CERTIFICAÇÃO DAS ENTIDADES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL
3. Aspectos Contábeis
3.1 Normas Brasileiras de Contabilidade Aplicada ao 3° Setor (Res CFC 1.409/12)
A Resolução 1.409 do Conselho Federal de Contabilidade de 21 de setembro de 2012 aprova a Interpretação Técnico Geral que trata das peculiaridades inerentes às Entidades sem finalidade de lucro, descrevendo o objetivo, o alcance, o reconhecimento dos atos e fatos administrativos, as demonstrações contábeis, as contas de compensação, a divulgação das demonstrações e traz ainda um apêndice com exemplos de demonstrações contábeis mencionadas nesta Interpretação, cujo objetivo é auxiliar os preparadores para divulgação das informações contábeis e financeiras das entidades sem finalidade de lucros.
A entidade pode alterar e incluir contas para atender às especificidades da entidade, inclusive agregar contas similares para fins de divulgação das demonstrações contábeis, sempre que entender ser necessário. A Resolução traz, ainda, um apêndice que acompanha, mas não faz parte da Interpretação.
50 3.2 Escrituração Contábil
O CFC aprovou, por meio da Resolução CFC n.º 1.330/11, a Interpretação Técnica Geral – ITG 2000 – Escrituração Contábil. A Interpretação estabelece critérios e procedimentos a serem adotados pela entidade para a escrituração contábil de seus fatos patrimoniais, por meio de qualquer processo, bem como a guarda e a manutenção da documentação e de arquivos contábeis e a responsabilidade do profissional da Contabilidade. Além disso, a Interpretação deve ser adotada por todas as entidades, independente da natureza e do porte, na elaboração da escrituração contábil, observadas as exigências da legislação e de outras normas aplicáveis, se houver.
Resumidamente, a Interpretação trata das formalidades da escrituração contábil, livros diário e razão, da escrituração de filial, da documentação contábil, do uso de contas de compensação e da retificação de lançamento contábil.
Quanto às formalidades, a escrituração contábil deve ser realizada com observância aos Princípios de Contabilidade.
A escrituração dos atos e fatos ocorridos nas Entidades sem finalidade de lucro deve respeitar as peculiaridades dessas instituições. Assim, ao elaborar o Plano de contas o contador observará as contas mais adequadas para contemplar as transações de movimentação desse patrimônio, reconhecendo que são diferente das demais, adotando terminologias específicas para as contas de Lucros, Capital e para a denominação da Demonstração de Resultado.
Para as entidades de interesse social com potencial de recebimento de recursos de terceiros deve ser previstas contas para suportar tais operações.
Sugestão de contas:
Recursos de Projeto Ativo Circulante:
Banco conta movimento – Recursos Livres Banco conta movimento – Recursos de terceiros Banco conta movimento – Recursos com restrição
Aplicações Financeiras de liquidez imediata – Recurso livres
Aplicações Financeiras de liquidez imediata – Recurso de terceiros Aplicações Financeiras de liquidez imediata – Recursos com
restrições Passivo Circulante
Recursos de Entidades Pública Nacional
(-) Recursos aplicados de Entidades Pública Nacional Recursos de Entidades Privada Nacional
(-) Recursos aplicados de Entidade Privada Nacional Recursos de Entidade Internacional
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Recursos Pendentes de Convênios e Contratos Pendentes Encerrados Recursos de Entidade Pública Nacional
Recursos de Entidade Privada Nacional Recursos de Entidade Internacional
Patrimônio Líquido 2.3.1 Patrimônio Social 2.3.2 Outras Reservas
2.3.3 Ajuste de Avaliação Patrimonial 2.3.4 Superávit ou Déficit
Receitas e Despesas
Devem ser segregadas por atividades e por custeio e investimento, na Demonstração de Superávit ou Déficit do exercício.
