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PNB INDUSTRIA, PESQUISA,

CICLO DE VIDA DO PRODUTO EDIFICAÇÃO

3.6 NATUREZA INTERDISCIPLINAR DAPESQUISA

Em uma perspectiva temporal, o contexto circunstancial que demandou a busca pela interdisciplinaridade como outra faceta de produção do conhecimento científico é o reconhecimento das estagnações da abordagem positivista, paradigma hegemônico

0 1 2 3 4 5 ORGANIZAÇÃO A ORGANIZAÇÃO B ORGANIZAÇÃO C ORGANIZAÇÃO D ORGANIZAÇÃO E

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CONCEPÇÃO CONTRATAÇÃO CONSTRUÇÃO USO DEMOLIÇÃO

que presidiu a ciência moderna em boa parte do século XX, como instrumento para a entendimento da complexidade multivetorial dos fenômenos naturais e sua limítrofe sofisticação metodológica para a compreensão das relações interdependentes na inquirição de variáveis ligadas aos processos humanos e sociais (ENGERER, 2016; KRUEGER, 2016).

A figura n° 14 ilustrar essa reflexão.

Figura n° 14 - Reflexões sobre a superação do positivismo. Fonte: Desenvolvido pelo Autor

Nesse sentido, ao se observarem os instrumentos conceituais e metodológicos que a ciência vem utilizando, principalmente a partir segunda metade do século XX, para conhecer melhor o mundo, percebe-se que estes evoluíram e se transformaram na medida em que se materializa a admissibilidade do aprimoramento dos caminhos traçados e enquadrados pela pesquisa e ensino exclusivamente disciplinar, notadamente, em virtude de inovadoras descobertas científicas e da abertura de novos espaços de saberes que originaram novos questionamentos e fizeram preponderante a permanente reconstrução epistemológica (GIACOMAZZA, MUSIO, 2016; NORDIN, SANDSTRÖM, 2016).

Dentre os diversos fatores que levaram a ciência a esse processo de reconstrução está à notória antropização crescente do mundo material que fez emergir uma nova realidade hibrida que, por sua vez, torna-se objeto de estudos levando o universo das pesquisas a novos desafios (CONTE, 2016; SKANDRANI, 2016).

Outras circunstâncias de reedificação científica, estas mais contemporâneas, relacionam-se com a necessidade de se buscar uma forma alternativa, complementar e inovadora para a mediação desta hodierna maneira de se produzir conhecimento (MAGNANI, 2016; CAUSGROVE, BOUFFARD, 2016).

Com base nessa visão, compreende-se que, ao longo dos últimos anos, surgiram propulsores para a realização de estudos interdisciplinares que estão vinculados a busca da superação do paradigma exclusivamente disciplinar e a clarificação e aceitação de questões e regras teórico-metodológicas interdisciplinares, e ainda:

(1) a projeção das práticas interdisciplinares nas ações cotidianas a partir das contribuições originárias do mundo acadêmico (ROBINSON-DOOLEY, KIRK, RIAPOS, 2016; PILEROT, 2016);

(2) ao “enquadramento” epistemológico da temática interdisciplinar nas abordagens científicas contemporâneas (ANDERSEN, 2016; ANDERSEN, 2013); (3) a ampliação dos espectros de criticidade às proposições interdisciplinares medianamente aceitas no mundo acadêmico (AMBROSE, 2005; PRYSE, 1998); (4) a maximização do desenvolvimento e a consolidação de novos esquemas de análise da complexidade (GIL, MULLARKEY, 2016; OVIEDO-GARCIA, 2016); e (5) a equilibração entre uma forte formação disciplinar dos pesquisadores sem que se perca a perspectiva interdisciplinar (SOLGA, 2008; FAZENDA, 2009; MOREIRA, 2002).

Neste diapasão, no Brasil, a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior –CAPES aponta outros alavancadores para pesquisa interdisciplinar, dentre os quais se destacam a necessidade de promover a abertura para o enfrentamento de novas perspectivas teórico-metodológicas de inovação, que conduzam as investigações para além do paradigma predominante da ciência tradicional rumo a novas e atuais propostas dos programas da área e a reverberação

gradativa relativa à incorporação de metodologias interdisciplinares nos projetos de pesquisa dos docentes e discentes, e adicionalmente:

(1) identificar canais para intensificação do diálogo inter e intra câmaras temáticas da área interdisciplinar, para as trocas de experiências entre os programas e a divulgação do conhecimento interdisciplinar gerado; e

(2) estimular a observação e cumprimento dos requisitos necessários para que a área interdisciplinar possa ser caracterizada de forma precisa em comparação aos espaços acadêmicos puramente disciplinares (CAPES, 2016).

