2.5. QUALIDADE NO ENSINO SUPERIOR
2.5.2 Normas e Referenciais para a Garantia da Qualidade (ESG)
O documento adotado no Comunicado de Bergen (Bologna Process – Bergen, 2005) era constituído por três grupos de normas e referenciais europeus de garantia da qualidade: normas e referenciais europeus para a garantia interna da qualidade das instituições de ensino superior; normas e referenciais europeus para a garantia externa da qualidade; e normas e referenciais para as agências de garantia externa da qualidade (ENQA, 2005).
É ainda referido no documento que estas normas e referenciais são para aplicar aos três graus de ensino previstos no Processo de Bolonha, não se aplicando a áreas como a investigação ou a gestão geral da instituição.
Das três partes referidas, importa analisar o primeiro grupo de normas e referenciais: as normas e referenciais europeus para a garantia interna da qualidade das instituições de ensino superior. A importância desta parte deriva da sua aplicabilidade por parte das instituições de ensino superior. Na elaboração do PROQUAL foram consideradas estas normas e referenciais.
As normas e referenciais para a garantia da qualidade interna estão divididos em sete tópicos (ENQA, 2005:6), existindo, para cada ponto, uma norma e uma diretiva a ser alcançada pelas instituições de ensino superior. Os tópicos indicados são os seguintes:
55 “1.1 Política e procedimentos para a garantia da qualidade;
1.2 Aprovação, monitorização e revisão periódica de cursos e graus; 1.3 Avaliação dos estudantes;
1.4 Garantia da qualidade do pessoal docente; 1.5 Recursos de aprendizagem e apoio ao estudante; 1.6 Sistemas de Informação;
1.7 Informação pública.”
Segundo estas normas e referenciais europeus para a garantia da qualidade, as instituições de ensino superior devem desenvolver uma cultura da qualidade, que deverá ter um estatuto formal e ser pública. As instituições devem desenvolver os seus sistemas de garantia da qualidade. Ao nível do primeiro ponto, política e procedimentos de garantia da qualidade, é referido que deverá existir (ENQA, 2005:15):
“Relação entre o ensino e a investigação da instituição; Uma estratégia para a qualidade e normas;
Organização de um sistema de garantia da qualidade;
Definição das responsabilidades dos departamentos, escolas, faculdades e outras unidades e individuais;
Envolvimento dos estudantes na garantia da qualidade;
Mecanismos de implementação, monitorização e revisão da política de qualidade.”
Ao nível do ponto 1.2, aprovação, monitorização e revisão periódica dos cursos e graus, o documento refere que deverão ser incluídos (ENQA, 2005:16):
“Desenvolvimento e publicação dos resultados esperados do ensino; Atenção na elaboração do currículo e desenho dos programas e conteúdos;
Considerar as necessidades específicas de diferentes tipos de ensino (tempo inteiro, tempo parcial; ensino à distância, e-learning);
Tipos de ensino superior (académico, vocacional, profissional); Avaliação da adequação dos recursos de ensino;
56 Procedimentos de aprovação do curso por outros docentes, que não os docentes que ensinam; Monitorização dos progressos e resultados dos alunos;
Obter feedback dos empregadores, e dos representantes do mercado de trabalho e outras organizações relevantes;
Participação dos estudantes nas atividades de garantia da qualidade.”
Ao nível da avaliação dos estudantes, as normas e referenciais europeus pedem que se considere (ENQA, 2005:17):
“Criação de instrumentos para medir os resultados do ensino e os resultados do curso; Apropriação da avaliação ao seu propósito, se é de diagnóstico, formativa ou sumativa; Existência de critérios claros e públicos de avaliação;
Ser realizada por quem entenda o papel da avaliação na progressão dos estudantes; Os conhecimentos requeridos devem estar ligados à qualificação que se pretende; Sempre que possível, não ter um único avaliador;
Considerar todas as possíveis consequências nos regulamentos de avaliação;
Ter regulamentos claros para os alunos sobre o absentismo, casos de doença e outras circunstâncias; Garantir que a avaliação é realizada com segurança e de acordo com os procedimentos da instituição; Realização de verificações administrativas para confirmar o respeito pelos procedimentos.”
Para o ponto 1.4 (ENQA, 2005:17), garantia da qualidade do pessoal docente, é referido que os docentes são o recurso de ensino mais valioso, pelo que se deve garantir que possuem as capacidades e experiência para transmitir os conhecimentos aos alunos. Os docentes deverão ser encorajados a melhorar as suas capacidades e, aos docentes que estiveram abaixo das capacidades aceitáveis, deverão ser dadas oportunidades de melhoria. Contudo, deverá ser possível retirar do ensino os que, mesmo assim, demonstrem não ter capacidade para desempenhar as funções.
O ponto 1.5 (ENQA, 2005:18) refere a necessidade de existir um conjunto de equipamentos, como sejam bibliotecas, computadores e outros serviços de apoio, que auxiliem os estudantes. É ainda mencionado que as instituições devem implementar rotinas de monitorização da adequação destes serviços às necessidades.
57 No ponto 1.6, sistemas de informação, é referida a necessidade de a instituição se conhecer a ela própria. Para isso deverá possuir um sistema de recolha e tratamento e análise de dados. De entre a informação que deverá ser considerada, o documento refere (ENQA, 2005:18):
“Progressão dos estudantes e taxas de sucesso escolar; Empregabilidade dos diplomados;
Satisfação dos estudantes com o curso; Eficácia dos docentes;
Perfil da população estudantil;
Recursos de ensino disponíveis e seus custos; Indicadores chave de performance da instituição.”
Por último, na informação pública (ENQA, 2005), é referida a necessidade de a instituição de ensino superior disponibilizar informação clara e objetiva sobre a sua oferta formativa. Esta informação deverá conter dados sobre os cursos, métodos de avaliação, emprego, perfil dos estudantes, testemunhos de antigos estudantes, mas disponibilizados numa lógica de informar e não como uma oportunidade de promoção institucional.
Como se pode verificar pela análise dos vários pontos analisados anteriormente, as normas e referenciais europeus para a garantia da qualidade são um documento com indicações muito precisas sobre o caminho que as instituições de ensino superior deverão percorrer. No final é referido que o objetivo deste documento passa por aumentar a transparência, segurança e informação sobre o ensino superior, para os estudantes e para a sociedade no geral (ENQA, 2005).