Capítulo 2 O Estágio Curricular
2.5 Acompanhamento de atividades
2.5.2 No âmbito do Emprego
2.5.2.1 Atendimento
Para entender como se desenrola um dia de atendimento diário ao utente, público, uma das diversas tarefas exercidas pelos técnicos superiores de emprego, tive oportunidade de assistir a um atendimento, levado a cabo pela Dr.ª Maria Alcina Carvalho a quem agradeço pela pronta disponibilidade e todos os esclarecimentos facultados. Pessoalmente, achei esta experiência muito interessante, pois, embora eu já tivesse assistido a algumas como utente, só nesse dia, estando eu pela primeira vez do lado oposto da cadeira, assistindo, me consegui realmente aperceber de que há muito mais para além de um simples atendimento. Atendendo à particularidade de cada pessoa, o mesmo tema pode ser exposto de diversas maneiras, e aqui, a forma sábia de como o utente é ouvido e atendido é realmente muito importante, transformando cada atendimento numa situação única.
Quando o utente entra nas instalações do Centro de Emprego e Formação Profissional, faz o seu primeiro contacto com a rececionista que, depois de entender o tipo de informação solicitada, lhe indica qual o tipo de senha a retirar. Existe um sistema de
chamada para o atendimento, o Sistema de Informação para a Gestão do Atendimento (SIGA), já bastante comum em outras entidades públicas, como por exemplo na Loja do Cidadão. Através deste sistema, o utente, que está a aguardar pela sua vez na sala de espera, vê o seu número ser chamado ao aparecer num painel, sabendo também a que mesa ou balcão se dirigir. A divisão das senhas encaminha o utente para diversos técnicos, o que facilita a rapidez e eficiência do atendimento.
Para além de saber quantas pessoas já atendeu e tem a aguardar para atendimento, isto relativamente à letra das senhas que lhe foram atribuídas, o técnico consegue ainda visionar a totalidade dos restantes atendimentos realizados ou em espera no Centro. A cada chamada ou senha seguinte, o utente é recebido individualmente, em gabinete fechado, para assim ter o máximo de privacidade para expor os seus assuntos. Depois de ouvir o utente, o técnico tem obrigatoriamente de caracterizar e sub-caracterizar o atendimento, dois campos de preenchimento obrigatório, escolhendo para isso, de entre as várias propostas já disponibilizadas no sistema, a que melhor se adequa ao tema do atendimento, selecionando-a de seguida. Para finalizar o processo, o técnico tem de encerrar o atendimento, tendo para isso duas opções: encaminhar o utente, no caso de necessário, ou simplesmente encerrá-lo. Só depois de finalizado o atendimento, o número da senha somar-se-á ao campo dos atendimentos já realizados, permitindo ter acesso à senha seguinte.
Como é facilmente percetível, nesta área do atendimento presencial nunca há dias iguais e são inúmeros os temas que podem ser tratados. Apenas num dia, assisti, de entre outros, a temas como:
Inscrições para emprego – Alguém, disponível, que vinha escrever-se para emprego e assim ter acesso a uma possível proposta de trabalho. Aquando de uma inscrição é muito importante dar o máximo de informação possível sobre o seu
Curriculum Vitae, mais concretamente sobre as suas habilitações, formação
profissional e todo o tipo de outras experiências profissionais que ache oportuno referir. Toda essa informação vai ser inserida num campo específico da sua ficha, no SIGAE, permitindo depois realizar uma seleção através da mesma. Para além disso, o candidato a emprego deve inscrever-se numa profissão ou de preferência em vários tipos de profissões, para assim poder alargar o conjunto de
possibilidades a uma posterior colocação. O nome das mesmas já se encontra pré- definido no sistema, facilitando a busca por parte do técnico e permitindo no futuro uma busca uniforme.
Inscrição para apresentações quinzenais – Quando alguém fica na situação de desempregado e a receber subsídio de desemprego passa também a ter de cumprir algumas obrigatoriedades, sendo uma delas a apresentação quinzenal. Esta pode ser realizada na Junta de Freguesia da área de residência ou, como alternativa, no próprio C-EFGU. Neste caso, um utente vinha realizar a inscrição para iniciar esse procedimento.
Apresentações quinzenais – Utentes a apresentarem-se no C-EFGU para atestarem a sua apresentação quinzenal, como anteriormente explicado.
