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NOTÍCIA E REPORTAGEM: CONCEITOS E CARACTERÍSTICAS

A base do trabalho do jornalista é a notícia. De acordo com a autora Olga Curado, na obra A Notícia na TV – O dia-a-dia de quem faz Telejornalismo (2002, p. 15), “a notícia é a informação que tem relevância para o público. A importância de um fato é avaliada pelo jornalista, que julga se o fato é notícia e deve ser divulgado” e, neste contexto, o trabalho do jornalista na produção de conteúdo é a base para todo o desenrolar do processo.

Sobre a notícia e sua recepção por parte do público, Curado (2002) explica que é a informação a serviço do todo. Segundo a autora,

a notícia revela como determinados fatos se passaram, identifica personagens, localiza geograficamente onde ocorreram ou ainda estão acontecendo, descreve as suas circunstâncias, e os situa, num contexto histórico para dar-lhes perspectiva e noção da sua amplitude e dos seus significados (CURADO, 2002, p. 16).

Nelson Traquina, no livro Teorias do Jornalismo: A Tribo Jornalística – uma comunidade interpretativa transnacional (2005), esclarece que para um fato ser considerado notícia deve obedecer os critérios de noticiabilidade. De acordo com Traquina (2005, p. 63), noticiabilidade é definido como “um conjunto de critérios e operações que fornecem a aptidão para merecer um tratamento jornalístico; isto é, possuir valor como notícia”. Desta maneira, os critérios de noticiabilidade são os critérios determinantes para considerar notícia um acontecimento ou assunto.

De acordo com o autor, morte, notoriedade, proximidade, relevância, novidade, tempo, notabilidade, inesperado, conflito ou controvérsia e infração são os aspectos principais que devem ser levados em conta para a definição do que é notícia ou não. Porém, Traquina (2005) destaca que esses critérios podem mudar de acordo com a linha editorial de uma empresa.

O pesquisador esclarece que, pelo menos uma vez na vida, o sujeito será notícia. Os critérios de noticiabilidade elencados por Traquina (2005) explicam esta situação. O autor define que a morte, por exemplo, é um valor-notícia fundamental, em razão do negativismo no mundo jornalístico. A notoriedade é outro valor-notícia importante na comunidade jornalística, porque expõe que o nome e cargo da pessoa mostram a relevância do fato, por exemplo, uma notícia sobre o Presidente da República é mais importante do que uma notícia sobre uma pessoa comum.

A proximidade é outro valor-notícia importante, principalmente em termos geográficos, mas também culturais. A relevância é outro critério destacado por Traquina (2005), pois corresponde às notícias que impactam diretamente na vida das pessoas. Outro conceito é a novidade, porque, segundo o autor, o mundo jornalístico valoriza muito a primeira vez em que um fato ocorre. O fator tempo tem três definições do autor, a primeira é que ele determina a atualidade da notícia, a segunda envolve as retrospectivas, quando uma notícia antiga é trazida à tona de novo depois de certo tempo e a terceira envolve a dilatação do fato, dependendo de sua importância, ele pode permanecer como assunto de valor-notícia por um longo período.

A notabilidade, segundo Traquina (2005), alerta que o jornalismo está mais ligado a coberturas imediatistas, e não problematizações. Para ele, o ritmo de trabalho do jornalista valoriza mais os acontecimentos e não a problemática. O critério inesperado é algo que rompe a expectativa dos jornalistas, que ele exemplifica com desastres naturais ou ataques terroristas, e por isso se tornam algo relevante. Outro valor-notícia importante, de acordo com o autor, é o conflito ou a controvérsia, porque apresenta a violência física ou simbólica e estes fatos fornecem mais noticiabilidade. A violência também está ligada ao valor-notícia infração e neste critério Traquina (2005) se refere, além da violência, à transgressão de regras.

Após a definição do que é ou não notícia, parte-se para a produção da reportagem. Segundo Heródoto Barbeiro e Paulo Rodolfo de Lima, na obra Manual de Telejornalismo: os segredos da notícia na TV (2002), a reportagem é fonte de matérias exclusivas. Curado (2002, p. 95) complementa a ideia quando afirma que a reportagem é “uma maneira de contar uma história que pede vários recursos técnicos”. A autora explica que a reportagem possui início, meio e fim, mas que não são, necessariamente, apresentados nesta ordem, uma vez que o estilo do repórter ajuda a moldá-la.

Há reportagens longas que são divididas em vários segmentos e que geralmente são mostradas em programas jornalísticos com uma certa vocação envergonhada para o entretenimento. Essas reportagens são construídas a partir de um tripé: tensão, plasticidade e atualidade. A tensão tem como objetivo manter o espectador “ligado”, como no folhetim; a

plasticidade envolve a audiência – não é preciso que sejam cenas bonitas,

mas que sejam cuidadas [...]. Atualidade não quer dizer que a reportagem esteja sempre enfocando acontecimento recente, mas sim que se trata de algo até aquele momento inédito para o público do programa (CURADO, 2002, p. 96).

Curado (2002) explica que no caso do telejornalismo, o repórter precisa ter um cuidado especial para produzir a reportagem, porque o público não está lendo a notícia, mas sim ouvindo e vendo. A preocupação principal do jornalista deve ser o entendimento completo por parte do espectador, já que é impossível parar o repórter e pedir a ele que explique novamente a informação. Portanto, a autora propõe três regras a serem observadas para a comunicabilidade da notícia no meio audiovisual:

a) Clareza: a notícia na televisão não pode confundir quem a assiste. Palavras inadequadas, textos mal escritos ou narrativas ruins podem causar confusão no espectador. Desta maneira, a autora explica que “a informação deve chegar a seu destino sem tropeços” (CURADO, 2002, p. 20). A maneira como o repórter apresenta a notícia não pode deixar dúvidas, porque se o espectador tiver que parar para pensar no que acabou de ouvir a notícia não foi dita com clareza;

b) Precisão: é um elemento essencial para a apresentação da informação e demonstra que o jornalista fez uma boa apuração. Segundo Curado (2002), para obter precisão, é necessário que a origem da informação seja

identificada, porque isso ajuda a estabelecer uma hierarquia de dados e sua confiabilidade. “Precisão é mais do que ter fatos corretos. A reportagem será [...] o espelho da verdade” (CURADO, 2002, p. 21);

c) Imparcialidade: a variedade de opiniões deve ser respeitada na construção da reportagem, dando ênfase às diferentes visões do mesmo fato. Curado (2002) afirma que a imparcialidade pode ser obtida com a investigação dos fatos, não apenas ouvindo opiniões sobre eles. “Cabe à reportagem apresentar dados e não facilmente confrontar opiniões” (CURADO, 2002, p. 22).

Após o estudo dos conceitos de notícia e reportagem, no próximo subtítulo serão abordadas as etapas necessárias para produção do conteúdo jornalístico audiovisual.

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