• Nenhum resultado encontrado

CAPÍTULO I – BASE CONCEPTUAL E CONSIDERAÇÕES TEÓRICAS (REVISÃO DA

1.3. Ativos Fixos Tangíveis (AFT)

1.3.1. Os AFT e a Contabilidade

1.3.1.1. Plano Oficial de Contabilidade (POC)

1.3.1.2.1. NCRF 7

Segundo a NCRF 7, os AFT são itens tangíveis que:

São detidos para uso na produção ou fornecimento de bens ou serviços, para arrendamento a outros, ou para fins administrativos; e

67

Prevê-se que sejam utilizados durante mais do que um período contabilístico (§ 6, NCRF 7).

O custo de um elemento de AFT deve ser reconhecido como ativo se, e apenas se: For provável que fluam para a entidade benefícios económicos futuros; e Caso o seu custo possa ser mensurado com fiabilidade (§ 7, NCRF 7).

Este critério de reconhecimento é aplicável não só aos custos incorridos aquando da aquisição ou construção de um AFT, como também às despesas que possam surgir após a data de aquisição ou construção dos AFT (§§ 13 a 15, NCRF 7). Assim:

Devem ser reconhecidas como ativo, desde que cumpram os critérios de reconhecimento, após eliminar o valor contabilístico das partes substituídas, as despesas de substituição de partes de um item do AFT;

Devem ser reconhecidas como ativo, desde que cumpram os critérios de reconhecimento, após eliminar o valor contabilístico da inspeção anterior, as despesas de inspeções importantes de um item do AFT;

Porém, no caso de despesas com a assistência diária de um item do AFT, tais como custos de mão-de-obra, consumíveis e de pequenas peças, não devem ser reconhecidas como AFT.

Mensuração dos Ativos Fixos Tangíveis

A mensuração inicial de um AFT deve ser feita pelo seu custo, sendo que, no custo inicial, devem estar incluídos o preço de compra, os custos diretamente atribuíveis para colocar o ativo na localização e condição necessárias para que o mesmo seja capaz de funcionar da forma pretendida, e a estimativa inicial dos custos de desmantelamento e remoção do item e de restauração do local onde o mesmo se encontra localizado (§§ 16 a 23, NCRF 7).

A NCRF 7 estabelece ainda uma lista com exemplos de custos diretamente atribuíveis e de custos que não são atribuíveis aos itens do AFT, considerando que o custo de um AFT é equivalente ao preço a dinheiro à data do reconhecimento.

No que respeita à mensuração subsequente dos AFT, a NCRF 7 (§ 29) permite que a mensuração subsequente de cada classe dos AFT seja efetuada pelo modelo do custo, ou pelo modelo de revalorização. A utilização deste último está dependente da necessidade de o justo valor dos AFT ser determinado de um modo fiável.

68

No modelo do custo, após o reconhecimento de um AFT, este deve ser escriturado pelo seu custo subtraindo-lhe qualquer depreciação acumulada e quaisquer perdas de imparidade acumuladas (§ 30, NCRF 7).

O valor contabilístico dos AFT, no modelo de revalorização, corresponde ao justo valor à data da revalorização, deduzido das depreciações acumuladas e das perdas de imparidade acumuladas (§§ 31 a 42, NCRF 7).

Optando pelo modelo da revalorização, a empresa deve proceder a revalorizações com a regularidade suficiente, de modo a assegurar que o valor contabilístico do ativo não seja materialmente diferente do que seria obtido se se utilizasse o justo valor à data do Balanço. Se a quantia escriturada de um ativo for aumentada, como resultado de uma revalorização dos AFT, estamos perante um rendimento resultante da revalorização, o qual deverá ser reconhecido:

Diretamente nos capitais próprios, sob a designação de excedente de revalorização, como regra geral; ou

Como rendimento do período, na Demonstração dos Resultados, quando acontecer a reversão de uma diminuição do valor do mesmo ativo, previamente reconhecida como gasto.

Se a quantia escriturada de um ativo for diminuída, como resultado de uma revalorização dos AFT, estamos perante um gasto resultante da revalorização, o qual deverá ser reconhecido:

Como gasto do período, na Demonstração dos Resultados, como regra geral; ou

Como uma diminuição do excedente de revalorização, quando se tratar da reversão de um excedente do mesmo ativo previamente reconhecido.

