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2. Fundamentação Téorica

2.1 A Evolução da Bacia do Paraná

2.1.7 Neotectônica

Riccomini e Assumpção (1999) explicaram que o conceito de estabilidade tectônica prevaleceu para a Plataforma Sul-Americana, durante muito tempo, de forma que esse pensamento retardou o início das pesquisas sobre a tectônica do Quaternário no Brasil, ao qual teve seu início na década de 1990.

Em função desse quadro, ainda hoje, há dificuldade no Brasil de conceituar a neotectônica Salamini (2004) Riccomini, (1997), Riccomini (1999) Grohmann et al (2012).

Cabral (1993) considera a neotectônica, como movimentos ocorridos após a última organização significativa da tectônica regional, podendo variar de um lugar para outro. No caso brasileiro, esse argumento seria motivo suficiente para dificultar a datação da tectônica recente, pois não há um consenso científico, ainda, sobre a sua ocorrência. A atividade neotectônica ocorrida desde o Plioceno corresponde aos últimos 2,5 milhões de anos. Neste contexto, elencamse as estruturas geológicas ativas, que marcam os movimentos nesse período.

Para analisar a possibilidade de ocorrência da neotectônica, considerou-se o estudo recente de quatro áreas no Brasil, em que foram comprovadas a sua ocorrência. Buscou-se pautar sua evidência ao ilustrar casos na Bacia do Paraná e, em área vizinhas, como o caso da bacia do Pantanal mato-grossense e da bacia de Curitiba: O primeiro caso ocorreu na bacia sedimentar de Curitiba, Salamuni e Hasui (2004). Nesta bacia, os autores comprovaram que os padrões de drenagem são controlados por alinhamentos estruturais que cortaram o embasamento. No início da evolução desta bacia, no Oligoceno-Mioceno, a tectônica controlou a sedimentação, do Pleistoceno até o presente. A neotectônica provocou a exposição de blocos tectônicos e em clima úmido o seu entalhamento ocorreu por meio dos processos de erosão e dissecação.

O segunda caso foi apresentado por Fortes et al (2007), para o baixo curso do rio Ivinhema, afluente da margem direita do Rio Paraná, que corta planícies de inundação e outras feições do relevo. Por meio de análises do mapeamento geomorfológico, perfil longitudinal, a datação de carbono quatorze e termoluminescencia, foram identificados blocos rotacionados para NW e N que controlavam a sinuosidade, as falhas e a assimetria do vale. O tectonismo afetou a área e produziu intensos fraturamentos associados aos adernamentos dos blocos para NW. Durante o Pleistoceno superior, os rios Paraná e Ivinhema construíram depósitos sedimentares, compostos de areias e cascalhos que foram datados de 42.500 a

31,100 AP. No início do Holoceno, um novo pulso soergueu um grupo de blocos paralelos em direção ao Rio Paraná, o que gerou muitas falhas antitéticas datadas de 8.000 a 6.000 AP.

O terceiro caso localiza-se em área vizinha à área de pesquisa, foi a que apresentou a gênese e evolução morfoestrutural do Pantanal motogrossense. De acordo com Ab'Saber (1988, 2006), o pantanal formado no Pleistoceno foi o resultado de um sistema regional de falhas formando um sistema de graben, fruto da tectônica recente.

O estudo de Paranhos - Filho (2013) aponta para as direções tectônicas NE, NW e NS, caracterizados na região do Pantanal por reativação no período final do Pleistoceno até os dias atuais. As direções correspondem ao padrão estrutural geral presente em rochas do embasamento. Exceção especial para estruturas EW, que são mais novos do que os outros, bem como a sequência sedimentar da bacia do Pantanal. O autor considera que as direções estruturais NE da bacia do Pantanal estejam relacionadas com a reativação do alinhamento Transbrasiliano. Esse alinhamento foi responsável por tal reativação no campo de tensões EW produzido na Placa Sul- americana durante o Pleistoceno tardio ao Quaternário.

O Pantanal corresponde a uma bacia tectônica alongada na direção NS, cuja evolução e deformação tectono - sedimentar estão provavelmente relacionadas com a convergência dos Andes, incluindo as estruturas EW, mais jovens do que a sucessão estratigráfica da bacia do Pantanal. As direções estruturais NE, NW e EW são responsáveis pelo controle dos principais rios que drenam a planície. atualmente, no Pantanal

FRANCO et al, (2008), apresentam o quarto caso, onde há a confluência dos rios Paraná e Ivaí (PR/MS), na Bacia do Paraná, em que a movimentação neotectônica para esta conformação está associada à disponibilidade de carga de sedimentos, influenciada por aspectos climáticos. Foram identificadas 3 fases evolutivas para a área. A área inicialmente se configurava em uma ampla planície aluvial com migração de meandros, na fase 2, os processos neotectônicos que rebaixaram o talvegue do rio Paraná, com escarpas de falhas

normais voltadas para Oeste, com migração de canais para Leste e o consequente basculamento da planície aluvial. A mudança do nível de base obrigou o Rio Ivaí a ter os meandros encaixados, feição que mantém até hoje. A terceira fase refere-se à situação atual, no qual, o canal do rio Paraná recebe uma expressiva carga de fundo arenosa, tornando-se mais raso, e que provocou o represamento parcial do rio Ivaí, uma vez que estes afluentes não apresentam a mesma intensidade de transporte de carga.

Paranhos - Filho (2013) relacionou uma série de argumentos sobre a neotectônica na Bacia do Paraná e comprovando a necessidade minuciosa de estudos, tanto da evolução litoestrutural, quanto das formas do relevo consequentes.

Para Fortes (2003), no Plio-Pleistoceno a reativação tectônica foi responsável pela origem da circundenudação periférica (cuestas, na borda da Bacia do Paraná) e pela formação da depressão periférica paulista, paranaense e sul-matogrossense. Nesse quadro geomorfológico as drenagens reajustaram sua reorganização, fornecendo sedimentos a partir dos rios subsequentes que dissecavam os terrenos, formando as depressões periféricas e, desembocando em rios consequentes. Os vales epigênicos cruzavam os fronts das cuestas até alcançarem o reverso das mesmas, quando então fluíam em direção ao rio Paraná, tanto na margem esquerda, quanto na margem direita.