3.2.1 Mensuração e Reconhecimento Contábil das Receitas de Doações. Uma doação pode ser condicional ou incondicional: Incondicional, quando o doador não impõem nenhuma condição a ser cumprida pela entidade; condicional, sujeita a cumprimento de certas obrigações por parte da entidade donatária. A utilização dessa classificação é muito importante para o usuário externo, devendo constar do Plano de contas da entidade. As doações podem ser classificadas, quanto à restrição em: sem restrição, com restrição permanente e temporariamente restrita.
As doações podem ser recebidas para custeio ou investimento. Em quaisquer das formas as doações podem ser in natura ou em espécie. Quando in natura, os bens doados podem ter valor declarado ou não. Se o doador preferir não declarar o valor do bem doado, é necessário que a Entidade estime o valor com base nos preços cobrados pelo mercado. Assim, se a entidade recebe arroz, feijão, óleo comestível e farinha, por exemplo, deve valorar as quantidades recebidas pelo valor que esta desembolsaria se fizesse a aquisição no mercado. O modo natural de obter os preços é pesquisar em supermercado o bem recebido ou gênero semelhante e produzir documento apto para registro, conforme demonstrado no Quadro 1.
Quadro 1: Mensuração de doação de gênero alimentícios recebidos
Produtos recebidos Quantidade Parâmetro Unitário Valor Estimado
Feijão carioquinha 100 Kg 3,50 350,00
Arroz tipo 1 200 Kg 2,40 480,00
Farinha 10 Kg 4,50 45,00
Óleo de soja 20 litros 3,75 75,00
Total das doações 950,00
Considerando que a operação tenha ocorrido em uma data fictícias, por exemplo, em 10 de julho de 2015, os registros contábeis seriam processados, conforme demonstrado no Quadro 2.
Quadro 2: Reconhecimento contábil da despesa e receita
DATA Título da conta Débito Crédito Histórico
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10/07/2015 Receita de doação 950,00 Doação de alimentos
Total das doações 950,00 950,00
A titulação da conta deve obedecer ao elenco de contas previsto para utilização pela Entidade. O Manual de Procedimentos Para o Terceiro Setor 2015, pag.117, disponível no endereço www.cf.org.br, sugere um elenco de contas que poderá ser utilizado, caso o profissional da contabilidade entenda que aquelas contas sejam adequadas para a Entidade.
3.2.2 Trabalho Voluntário utilizado como investimento.
Há circunstâncias em que trabalho voluntário e doações são recebidos com a finalidade de serem agregados ao patrimônio da entidade. Situações comuns desse tipo de ocorrência são construções de abrigos ou acomodações administrativas e de apoio. O trabalho voluntário típico dessa ocorrência é o de servente, pedreiro, mestre de obra e de engenheiro. Nessas circunstâncias, a doação é representada por material de construção, como cimento, ferro, tijolo, areia, brita e outros. A soma desses esforços, material de construção e trabalho voluntário resulta na edificação de unidade imobiliária que é incorporada ao patrimônio da entidade.
Considerando a mesma data fictícia acima, vamos mensurar materiais e serviços doados na construção de um abrigo.
Para tanto o Quadro 3 mostra o valor dos materiais de construção recebidos e o trabalho voluntário profissionais envolvidos nesta construção.
Quadro 3: Mensuração de material de construção e trabalho voluntário na edificação de um abrigo
Produtos recebidos Quantidade Parâmetro unitário Valor estimado
Tijolo de 8 furos 3 mil 200,00 600,00
Ferro de 5/16 600 kg 6,00 3.600,00
Cimento 100 sacos 25,00 2.500,00
Brita 2 caminhões 300,00 600,00
Areia lavada 4 caminhões 250,00 1.000,00
Serviço de pedreiro 100 horas 50,00 5.000,00
Serviço de servente 100 horas 20,00 2.000,00
Serviço de Engenheiro 50 horas 150,00 7.500,00
Soma das transações 22.800,00
O trabalho dos voluntários, o pedreiro, o ajudante e o engenheiro poderá ser mensurado através de parâmetro fornecidos pelos Sindicatos de cada categoria ou pelo valor que o mercado remunera esses profissionais.