No que respeita ao tratamento do excedente de revalorização, este poderá ser transferido diretamente para resultados transitados quando o ativo for desreconhecido, isto é, na medida em que o ativo for utilizado pela empresa e objeto de depreciação, ou no momento da sua eliminação (tratamento semelhante ao estabelecido pelo POC).

Depreciação

Depreciação “…é a imputação sistemática da quantia depreciável de um ativo durante a sua vida útil.” (§ 6, NCRF7), sendo que a quantia depreciável de um AFT deve ser imputada

69

numa base sistemática durante a sua vida útil e determinada após dedução do seu valor residual (§§ 50 e 53, NCRF7).

A NCRF 7 descreve, de um modo pormenorizado, o procedimento a efetuar no registo contabilístico das depreciações, designadamente:

Início da depreciação de um AFT; Termo do período de depreciação; Determinação do valor a depreciar;

Definição da vida útil e do método de depreciação;

Procedimento a adotar relativamente à revisão do valor residual, da vida útil e do método de depreciação.

O início da depreciação será quando o AFT estiver disponível para uso, ou seja, quando estiver na localização e condições necessárias para que seja capaz de operar na forma pretendida (independentemente da data da sua entrada em funcionamento). A depreciação cessa: ou quando o ativo for classificado como detido para venda, ou quando for desreconhecido, vigorando a que ocorrer mais cedo (§ 55, NCRF 7).

A vida útil de um AFT deve corresponder ao período de tempo durante o qual uma entidade espera que um ativo esteja disponível para uso, ou então ao número de unidades de produção ou similares que uma entidade espera obter do ativo (§57, NCRF 7).

Relativamente ao método de depreciação (§§ 60 a 62, NCRF 7), deve ser utilizado aquele que melhor reflete o padrão através do qual os benefícios económicos futuros associados ao ativo são consumidos pela entidade. Os métodos a utilizar incluem:

Método da linha reta (quotas constantes); Método do saldo decrescente;

Método das unidades produzidas.

A NCRF 7 (§§ 51 e 62) estabelece ainda a obrigatoriedade da revisão, no final de cada ano, do valor residual, da vida útil e do método de depreciação, devendo, em caso de alteração, ser adotado um tratamento prospetivo.

No que diz respeito ao registo das depreciações, o SNC prevê unicamente o método direto. As depreciações devem ser reconhecidas, em regra, nos resultados (§ 48, NCRF 7) por contrapartida da subconta 438 – “Depreciações acumuladas”.

70

Imparidade

A NCRF 7 (§63) remete para NCRF 12 a determinação da imparidade de um item do AFT, correspondendo a perda de imparidade ao excedente da quantia escriturada de um ativo ou de uma unidade geradora de caixa, em relação à sua quantia recuperável. Ou seja, um ativo está em imparidade quando a sua quantia escriturada é superior à quantia recuperável, sendo esta última a quantia mais elevada entre o justo valor deduzido dos custos de venda e o seu valor de uso.

Na data do Balanço, sempre que se verificar através de um indicador interno ou externo, que o AFT possa estar em imparidade, a entidade deve realizar um teste de imparidade de modo a verificar se o AFT está ou não em imparidade. Em caso afirmativo, deverá ser reconhecida uma perda de imparidade, conforme previsto na NCRF 12 – Imparidade de Ativos.

O tratamento contabilístico da perda por imparidade é diferente consoante a empresa use o modelo do custo ou o modelo da revalorização na mensuração subsequente dos AFT. No modelo do custo, a perda deve ser diretamente reconhecida nos resultados. No modelo da revalorização, a perda será reconhecida contra o excedente de revalorização, devendo ser abatida ao excedente de revalorização existente. Se ultrapassar o excedente de revalorização, a diferença deve ser registada como gasto do período.

A empresa deve ainda, à data do relato, avaliar se existe alguma indicação de que as perdas por imparidade, reconhecidas em períodos anteriores, possam já não existir ou terem diminuído.

A NCRF 7 (§§ 66 a 71) estabelece ainda que o valor contabilístico de um elemento classificado como AFT deve ser desreconhecido no momento da sua alienação, ou então quando não são esperados benefícios económicos futuros como resultado do seu uso ou alienação. O ganho ou a perda, resultante do desreconhecimento deve ser, em regra, reconhecido nos resultados.

