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Está em atual discussão, por meio de audiências públicas e período de consulta pública, o texto base de uma Norma Regulamentadora específica para trabalhadores da limpeza urbana, entre eles o coletor de resíduos sólidos, objeto deste trabalho (Portaria SIT n° 609, de 30 de março de 2017), o que demonstra haver uma grande demanda nacional quanto à necessidade de garantir requisitos mínimos para a gestão da saúde, segurança e conforto para este ramo de atividades.

Segundo a Fundacentro, o processo de criação da norma regulamentadora para os trabalhadores de limpeza urbana iniciou-se por meio de um Grupo Trabalho (GT) formado por representantes de governo (Superintendência do Trabalho e Emprego - SRTE, Coordenação-Geral de Aplicação das Normas - CGNOR e da própria Fundacentro), o qual elaborou o texto básico e o está submetendo atualmente à consulta pública para receber sugestões de toda a sociedade. As contribuições, posteriormente serão apreciadas por um Grupo de Trabalho Tripartite (GTT), que será responsável por elaborar a proposta de regulamentação do tema (segundo site da Fundacentro em maio 2017).

Quanto a riscos ambientais, o texto em consulta, traz, por exemplo, que o Programa de Prevenção de Riscos Ambientais – PPRA, além do previsto na NR 09, deverá conter: (i) medidas de controle para exposição a riscos de natureza ergonomia e outros gerados pela organização do trabalho; (ii) medidas de controle para exposição aos riscos de acidentes; (iii) identificação dos riscos biológicos mais prováveis, em função da características das atividades realizadas, considerando fontes de exposição, vias de transmissão e de entrada e transmissibilidade, patogenicidade e virulência do agente; (iv) análise por amostragem de resíduos recolhidos dos locais de coleta, transbordo ou destinação final, por rota e/ou origem, em periodicidade mínima anual, com o objetivo de subsidiar medidas de controle e prevenção a serem adotadas.

Diversos outros itens do texto base recomendam ações e medidas específicas aos coletores de resíduos sólidos, entre elas, podendo-se destacar:

O veículo coletor-compactador de resíduos sólidos deve possuir, no mínimo: (i)a operação de marcha a ré somente poderá ser realizada quando o motorista tiver a visão de todos os coletores, preferencialmente assistida pelos mesmos, sendo proibida a presença de trabalhadores na parte traseira do veículo;(ii) controles do ciclo de compactação, devendo estar localizados em sua lateral, de modo que o operador tenha uma visão clara tanto do ponto

de operação quanto da abertura de carga; (iii) sinalizador rotativo ou intermitente na parte traseira e dianteira, instalado de forma a não ofuscar a visão dos trabalhadores; (iv) câmera acoplada ao sistema de marcha a ré, de forma que seja possível ao motorista do veículo a visualização da sua parte traseira, sem prejuízo de outras medidas de visualização dos trabalhadores; (v) sinal sonoro de ré; (vi) iluminação na área de carregamento.

Especificamente em relação à atividade de coleta de resíduos sólidos, devem ser fornecidos ao trabalhador quanto à equipamentos de proteção individual – EPI e vestimentas de trabalho: (i) calçado de segurança do tipo tênis, apropriado ao deslocamento nas vias de coleta e à distância a ser percorrida diariamente, devendo apresentar, entre outras características, resistência à penetração e absorção de água (resistente à umidade) e resistência à penetração por perfuração (resistente a agentes perfurantes); (ii) luva de segurança com nível de desempenho mínimo de “3” para o ensaio de resistência a corte por lâmina e “3” para o ensaio de resistência à perfuração, conforme informado no Certificado de Aprovação - CA, emitido pelo Ministério do Trabalho.

A redação preliminar da norma também traz as seguintes questões para o coletor de resíduos, sendo o “direito de recusa”, quando os resíduos estiverem acondicionados de forma irregular, ou quando oferecerem risco à sua saúde ou segurança, inclusive em relação ao local de depósito ou quando o peso presumido estiver superior ao definido na Avaliação Ergonômica do Trabalho – AET. O direto de recuso está sendo compreendido na versão preliminar como “o direito no qual o trabalhador pode exercer em não realizar tarefas que, a seu juízo e conforme sua experiência e conhecimento podem ocasionar ameaça à sua integridade física”.

Considerou-se inadequadamente acondicionados os resíduos que possibilitem cortes, perfurações, esforço excessivo, acidentes, vazamentos, derramamentos, espalhamentos e surgimento de animais peçonhentos ou vetores de doenças.

Na redação ficou definido como proibido o deslocamento de trabalhadores, mesmo em pequenos percursos, em estribos, plataformas, para-choques, assim como em carrocerias de caminhões, carretas, apoiados em tratores e/ou em outras situações que podem favorecer acidentes ou adoecimentos. No caso dos pontos de descarga da combustão dos veículos de coleta de resíduos devem estar situados em altura superior a 2,0 (dois) metros, voltados para cima, devendo possuir catalisador e silencioso, sendo objeto de manutenção periódica.

Mesmo que em sua fase de discussões, debates e contribuições ao texto final e não sendo possível neste trabalho acompanhar a publicação da presente norma, sem prazo ainda definido, é possível observar que diversos pontos tratados nessa versão preliminar são

inerentes ao presente trabalho o que demonstra sua relevância frente aos debates que ocorrem no cenário nacional.

Essa questão eleva a necessidade urgente de se considerar uma quantidade enorme de trabalhadores os quais atuam nas atividades de limpeza urbana, entre elas a coleta de resíduos sólidos e, são atividades praticamente inerentes a quaisquer cidades independentes do seu porte.

A maioria dos trabalhadores, independentemente do tipo de contratação seja no formato de servidores públicos ou no formato terceirizado através de empresas especializadas, atuam, no geral, sem requisitos mínimos os garanta quanto à prevenção ou minimização dos diversos riscos à que estão expostos. Por isso a importância e abrangência da efetividade de se regulamentar uma norma neste tema, o qual só viria a contribuir para melhorar a gestão e a fiscalização quanto à essa classe de trabalhadores.