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Podemos fazer referência aqui à notícia como sendo a matéria prima do jornalista e do jornalismo. Ao jornalista, pois o limita às técnicas de produção e os códigos lingüísticos próprios e ao jornalismo, pois obedece a uma estrutura estável. A notícia é o relato de uma continuidade de fatos a serem seguidos, partindo do ponto mais interessante e importante. A notícia não se preocupa em narrar o acontecimento, e sim expor o fato. Apuração desses fatos e o tratamento devido das informações são funções que equivalem para o jornalista e também para a execução tanto das notícias como das reportagens. Os repórteres são obrigados a obedecer a procedimentos padronizados para executar uma reportagem. A reportagem é um gênero jornalístico, que tem a função de apurar fatos, para assim o profissional poder redigir notícias e reportagens, levantar assuntos, contar uma história de forma verdadeira, expor a situação e interpretar dados (LAGE, 2003).

Existem alguns passos para a execução da notícia que devem ser seguidos pelos profissionais de jornalismo. O primeiro passo é a seleção dos acontecimentos mais importantes em um fato, lembrando que todos serão emitidos, mas os norteadores terão que ser relatados primeiro. O segundo passo é a importância desses acontecimentos, que devem ser levada em consideração pelo jornalista, em ordem decrescente, o fato de motivação principal da notícia como mais importante e os fatores explicativos em seqüência. O

terceiro passo é oferecer a devida nomeação para os envolvidos no acontecimento, para evitar exageros e o próprio sensacionalismo (LAGE, 1989).

A reportagem é objetiva e prioriza a verdade, pesquisando sempre as fontes. É difícil se fazer uma boa reportagem, devido ao bombardeio de informações, o repórter tem que saber pesquisar a verdade para fazer um bom trabalho. As notícias são cada vez mais previsíveis, viver ou morrer se resume a apenas mais um detalhe, a vida do ser humano está cada vez mais desvalorizada, a pobreza, por exemplo, parece atrapalhar o interesse de muitos, o povo pobre sempre é prejudicado e injustiçado etc. Mas fazer reportagem pode ir bem além do sensacionalismo, ter competência com a informação é fundamental. O repórter sempre deve ter idéias inovadoras, com o objetivo de suas reportagens serem únicas, ou pelo menos tentar ser única, criativa, que poderá marcar sua história, esse é o exemplo de um jornalismo honesto. A reportagem pode falar sobre o poderoso, mas também é o principal porta-voz do humilde, dos anônimos que, através dos meios de comunicação, têm o direito e a chance de falar (FUSE, 1996).

Como o jornalista geralmente não é conhecido de quem lê ou quem ouve a notícia ou a reportagem, escrever no texto algo como “eu afirmo”, passa a não fazer sentido, pois não prova nada. Por isso, a investigação e a apuração devida dos fatos, relacionados com os envolvidos é necessária na construção de uma notícia. A notícia é uma referência, no modo verbal indicativo, ela motiva, comove, indigna, provoca sensações em quem absorve aquela informação. São fatores que rodeiam as notícias de ordem social. A decisão do que vai ser publicado ou noticiado é fundamental para que esses fatores sociais e de tanta importância para as pessoas não vire sensacionalismo. A notícia faz referência sobre os fatos do mundo, existentes e possíveis, imaginações e pensamentos, por exemplo, não são noticiados, afirmações, confissões, relatos, são características da boa notícia (LAGE, 2003).

O que importa na notícia é se aquilo que foi relatado aconteceu realmente, a sua veracidade, não importa o conteúdo ser ético e moral o que geralmente é cobrado ao profissional de jornalismo. A reportagem, no futuro, estará mais ligada ao jornal diário, pois a reportagem apura os fatos para depois interpretar. A reportagem faz o levantamento de um assunto, com uma visão já pré-estabelecida. O repórter tem que estar onde seu espectador, leitor ou ouvinte não tem a chance de estar, ele é a voz do público, sempre

atendo com seus olhos e ouvidos. O repórter tem a função de selecionar o que é mais importante e interessante para o público, assim ele poderá transmitir a informação necessária. O repórter modela para si os dados com responsabilidade e autonomia de acordo com o dia-a-dia, além de ter faro e intuição nos fatos noticiosos, prática que o profissional só tem através de muito trabalho.

