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Necessidades de financiamento do setor público

O superávit primário do setor público não financeiro alcançou R$95,1 bilhões até outubro de 2005, equivalente a 6% do PIB, resultado mais favorável já alcançado nessa base

de comparação desde o início da série, em 1991. Considerado o período de doze meses encerrado em outubro, o superávit alcançou R$98,2 bilhões, 5,1% do PIB. Esses resultados indicam que a meta de superávit estabelecida para 2005, de 4,25% do PIB, será atendida, não obstante a ocorrência sazonal de déficits no final de ano, em razão da elevação das despesas. O resultado acumulado no ano, até outubro, supera em R$12,3 bilhões a meta estabelecida para o ano.

O superávit do Governo Central atingiu R$59,8 bilhões até outubro de 2005, 3,8% do PIB, a despeito do déficit de 1,74% do PIB apresentado pela Previdência Social, no período. Os governos regionais registraram superávit de R$20,8 bilhões, 1,3% do PIB, e as empresas estatais, de R$14,5 bilhões, 0,9% do PIB, nos primeiros dez meses do ano. Todos as esferas do governo registraram resultados mais favoráveis, comparativamente a 2004.

O resultado do Governo Central esteve condicionado ao aumento das receitas, que passaram de 23,5% do PIB, em 2004, para 24,7%, em 2005. O crescimento de 15,4% na receita bruta do Tesouro Nacional, nesse período, refletiu a elevação da arrecadação dos tributos administrados pela Receita Federal, em especial do imposto de renda, com aumento de 0,4 p.p. do PIB, e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) cobrada sobre os setores de extração de minerais metálicos, telecomunicações, eletricidade, metalurgia básica e combustíveis, com elevação de 0,2 p.p. do PIB.

Registrou-se, ainda, aumento das demais receitas do Tesouro Nacional, particularmente na rubrica “Cota- Parte de Compensações Financeiras”, resultante da elevação da produção de petróleo, bem como de seus preços internacionais. Os demais tributos federais apresentaram participação relativamente estável em relação ao PIB.

O aumento da arrecadação, especialmente do imposto de renda, da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico – Combustíveis (Cide-Combustíveis) e da cota-parte de compensações financeiras, contribuiu para que as transferências a estados e municípios aumentassem R$11,5 bilhões, 0,4 p.p do PIB, de janeiro a outubro de 2005, em relação ao ano anterior.

A arrecadação da Previdência Social (RGPS) passou de R$72,8 bilhões, de janeiro a outubro de 2004, para R$83,9 bilhões, no mesmo período de 2005, atingindo 5,3% do PIB, com aumento de 0,2 p.p. em relação a 2004. Esse comportamento mostra-se compatível com a elevação no emprego formal observada no período.

Tabela 3.6 – Necessidades de financiamento do setor público – Resultado primário

Acumulado no ano Segmento Outubro

2003 2004 2005

R$ % R$ % R$ %

bilhões PIB bilhões PIB bilhões PIB

Governo central -44,1 -3,4 -53,0 -3,7 -59,8 -3,8 Governos regionais -12,6 -1,0 -16,4 -1,1 -20,8 -1,3 Empresas estatais -7,3 -0,6 -8,5 -0,6 -14,5 -0,9 Total -64,0 -5,0 -78,0 -5,4 -95,1 -6,0

Tabela 3.5 – Necessidades de financiamento do setor público – Resultado primário

Acumulado no ano R$ milhões Período Ocorrido Meta Margem

(I) (II) (I - II)/(II) (%)

1999 -31 087 -30 185 3,0 2000 -38 157 -36 720 3,9 2001 -43 655 -40 200 8,6 2002 -52 390 -50 300 4,2 2003 -66 173 -65 000 1,8 2004 -81 112 -71 500 13,4 20051/ -95 055 -82 750 14,9

1/ O valor ocorrido refere-se a outubro. A meta efetivamente fixada para o ano é de 4,25% do PIB.

Relativamente às despesas, as associadas a custeio e capital elevaram-se de 4,9% do PIB, em 2004, para 5,3% do PIB. Esse aumento está concentrado no grupo de subsídios e subvenções econômicas, que abrange os programas de reforma agrária, e no grupo de benefícios assistenciais. Ressalte-se, quanto aos benefícios assistenciais, o impacto da elevação real do salário-mínimo em 2005 e os gastos decorrentes do estatuto do idoso, especificamente quanto à redução da idade mínima para recebimento de benefícios.

As despesas com pessoal e encargos sociais elevaram- se 6,5% em relação ao ano anterior, havendo expectativa de aceleração dessa classe de despesas nos dois últimos meses do ano, em decorrência do pagamento do décimo terceiro salário e do adicional de férias do funcionalismo.

