filosofia patrística. 5. Filosofa medieval. 6. Filosofia moderna.

Unidade XX — A filosofia no Brasil: 1. A evolução do pensamento filo-sófico e a evolução dos estudos. 2. Situação atual: papel cultural das faculdades de filosofia.

INSTRUÇÕES METDOLÓGICAS Dos objetivos

A f i l o s o f i a aparece como coroamento de todo o curso secundário: visa a integração de conhecimentos, e a síntese deles. E', assim, disciplina eminentemente

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formativa, mais do que cabedal de informações. Se é certo c|ue não se torna possível separar, de todo. a " formação" da "informação", cada um desses aspectos, no trabalho educativo, vive do outro, não se esqueça o professor de que a filosofia advirá de todos os conhecimentos, do curso, a serem agora revistos cm suas mais profundas influências. Toda filosofia será assim formação intelectual, sentimental e moral. Deverá ser preocupação constante compreendê- la por esta forma e apresentá-la com o seu verdadeiro e nobre caráter de reflexão sobre os mais altos problemas do espírito humano.

O programa proposto apresenta, por isso mesmo, uma série de lemas de integração crescente, pois o que deverá

prevalecer é a

visão do conjunto, à

luz de cuja consideração ganhará verdadeiro sentido cada uma das partes. Tenta-se, na introdução, apresentar, des- de logo, o largo panorama dos estudos e, ainda, rápida noticia histórica, a ser dada sem minúcias de datas e nomes. Oferecem-se depois, e sucessivamente, as noções de psicologia, de lógica, de moral, de estética e de metafísica, para, afinal, voltar-se à consideração da evolução dos problemas e dos sistemas.

Na verdade, a filosofia supõe essa integração do espirito do estudante com a evolução de toda a cultura, razão pela qual. onde quer que se torne conveniente, caberá ao professor relembrar vultos e obras. O tratamento histórico dos temas, postos de parte os pormenores de erudição que só interessam a especialistas, visa dar ao estudante a consciência de que "a fiolosofia não é trabalho de um homem nem de uma geração; é obra de todos os séculos, é um monumento grandioso, em cuja construção trabalha indefessamente todo o

gênero humano, numa cooperação de esforços só assegurada, através das eras pelo amor indefectível da verdade". ( LEONEL FRANCA,S. J.).

Por outro lado, impõe-se o relacionamento do conteúdo de umas com outras partes do programa. A filosofia, de si mesma, é um todo travado. Os domínios da matéria não são de modo algum compartimentos incomunicáveis, mas verdadeiros degraus, a cuja conquista o estudante alcança ver mais largo e mais longe. Será natural que se façam transições e remissões de um a outro assunto, e que se retomem certos problemas, sob novo ângulo, numa e noutra das partes, tal como explicita ou implicitamente indica o programa.

Assim, por exemplo: o estudo dos métodos e técnicas da psicologia é, ao mesmo tempo, questão de psicologia e de l ó g i c a ; o estudo do raciocínio e da razão interessa a ambos esses domínios (e aqui, de passagem, assinale- se a excelente oportunidade para distinguir o ponto de v i s t a do psicólogo, a quem, no empenho de explicar de modo positivo O espírito, cabe considerar o juizo como anterior à idéia, do ponto de vista do lógico, a quem é licito, no empenho de regular normativamente a inteligên cia, considerar a idéia como anterior ao juizo); o estudo da indução pode pro- longar-se até a metafísica; questões da

psicologia se ligam naturalmente a questões da sociologia e da moral; todos os problemas de moral ganham sentido à luz da psicologia, da sociologia e da própria metafísica; e, de modo geral ao longo de sua história, toda a filosofia sempre viveu em estreito entrelaçamento de problemas c preocupações, mau grado a predominância, conforme as épocas, deste ou daquele de seus ramos. Convirá, pois, que o ensino seja desenvolvido com esse in-

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tento globalizador: discriminações cor- respondem a balizas de classificação lógica que, mesmo dentro desse critério, nada têm de rígido. O programa é um roteiro; o que se quer é percorrer, do modo mais inteligente, o caminho que esse roteiro indique, sem perder de vista o objetivo final que é a compreensão geral dos principais problemas filosóficos e o interesse por seu estudo.

Do orientação geral do ensino

Procure o professor interessar desde logo o aluno pelo profundo sentido cultural da filosofia, relacionando sempre todos os assuntos e temas com os da história, os da literatura e as preocupações da vida atual. Longe de ser estudo morto, de fórmulas e classificações vasias de sentido, a filosofia é eminentemente viva. Dê-se o hábito do debate sério e da reflexão honesta, com fundamento na leitura, na observação imparcial dos fatos, e no espírito de auto-crítica, a apurar nos estudantes.

