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2.3 DESEMPENHO DOS SPHS NAS EDIFICAÇÕES

2.3.3 Norma de desempenho

Em vigor desde 19 de julho de 2013, a Norma ABNT NBR 15575 aborda o desempenho de edificações habitacionais. Esta norma procura atender às exigências dos usuários. Com isso fixa os níveis de desempenho mínimos para os principais sistemas da edificação como, por exemplo, as vedações, estrutura, instalações hidrossanitárias e elétricas, pisos, fachada e cobertura.

De maneira sintetizada a NBR 15575 exige segurança, habitabilidade e sustentabilidade. Com isso deve-se atender aos requisitos mínimos de desempenho, conforme descritos:

x Segurança:

9 Segurança estrutural; 9 Segurança contra o fogo; e 9 Segurança no uso e na operação. x Habitabilidade:

9 Estanqueidade; 9 Desempenho térmico; 9 Desempenho acústico; 9 Desempenho lumínico;

9 Saúde, higiene e qualidade do ar; 9 Funcionalidade e acessibilidade; e 9 Conforto tátil e antropodinâmico. x Sustentabilidade:

9 Durabilidade; 9 Manutenibilidade; e 9 Impacto ambiental.

A NBR 15575 explora conceitos que muitas vezes não são considerados em normas prescritivas específicas como, a durabilidade dos sistemas, o período entre as manutenções da edificação, o conforto tátil e antropodinâmico dos usuários. Como ilustra o Gráfico 1.

Gráfico 1 - Gráfico do conceito de desempenho requerido

Fonte: PINIWeb, (2013).

Segundo a ABNT NBR 15575-1: 2013, a vida útil (VU) é “uma medida temporal da durabilidade de um edifício ou de suas partes, é o tempo previsto para a duração de determinado produto”. Ou seja, vida útil é o tempo em que um sistema consegue exercer suas funções em bom estado, o período de tempo que o mesmo consegue atender as exigências dos usuários.

Já para a vida útil de projeto (VUP) a Norma ABNT NBR 15575-1: 2013 definem como sendo “o período estimado de tempo para o qual um sistema é projetado para atender os requisitos de desempenho”.

Com base nos critérios estabelecidos pela norma de desempenho, os novos projetos desenvolvidos deveram ser elaborados para que atendam uma durabilidade potencial de vida útil de projeto, edificações mais duráveis, sendo assim o mesmo deve especificar os valores exatos para cada um dos tipos de sistemas que forem incorporados no projeto.

Os valores mínimos de vida útil de projeto dos principais sistemas são apresentados na Tabela 5, considerando uma correta manutenção (ABNT NBR 15575, 2013). A norma também apresenta os tempos mínimos de vida útil para vários sistemas utilizados no projeto e na construção de edificações residenciais.

Tabela 5 - Vida útil de projeto.

Fonte: ABNT NBR 15575-1:2013.

A ABNT NBR 15575:2013 é composta por 6 partes, como exemplifica Marques (2015, p. 4):

Parte 1 – Requisitos Gerais: estabelece os requisitos e critérios de desempenho

do sistema estrutural; segurança contra incêndio; segurança no uso e na operação; estanqueidade; desempenho térmico; desempenho acústico; desempenho luminoso; durabilidade e manutenibilidade; saúde, higiene e qualidade do ar; funcionalidade e acessibilidade; conforto tátil e antropodinamico; e adequação ambiental.

Parte 2 – Requisitos para os sistemas estruturais: estabelece requisitos que

atendem apenas ao sistema estrutural.

Parte 3 – Requisitos para os sistemas de pisos: estabelece requisitos que

atendem apenas ao sistema de pisos, como exemplo, segurança ao fogo.

Parte 4 – Requisitos para os sistemas de vedações verticais internas e externas:

estabelece requisitos que atendem apenas ao sistema de vedações verticais.

Parte 5 – Requisitos para os sistemas de coberturas: estabelece requisitos que

atendem apenas ao sistema de cobertura.

Parte 6 – Requisitos para sistemas hidrossanitários: estabelece requisitos que

atendem apenas ao sistema hidrossanitário.

Esta norma busca através de regras, que devem ser cumpridas nos novos projetos e construções, a mudança do paradigma sobre as construções e resgatar a função da edificação como um habitat seguro, por meio da qual ele possa se defender das hostilidades climáticas do meio em que vive (CBIC, 2013).

