31 JULHO/ AGOS TO 2020 RET ALHO
aprovada, uma parte significativa dos lojistas dos centros associados da APCC (87%) tinha chegado a acordo para a concessão de apoios por parte dos proprietários no valor 305 milhões de euros, só em 2020, entre descontos de rendas a fundo perdido e moratórias que adiam para 2021/2022 os prazos de pagamento. Para além dos Centros Comerciais, não temos conhecimento de outro agente económico que tenha apoiado mais o setor do retalho no contexto da pandemia em Portugal. Mais: estes apoios podem eventualmente aumentar, em função da evolução do contexto e das necessidades de cada centro e de cada lojista.
Desde o começo desta crise que mantemos uma postura equilibrada e de negociação, que, noutros contextos desafiantes, revelou ser determinante para o sucesso, e que passou sempre por respeitar a sustentabilidade de toda a cadeia de valor. Foi seguindo esta lógica de cooperação que
ultrapassámos, por exemplo, a última grande crise, e é dentro desta lógica que iremos ultrapassar a atual crise. Foi, por isso, com extremo desagrado, que tivemos conhecimento da aprovação, pelo Parlamento, do regime excecional que suspende o pagamento de rendas fixas nos Centros Comerciais, proposto pelo PCP, pois este coloca em causa toda a cadeia de valor desta indústria, poderá levar centros e lojistas à falência e terá um impacto muito negativo em toda a economia, por diversos motivos, mas sobretudo pela mensagem de imprevisibilidade que passa aos investidores internacionais. Esta medida não tem paralelo com nenhuma medida tomada noutros países!
Quer dizer que, num momento em que já há mais de 87% de lojas com acordo estabelecido com os proprietários, a aprovação desta Proposta de Lei não faz sentido?
Outros países também eliminaram as rendas fixas Centros comerciais não apoiam os lojistas
Mitos
Centros Comerciais são detidos por Grandes Fundos Internacionais
Contratos de utilização têm renda variável
Proprietários não sofreram com COVID-19
AMRR representa 375 mil empregos
• Fundos Internacionais são minoritários (39%)
• ~400 M€ de descontos na crise 2009-2013 (desde então rendas subiram menos que vendas dos lojistas)
• >300 M€ orçamentados para apoios em 2020 - acordos com >87% dos lojistas • Apenas 1,5% dos lojistas pediu para rescindir (múltiplos pedidos aceites sem
contrapartidas)
• Contratos têm prémio caso vendas de lojistas atinjam objetivos. Num ano normal – p.ex. 2019 -prémios representam <5% das rendas
• Desvalorizações em bolsa de ~70%, falências e destruição de empregos a nível internacional
• AMRR representa 5% do emprego em centros comerciais
• Medida sem paralelo na economia ocidental. Portugal foi o único país que propôs a eliminação da renda fixa
Factos
Centros Comerciais são compostos
por pequenos lojistas • 77% dos lojistas pertencem a grandes grupos nacionais e internacionais
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Eliminação da renda teria impacto <3% na avaliação dos Centros
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• “Estudo” da Casa Value contém erros grosseiros (ignora impacto da incerteza criada na taxa de desconto)
FALSO FALSO FALSO FALSO FALSO FALSO FALSO FALSO
32 JULHO/ AGOS TO 2020 RET ALHO
Não faz qualquer sentido. A nosso ver, esta lei é cega, discriminatória, desproporcional e desnecessária.
É uma lei cega, pois está a tratar de forma igual todos os lojistas, grandes e pequenos, financeiramente fortes e financeiramente fracos, retirando espaço aos proprietários para ajudar de forma mais justa os lojistas que realmente precisam. Repare: cerca de 70% dos lojistas são grandes cadeias. São as grandes cadeias, e não os pequenos lojistas – que os promotores deste regime diziam querer beneficiar – que têm uma renda fixa mais alta (mais m2) e uma renda variável mais baixa. Ou seja, o Parlamento colocou os aforradores dos Centros Comerciais a subsidiar a atividade das grandes marcas.