Os preços dos materiais de construção poderão ser avaliados através de consulta ao comércio do ramo.
O reconhecimento contábil, nesse caso, deve ser processado na conta de construção em andamento, uma vez não se tratar de bens de consumo imediato, e, sim, de um bem permanente que será utilizado ao longo da existência da instituição. Assim, considerando que a transação tenha ocorrido no dia 10 de julho de 2015, os registros contábeis ficariam conforme demonstrado no quadro 4.
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Quadro 4: Reconhecimento contábil do investimento produzido por doação e trabalho voluntário
3.2.3Trabalho Voluntário utilizado como custeio.
Uma das formas para mensurar o valor do trabalho voluntário é recorrermos a consulta as instituições de profissão regulamentada, ou, com base no valor praticado no mercado.
O quadro 5 mostra exemplo de valoração de trabalho voluntário por categoria profissional.
Quadro 5: Mensuração do trabalho profissional voluntário Serviços voluntários Unidade de
tempo
Parâmetro unitário
Valor estimado
Serviços médicos 10 horas 100,00 1.000,00
Serviços odontológicos 30 horas 100,00 3.000,00
Serviços contábeis 100 horas 100,00 10.000,00
Serviços de limpeza 120 horas 5,00 600,00
Serviços jurídicos 20 horas 100,00 2.000,00
Valor total do trabalho voluntário 16.600,00 A partir da mensuração do valor do trabalho, deve ser procedido o reconhecimento contábil nas rubricas específicas de cada natureza de serviço, utilizando a titulação e a função adequada de cada conta utilizada pela entidade. No caso específico, as contas a serem utilizadas são contas de despesas, pois a natureza dos serviços é de custeio. Considerando que a transação tenha ocorrido no dia 10 de julho de 2015, os registros contábeis seriam processados conforme demonstrado no Quadro 6.
Quadro 6: Reconhecimento contábil de trabalho voluntário aplicado no custeio
DATA Título da conta Débito Crédito Histórico
10/07/2015 Despesas serviços médicos 1.000,00 Serviço Voluntário 10/07/2015 Receita de trabalho voluntário 1.000,00 Serviço Voluntário 10/07/2015 Despesa serviço odontológico 3.000,00 Serviço Voluntário 10/07/2015 Receita de trabalho voluntário 3.000,00 Serviço Voluntário 10/07/2015 Despesa serviços contábeis 10.000,00 Serviço Voluntário 10/07/2015 Receita de trabalho voluntário 10.000,00 Serviço Voluntário 10/07/2015 Despesa serviço de limpeza 600,00 Serviço Voluntário 10/07/2015 Receita de trabalho voluntário 600,00 Serviço Voluntário 10/07/2015 Despesa serviços jurídicos 2.000,00 Serviço Voluntário 10/07/2015 Receita de trabalho voluntário 2.000,00 Serviço Voluntário
Soma das transações 16.600,00 16.600,00
Com este procedimento, a entidade registra, simultaneamente, a aplicação na despesa de custeio e a fonte em receita de trabalho voluntário.
DATA Título da conta Débito Crédito Histórico
10/07/2015 Construção em Andamento 8.300,00 Mat.Construção
10/07/2015 Receita de doação 8.300,00 Mat.Construção
10/07/2015 Construção em Andamento 14.500,00 Trb. Voluntário 10/07/2015 Receita de trabalho Voluntário 14.500,00
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3.2.4 Reconhecimento das imunidades e isenções
As Entidades de gozem dos benefícios da imunidade e da isenções devem reconhecer para cada tributo, a despesa e o passivo tributário, como se devido fosse no mês do fato gerador.
O Quadro 6 mostra como fica esse reconhecimento.
