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Acredita-se que, a partir das discussões apresentadas na seção anterior, tornou-se evidente a necessidade de se preocupar com a sustentabilidade do turismo, tendo em conta as suas implicações diretas e indiretas nos destinos. Se, por um lado, o turismo tem gerado inestimáveis divisas para alguns países, por outro, tem conduzido a irreparáveis perdas ambientais e socioculturais em muitas localidades, afirma m Yázigi, Carlos e Cruz (1999, apud MOURA; GARCIA, 2008).

Bursztyn (2005, p. 7) afirma que,

muito se tem falado nos dias de hoje sobre o potencial da atividade turística em promover o desenvolvimento econômico das regiões onde se instala. As estatísticas promissoras inspiram governos de todo mundo a investirem em

ações voltadas para o incremento do setor. Contudo, experiências nos quatro cantos do mundo colocam em cheque a crença de que a “indústria do turismo”, ou a “indústria limpa”, como também é comumente conhecida, seja necessariamente benéfica na geração de emprego e renda e na preservação do meio ambiente natural e cultural.

É considerando as experiências negativas apontadas por esse autor, que a Organização Internacional do Turismo (OIT, 2004, p. 37) salienta que, a sustentabilidade de um destino turístico deve “consistir em assegurar a utilização de um bem ou recurso turístico para que aporte benefícios à totalidade do sistema. Esta sustentabilidade tem de se fazer no respeito mais absoluto para não alterar o seu interesse e a sua utilização futuras”.

Segundo esse Organismo,

poucos setores como o turismo encontram-se diante da necessidade de resolver, na atualidade, esta difícil equação: crescimento sustentável a médio e longo prazo, e otimização dos recursos para que esta atividade econômica tenha efeitos diretos e imediatos nas suas economias (OIT, 2004, p. 5).

Nas ilhas turísticas, a situação é ainda mais delicada. Cordeiro (2008, p. 13) argumenta que esta preocupação com os destinos turísticos insulares decorre principalmente pelo “fato de se tratarem de ambientes relativamente mais frágeis para os quais a sustentabilidade não é uma opção e, sim, uma necessidade urgente”.

“O bom funcionamento de um destino emergente não é diretamente proporcional apenas ao número de turistas que ele recebe” (OIT, 2004, p. 12). Segundo a Organização Internacional do Turismo,

este elemento é um mero indicador, uma conseqüência , e nunca deve ser tomado como o ponto de referência e de partida para interpretar o complexo ciclo de vida de um destino turístico. Por outro lado, não é fácil introduzir a

priori um destino turístico emergente nos fluxos e canais dos mercados já

estabelecidos. Vender algo que acaba de começar inclui muitas dificuldades, e as maiores resistências são impostas pelos grandes intermediários, que cada vez se encontram mais especializados e são mais autônomos na hora de tomar as decisões.

A competição no mercado turístico internacional tende a aumentar, à medida que o número de turistas internacionais aumenta, e isso influencia diretamente os produtos ou serviços que são ofertados pelos destinos emergentes, tendo em conta o poder de barganha dos destinos e das empresas. O fato de os destinos e as empresas estarem no mercado há mais tempo, possibilita vários outros benefícios, o que é mais difícil de conseguir por parte dos

destinos emergentes. É muito mais fácil estabelecer uma parceria estratégica entre duas grandes empresas que atuam neste segmento, para explorar novos mercados, do que firmar uma parceria entre pequenas empresas para competir no mercado onde os grandes detêm a maior parte, e são capazes de ofertar preços muitos mais competitivos.

Os destinos cons iderados emergentes, além de enfrentarem dificuldade no processo de internacionalização dos seus produtos, na maioria são países em desenvolvimento e dependentes, política e economicamente, dos países desenvolvidos. Os produtos ou serviços ofertados por esses países são, em geral, menos competitivos, tanto em termos de preços, quanto em qualidade. Coriolano (2006, apud MOURA, 2008, p. 112) sustenta que,

os países tropicais pobres, de modo geral, iniciaram a exploração da atividade turística com o turismo de sol e praia, para atender aos países ricos, ao capital proveniente das corporações internacionais, oferecendo as condições favoráveis à instalação das redes hoteleiras e resorts internacionais. Com a alocação dos equipamentos turísticos, entretanto, especialmente os hotéis e resorts, causaram uma série de impactos socioambientais, com investimentos que são questionados, alguns deles embargados e outros com a mitigação dos impactos ambientais.

No que tange, ainda, às discussões sobre sustentabilidade dos destinos turísticos, uma das questões que vêm sendo alvo de muitas críticas, é o fato de o investimento exterior ser super incentivado. É neste sentido que Rodrigues (1999, apud MOURA; GRACIA, 2008, p. 10) argumenta que,

o país hospedeiro, nos megaprojetos de capitais transnacionais, oferece vantagens de várias ordens expressas por incentivos fiscais e grandes gastos com a implementação de infraestrutura básica, não garantindo retorno significativo de capital, que é canalizado para o exterior”. O fato de grande parte da receita gerada ser repartida para outros países implica em grandes prejuízos sócio-econômic os para a localidade turística.

É nesse contexto que o presente estudo assume um papel importante, ao tentar “compreender o processo de desenvolvimento do turismo em Cabo Verde à luz do conceito de sustentabilidade”. Ao terminar este capítulo, está-se também respondendo ao primeiro objetivo específico desta pesquisa: o de investigar as origens do conceito de turismo

sustentável, a partir da análise da evolução do turismo no mundo.

No próximo capítulo, é apresentado o arcabouço teórico do conceito de sustentabilidade turística, que será tomado como base para interpretar as informações e os dados coletados através da pesquisa de campo.

REVISÃO DA LITERATURA

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O objetivo deste capítulo é apresentar o estado da arte do conceito de sustentabilidade turística, e nele identificar elementos teóricos que auxiliem na interpretação dos achados desta pesquisa. Para isso, foi feita uma ampla revisão da literatura, visando sistematizar o conceito de sustentabilidade turística, seguido de algumas reflexões sobre este conceito nos países em desenvolvimento (PED), particularizando o caso das ilhas turísticas de pequenas dimensões.