Requisição de subsídio de desemprego – Neste caso específico, em que alguém tinha acabado de ficar desempregado, foi feita uma inscrição para poder receber o subsídio de desemprego. Trata-se de um requerimento feito em nome do trabalhador junto da Segurança Social, utilizando para isso, como anteriormente referido, a ligação do SIGAE com sistemas externos, neste caso com a Segurança Social e no âmbito das prestações de desemprego. Foi ainda atualizada a inscrição para procura de trabalho, adicionando experiências profissionais diferentes ou apontando outras possíveis profissões que o mesmo gostaria de desempenhar. Aquando destas situações é ainda explicado ao utente os seus deveres, nomeadamente o funcionamento da apresentação quinzenal e da procura ativa de emprego. Esta última consiste em atestar que se mantém à procura de trabalho, devendo apresentar posteriormente os comprovativos dessa mesma busca que poderão ser de entre outras: respostas a solicitações de emprego, candidaturas espontâneas ou assinaturas dos locais de procura, atestando que o mesmo se dirigiu a eles com essa finalidade. Essa busca tem de ser no mínimo de uma por semana.
De seguida, passo a relatar um outro acompanhamento de atividade, uma das mais importantes da área de emprego, o tratamento de uma oferta de trabalho.
2.5.2.2 Tratamento de uma oferta de emprego
Um dos objetivos fundamentais desta instituição prende-se com o “ajustar a Oferta à Procura”, isto é, preencher a (s) vaga (s) de emprego disponibilizada (s) por uma entidade empregadora com os utentes inscritos no Centro de Emprego e Formação Profissional que melhor se adequam ao perfil solicitado. Assim, se no ponto anterior foram focados alguns dos assuntos que evidenciam a procura de emprego, neste vai ser explanada a própria oferta de emprego, tratamento que eu também tive oportunidade de ficar a conhecer melhor com as informações e exposições facultadas pela Dr.ª Alcina Carvalho. A receção da oferta de emprego caracteriza-se pelo momento em que a empresa empregadora transmite ao Centro de Emprego e Formação Profissional a sua oferta, principalmente o número de postos de trabalho pretendidos para uma determinada profissão. Esta oferta pode ser efetuada de entre outras pelo telefone, correio eletrónico ou de forma presencial, sendo a Entidade recebida pessoalmente por um técnico de emprego. Depois de devidamente caracterizada, isto é, de ser recolhida toda a informação relevante sobre a mesma, os dados são registrados no SIGAE que atribuiu automaticamente um número sequencial a essa mesma oferta. De entre outras, são consideradas informações relevantes as funções a desempenhar ou o género de responsabilidades exigidas, ainda as qualificações ou idiomas requeridos, o local do posto de trabalho ou inclusive as condições do próprio contrato de trabalho. Quanto mais pormenorizada for a descrição da oferta, mais fácil será também a busca no SIGAE pelo candidato com o perfil mais adequado à mesma.
Seguindo agora para o ajustamento propriamente dito, a procura do melhor candidato à oferta, como já previamente referido, o mesmo é realizado através da pré-seleção de candidatos no SIGAE. O Centro de Emprego e Formação Profissional não seleciona diretamente o candidato, ele apenas seleciona um determinado número de candidatos (por norma um número médio de três candidatos por oferta), cabendo depois à entidade selecionar o que entender que melhor se adequa ao perfil exigido. É nesta fase, a pesquisa dos melhores candidatos no SIGAE, que é valorizada a informação sobre o Curriculum, experiência profissional ou o tipo de emprego pretendido, mencionada pelo utente aquando da sua inscrição no C-EFGU.
Descrevendo de forma resumida a realização de uma pesquisa, o SIGAE permite efetuar pesquisas avançadas. Imaginando que a oferta consistia numa vaga para um/a secretário/a, com experiência comprovada, para uma empresa da Guarda e habilitações mínimas ao nível do 12º ano de escolaridade, o técnico iria inicialmente realizar a seleção pelo nome que caracteriza essa profissão. Essa seleção, em conjunto com a triagem pelas habilitações mínimas indicadas, faria aparecer todos os nomes dos utentes inscritos no Centro de Emprego e Formação Profissional da Guarda com o 12º ano, que contivessem no texto descritivo informações que indicassem a prática da função acima assinalada. Depois disso, seria novamente analisada a informação que constava associada ao nome do utente e, no caso de se confirmarem todas as qualificações pedidas, os candidatos seriam avisados.
A comunicação aos candidatos escolhidos é realizada através do envio de uma convocatória. Pese embora essa convocatória possa ser realizada por telefone ou postal é habitualmente efetuada através do envio de uma carta na qual deve constar, de forma clara e explícita, o motivo, a morada exata do local e a data e hora da comparência do candidato, pois, dependo da urgência, as apresentações podem ser diretamente realizadas na entidade promotora da oferta. Independentemente do local da realização da convocatória, a instituição, o C-EFGU, deve posteriormente ser informado da comparência ou não do candidato na Entidade e do resultado da mesma através da apresentação do documento comprovativo. Só depois de ser comprovado o preenchimento da vaga se poderá dar como finalizado o processo de ajustamento da oferta à procura com a colocação do candidato. Prossigo agora para o relato do acompanhamento de atividades no âmbito da Formação.