Quadro6: Reconhecimento de tributos oriundos de imunidade e isenção
1 Imposto de Renda Pessoa Jurídica
Debitar Despesa de Imposto de Renda (Conta de Resultado)
Creditar Imposto de Renda - Exigibilidade suspensa ( Conta de Passivo)
2 Contribuição Social Sobre Lucro Líquido
Debitar CSLL (Conta de Resultado)
Creditar CSLL – Exigibilidade Suspensa ( Conta de Passivo)
3 Imposto sobre Produtos Industrializados
Debitar IPI (Conta de Resultado)
Creditar IPI – Exigibilidade Suspensa (Conta de Passivo)
4 Imposto de Importação
Debitar Imposto de Importação ( Conta de Resultado )
Creditar Imposto de Importação – Exigibilidade Suspensa ( Conta de Passivo
5 Contribuição para a Previdência Social
Debitar Previdência Social ( Conta de Resultado )
Creditar Previdência Social – Exigibilidade Suspensa ( Conta de Passivo)
6 ISSQN
Debitar ISSQN ( Conta de Resultado )
Creditar ISSQN – Exigibilidade Suspensa ( Conta de Passivo ) Constatada as condições exigidas para o gozo do benefício tributário, o passivo deve ser baixado contra a conta de resultado.
O Quadro 7 mostra como deve ser esta baixa.
Quadro 7: Baixa do Passivo tributário objeto do Beneficio da imunidade e da isenção.
1 Imposto de Renda Pessoa Jurídica
Debitar Imposto de Renda - Exigibilidade suspensa ( Passivo) Creditar Isenção e Imunidade tributária - IRPJ ( Resultado)
2 Contribuição Social Sobre Lucro Líquido
Debitar CSLL – Exigibilidade Suspensa ( Passivo)
Creditar Isenção e Imunidade Tributária - CSLL ( Resultado)
3 Imposto Sobre Produtos Industrializados
Debitar IPI – Exigibilidade Suspensa ( Passivo )
Creditar Isenções e Imunidades Tributárias IPI ( Resultado)
4 Imposto de Importação
Debitar Imposto de Importação – Exigibilidade Suspensa ( Passivo) Creditar Isenção e Imunidade Tributária - II (Conta de Resultado)
5 Contribuição para Previdência
Debitar Previdência Social – Exigibilidade Suspensa ( Passivo) Creditar Isenção e Imunidade Tributária - Prev. Social ( Resultado)
6 ISSQN
Debitar ISSQN – Exigibilidade Suspensa (Passivo)
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Obs: É importante acompanhar o ato da autoridade tributária homologando o tributo, reconhecendo que a Entidade satisfaz às condições para fruição do tributo respectivo.
3.2.5 Receita de Convênios e Contrapartidas de Convênios
Convênios são representados por instrumentos jurídicos em que as partes se obrigam na execução do objetivo. Quando celebrado com a Administração Pública, o convênio não permite remuneração à Entidade executora. Se exigir contrapartida, por parte da Entidade executora, esta poderá ser financeira ou não. Tendo caráter financeiro o aporte deverá ser na conta do convênio para completar a totalidade dos recursos necessários quantificado no plano de trabalho. Se não for financeira o Instrumento jurídico deverá estabelecer a forma que a contrapartida poderá ser efetuada ( Pessoal, material, serviços de terceiros e outros)
A Entidade deverá manter em sua contabilidade contas específicas com esquemas contábeis distintos para cada convenio que executar.
Os registros dos recursos de Convênios, estão demonstrados no Quadro 8. Quadro 8: Reconhecimento de Recursos de Convênios
1 Entrada de Recursos Financeiros na Contabilidade do Convênio Debitar Banco (Conta de disponibilidade de Convênio)
Creditar Recursos de Convênios ( Passivo)
2 Realização da Despesa na Conta de Convênio Debitar Despesa de Convênio (Resultado)
Creditar Banco ( Disponibilidade de Convênio)
3 Reconhecimento simultâneo da Receita de Convênio