Não se imponham rígidos pontos de vista, nem se escondam objeções possíveis a este ou àquele ponto. Ao contrário, forneça o professor elementos para o esclarecimento franco e leal de cada questão. Não se arreceie também da proposição de todo e qualquer problema da vida atual, relacionada com os assuntos em estudo. Melhor será discuti-los em classe, com elevação e dignidade, que deixá-los às influências des- conexas de leituras mal orientadas, de comentários tendenciosos, ou da atitude de relaxamento do espírito, tão característica de certos costumes de nossa época.

Convirá insistir nas noções de psicologia, e em tudo que daí decorra, quanto ao papel das influências sociais, toas c más. para que se alerte o espírito na

defesa dos valores nu irais; dever-se-á acentuar também o ponto de vista genético, com o esclarecimento das várias fases da evolução do espírito e de sua liberação a dominadoras influências do meio pelo exercício da reflexão pessoal, ou seja, de exercícios de auto- educação. Demonstrem-se essas influências na psicologia literária, de que muitos tre-chos oferecem repositório de boa psicologia, em descrições e análises de tipos mentais e estados dalma, umas e outras traçadas, por alguns mestres, com extrema finura e justeza. Além de questões de psicologia, a literatura oferece, a ca- da passei, problemas de ética, na descrição de conflitos íntimos, de situações sociais complexas, de concepções de dever, de patriotismo, de solidariedade social e humana, Essa nova compreensão "literária", a dar aos jovens estudantes, di-latar-lhes-á os horizontes do espírito, levando-os a descobrir novos encantos na leitura e releitura de grandes obras.

Habituem-se os alunos, pelos textos e pela observação, a não perder o contato com os fatos da vida psicológica e social, devidamente compreendidos e analisados. Ao invés de classificações artificiais, ou da noção simplista de entidades autárquicas do espírito (sensibi- lidade, inteligência e vontade), esforce-se o professor por demonstrar a realidade da vida psíquica e a hierarquia das funções mentais, como o indica o programa : funções elementares; funções derivadas, gradativamente submetidas à organização; e. enfim, as grandes sínteses mentais. Cabe mostrar sempre a im- portãncia das reações afetivas, nas suas fôrmas conscientes e inconscientes, sem o exagero de certas escolas, ê certo, mas com perfeita elucidação do papel das condições biológicas, inelutáveis no homem. Os processos de racionalização.

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recalcamento de tendências, sua derivação e sublimação, hoje incorporadas à psicologia corrente, devem ser explicados, mesmo como base de auto-analise, ou esclarecimento moral da conduta de cada um.

Essa maneira de ver dará novo e mais preciso sentido ao estudo das noções de lógica formal, que o estudante poderá então apreciar como indispensável disciplina da inteligência. Esclareça-se suficientemente que o ponto de vista descritivo, ou positivo, da psicologia, c o normativo, da lógica, não entram em oposição, mas em harmonia, nas construções do espírito, e, assim, no desenvolvimento das artes e das ciências.

A notícia de como se foi dando, pelo tempo fora, a emancipação das ciências, poderá contribuir para a compreensão de como é difícil chegar à objetividade própria da investigação científica: basta que se acentue que as ciências se emanciparam numa ordem que vai das menos humanas e, per isso, de objetos mais facilmente estudáveis a frio. para as mais humanas, e. por isso. mais presas à in- fluência subjetiva e deformante dos interesses do homem e de suas aspirações e conveniências.

No capítulo da estética e da moral. apela-se, da mesma forma, quer para o elemento histórico, quer para a experiência real dos alunos. Era mais de um ponto, a experiência dos jovens haverá de permitir que " s i n t a m" os problemas. desde que bem apresentados e postos ao alcance da inteligência juvenil.

Não se tratará aqui, e muito especialmente, no exame dos problemas mais altos da metafísica, de formar filósofos que, aliás, jamais se formariam com tão pouco; nem se trata de ministrar curso técnico e erudito, por sua própria natureza, árido e desinteressante

aos que iniciam. Trata-se, sobretudo, de despertar interesse pelo estudo da filosofia, para o que o grande recurso essencial e mostrar, claramente, e a cada passo, quanto a filosofia é humana e viva e quanto são vivos c humanos os problemas cativantes que lhe compõem a estrutura. A experiência e a reflexão pessoal, ajudadas, e ciarei, pela palavra do professor e pela leitura, são elementos

imprescindíveis aos trabalhos do

curso.

Para os exercícios de leitura, há de o colégio possuir, pelo menos, algumas dezenas de boas obras de filosofia, entre mais desenvolvidos compêndios e estudos especiais,

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