Tendo em vista a relevância da demarcação conceitual do significado de interdisciplinaridade, julga-se necessário apresentar objetivamente sua diferenciação em relação a seus construtos de origem, a saber, a disciplinaridade e a multidisciplinaridade.

Atina-se por construção disciplinar um sistema de ideação sem cooperação, ou seja, a seleção e afirmação de um discurso único com validade superior, de conjectura científica, perante os discursos marginais. Já a construção multidisciplinar concebe-se como um composto sem cooperação, a saber, uma variedade de disciplinas que são propostas simultaneamente, mas sem a explicita relação que podem existir entre elas (SILVA, 2014).

Construção interdisciplinar é entendida como um complexo de (inter) cooperação, ou seja, uma ação que se constitui pela necessidade de construção de conhecimento que demande um conjunto interdependente de saberes.

Assim, a interdisciplinaridade desponta na feição do enfrentamento de inquirições complexas que pleiteiam a procura de elucidações através de abordagens sistêmicas que olham para além do panorama unidisciplinar e da realidade material do mundo, fazendo com que seja necessário avançar no diálogo entre as ciências da materialidade com aquelas da imaterialidade (DA ROSA MANGINI, BIANCHETTI, 2015).

Neste aspecto, observa-se que a interdisciplinaridade nasce de uma relação com o mundo que não é a mesma que a ciência unidisciplinar estabelece, não podendo, portanto, se satisfazer por razões apenas conceituais e metodológicas. Seu objetivo é hibrido.

Reconhecido a partir de uma posição social que obriga a considerar a realidade tal como se apresenta na experiência comum, ou seja, como um conjunto de relações que não pode ser reduzido ao recorte indivisível; como algo que pode ser traduzido em um movimento que se constitui pela necessidade de construção de conhecimento que obriga à conexão com um conjunto interdependente de saberes; como um exercício para situações onde o domínio do influxo de problemas técnicos e sociais estão estritamente interligados, discernindo-se os dois largos cosmos de clareza na ciência (OLIVEIRA, 2014).

No processo de reconhecimento da distinção entre os dois grandes universos de inteligibilidade científica, a saber, o universo material e o imaterial, é preciso reconhecer que cada um tem a sua própria lógica de articulação e interação, sendo possível, não obstante, constatar que a dicotomia entre ambos não passa de um artifício metodológico para abordar uma realidade fundamentalmente compósita e heterogênea (RAYNAUT, 2014).

Mais próximos à materialidade estão os sistemas naturais e pouco antropizados, paisagens humanizadas, o corpo humano e sistemas técnicos. Mais próximos à imaterialidade estão os sistemas urbanos, as instituições sociais e os fatos culturais. Percebe-se, assim, que esta realidade hibrida está na interseção entre a materialidade e a imaterialidade, constituindo-se como objeto do estudo interdisciplinar (RAYNAUT, 2014). A figura n° 15 elucida esta perspectiva.

Figura n° 15 - Realidade hibrida Fonte: Desenvolvido pelo Autor

No cenário cientifico a realidade hibrida clama por objetivos pedagógicos que se fazem necessários para construir a prática interdisciplinar, como abrir mentes e superar barreiras intelectuais, procurando uma reflexão crítica e construindo passarelas entre as disciplinas; favorecer uma convergência de olhares objetivando a cooperação e o compartilhamento das visões por meio de práticas como estudos de caos e abordagens integradoras no processo de comunicação sobre casos concretos; e a aprendizagem de práticas e instrumentos de trabalhos concretos, evitando o risco de distanciamento das certezas da formação original e abrindo portas para o diálogo entre as fronteira disciplinares (YEGROS-YEGROS, RAFOLS,D’ESTE, 2015; FOLEY, 2016).

No contexto das concepções apresentadas, esta pesquisa situa-se, considerando a perspectiva do modelo hibrido de compreensão da realidade e da formulação do problema de pesquisa, entre a materialidade (obra pública) e imaterialidade (modelo conceitual de avaliação da ecoeficiência).

Quanto a seu caráter e tipologia, a pesquisa caracteriza-se como mista e interdisciplinar, considerando a utilização da abordagem instrumental qualitativa e quantitativa, e que a solução para o problema de pesquisa foi mais efetiva por meio de uma ação que se constituiu pela necessidade de construção de conhecimento a partir de um conjunto interdependente de saberes, conforme representado na figura n° 16.

Figura n° 16 - Representação do caráter interdisciplinar da pesquisa. Fonte: Desenvolvido pelo Autor

Na próxima seção secundária será apresentada os elementos relacionados à qualidade metodológica deste estudo.