5 LEGISLAÇÕES E NORMATIVAS
5.4 Normas brasileiras
Nos últimos anos, tem-se notado uma preocupação progressiva com as questões de acessibilidade de pessoas idosas e com deficiência física aos espaços,
sejam eles de uso público ou não. Esta mudança de atitude deve-se em parte a uma alteração substancial de mentalidade, já que, a partir da década de 80, com a conscientização levantada pelo Ano Internacional das Pessoas Deficientes, criado pela ONU, a pessoa com deficiência física passou a ser vista mais sob a ótica da sua eficiência e não tanto da deficiência.
Para garantir o direito de livre acesso ao meio físico e de livre locomoção, reconhecido pela Constituição Federal, falta uma visão mais clara de obrigatoriedade, bem como uma ligação entre a Lei e os já existentes parâmetros estabelecidos pelas normas técnicas de acessibilidade da NBR 9050/1994, feita pela ABNT. A norma de acessibilidade estabelece critérios e parâmetros técnicos a serem observados quando do projeto, construção, instalação e adaptação de edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos às condições de acessibilidade.
Aliadas a NBR 9050, tem-se a ABNT NBR 9283:1986 que trata da classificação do mobiliário urbano e a ABNT NBR 9284:1986 que trata da classificação dos equipamentos urbanos.
A criação de normas técnicas para a acessibilidade foi um grande passo para que isso venha de fato a acontecer, porém, a falta de fiscalização, e o desconhecimento por parte de grande parte da população faz com que esta norma ainda não possa ser amplamente utilizada e de maneira correta.
Para regulamentar os critérios básicos para a promoção da acessibilidade das pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida, foi editada a lei n.º 10.098 de 19 de dezembro de 2000, que tratou da eliminação das barreiras arquitetônicas para a inclusão do portador de deficiência.
Assim, trata dos elementos de urbanização, com os mobiliários urbanos, estacionamentos públicos, acessibilidade dos edifícios públicos e os de uso privado, transporte coletivo e da acessibilidade nos sistemas de comunicação.
Além das normas explanadas, existe a NR 17, que consiste em um conjunto de normas que regulamenta a utilização de materiais e mobiliário ergonômico, condições ambientais, jornada de trabalho, pausas, folgas e normas de produção no Brasil. Esta norma foi estabelecida em 23 de novembro de 1990 pelo Ministério do Trabalho e Previdência Social e visa a estabelecer parâmetros que permitam a adaptação das condições de trabalho às características psicofisiológicas dos
trabalhadores, de modo a proporcionar um máximo de conforto, segurança e desempenho eficiente.
ABNT NBR 15320:2005 - Acessibilidade à pessoa com deficiência no transporte rodoviário
Esta Norma tem como objetivo estabelecer os padrões e critérios que visam proporcionar à pessoa com deficiência a acessibilidade ao transporte rodoviário. Para a norma todo terminal deve seguir os parâmetros da NBR 9050:2004, NBR 9077 referente à saída de emergências.
Entretanto ele pontua alguns pontos específicos como: no local de espera do terminal rodoviário, deve-se prever uma área com destinação preferencial à pessoa com deficiência sendo ela no mínimo 15% da área total de espera. Como mostra um exemplo na figura 9 que mostra os espaços e assentos preferenciais destinados às pessoas com deficiência conforme a seção 5 da ABNT NBR 9050:2004.
Ainda de acordo com a NBR 15320:2005 o estacionamento deve conter vaga exclusiva para veículos utilizados por pessoas com deficiência, demarcada e sinalizada, e deve ter acessibilidade no percurso da vaga ao terminal ou ponto de parada. Na área de embarque e desembarque de passageiros, deve haver uma área reservada e sinalizada, para embarque e desembarque de pessoa com deficiência, o mais próximo possível da entrada do terminal. A bilheteria deve ter pelo menos um balcão de atendimento podendo este ser automático, obedecendo às especificações de acessibilidade.
Para o embarque e desembarque da pessoa com deficiência, deve ser utilizado ao menos uma das alternativas: passagem em nível da plataforma de embarque/desembarque do terminal (ou ponto de parada) para o salão de passageiros; dispositivo de acesso instalado no veículo, interligando este com a plataforma; dispositivo de acesso instalado na plataforma de embarque, interligando esta ao veículo; rampa móvel colocada entre o veículo e a plataforma; plataforma elevatória; cadeira de transbordo.
Para as plataformas elevatórias, a NBR 15320:2005 aponta as seguintes características: dimensão mínima de 0,90 m por 1,30 m; barras de proteção acionadas manualmente pelo usuário; desníveis e vãos entre a plataforma e os
pavimentos atendidos devem ser no máximo de 2 cm e 3 cm respectivamente; alarme sonoro e luminoso, indicativo de seu movimento.
Figura 9 - Local reservado para cadeirante – Terminal Rodoviário do Tietê em São Paulo. Fonte: ANTP – Seminário Nacional de Sistemas Inteligentes de Transporte (2008).
Para casos de inoperância a empresa de transporte deve dispor de procedimentos e de pessoal treinado para prestar auxílio de embarque e desembarque com segurança. Em caso de falhas, os equipamentos de embarque e desembarque devem poder ser acionados manualmente.
NBR 15320:2005 estabelece ainda que deve haver pessoal treinado para operação e atendimento às pessoas com deficiência que utilizem seus serviços, com especial atenção às diferenças entre as várias deficiências. O embarque do passageiro com deficiência deve ser preferencial em relação aos demais passageiros e no destino final, seu desembarque deve ser posterior ao dos demais passageiros. Nos terminais devem ser previstas comunicação e sinalização visual, auditiva e tátil e nas plataformas dos terminais rodoviários e nos locais de paradas acessíveis deve ser afixado o Símbolo Internacional de Acesso, associado a outras informações necessárias ao embarque e desembarque da pessoa com deficiência.
Com o estudo das Leis e Normas que regem sobre o transporte público, a acessibilidade e os terminais rodoviários, fica fácil perceber quantos pontos não são cumpridos e quanto é preciso avançar nessa área de conhecimento. Para se ter um transporte público mais preocupado com os fatores humanos, é necessário que
exista mais conscientização e conhecimento da população e dos responsáveis pela elaboração dos projetos do sistema de transporte e dos seus equipamentos, para que seja cumprido, ao menos, o estabelecido por essas diretrizes.