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Mapa 8 – Unidades de paisagem na AC8

3. CARACTERIZAÇÃO DA ÁREA DE ESTUDO

3.3. Normas que regem os usos do solo na Área de Conservação Natural AC

As áreas protegidas podem ser de domínio público ou privado. As de domínio público, portanto, cabem ao Poder Público legislar. A Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981 que cria a Política Nacional do Meio Ambiente - PNMA, em seu artigo 9º, fala sobre os instrumentos da PNMA, na qual dispõe ao Poder Público Federal, Estadual ou Municipal a criação de Espaços Territoriais Especialmente Protegidos.

Assim, a Lei de Uso e Ocupação do Solo do município de Santa Maria/RS, em seu anexo 12, prevê a instituição de três áreas de preservação permanente e nove de conservação natural no 1º distrito – sede do município e áreas adjacentes. Sendo que uma das nove áreas de conservação natural estabelecidas é a Área Especial de Conservação Natural do Aquífero Arenito Basal Santa Maria ou Área de Conservação Natural AC8, correspondente à área de recarga de aquífero (MACIEL FILHO, 1990).

As áreas de conservação natural são comuns ao fato de serem locais onde o uso para o desenvolvimento de atividades humanas é permitido, de modo que conciliem a conservação da natureza com o uso sustentável dos recursos naturais. Em virtude das características do recurso natural que tem como função proteger, pode ser utilizada para realização das mais variadas atividades, desde que estas não sejam de natureza poluidora, pois conservam através do uso sustentável.

Na Área de Conservação Natural AC8 de Santa Maria, devem ser seguidas as normas sobre uso do solo estabelecidas no Plano Estadual de Recursos Hídricos e no Plano de Bacia no qual esta zona de recarga está localizada (BRASIL, 2008), neste caso é o Plano de Bacia dos rios Vacacaí - Vacacaí Mirim13. Mas, além destas normas, deve ser seguido o que contempla a Lei de Uso e Ocupação do Solo de Santa Maria, pois foi o poder público municipal que instituiu esta área de proteção.

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Neste contexto, a Lei de Uso e Ocupação do Solo, classifica Áreas Especiais de Conservação Natural, particulares ou públicas, como:

Aquelas onde podem conviver Homem e Ecossistemas, sem grandes impactos ou traumas ambientais, destinadas ao turismo ecológico, atividades culturais, educacionais, recreativas, de lazer e loteamentos, desde que respeitem os recursos naturais (Lei nº 072, 2009, art. 10).

Identifica-se assim, que o município ao criar suas áreas de conservação institui também quais as restrições de uso do solo impostas a elas. Assim, a Área encontra-se sujeita ao que estabelece o artigo 10º da LUOS. Além disso, a mesma lei, em seu artigo 5º, define como uso do solo as atividades localizadas em determinado espaço físico, que se subdividem em uso permitido, uso tolerado e uso proibido. De modo que o uso permitido é o uso do solo que está de acordo com a destinação prevista na lei e observados os indicadores urbanísticos. Portanto, quando se refere aos loteamentos deve-se também seguir o que estabelece a LUOS do município.

Estas áreas de proteção, se possuírem usos do solo potencialmente poluidores, como a disposição de efluentes provindos de atividades industriais, depósitos de lixo, aterros controlados, ausência de rede coletora de esgoto, oficinas mecânicas, postos de combustíveis, e uso de agroquímicos em áreas rurais, possivelmente estarão comprometendo a qualidade da recarga efetuada. Além disso, não estariam de acordo com as atividades consideradas permitidas sobre uma área de uso sustentável, principalmente ao que se refere a exploração do ambiente, de maneira a garantir a perenidade dos recursos ambientais renováveis.

Na mesma situação, estariam incompatíveis com o que descreve a Lei Municipal de Uso e Ocupação do Solo sobre Áreas de Conservação Natural. Pois, para o município, estas áreas podem ser utilizadas pelo homem desde que respeitem os recursos naturais.

Esta área de conservação natural tem como principal função a proteção da recarga de água para o manancial subterrâneo, logo, a utilização do solo de modo que se tenha a possibilidade de causar a poluição da água subterrânea não favorece a recarga do manancial com qualidade. Os usos do solo nesta área devem

contemplar o que dispõe a LUOS de Santa Maria e também as normas que regulamentam as águas em nível de Brasil e Rio Grande do Sul, sendo que este último proíbe a instalação de atividades poluidoras em áreas de recarga no Estado (ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL, 2002).

Com o cumprimento das normas que dispõem sobre a proteção dos recursos hídricos subterrâneos, e também a realização de fiscalização por parte do órgão ambiental municipal para que atividades poluidoras da água não sejam instaladas sem licença ambiental, a recarga de água será efetivada seguindo o ciclo normal de infiltração da água sem poluição. Assim como a manutenção do solo com cobertura vegetal, na maior parte da área, irá propiciar a infiltração da água e possibilitar a recarga do manancial subterrâneo, contribuindo portanto, para que o abastecimento de água, realizado através de poços artesianos ou rasos no município seja mantido.

Com o manancial sendo “realimentado” continuamente e sem poluição, a população de Santa Maria, que demanda do recurso hídrico subterrâneo, poderá continuar utilizando esta água para as várias finalidades às quais o recurso hídrico é necessário. Logo, a proteção quanto aos usos do solo potencialmente poluidores que possam ser instalados nesta área de recarga, que já é normatizada como Área de Conservação Natural do município de Santa Maria é a melhor maneira de manter a qualidade da recarga de água.