O superávit primário do setor público consolidado totalizou R$92 bilhões nos sete primeiros meses do ano, 4% do PIB, superando em 1,9 p.p. do PIB o resultado de igual período do ano anterior. Ocorreram aumentos em todas as esferas do setor público, destacando-se a elevação de 1,6 p.p. no âmbito do Governo Central. O superávit do setor público consolidado acumulado em doze meses atingiu 3,83% do PIB.
A receita bruta do Governo Federal totalizou R$445,7 bilhões nos sete primeiros meses de 2011, registrando crescimento de 23,2% em relação à de igual intervalo do ano anterior. Destacaram-se, no período, os aumentos de 41,4% no recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e de 27,7% no Imposto de Renda – Pessoa Jurídica, evolução consistente com o melhor desempenho das empresas no último trimestre de 2010, com reflexos na arrecadação de 2011, e, especificamente no caso da CSLL, do pagamento de débito em atraso de R$5,8 bilhões. O recolhimento do IPI, favorecido pela retirada de incentivos adotados durante a crise de 2008/2009, aumentou 24,6% no período.
As despesas do Tesouro Nacional totalizaram R$251 bilhões nos sete primeiros meses do ano, reduzindo- se 0,1 p.p. do PIB em relação ao mesmo período do ano anterior. Os gastos com pessoal e encargos cresceram 11,1%, impulsionados pela elevação das despesas no Poder Executivo e pelo aumento nas despesas com precatórios judiciais, e as despesas com custeio e capital, 10,7%, destacando-se o crescimento de 39,8% nos dispêndios com o PAC. Consideradas em relação ao PIB, as despesas com custeio e capital recuaram 0,1 p.p. e as relacionada a pessoal registraram queda de 0,04 p.p. 166 138 58 362 209 169 68 446 0 100 200 300 400 500
Impostos Contribuições Demais Total R$ bilhões
2010 2011
Gráfico 3.13 – Receita bruta do Tesouro Nacional
Jan-jul
Tabela 3.5 – Necessidades de financiamento do setor público – Resultado primário
Segmento 2009 2010 Jul 20111/
R$ % R$ % R$ %
bilhões PIB bilhões PIB bilhões PIB Governo Central -42,4 -1,3 -78,7 -2,1 -119,7 -3,0 Governos regionais -21,0 -0,7 -20,6 -0,6 -27,7 -0,7 Empresas estatais -1,3 -0,0 -2,3 -0,1 -2,7 -0,1 Total -64,8 -2,0 -101,7 -2,8 -150,1 -3,8
1/ Acumulado em doze meses até julho.
Tabela 3.6 – Despesas do Tesouro Nacional
Jan-jul
Discriminação 2010 2011
R$ % do R$ % do milhões PIB milhões PIB Total 225 984 11,0 250 997 10,9 Pessoal e encargos sociais 93 979 4,6 104 388 4,5 Custeio e capital 131 327 6,4 145 387 6,3 FAT 16 339 0,8 19 607 0,9 Subsídio e subvenções 5 418 0,3 6 968 0,3 Loas/RMV 12 804 0,6 14 366 0,6 Investimento 25 144 1,2 24 532 1,1 Outras 71 622 3,5 79 913 3,5 Transferências ao Bacen 679 0,0 1 222 0,1
A Previdência Social registrou déficit de R$21,6 bilhões nos sete primeiros meses do ano, resultado 0,3 p.p. do PIB inferior ao registrado em igual período de 2010. A arrecadação líquida da Previdência, refletindo o aumento da massa salarial, cresceu 16,5%, e as despesas com benefícios previdenciários, traduzindo, em especial, o aumento no valor médio das aposentadorias e auxílios pagos, aumentou 10,8%.
