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Norma NBR ISO/IEC 14598-1 e NBR ISO/IEC 14598-5

5.1 Processo de avaliação da qualidade de produto de software

5.1.1 Norma NBR ISO/IEC 14598-1 e NBR ISO/IEC 14598-5

A norma NBR ISO/IEC 14598-1 fornece requisitos e recomendações para implementação prática da avaliação de produto de software. O processo de avaliação proposto pode ser usado para avaliar produtos já existentes ou produtos intermediários, isto é, em desenvolvimento. Pode ser utilizada por laboratórios de avaliação, fornecedores de software, compradores de software, usuários e entidades certificadoras, cada qual com seu objetivo.

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Em termos de características de qualidade, pode ser usada a norma NBR ISO/IEC 9126-1, por ser uma norma reconhecida internacionalmente. Entretanto, o processo de mensurar diretamente essas características não é prático; é necessário o desdobramento dessas características em atributos que possam ser medidos e pontuados. Os atributos devem ser os mais objetivos possíveis, para que a avaliação não sofra interferência da opinião do avaliador.

Para que a subjetividade da avaliação seja mínima, é necessário que o processo de avaliação seja repetível, reproduzível, imparcial e objetivo. Essas características são apresentadas na norma NBR ISO/IEC 14598-5, como características fundamentais esperadas do processo de avaliação, e são detalhadas a seguir:

• Repetível – a avaliação repetida de um mesmo produto, com mesma especificação de avaliação, realizada pelo mesmo avaliador, deve produzir resultados que podem ser aceitos como idênticos; • Reproduzível – a avaliação do mesmo produto, com mesma especificação de avaliação, realizada

por um avaliador diferente, deve produzir resultados que podem ser aceitos como idênticos; • Imparcial – a avaliação não deve ser influenciada frente a nenhum resultado particular;

• Objetiva – os resultados da avaliação devem ser factuais, ou seja, não influenciados pelos sentimentos ou opiniões do avaliador.

O processo de avaliação proposto pela norma NBR ISO/IEC 14598-1 inclui quatro etapas de avaliação, contendo dez atividades, como mostra a Figura 5.3.

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Figura 5.3 – Processo de avaliação segundo a norma NBR ISO/IEC 14598-1.

O processo de avaliação proposto pela norma NBR ISO/IEC 14598-5 é semelhante ao da parte 1, incluindo uma etapa a mais para as etapas da avaliação, a saber: análise de requisitos da avaliação, especificação da avaliação, projeto da avaliação, execução da avaliação e conclusão da avaliação, como pode ser visto na Figura 5.4. Nessa figura, são mostradas, adicionalmente, quais as entradas e saídas de cada etapa da avaliação.

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Figura 5.4 – Processo de avaliação segundo a norma NBR ISO/IEC 14598-5.

A seguir, é detalhada cada uma das atividades: a) Estabelecimento dos requisitos da avaliação

Nesta etapa, deve-se descrever os objetivos da avaliação. Vários pontos de vista podem ser considerados, dependendo dos diferentes usuários do produto, tais como comprador, fornecedor, desenvolvedor e operador; devem ser descritos os objetivos e os requisitos da avaliação que dependem da necessidade do solicitante da avaliação, ou seja, do objetivo final da avaliação. Os solicitantes de uma avaliação podem ser:

1) Equipes de desenvolvimento, que usam o resultado da avaliação para identificar ações corretivas e determinar estratégias de evolução;

2) Vendedores, que usam a qualidade como marketing;

3) Compradores, para avaliar os produtos que estão competindo no mercado; 4) Usuários, para obter confiança no produto;

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5) Comunidade de software, para identificar e validar os métodos mais adequados de avaliação e,

assim, aumentar a credibilidade das técnicas;

6) Laboratórios de avaliação, para desenvolver uma abordagem de avaliação mais consistente. A análise de requisitos visa definir os requisitos de qualidade do produto. Deve partir dos objetivos

da avaliação que traduzem diretamente o interesse do requisitante da avaliação. A análise define a profundidade, a abrangência, o relacionamento da presente avaliação com outras, e os objetos a serem avaliados.

b) Especificação da avaliação

Nesta etapa, deve-se definir o escopo da avaliação e as medidas a serem executadas no produto submetido à avaliação, nos seus vários componentes. O nível de detalhes na especificação da avaliação deverá ser tal que, na sua base, a avaliação seja repetível e reprodutível.

c) Projeto da avaliação

Nesta etapa, devem ser documentados os procedimentos a serem usados pelo avaliador, para executar as medidas especificadas na fase anterior. O avaliador deve produzir um Plano de Avaliação, que descreve os recursos necessários para executar a avaliação especificada, assim como a distribuição desses recursos nas várias ações a serem executadas.

d) Execução da avaliação

Nesta etapa, devem ser obtidos resultados da execução de ações para medir e verificar o produto de software, de acordo com os requisitos de avaliação, como descrito na especificação da avaliação e como planejado no plano de avaliação. Ao executar essas ações, tem-se o rascunho do relatório de avaliação e os registros da avaliação.

e) Conclusão da avaliação

Nesta etapa, deve-se revisar o relatório da avaliação e disponibilizar os dados resultantes da mesma para o requisitante da avaliação.

Para uma avaliação profissional, esses dados são sigilosos e exclusivos ao requisitante da avaliação, qualquer publicação deles é de sua inteira responsabilidade.

No processo de avaliação, a identificação do produto a ser avaliado é ainda preliminar. No decorrer das etapas do processo, mais informações são obtidas, o que contribui para uma melhor identificação do produto a ser avaliado. Dúvidas que poderão ocorrer, dependendo da fase em que se encontrar a avaliação:

• Quando se trata de produto final, de acordo com o escopo da avaliação, poderá ser selecionado todo o produto de software, ou eventualmente apenas alguns de seus componentes. A definição

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ocorrerá quando, no mínimo, os requisitos básicos de qualidade estiverem definidos. Será então necessário voltar a esta fase de definição de produtos para a sua complementação.

Um fator que pode ser determinante na seleção dos componentes a serem avaliados é a disponibilidade de métodos de avaliação na organização que irá realizar a avaliação. Por exemplo, suponha-se que um propósito de avaliação seja a escolha entre alguns produtos de mercado e que um dos requisitos de qualidade para essa escolha seja segurança de acesso a dados. Suponha-se, também, que a organização não disponha de métodos de avaliação desse requisito de qualidade. A não disponibilidade poderá determinar que os componentes do produto que tratam especificamente de segurança de acesso sejam desconsiderados para efeito de avaliação, ou que esse requisito, caso seja muito importante, tenha que ser avaliado por outra organização.

• Para o produto intermediário, a definição de qual produto intermediário será avaliado é mais complexa, pois depende, em primeiro, lugar do ciclo de vida de desenvolvimento adotado pela organização e do estágio em que se encontram seus respectivos produtos. Além disso, deve-se considerar que as medidas internas devem ser escolhidas de modo a refletir a futura qualidade externa do produto. Assim sendo, é necessário conhecer os requisitos externos, para então definir que medidas internas são aplicáveis aos produtos intermediários, de modo a obter uma avaliação efetiva.

As primeiras vezes que essas definições de produtos intermediários para avaliação são feitas, não se constituem em um trabalho simples. Porém, em termos práticos, a partir da existência de um histórico de medidas aplicadas na organização, é provável que exista uma referência empírica a ser considerada, tanto para a seleção de medidas como para identificação dos produtos a serem avaliados. E, conforme já mencionado, a escolha inicial tende a ser refinada nas demais fases de avaliação.