Art. 96 (BRASIL, 2012B). “A expressão "legislação tributária" compreende as leis, os
tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares
que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles
pertinentes”. Nesse capítulo será evidenciado o conceito da lei complementar,
decretos, convênios e protocolos.
3.2.1 Lei complementar
As leis complementares são utilizadas para complementar assuntos
previstos na Constituição Federal. Assim, destaca Meira Junior (2001, p. 98), “são
leis complementares da Constituição todas aquelas que completam, integram as
normas constitucionais, tornando-se plenamente eficazes, ou desenvolvendo os
princípios nela contidos”.
Sobre o surgimento das leis complementares, a ideia é reforçada por
Amaro (2006, p. 167), “foram introduzidas no direito constitucional brasileiro pela
Constituição de 1967, com a missão (que lhes deu o nome) de “complementar” a
disciplina constitucional de certas matérias, indicadas pela Constituição”.
Sobre a competência da Lei Complementar no âmbito tributário, em geral
destaca-se o art. 146 da CF (BRASIL, 2012A), “a Lei complementar poderá
estabelecer critérios especiais de tributação, com o objetivo de prevenir
desequilíbrios da concorrência, sem prejuízo da competência de a União, por lei,
estabelecer normas de igual objetivo”.
No art. 155, § 2º, inciso XII, da CF (BRASIL, 2012A), consta a previsão de
edição da lei complementar para regular o ICMS de forma geral e, desta forma,
complementar as disposições previstas na Constituição Federal:
Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre: II - operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior;
§ 2.º O imposto previsto no inciso II atenderá ao seguinte:
XII - cabe à lei complementar: a) definir seus contribuintes;
b) dispor sobre substituição tributária;
c) disciplinar o regime de compensação do imposto;
d) fixar, para efeito de sua cobrança e definição do estabelecimento responsável, o local das operações relativas à circulação de mercadorias e das prestações de serviços;
e) excluir da incidência do imposto, nas exportações para o exterior, serviços e outros produtos além dos mencionados no inciso X, "a"
f) prever casos de manutenção de crédito, relativamente à remessa para outro Estado e exportação para o exterior, de serviços e de mercadorias;
g) regular a forma como, mediante deliberação dos Estados e do Distrito Federal, isenções, incentivos e benefícios fiscais serão concedidos e revogados.
h) definir os combustíveis e lubrificantes sobre os quais o imposto incidirá uma única vez, qualquer que seja a sua finalidade, hipótese em que não se aplicará o disposto no inciso X, b;
i) fixar a base de cálculo, de modo que o montante do imposto a integre, também na importação do exterior de bem, mercadoria ou serviço. (grifamos)
A Lei Complementar nº 87, de 13 de setembro de 1996 (BRASIL, 2012D),
conhecida como Lei Kandir, foi criada para regular o ICMS nos Estados e no Distrito
Federal. Assim segue seu art. 1º:
Art. 1º Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir o imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior.
Desta forma, a lei complementar poderá ser federal, quando for
sancionada pela União, ou Estadual, pelo Governador.
3.2.2 Decretos
Os decretos possuem como função regulamentar as leis. Porém ele não
poderá alterá-las, pois uma lei só deve ser alterada por outra do mesmo nível ou que
seja superior a ela conforme a hierarquia.
De acordo com o art. 99 da CTN (BRASIL, 2012A), “conteúdo e o alcance
dos decretos restringem-se aos das leis em função das quais sejam expedidos,
determinados com observância das regras de interpretação estabelecidas nesta Lei”.
Cada Estado pode criar particularmente seu decreto, que terá validade
somente no âmbito estadual, ou seja, não pode impor regras para outros Estados.
3.2.3 Convênios
Os convênios são acordos entre os Estados e, segundo Gorges (2008, p.
299) “são editados pelo CONFAZ - Conselho Nacional de Política Fazendária”.
Conforme o CTN art. 100, inciso IV (BRASIL, 2012B), “os convênios que entre si
celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios” e de acordo com
art. 103, inciso III, “salvo disposição em contrário, entram em vigor: III - os convênios
a que se refere o inciso IV do artigo 100, na data neles prevista”.
Meira Junior (2001, p. 104), destaca que “[...] a eficácia dos convênios
que outorgam isenções e (ou) benefícios fiscais depende de ratificação pelas
respectivas Assembléias Legislativas dos Estados, o que se dá por via do decreto
legislativo[...]”
Os entes federativos se reúnem e acordam entre si métodos que deverão
ser utilizados por todos, como destaca Amaro (2006, p. 190), “há convênios que são
meros acordos entre as diferentes pessoas políticas com vista à fiscalização ou
arrecadação de tributos, à troca de informações de interesse fiscal etc.,”.
Pode-se citar como exemplo de convênio, o de nº 110/07, cujos produtos
combustíveis e lubrificantes, derivados ou não de petróleo, passaram a ter o ICMS
por substituição tributária. Por ser convênio, essa regra será válida para todos os
Estados do território brasileiro.
3.2.4 Protocolos
Os protocolos diferenciam dos convênios, pois o acordo será firmado por
alguns entes federativos, conforme Meira Junior (2001, p. 105), “[...] normalmente
assinados entre os Estados interessados, que, portanto, não possuem efeito erga
omnes, mas apenas àqueles que o assinarem [...]” erga omne, significa na esfera
jurídica, que atingem todos os indivíduos que assinaram o acordo.
Desta forma, para ocorrer um protocolo, é preciso que algumas partes
estejam interessadas em uma mesma situação. Meira Junior (2001, p. 105), leciona
que:
[...] tudo que se diga em relação aos convênios pode ser aplicados aos protocolos, uma vez que estes são convênios que agregam apenas as partes interessadas, diferentemente dos convênios tradicionais que possuem a confirmação de todos os Estados e do Distrito Federal