As despesas com benefícios previdenciários em 2005 vêm registrando ritmo de crescimento superior ao das receitas com contribuições. Conseqüentemente, registrou-se elevação do déficit da previdência observado no ano, passando de 1,59% do PIB em 2004, para 1,7% do PIB em 2005. Esse resultado refletiu o crescimento na quantidade média mensal de benefícios pagos em 2005, superior em cerca de 1,1 milhão à quantidade paga no mesmo período de 2004.

A análise da execução das despesas do orçamento fiscal e da seguridade social em 2005 revela que os valores liquidados, quando comparados às dotações atualizadas, encontravam-se, até outubro, próximos aos relativos a anos anteriores, quando consideradas conjuntamente as despesas correntes e de capital. As diferenças aumentam quando consideradas apenas as despesas de capital.

Relativamente aos governos regionais, as receitas com transferências e com o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), principal imposto arrecadado, vêm contribuindo para o bom resultado alcançado em 2005. Em relação ao ICMS, a arrecadação total, deflacionada pelo IGP-DI, apresentou crescimento de 5,4% de janeiro a setembro de 2005, comparativamente ao mesmo período do ano anterior. Os aumentos mais representativos ocorreram no Espírito Santo, 19,9%; em Minas Gerais, 14%; e no Rio Grande do Sul, 9,5%. Em sentido inverso, os estados do Rio de Janeiro e de Goiás apresentaram queda na arrecadação, refletindo, de certa forma, a mudança na legislação, que tornou possível que as empresas passassem a depositar os recursos do tributo em fundos, a exemplo de fundos de erradicação de pobreza. Tabela 3.7 – Balanço orçamentário – Percentual

de execução das despesas1/

Orçamentos Fiscal e da Seguridade Social

Acumulado no ano Outubro

2003 2004 2005 R$ bi- % R$ bi- % R$ bi- % lhões Execu- lhões Execu- lhões Execu-

tado tado tado

Despesas orçamentárias 349,4 67,3 412,9 65,2 446,0 65,6 Despesas correntes 288,5 72,3 340,2 70,7 390,3 73,1 Pessoal e encargos 61,5 78,9 68,3 77,9 73,1 73,9 Juros e enc. da dívida 49,4 52,7 63,6 54,2 73,0 65,8 Outras desp. correntes 177,6 78,2 208,3 75,4 244,2 75,3 Despesas de capital 60,9 59,5 72,6 55,0 55,7 44,6 Investimentos 1,2 8,2 2,8 20,7 3,0 13,5 Inversões financeiras 10,3 37,7 14,3 40,5 14,1 41,3 Amortização da dívida 2/ 49,5 81,6 55,6 66,6 38,7 56,2

1/ Despesas liquidadas em relação à dotação atualizada. 2/ Exclui refinanciamento.

Tabela 3.8 – Arrecadação de ICMS

Acumulado jan-set R$ milhões1/ Discriminação 2004 2005 Variação (%) Brasil 107 034 112 790 5,4 SP 35 661 37 187 4,3 RJ 10 441 9 712 -7,0 MG 10 116 11 533 14,0 RS 7 271 7 960 9,5 PR 6 243 6 340 1,5 BA 5 477 5 691 3,9 SC 4 100 4 330 5,6 PE 2 855 3 075 7,7 GO 3 118 3 069 -1,6 ES 2 834 3 397 19,9 Demais 18 917 20 496 8,3

O resultado das empresas estatais esteve influenciado pela elevação dos preços do petróleo, com reflexos nos resultados da Petrobras.

Os juros nominais, apropriados pelo critério de competência, alcançaram R$13,3 bilhões em outubro. No ano, os juros totalizaram R$133,5 bilhões, 8,4% do PIB, comparativamente a R$106,4 bilhões, 7,4% do PIB, em 2004. O crescimento em 2005 esteve vinculado à evolução da taxa Selic, que acumulou 15,7% no ano, ante 13,1% no período correspondente de 2004. Considerado o período de doze meses encerrado em outubro, a apropriação de juros alcançou R$155,4 bilhões, 8,1% do PIB, com a taxa Selic acumulada em doze meses atingindo 18,9%. Ressalte-se que esse percentual deverá diminuir nos próximos meses, como reflexo da flexibilização da política monetária.

As necessidades de financiamento do setor público não financeiro, constituídas pelo resultado primário e pelos juros nominais apropriados, registraram déficit de R$4,8 bilhões em outubro e de R$38,4 bilhões, até outubro. O resultado acumulado no ano superou em 0,4 p.p. do PIB o ocorrido em 2004.

A dívida mobiliária, incluídas as operações compromissadas, constituiu a principal fonte de financiamento do déficit nominal acumulado em 2005, tendo apresentado expansão de R$142,8 bilhões. Em sentido inverso, a dívida bancária recuou R$42,9 bilhões; a dívida externa, R$55,1 bilhões; e as demais fontes de financiamento interno, R$6,3 bilhões.