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Necessidades de financiamento do setor público

O superávit primário acumulado no ano, até outubro, atingiu R$91 bilhões, 5,32% do PIB, situando-se em R$89,4 bilhões, 4,34% do PIB, nos últimos doze meses. Nessa última base de comparação, o superávit do Governo Central alcançou 2,58% do PIB; o dos governos regionais, 0,96%; e o das empresas estatais, 0,8%. A manutenção, ao longo de 2006, do superávit acumulado em doze meses acima da meta estabelecida para o ano, fi xada em 4,25% do PIB, reforça as expectativas de seu cumprimento.

Em relação ao Governo Central (Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central), as receitas apuradas até outubro alcançaram R$442,9 bilhões, apresentando crescimento nominal de 12,8% em relação ao mesmo período de 2005. As despesas somaram R$387,2 bilhões, -9 -6 -3 0 3 6 9 Mar 2005

Mai Jul Set Nov Jan 2006

Mar Mai Jul Set Nov R$ bilhões

Poupança Depósitos a prazo

Gráfico 3.25 – Captação líquida – Caderneta de poupança e depósito a prazo

Tabela 3.5 – Necessidades de financiamento do setor público – Resultado primário

Acumulado no ano Segmento Outubro

2004 2005 2006

R$ % R$ % R$ %

bilhões PIB bilhões PIB bilhões PIB

Governo Central -53,0 -3,7 -59,8 -3,8 -57,2 -3,3 Governos regionais -16,4 -1,1 -20,8 -1,3 -19,2 -1,1 Empresas estatais -8,5 -0,6 -14,5 -0,9 -14,6 -0,9 Total -78,0 -5,4 -95,1 -6,0 -91,0 -5,3

com crescimento de 14,8%. Como proporção do PIB, as receitas registraram elevação de 1,1 p.p., para 25,9%, ante crescimento de 1,4 p.p. nas despesas, para 22,7%.

Na mesma base de comparação, as receitas do Tesouro Nacional, que compõem a maior parte das receitas do Governo Central, apresentaram crescimento nominal de 12,5%, e as despesas, de 12,9%. O crescimento mais moderado das receitas refl etiu o processo de desoneração dos investimentos produtivos, iniciado em 2005, que tem contribuído para a redução do fl uxo de arrecadação de alguns tributos, notadamente do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).

Ressalte-se que a arrecadação proveniente de alguns setores da economia, especialmente o petrolífero e o de extração de minerais metálicos, vem contribuindo para que a arrecadação da União se mantenha em patamar superior ao registrado em 2005. Além disso, o ingresso de recursos a título de dividendos elevou-se de R$4 bilhões, nos dez primeiros meses de 2005, para R$9,6 bilhões, no período correspondente de 2006. Assinale-se, ainda, que a arrecadação amparada pelo Programa de Parcelamento Excepcional (Paex), novo programa de recuperação de débitos em atraso, aprovado pela Medida Provisória 303, de junho de 2006, totalizou R$2,1 bilhões no trimestre encerrado em outubro.

Em relação às despesas do Tesouro Nacional, ressaltem-se as expansões acumuladas no ano referentes aos gastos com pessoal e encargos sociais, 13,1%, e custeio e capital, 13,7%. No desdobramento desta última rubrica, registraram- se crescimentos de 27,6% nas dotações orçamentárias destinadas ao seguro desemprego e demais programas custeados pelo Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), e de 26,6% nos gastos realizados com benefícios assistenciais amparados pela Lei Orgânica da Assistência Social (Loas).

As receitas da Previdência Social cresceram 14,1%, e as despesas, 19,1%, nos dez primeiros meses de 2006, em relação ao período correspondente do ano anterior. A participação das receitas no PIB cresceu de 5,3% para 5,6%, no período, e a das despesas, de 7% para 7,8%.

O desempenho das receitas refl etiu o aumento, de 40%, em 2005, para 60%, no repasse da arrecadação do Simples para o Regime Geral da Previdência Social e a maior formalização do mercado de trabalho.

