Conforme a classificação do resíduo determinada pelas Normas, as empresas geradoras podem identificar o potencial de risco dos resíduos gerados e analisar as melhores alternativas para destinação final, com ou sem a reciclagem.
2.4.1. Normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT
Com base na natureza do resíduo e em resultados de ensaios de lixiviação (NBR 10.005) e solubilização (NBR 10.006) a norma classifica os resíduos quanto ao seu potencial de riscos ao meio ambiente e à saúde pública. Os resíduos são classificados em duas classes: Classe I – Perigosos que por suas propriedades químicas, físicas ou infectocontagiosas apresentam periculosidade e Classe II – Não perigosos, que subdividem em:
a) Classe II A – Inertes: são os resíduos que, quando amostrados segundo a NBR 10.007 e submetidos a um contato estático ou dinâmico, com água destilada ou deionizada em temperatura ambiente e conforme NBR 10.006 não tiverem nenhum de seus constituintes solubilizados a concentrações superiores aos padrões de potabilidade da água, excetuando-se aspecto, cor, turbidez, dureza e sabor;
b) Classe II B - Não Inertes: os resíduos que não se enquadram nas classificações de resíduos Classe I - Perigosos ou da Classe II A - Inertes. Os resíduos Classe II B podem ter propriedades, tais como: biodegradabilidade, combustibilidade ou solubilidade em água.
A amostragem dos resíduos é normatizada pela NBR 10.007, que especifica a coleta, preservação, estocagem e as condições a serem observadas antes e durante a coleta para que a amostra seja representativa. A norma define um plano de amostragem que deve incluir os pontos de amostragem, tipos de amostradores, número de amostras a coletar, seus volumes, número e tipo de frascos de coleta, métodos de preservação e tempo de estocagem.
2.4.2. Normatização da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental do Estado de São Paulo (CETESB)
A Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental do Estado de São Paulo
(CETESB) desenvolveu critérios para a reutilização do RAVF na produção de concreto asfáltico, artefatos de cimento e de concreto, aprovado na Decisão de Diretoria N°152/2007/C/E de 08 de agosto de 2007.
As propostas para a reutilização do RAVF gerado atualmente ou extraído de áreas de aterro inadequadas, serão avaliadas considerando os seguintes critérios:
a) ser classificado como classe II-A ou II-B, de acordo com a norma NBR 10.004/2004;
b) apresentar concentrações de poluentes no extrato lixiviado, obtido conforme a norma NBR 10005/2004, menores ou iguais às concentrações estabelecidas pela CETESB;
c) apresentar concentrações de poluentes no extrato lixiviado neutro; menores ou iguais às concentrações máximas permitidas;
d) apresentar pH na faixa entre 5,0 e 10,0;
Para ser viável a reutilização da areia de fundição na fabricação de artefatos de cimento não deve apresentar toxicidade frente ao teste de toxicidade aguda com a bactéria luminescente Vibrio fischeri. O teste precisa ser realizado de acordo com a norma técnica CETESB L5.227, em dose única máxima de 81,9%, com 5 réplicas com os resultados expressos em porcentagem de inibição (média e desvio padrão) após 15 minutos de exposição. As amostras que apresentam a média da porcentagem de inibição superior a 20%
são consideradas como tóxicas.
2.4.3. Normas SW-846 (Solid Waste)
As normas SW-846 foram criadas pela “United States Enviromental Protection Agency”
(US-EPA) e representam um conjunto com mais de duzentas determinações para avaliação de resíduos sólidos industriais, como: resíduos sólidos urbanos, águas superficiais, salinas e subterrâneas e solos (MARTINS, 2006).
As normas SW-846 podem ser acessadas em manual eletrônico, dividido em dois volumes e treze capítulos. O volume I está direcionado às atividades de laboratório, contendo
métodos analíticos para determinação de espécies minerais, orgânicas, analitos diversos e propriedades, inclusive para caracterizar periculosidade de resíduo. O volume II apresenta as informações sobre amostragem, contendo inclusive os aspectos estatísticos, bem como, sobre o monitoramento de águas subterrâneas, tratamento de solo e processo de incineração.
2.4.4. Ensaio de toxicidade
Toxicidade é a propriedade inerente ao elemento ou substância que provoca lesão ou dano nos organismos. A realização das análises ecotoxicológicas tem como objetivo identificar qual a grandeza das substâncias químicas são nocivas, quando isoladas ou misturadas, para conhecer os condicionantes e locais de seus efeitos (KNIE et al, 2004).
Os testes de toxicidade (bioensaios) para avaliar os efeitos causados às espécies consistem na exposição dos organismos aquáticos, representativos do ambiente, em várias concentrações de uma ou mais substâncias ou fatores ambientais durante um determinado tempo de exposição.
Na Toxicidade Aguda a substância causa dano ou morte em curto espaço de tempo após contato com os organismos acompanhados. O efeito agudo é um estímulo do agente tóxico, suficientemente capaz de induzir uma resposta em organismos vivos, após um curto período de exposição a esse mesmo agente. O estímulo se manifesta em um intervalo de 0 a 96 horas.
Normalmente o efeito é letal, representado por uma interrupção no desenvolvimento do organismo.
Uma avaliação completa exige que os testes sejam realizados com três organismos, sendo estes: produtores primários, consumidores primários e os consumidores secundários.
Por exemplo: as bactérias e algas (produtores primários), microcrustáceos (consumidores primários) e peixes (consumidores secundários).
Conforme RODRIGUES (2005) as normas como CETESB, ABNT, EPA, DIN e ISO possuem determinados métodos padronizados para avaliar a toxicidade.
A União Européia possui o mais avançado conjunto de testes de lixiviação, que visa a proteção ambiental no caso de resíduos industriais em materiais de construção, incluindo misturas asfálticas (LEACHING-NET).
Os testes desenvolvidos avaliam a taxa de lixiviação de espécies químicas, a quantidade total lixiviada em um dado tempo, a influência do pH e do estado de agregação, bem como, o tipo de uso do material de construção.