Relembrando, expõe-se a seguir, normas que não têm o caráter de lei, na acepção
mais formalista do termo, mas, similarmente, regulam o procedimento do cidadão,
detalhando aspectos acessórios não contemplados nas regras que originam tais normas.
2.2.1 Decreto n. 70.235/72. Processo Administrativo Fiscal
A importância deste decreto deriva de seu papel regulamentador da fase
administrativa da cobrança contenciosa de dívida ativa tributária, na qual o contribuinte
pode exercer seu direito do devido processo legal – com contraditório e ampla defesa –
em um patamar prévio ao judicial. Constitui-se em uma ferramenta posta ao serviço do
contribuinte, garantindo que ele não será, no caso da CDA, surpreendido com um
protesto ou com uma Execução, sem ter antes esta etapa administrativa cumprida. Caso
seja de seu interesse, ela poderá ser ignorada, indo ele diretamente ao Poder Judiciário.
Entretanto, a via administrativa tem vantagens como, entre outras, a de não exigir
advogado, não ter custas legais por ser gratuito o processo administrativo e ser mais
célere. Inclusive, esta opção poderá fornecer subsídios para o processo judicial, se for
exercida esta segunda alternativa. Os passos gerais do Processo Administrativo Fiscal
são dados no Anexo II.4.
2.2.2 Decreto Lei n. 1.569/77 – Encargos de 10%: CDA paga antes de ajuizamento
O artigo 3º. deste Decreto Lei é de extrema importância neste tema do protesto
pois permite o pagamento antes da propositura da execução fiscal com acréscimo de
10% ao montante da CDA, caso seja paga antes da remessa ao órgão do Executivo
responsável pelo ajuizamento.
Art. 3º. O encargo previsto no art. 1º do Decreto-lei nº 1.025, de 21 de outubro de 1969, calculado sobre montante do débito, inclusive multas, atualizado monetariamente e acrescido dos juros e multa de mora, será reduzida para 10% (dez por cento), caso o débito, inscrito como Dívida Ativada da União, seja pago antes da remessa da respectiva certidão ao competente órgão do Ministério Público, federal ou estadual, para o devido ajuizamento.
O pagamento posterior implicará em alíquota majorativa de 20%. É o que
determina o artigo 1º. do Decreto-Lei n. 1.025/69:
Art. 1º. É declarada extinta a participação de servidores públicos na cobrança da Dívida da União, a que se referem os artigos 21 da Lei nº 4.439, de 27 de outubro de 1964, e 1º, inciso II, da Lei nº 5.421, de 25 de abril de 1968, passando a taxa, no total de 20% (vinte por cento), paga pelo executado, a ser recolhida aos cofres públicos, como renda da União.
Esta, como será repisado alhures, é uma das vantagens do pagamento via
protesto. O artigo 5º também é capital para esta pesquisa, pois diz:
Art. 5º. Sem prejuízo da incidência da atualização monetária e dos juros de mora, bem como da exigência da prova de quitação para com a Fazenda Nacional, o Ministro da Fazenda poderá determinar a não inscrição como Dívida Ativa da União ou a sustação da cobrança judicial dos débitos de comprovada inexequibilidade e de reduzido valor. Parágrafo único - A aplicação do disposto neste artigo suspende a prescrição dos créditos a que se refere.
Veja-se que este ato normativo ministerial suspendia a prescrição de dívidas não
tributárias. Entretanto o STF editou a Súmula 8/2008 dizendo inconstitucional o
parágrafo único acima transcrito e a Lei n. 13.043/14, no artigo 114, inciso VIII,
revogou-o. Como a Portaria n. MF-75/2012 manda que os órgãos que remetem dívidas
inadimplidas à Procuradoria da Fazenda Nacional, para inscrição em dívida ativa,
somente o façam se elas forem de R$ 1.000,00 ou mais, deve-se supor que grande
número destas dívidas de baixo valor entrem no cômputo das “perdas de arrecadação”.