O superávit primário do Governo Central (Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central) aumentou 160,7% nos sete primeiros meses de 2011, em relação a igual período de 2010, resultado de elevações respectivas de 23,7% e 11,1% nas receitas e despesas do Tesouro Nacional. Como proporção do PIB, o superávit mencionado aumentou 1,7 p.p. no período, reflexo de variações de 1,8 p.p. nas receitas e de -0,1 p.p. nas despesas do Tesouro Nacional.
As transferências para os governos regionais, evidenciando os crescimentos das receitas do Imposto de Renda e do IPI compartilhadas por meio dos fundos de participação, e dos repasses de recursos do Fundeb, atingiram R$98,9 bilhões, elevando-se 27,2% no período. Assinale-se que não ocorreram, em 2011, repasses de recursos da União a título de apoio financeiro, que haviam atingido R$1,3 bilhão nos sete primeiros meses de 2010.
A arrecadação do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), principal tributo regional, cresceu 11,2% no primeiro semestre de 2011, em relação a igual período de 2010, enquanto a relativa ao Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) elevou-se 10,6%.
O superávit primário dos governos regionais atingiu R$23,8 bilhões nos sete primeiros meses de 2011, elevando- se 0,22 p.p. do PIB em relação ao período correspondente do ano anterior. Essa evolução refletiu, em especial, o desempenho dos governos estaduais.
As empresas estatais registraram superávit de R$1,9 bilhão nos sete primeiros meses de 2011, ante R$1,5 bilhão em igual período de 2010. A melhora refletiu o impacto mais intenso da inversão, de déficit para superávit, no resultado das empresas estatais federais, e do crescimento do superávit das empresas municipais, associado à redução no superávit das empresas estatais estaduais.
Os juros nominais, apropriados por competência, somaram R$138,5 bilhões nos sete primeiros meses de
Tabela 3.7 – Resultado primário da Previdência Social
Jan-jul R$ bilhões Discriminação 2010 2011 Var. % Arrecadação bruta 124,4 145,2 16,7 Restituição/devolução -0,3 -0,4 22,3 Transferência a terceiros -12,6 -15,0 18,9 Arrecadação líquida 111,5 129,9 16,5 Benefícios previdenciários 136,7 151,5 10,8 Resultado primário -25,2 -21,6 -14,1 Arrecadação líquida/PIB 5,4% 5,6% Benefícios/PIB 6,7% 6,6% Resultado primário/PIB -1,2% -0,9% 5 7 9 11 13 15 17 19 21 23 25 Receitas Despesas
Gráfico 3.14 – Crescimento das receitas e despesas do Tesouro Nacional
Acumulado no ano até julho
% 55,3 17,2 72,5 58,0 19,7 77,7 75,8 23,1 98,9 0 20 40 60 80 100 120
Constitucionais Demais Total
2009 2010 2011
Gráfico 3.15 – Transferências para estados e municípios em 2011 Jan-jul R$ bilhões 11,5 12,0 12,5 13,0 13,5 14,0 0,6 0,7 0,8 0,9 1,0 Jan
2009 Abr Jul Out 2010Jan Abr Jul Out 2011Jan Abr Jul % PIB
Superávit primário
Superávit primário Dívida líquida Dívida líquida
Gráfico 3.16 – Governos regionais: superávit primário acumulado em doze meses e dívida líquida
2011, 6,02% do PIB, elevando-se 0,7 p.p. do PIB em relação a igual período de 2010. Esse aumento foi influenciado pela aceleração do IPCA e pelo aumento da taxa Selic, indicadores que incidem sobre parcela expressiva da dívida mobiliária federal.
O resultado nominal do setor público, que inclui o resultado primário e os juros nominais apropriados, foi deficitário em R$46,6 bilhões, 2,02% do PIB, reduzindo-se 1,17 p.p. do PIB em relação ao registrado nos sete primeiros meses do ano anterior. O financiamento desse déficit ocorreu mediante expansão da dívida mobiliária, contrabalançada, em parte, por reduções do financiamento externo líquido, da dívida bancária líquida e das demais fontes de financiamento interno, que incluem a base monetária.