Revis˜ ao da Literatura
2.5 Regulamentos e Diretrizes
2.5.3 NORSOK STANDARD D-010
Segundo a NORSOK STANDARD-D010 (2012), as barreiras de seguran¸ca s˜ao um envelope de um ou mais elementos de barreira dependentes que previnem o influxo n˜ao intencional de fluidos ou gases de uma forma¸c˜ao, para outra forma¸c˜ao ou para a superf´ıcie. Nas situa¸c˜oes onde exista um diferencial de press˜ao que possa causar um fluxo cruzado descontrolado entre forma¸c˜oes perme´aveis, durante todas as atividades e opera¸c˜oes no po¸co devem haver barreiras de seguran¸ca instaladas. Na figura 2.10 ´e apresentado um exemplo de barreiras de seguran¸ca.
Figura 2.10: Exemplo de barreiras de seguran¸ca em abandono de po¸co (NORSOK STANDARD-D010, 2012).
As barreiras de seguran¸ca prim´aria e secund´aria devem ser independentes umas das outras sem elementos de barreira compartilhados, sempre que poss´ıvel. Na tabela 2.4 se encontram os tipos e fun¸c˜oes de uma barreira de seguran¸ca.
Tabela 2.4: Tipos de barreira de seguran¸ca NORSOK STANDARD-D010 (2012).
Nome Fun¸c˜ao
Barreira Prim´aria de po¸co Primeira barreira de seguran¸ca contra o fluxo dos fluidos da forma¸c˜ao para superf´ıcie ou contra o ´ultimo trecho de po¸co aberto. Barreira Secund´aria de po¸co Barreira adicional em rela¸c˜ao `a barreira
prim´aria.
Barreira para fluxo cruzado Prevenir fluxo entre as forma¸c˜oes. Tamb´em podem servir de barreira de seguran¸ca prim´aria para o reservar´orio abaixo.
Tamp˜ao de isolamento do meio ambiente Para isolar toda a se¸c˜ao do po¸co. Para pre-venir a migra¸c˜ao de fluidos do po¸co para o meio ambiente
Para o abandono permanente de po¸cos, com fontes potenciais de influxo ou com reservat´orio exposto contendo hidrocarbonetos, devem ser instaladas pelo menos duas barreiras de seguran¸ca. Para forma¸c˜oes com press˜oes normais ou po¸cos de-pletados devem ser instaladas pelo menos uma barreira de seguran¸ca (NORSOK STANDARD-D010, 2012).
As fun¸c˜oes da barreira de seguran¸ca e de um tamp˜ao podem ser combinadas exceto nos casos em que a barreira secund´aria n˜ao pode ser a barreira prim´aria do po¸co para o mesmo reservat´orio.
Ainda segundo a NORSOK STANDARD-D010 (2012), as barreiras de seguran¸ca permanentes devem estender-se em todas as se¸c˜oes transversais do po¸co, incluindo todos anulares e selando tanto verticalmente como horizontalmente (ver a figura 2.11).
Figura 2.11: Dire¸c˜oes de fluxo que devem ser evitados por um elemento de barreira de seguran¸ca (NORSOK STANDARD-D010, 2012).
Assim, um elemento de barreira colocado dentro de um revestimento, como parte de uma barreira permanente, deve estar localizado em uma profundidade onde h´a um elemento de barreira com qualidade verificada em todos anulares. A tubula¸c˜ao de a¸co n˜ao ´e um elemento de barreira permanente aceit´avel a menos que seja supor-tado pela pasta ciment´ıcia ou um material tamponante com propriedades funcionais adequadas. Os elastˆomeros utilizados como componentes selantes em elementos de barreira n˜ao s˜ao aceitos como barreiras de seguran¸ca permanentes.
Segundo a (NORSOK Standard D-010, 2012), o material tamponante utilizado como elemento de barreira devem suportar os carregamentos e condi¸c˜oes do ambiente que possam ser expostos durante o per´ıodo de tempo que o po¸co estiver abando-nado. Desta forma, devem ser realizados testes de longo prazo para documentar a integridade dos materiais tamponantes utilizados e estes devem possuir as seguintes caracter´ısticas.