Esta portaria, como se infere, atende ao disposto no Artigo 5º do Decreto-Lei em
comento. Entende-se esta normativa do órgão fazendário levando-se em conta o alto
custo da inscrição em dívida ativa e do necessário acompanhamento burocrático, com os
cuidados que tal ato público, de tamanha importância, merece.
2.2.3 Portaria MF 75/12 - Inscrição em Dívida Ativa. Ajuizamento de Execuções
Fiscais
A inscrição em dívida ativa não é feita para valores menores que R$ 1.000,00.
Aliás, elas nem devem ser remetidas à PGFN, para inscrição, pelo órgão onde a dívida
foi gerada. É o que determina esta portaria, como publica o site
http://www.pgfn.fazenda.gov.br/divida-ativa-da-uniao/cartilha-aos-orgaos-de-
origem/Cartilha%20aos%20Orgaos%20de%20Origem%20-%20Impessoal.pdf,
consultado em 18.09.2014:
A inscrição em Dívida Ativa e seu acompanhamento pela PGFN tem um custo operacional elevado. Por este motivo, o Ministério da Fazenda estabeleceu limites mínimos de valor para que uma dívida seja inscrita em DAU, de forma a evitar prejuízos para a União. A Portaria MF nº 75/2012, em seu art. 1º, I, fixa em R$ 1.000,00 o limite mínimo para a inscrição de um crédito público em DAU. Este valor refere-se à totalidade das dívidas de um mesmo devedor a serem encaminhadas para inscrição em DAU. Caso a dívida apurada pelo Órgão de Origem seja inferior a este limite, ele deverá mantê-la sob a sua administração, observando o devido quanto à atualização e incidência de juros, até que o valor da dívida atinja o referido limite.
2.2.4 Portaria PGFN n. 17/13 - Disciplina o protesto extrajudicial de CDA
Tem por objeto, esta segunda Portaria aqui evocada, disciplinar o protesto
Extrajudicial de CDA das autarquias e fundações públicas federais. Este é mais um
exemplo típico de “legislação tributária”, uma vez que é norma de origem não
legislativa, e sim administrativa. Sua finalidade é apenas estabelecer aspectos
procedimentais do que a lei já prevê. Interessante observar que a PGFN destinará ao
canal de protestos apenas dívidas consolidadas de valor não superior a R$ 50.000,00,
endereçando as de valor superior à forma consuetudinária de cobrança, como prevê o
artigo 1º. desta normativa. Este generoso limite é claro sinal do alto custo da Execução.
Art. 1º As Procuradorias Regionais Federais, Procuradorias Federais nos Estados, Procuradorias Seccionais Federais e Escritórios de Representação poderão encaminhar para protesto Extrajudicial por falta de pagamento, no domicílio do devedor, as certidões de dívida ativa das autarquias e fundações públicas federais cujo valor consolidado seja inferior ou igual a R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais).
Aponte-se que apenas tabelionatos onde não há despesa prévia para o protesto
receberão esta incumbência. Aliás, quaisquer despesas correrão por conta do protestado
(artigos 2º. e 4º.) Caso inexitoso o protesto, seguir-se-á a Execução, quando couber.
Art. 2º O protesto somente será realizado junto aos Tabelionatos de protesto de Títulos nos quais não seja necessário o pagamento antecipado, ou em qualquer outro momento, de despesas pela entidade protestante. [...]
Art. 4° As certidões de dívida ativa permanecerão por 180 dias, contados da intimação do devedor, aguardando o correspondente pagamento.
Parágrafo único. Somente ocorrerá o cancelamento do protesto após o pagamento total da dívida ou o seu parcelamento, incluídas as custas e emolumentos cartorários.
Art. 5º Sendo inexitoso o protesto, as Procuradorias Regionais Federais, [...] promoverão, quando for o caso, o ajuizamento das respectivas execuções fiscais.