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Necessidades e desafios do sistema educativo

A. CONTEXTO EDUCATIVO NACIONAL

2. Necessidades e desafios do sistema educativo

Como foi referido, apesar dos grandes progressos na educação realizados por Moçambique na última década, o sistema educativo moçambicano continua ainda longe de alcançar os resultados desejados. Esta é uma situação que é reconhecida pelo Governo do país, que define um conjunto de prioridades concretas para o sector.

De acordo com o Plano Estratégico da Educação 2012-2016, as grandes necessidades e desafios que se colocam a Moçambique são os seguintes (Ministério da Educação, 2012: 29-31):

 Apesar da expansão do ensino verificada, continuam a existir crianças e jovens fora da escola, pelo que é necessário continuar a expandir o sistema onde as necessidades se verificam, seja a nível do ensino primário, como, sobretudo, a nível do ensino secundário, tendo em particular atenção a inclusão de raparigas e de crianças com necessidades educativas especiais.

 Não obstante as reformas introduzidas para a melhoria do desempenho escolar dos alunos no ensino primário5, há sinais que a qualidade do processo de ensino aprendizagem não está a melhorar nas escolas moçambicanas, pelo que é preciso trabalhar no âmbito da expansão do ensino pré-escolar, garantindo uma melhor preparação das crianças para o ensino primário, ao mesmo tempo que é necessário investir nas áreas da formação de professores, aquisição e distribuição de livros e materiais didácticos, entre outros.

 A capacidade de âmbito local, distrital e provincial é limitada nas áreas de planificação, gestão financeira e monitorização, ao mesmo tempo que o orçamento para a educação é inferior às necessidades, pelo que há necessidade de priorizar intervenções e promover o uso racional dos recursos disponíveis para o sector.

Já mais recentemente (2004) e de forma coerente com a avaliação realizada pelo Ministério da Educação moçambicano, a Unicef fez uma análise profunda da situação das crianças em Moçambique, indicando os grandes desafios que se colocam ao país em várias áreas sociais, incluindo a educação6.

De acordo com o relatório produzido pela organização, não existem dúvidas que Moçambique fez progressos notáveis ao nível da educação, nos últimos anos. Esses progressos verificaram-se tanto ao nível do aumento do número de crianças escolarizadas, como do número de crianças que iniciam a escola na idade certa e que terminam o ensino primário (Unicef, 2014a:

22-23). Apesar disso, indicadores recentes mostram que os progressos realizados estão a

5 Nomeadamente a introdução do novo currículo, a distribuição do livro escolar, a afectação de recursos às escolas, a formação de professores e gestores educacionais e o incremento de acções de supervisão pedagógica (Ministério da Educação, 2011: 30).

6UNICEF (2014) Situação das Crianças em Moçambique 2014. UNICEF - Fundo das Nações Unidas para a Infância, Maputo, Moçambique.

estagnar e, em alguns casos, a regredir, pelo que grandes desafios ainda se colocam ao país, a este nível. A este respeito, refere a Unicef que:

(…) a expansão rápida da escolarização observada desde 2002 começou a abrandar após 2008 e, desde então, tem sofrido um recuo, enquanto que os fracos resultados de aprendizagem tornam-se um motivo de maior preocupação. Os dados dos inquéritos (MICS e IDS) mostram um retrocesso na frequência líquida no ensino primário (TLF), a qual baixou de 81,2% em 2008 para 77,1% em 2011. Mesmo os números absolutos de alunos no segundo ciclo do ensino primário (EP2) caíram em 2011 e 2012 (numa percentagem acumulada de 5,1%). De acordo com os dados administrativos, a taxa bruta de conclusão do ensino primário (na 7ª classe), que teve uma subida de menos de 20% no início dos anos 2000 para mais de 50% em 2008, sofreu uma redução desde então, passando para 47% em 2012 (…). Além disso, as crianças que vão à escola primária parecem não estar a aprender muito, o que sugere que o alargamento do sistema de ensino observado na década passada trouxe impactos à qualidade de ensino (…) (Unicef, 2014a: 23-24).

De acordo com a Unicef Moçambique tem pela frente um conjunto de desafios sérios, se pretende consolidar e expandir os progressos realizados até agora no sector educativo. Entre esses desafios, encontra-se o aumento da cobertura da educação pré-escolar, o aumento do número de crianças que iniciam a escola na devida idade, a sustentabilidade dos avanços investigação não mostraram o nível de leitura que os alunos deveriam demonstrar no final da 1ª e 2ª classes. Segundo aqueles resultados, a grande maioria das crianças testadas não estão adquirir as competências de base que lhes permitirão tornar-se leitores fluentes – no final da 2ª classe os alunos exibem um vocabulário oral pobre, têm dificuldades em seguir instruções, demonstram um conhecimento limitado das letras e não são capazes de identificar correctamente nomes associados às letras. Como têm dificuldades de leitura, os alunos demonstram igualmente muitas limitações na leitura oral e na compreensão de textos escritos (USAID/Mozambique, 2013: 38).

De acordo com os autores do estudo, os factores que podem explicar os fracos resultados dos alunos nos testes realizados são múltiplos, desde infraestruturas desadequadas, elevado absentismo escolar dos alunos, falta de materiais de leitura, absentismo, atrasos e falta de preparação por parte de professores e directores de escola, baixos níveis de compromisso de directores de escola para com a melhoria da leitura, reduzido número de dias e horas passados na escola até ao pouco tempo dedicado a tarefas para o ensino da leitura, na sala de aulas (USAID/Mozambique, 2013: 38).

São, portanto, várias as necessidades que se colocam do ponto de vista da educação em Moçambique e, em particular, na Província de Nampula e estão identificados muitos dos desafios/áreas de trabalho que devem ser atendidos no sentido da melhoria do desempenho do sistema educativo. Visto isto, observe-se agora o estado do sector educativo católico da Arquidiocese de Nampula a partir da informação recolhida junto das instituições que o compõem.

O SECTOR B.

EDUCATIVO

CATÓLICO DA

ARQUIDIOCESE

DE NAMPULA

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