Possuir baixa permeabilidade; N˜ao sofrer retra¸c˜ao;
Possuir ductilidade;
Ser resistente `as diferentes substˆancias qu´ımicas (H2S, CO2 e hidrocarbone-tos).
2.5.4 Oil&Gas - Guidelines for the Suspension and
Aban-donment of Wells
Os projetos de abandono de po¸cos do Mar do Norte s˜ao desenvolvidos com base nas diretrizes de abandono de po¸co do Reino Unido, Guidelines for the Suspension and
Abandonment of Wells (OIL & GAS UK, 2012). O objetivo do documento ´e auxiliar as operadoras com o projeto de abandono de po¸cos. Entretanto, os operadores devem definir as pr´oprias regras de como devem ser realizadas a opera¸c˜ao e o monitoramento dos po¸cos a serem abandonados. O Reino Unido possui uma das legisla¸c˜oes mais r´ıgidas para as opera¸c˜oes de explora¸c˜ao e produ¸c˜ao de petr´oleo. Est´a definido na lei que os propriet´arios e/ou os operadores s˜ao respons´aveis pelos custos das opera¸c˜oes de abandono permanente dos po¸cos de petr´oleo/g´as e pela corre¸c˜ao das futuras falhas como por exemplo, vazamento de fluidos para o meio ambiente.
Segundo (AGUILAR et al., 2016), para se garantir a integridade do po¸co devem ser aplicadas solu¸c˜oes t´ecnicas, operacionais e organizacionais com o prop´osito de re-duzir o risco de migra¸c˜ao descontrolada de fluidos da forma¸c˜ao para outra forma¸c˜ao, para a superf´ıcie ou para o ambiente, durante todo o ciclo de vida do po¸co a um n´ıvel ALARP (as low as reasonable practicable). Para satisfazer os requisitos rigo-rosos dessas diretrizes, muitas vezes os operadores devem cortar e retirar se¸c˜oes de revestimento para se construir um tamp˜ao de pasta de cimento cont´ınuo por toda a extens˜ao da se¸c˜ao do po¸co onde est´a se realizando o isolamento hidr´aulico. Al´em disso, devem garantir a integridade dos po¸cos a longo prazo. Com isso, a OIL & GAS UK (2012) definiu o conceito de ”restaura¸c˜ao da rocha capeador”para as opera¸c˜oes de abandono de po¸co conforme a ilustra¸c˜ao esquem´atica da figura 2.12.
Figura 2.12: Envelope de barreiras de seguran¸ca para opera¸c˜ao de abandono per-manente (OIL & GAS UK, 2012)
Na figura 2.13 s˜ao mostrados os esquemas de um po¸co antes do abandono e ap´os abandono permanente. Verifica-se que em algumas opera¸c˜oes de abandono ´e necess´ario que sejam instaladas barreiras no anular entre o revestimento e a rocha
capeadora, al´em das barreiras no interior do revestimento (figura 2.13).
Figura 2.13: Esquema simplificado do abandono de um po¸co (OIL & GAS UK, 2012).
Portanto, o objetivo principal destas diretrizes ´e garantir a integridade do po¸co atrav´es de instala¸c˜ao de barreiras de seguran¸ca a fim de restaurar no po¸co a ser abandonado `as condi¸c˜oes iniciais de uma rocha capeadora.
As principais recomenda¸c˜oes das diretrizes para a opera¸c˜ao de abandono de po¸cos s˜ao:
A barreira permanente deve estender-se lateralmente atrav´es de todo po¸co; Devem ser instaladas barreiras entre intervalos perme´aveis e a superf´ıcie,
sendo:
– Uma barreira no intervalo portador de ´agua e normalmente pressurizado; – Duas barreiras no intervalo portador de ´agua e anormalmente
pressuri-zado;
– Duas barreiras nos intervalos portadores de hidrocarbonetos;
– A segunda barreira de um intervalo pode ser a primeira barreira de outro. Devem ser instaladas barreiras entre intervalos perme´aveis;