2.3.3.1 Norma de desempenho aplicada nos sistemas hidráulicos e sanitários

Em sua parte 6 a Norma de Desempenho NBR 15575:2013 aborda os requisitos referentes aos sistemas hidráulicos e sanitários, determinando-os como “sistemas hidráulicos prediais destinados a suprir os usuários com água potável e de reuso, e a coletar e afastar os esgotos sanitários, bem como coletar e dar destino às águas pluviais”. De acordo com essa norma:

As instalações devem ser incorporadas à construção, de forma a garantir a segurança dos usuários, sem riscos de queimaduras (instalações de água quente), ou outros acidentes. Devem ainda harmonizar-se com a

deformabilidade das estruturas, interações com o solo e características físicoquímicas dos demais materiais de construção. (NBR 15575-6: 2013, p3) A parte 6 da norma também faz algumas considerações em relação à separação dos sistemas de água fria potável e não potável, buscando atender a sustentabilidade do sistema, seguindo as tendências atuais de reuso de água.

De acordo Moreira e Paula a análise dos projetos deverá prever:

que o sistema hidrossanitário e seus componentes consigam atender aos critérios de desempenho e de durabilidade. Para isso as construtoras deverão recorrer a uma serie de ensaios que contemplem as principais questões levantadas pela Norma de Desempenho. Um dos ensaios é o de deformação sob a ação da água. Nele, submete-se um reservatório poliolefínico a uma temperatura de 50ºC durante 48 horas. Com isso, verifica-se se houve deformação do corpo do reservatório, o que pode gerar tensões, rupturas e problemas de encaixe da tampa ao corpo.

Ainda segundo Moreira e Paula serão necessários, também, que no manual do usuário da edificação constem orientações para substituição dos componentes dos sistemas, previsão das manutenções periódicas e a forma como elas serão feitas.

Para manter a durabilidade dos sistemas hidrossanitários a Norma diz que é necessário manter sua capacidade funcional durante seu período de vida útil estipulado de 20 anos (ABNT NBR 15575-6, 2013).

Sobre o período de vida útil Marques (2015) salienta ainda que:

devido à complexidade e a variedade de produtos que compõem o sistema hidrossanitário, sua vida útil também leva em consideração a agressividade do meio ambiente, as características do solo e as características específicas de cada material, pois seus componentes podem apresentar tempo de vida útil menor do que o estabelecido para o sistema em geral.

Portanto, o sistema hidrossanitário de forma geral deve durar 20 anos, porém alguns componentes oferecem uma vida útil menor que o tempo previsto na norma, sendo assim precisam ser substituídos ou precisam de manutenção temporária. Como os componentes que constituem o sistema hidrossanitário apresentam diferenças de tempo de vida útil, o projeto deverá apresentar todas as informações dos prazos de substituição e manutenção exatos de todos os elementos que do sistema.

3 PATOLOGIAS NAS INSTALAÇÕES PREDIAIS

Segundo Oliveira (2013), patologia é a ‘’parte da engenharia que estuda os sintomas, os mecanismos, as causas e origens dos defeitos das construções civis, ou seja, é o estudo das partes que compõem o diagnóstico do problema’’.

A engenharia utiliza o termo patologia para estudar as origens e os mecanismos de ocorrência de falhas e/ou defeitos em construções. Esses defeitos ocorrem por apor ação de agentes atmosféricos, erros de construção ou inadequação dos materiais aplicados.

Os sistemas prediais hidráulicos e sanitários (SPHS) atualmente têm demonstrado ser um dos principais causadores de patologias pós-ocupação nas edificações. Pode-se constatar que a maioria dos problemas encontrados nos SPHS está relacionada a falhas de execução, de projeto e falhas próprias dos materiais.

Um bom sistema predial hidráulico e sanitário de uma residência, prédio ou logradouro público, é aquele que promove o afastamento rápido das águas servidas, não produz odores, ruídos ou contaminação, nem atrapalha o ambiente. Ou seja, é um sistema onde a existência de patologias é quase ou totalmente inexistente.

Conforme Canido (2010 apud Reis Ramos, 2012, p.66) nos edifícios, grande parte das manifestações patológicas verificadas provém dos sistemas de abastecimento de águas ou de drenagem das águas residuais e pluviais.

Segundo uma pesquisa feita em 2014 pelo Departamento de Construção Civil da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) a origem das patologias podem ser ocasionadas por falhas de execução, má qualidade dos materiais empregados, má utilização das edificações pelos usuários ou até mesmo um projeto ineficiente, conforme mostra o Gráfico 2.

Gráfico 2 - Principais causas das patologias nas edificações

Fonte: Catálogo Técnico TIGRE, (2008).

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