Gráfico 3.26 – Receitas e despesas do Governo Central

Acumulado de janeiro a outubro

0 50 100 150 200 250 300 350 400 450 500

Receita total Despesa total Resultado R$ bilhões

2005 2006

Tabela 3.6 – Despesas do Tesouro Nacional

Janeiro-Outubro Discriminação 2005 2006 R$ milhões % do PIB R$ milhões % do PIB Total 224 223 14,1 253 051 14,7 Transf. a estados e municípios 66 454 4,2 74 137 4,3 Pessoal e encargos sociais 73 226 4,6 82 837 4,8 Custeio e capital 84 040 5,3 95 566 5,6 FAT 9 769 0,6 12 466 0,7 Subs. e subv. econômicas 6 544 0,3 5 466 0,3 Loas/RMV 7 564 0,5 9 566 0,5 Outras desp. de custeio e capital 60 163 3,7 68 068 4,0 Transf. do Tesouro ao Bacen 503 0,0 511 0,0

Os principais determinantes da elevação das despesas constituíram-se no aumento de 13,2% no valor médio dos benefícios pagos pela Previdência Social, evidenciando os aumentos do salário mínimo e dos benefícios com valor acima do piso; na elevação de 2,7% na quantidade média mensal de benefícios emitidos; e no pagamento antecipado da primeira parcela do abono natalino, em setembro de 2006, que não ocorreu nos anos anteriores. Essa antecipação alterou o padrão sazonal de gastos e de defi cits da previdência e será compensada em dezembro, quando tradicionalmente ocorriam esses gastos.

As transferências constitucionais de recursos da União para os estados e municípios totalizaram R$74,1 bilhões de janeiro a outubro, registrando aumento de 11,6% em relação a igual período de 2005. Esse resultado foi favorecido, principalmente, pelo crescimento real de 7,4% na arrecadação do Imposto de Renda, tendo em vista que 44% desses recursos são destinados a essas duas esferas de governo.

A arrecadação do ICMS alcançou R$125 bilhões até setembro, registrando crescimento real de 7,4% em relação ao mesmo período do ano anterior, considerado o IGP-DI como defl ator. Os recolhimentos contabilizados pelo estado de São Paulo representaram 32,9% do total, atingindo R$41,2 bilhões, seguindo-se os recolhimentos de Minas Gerais, R$12,6 bilhões; do Rio de Janeiro, R$10,8 bilhões; e do Rio Grande do Sul, R$8,8 bilhões.

O superávit acumulado das empresas estatais alcançou R$14,6 bilhões, 0,86% do PIB, até outubro. A contribuição do superávit das empresas estatais federais para o resultado consolidado do setor público reduziu-se de 0,71% do PIB, nos dez primeiros meses de 2005, para 0,52% do PIB, no período correspondente de 2006, enquanto o superávit das empresas estatais estaduais aumentou em 0,13 p.p. do PIB, no período.

Os juros nominais acumulados até outubro de 2006 reduziram-se em 0,53 p.p. do PIB, em relação ao mesmo período do ano anterior, refl etindo a trajetória da taxa Selic acumulada no ano.

O deficit nominal do setor público não financeiro, que inclui os juros nominais apropriados e o resultado primário, atingiu R$2,8 bilhões em outubro e R$43,9 bilhões no ano. Como proporção do PIB, o deficit nominal acumulado elevou-se em 0,15 p.p. em relação ao ano anterior.

Tabela 3.7 – Arrecadação de ICMS

Acumulado Jan-Set R$ milhões1/ Discriminação 2005 2006 Variação (%) Brasil 116 359 125 027 7,4 São Paulo 38 364 41 150 7,3 Rio de Janeiro 10 019 10 778 7,6 Minas Gerais 11 898 12 584 5,8 Rio Grande do Sul 8 211 8 844 7,7 Paraná 6 541 6 904 5,5 Bahia 5 871 6 290 7,1 Santa Catarina 4 467 4 635 3,8 Pernambuco 3 173 3 602 13,5 Goiás 3 166 3 378 6,7 Espírito Santo 3 504 3 734 6,5 Demais 21 145 23 128 9,4

1/ A preços de set/2006 (IGP-DI).

10,1 3,5 2,6 2,7 0 2 4 6 8 10 12 Assistenciais – Loas

Aposentadorias Pensões por morte

Benefícios totais Percentual

Fonte: MPAS

Gráfico 3.27 – Crescimento da quantidade média de benefícios emitidos pela Previdência Social/ RGPS (Jan-Out/2006 ante Jan-Out/2005)

0 3 6 9 Jan 2004

Abr Jul Out Jan 2005

Abr Jul Out Jan 2006

Abr Jul Out

Fonte: MPAS

1/ A preços de out/2006, corrigidos pelo IGP-DI.

Gráfico 3.28 – Deficit do INSS1/

Considerando os valores acumulados no ano, o fi nanciamento do defi cit nominal em 2006 foi realizado com a expansão da dívida mobiliária, registrando-se contração nas demais fontes de fi nanciamento, que incluem a dívida bancária e o fi nanciamento externo.