Divulgação de Informação

Como já foi referido, a informação divulgada nas demonstrações financeiras é uma fonte de informação importante para os diferentes utilizadores.

No que diz respeito aos AFT, para além dos elementos constantes no balanço e na demonstração dos resultados, tem grande relevo a informação a divulgar no anexo, pois

71

explica e complementa a informação quantitativa nas demais demonstrações financeiras. Assim, para cada classe de AFT, devem ser divulgados (§§ 72 a 75, NCRF 7):

Critérios de mensuração utilizadas na determinação do valor bruto dos bens; Métodos de depreciação utilizados;

Vidas úteis ou as taxas de depreciação utilizadas;

Valor bruto e as depreciações acumuladas do bem, incluindo as perdas de imparidade acumuladas, no início e no fim do período;

Reconciliação do valor bruto, no início e no fim do período, identificando: adições; revalorizações; alienações; ativos classificados como detidos para venda; amortizações; perdas de imparidade e suas reversões; outras alterações;

A existência e quantias de restrições de titularidade e ativos fixos tangíveis que sejam dados como garantia de passivos;

Valor das despesas suportadas no período contabilístico com ativos fixos em curso; A quantia de compromissos contratuais para a aquisição de AFT;

Se não divulgado separadamente, na fase da Demonstração dos Resultados, o valor recebido de terceiros como compensação da perda de imparidade de AFT;

Depreciação, reconhecida nos resultados ou como parte de um custo de outros ativos, durante um período.

Depreciação acumulada no final do período;

Quando existam AFT expressos por quantias revalorizadas: Data da eficácia da revalorização;

Se esteve ou não envolvido um avaliador independente;

Medida em que o justo valor dos itens foi determinado diretamente, com referência a preços observáveis num mercado ativo, ou em transações de mercado recentes numa base de não relacionamento entre as partes;

Excedente de revalorização, indicando as alterações durante o período e quaisquer restrições quanto à sua distribuição aos acionistas.

72

Tabela 8 - NCRF7 vs POC

AFT NCRF 7 POC

Conceito

São itens tangíveis que sejam detidos para uso na produção ou fornecimento

de bens ou serviços, para

arrendamento a outros, ou para fins administrativos; e se espera que sejam utilizados durante mais do que um período contabilístico.

Integra os imobilizados tangíveis, móveis ou imóveis, que a empresa utiliza na sua atividade operacional, que não se destinem a ser vendidos ou transformados, com caráter de permanência superior a um ano.

Reconhecimento

Deve ser reconhecido como ativo se, e apenas se, for provável que fluam para a entidade benefícios económicos futuros; e o seu custo puder ser mensurado com fiabilidade.

Não existe qualquer

referência.

Mensuração Inicial Deve ser mensurado, inicialmente, pelo seu custo.

Deve ser valorizado ao seu custo de aquisição ou produção.

Mensuração após reconhecimento

Pelo modelo do custo (custo- depreciações acumuladas-perdas de imparidade acumuladas), ou pelo modelo de revalorização (justo valor à data da revalorização-depreciações acumuladas-perdas de imparidade acumuladas).

O valor do imobilizado corpóreo é igual ao seu custo de aquisição deduzido das amortizações acumuladas.

A DC 16 permite

reavaliações com base na variação do poder aquisitivo da moeda.

Depreciações

A quantia depreciável deve ser

imputada ao bem numa base

sistemática e atendendo à vida útil esperada.

Prevê o método da linha reta, o método do saldo decrescente e o método das unidades produzidas. Estabelece a obrigatoriedade da revisão, no final de cada ano, do valor residual, da vida útil e do método de depreciação

A amortização corresponde ao desgaste do ativo e deve ser reconhecida como custo numa base sistemática ao longo da vida útil.

Imparidade

A NCRF 7 remete para NCRF 12 a determinação, o reconhecimento e a reversão da imparidade de um item do AFT

Não prevê. Prevê

amortização extraordinária.

Desreconhecimento

Deve ser desreconhecido quando não são esperados benefícios económicos futuros, como resultado do seu uso ou alienação.

Não existe qualquer

referência.

Divulgação Tem grande relevo a informação a divulgar no anexo

Notas no Anexo ao Balanço e

à Demonstração dos

Resultados.

73