É uma lei discriminatória, porque cria uma vantagem competitiva aos lojistas dos centros comerciais em detrimento dos lojistas de rua. A medida cria uma situação de desigualdade com o comércio tradicional, uma vez que as lojas de rua vão continuar a pagar as suas rendas e vão ter um custo operacional muito superior ao retalho dos centros comerciais. Assim, as lojas dos centros comerciais vão conseguir apresentar preços ainda
mais baixos, porque não pagam renda até ao final do ano, tornando ainda mais frágil o comércio de rua. É uma lei desproporcional, uma vez que, num cenário hipotético de quebras de 30% nas vendas das lojas, a quebra das rendas dos Centros Comerciais será de 60%.
E, como já expliquei, é uma lei desnecessária, sobretudo tendo em conta que os Centros
Comerciais já tinham acordos válidos com mais de
87% das suas lojas para a concessão de apoios que, à data, já ultrapassaram os 305 milhões de euros, só em 2020.
O novo regime vai permitir a ingerência do Estado na relação entre privados. Esta ingerência é inaceitável e gravosa; viola os princípios
constitucionais da iniciativa privada e cria em Portugal um cenário sem paralelo na Europa. O que seria para a APCC uma medida
equilibrada, já que todos sabemos que tanto centros comerciais como lojistas estão e irão passar por dificuldades?
Temos vindo a propor e a implementar medidas equilibradas. Esta não é a primeira vez que o setor atravessa um momento de crise. Temos experiência adquirida. Sabemos que é imprescindível espírito de cooperação, diálogo e respeito pela sustentabilidade de todos os intervenientes para conseguirmos
“Esta lei é cega, discriminatória,
desproporcional e desnecessária”
iSt
33 JULHO/ AGOS TO 2020 RET ALHO
ultrapassar os desafios que a pandemia colocou a este setor. Na crise de 2009-2013, os descontos concedidos pelos Centros Comerciais aos lojistas foram até aos 90% em alguns casos, e, no total, os apoios concedidos durante esse período, determinantes para que muitas empresas
conseguissem manter as suas lojas abertas, foram na ordem dos 400 milhões de euros, praticamente em linha com o esforço já alocado para responder ao contexto de pandemia em 2020.
Consideramos também crucial que o Governo tome outras medidas que possam permitir a este setor, responsável por mais de 100 mil postos de
trabalho, ultrapassar o enorme desafio com que se depara. Referimo-nos, nomeadamente, à alteração das regras do IVA, passando este a ser devido no momento do recebimento e não no momento da faturação (comummente designado “IVA de Caixa”). Seria de igual forma importante que o executivo tomasse medidas de âmbito fiscal que proporcionassem o prolongamento dos prazos de pagamento dos impostos, nomeadamente IRC e IMI, por parte das empresas proprietárias e gestoras dos centros comerciais, tal como já acontece com outras atividades económicas. Aquando da aprovação da Proposta de Lei, a APCC admitiu que “comprometer o sucesso dos centros é, invariavelmente, comprometer o sucesso dos seus lojistas”. Está
invariavelmente comprometido o sucesso de ambos?
Sem dúvida, pois um não vive sem o outro e vice-versa. Não podemos cair no logro de que os proprietários dos Centros Comerciais não foram afetados pela pandemia. Assistimos a desvalorizações em bolsa de cerca de 70%, à destruição de emprego e mesmo a falências. A INTU, o maior operador de Centros Comerciais no Reino Unido, faliu; nos Estados Unidos, as estimativas apontam para que, nos próximos cinco anos, um em cada quatro Centros Comerciais encerrem. Em Portugal, recordo, o setor dos Centros Comerciais emprega mais de 100 mil pessoas de forma direta e 200 mil de forma indireta. O modelo de funcionamento dos Centros
Comerciais visa que, em troca da mensalidade paga pelo lojista, o proprietário se responsabilize pela gestão, pelo permanente investimento em renovações, remodelações e expansões (capex), e no plano operacional em segurança, limpeza,