Repórteres passaram a ser bajulados, temidos e odiados. A reportagem colocou em primeiro plano novos problemas, como discutir o que é privado, de um interesse individual, do que é público, de interesse coletivo, o que o Estado pode manter em sigilo e o que não pode, os limites éticos do comércio e os custos sociais da expansão capitalista (LAGE, 2003, p. 16).

É a reportagem que leva repórteres em busca do furo, ficar plantado em empresas, sindicatos e repartições, que ainda pode vir a conduzir uma reação antiética por parte do profissional. Muitas vezes, o jornalista é o porta-voz de diferentes interesses, por isso ser imparcial e ouvir as fontes necessárias é resultado de função cumprida. É através desse jornalista que a informação irá atingir o público, a informação e a matéria que são essenciais para o trabalho de tradução do discurso para o jornalista. Para o público o repórter é quem possui todas as respostas. Jornalistas que trabalham com reportagem têm seu próprio estilo de vida, porque o repórter está sempre atrás de fatos e das repostas. A função do repórter não se limita à produção, ele escreve notícias, através da tradução das informações, ele informar as pessoas (KOTSCHO, 1995).

O papel social e político da notícia também fazem referência a uma questão essencial para o cidadão, o direito a informação dá ao jornalista a liberdade de informar. Em um jornal impresso, uma entrevista pode virar notícia, quando o assunto da entrevista ou a reposta do entrevistado forem importantes. Nesses casos, trechos de relevância são tratados como notícia, sempre da informação mais importante, deslizando para a menos importante (LAGE, 1986).

A grande questão é que a profissão de jornalista não é uma ciência exata, a profissão é múltipla de idéias, de versões, de estilos, de gêneros e a verdade nunca vem pronta, o jornalista tem que sempre ir atrás da veracidade do fato. Uma reportagem pode ser escrita de diversas maneiras, depende de quem escreve, seu trabalho, sua dedicação, e seus anseios, sempre de maneira honesta com princípios e acima de tudo caráter. A objetividade

e a imparcialidade ficam de lado quando o repórter tem em primeira instância o compromisso com o público, com o seu tempo, esses são alguns fatores que devem nortear o trabalho de um jornalista.

É comum fazerem um estereotipo de que repórter não faz pesquisa, errado. Nos dias de hoje, é essencial um repórter ir atrás das fontes, ir atrás dos entrevistados, relacionar-se com as assessorias de imprensa, sempre buscando os arquivos de uma informação do fato a receber a cobertura da imprensa. É importante lembrar que priorizar assuntos relacionados ao público é essencial, pois são eles que sempre recorrem aos meios de comunicação. Essa ação de pesquisa também cabe ao jornalismo científico. Apesar do pouco mercado, o jornalista de ciência tem que estar sempre se relacionando com as fontes, além de estar sempre em constante aprimoramento sobre os assuntos da ciência.

3 O DISCURSO CIENTÍFICO E O DISCURSO DE DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA

O discurso científico é caracterizado por produzir resultados para um campo específico, a comunidade científica. A C&T (Ciência e Tecnologia) é experimental, e o discurso da ciência leva em conta sua unicidade, devido à maneira como formula seus resultados e circula a informação.

O direito à informação – destacado na Declaração Universal dos Direitos Humanos divulgada pela ONU em 1848 – por si só justificaria a essência da necessidade de divulgar C&T para o grande público como forma de socialização do conhecimento. Mas as justificativas vão mais além. O grau de desenvolvimento científico e tecnológico dos países pode estar diretamente associado à melhoria de sua qualidade de vida. Além disso, a maior parte dos investimentos em C&T é oriunda dos cofres públicos, ou seja, da própria sociedade para quem devem retornar os benefícios resultantes de tais investimentos (OLIVEIRA, 2002, p. 13).

O discurso de divulgação científica é produzido para ter uma circulação social, a fim de gerar o conhecimento e a consciência crítica do cidadão. Esse discurso é feito através de um texto científico que sofre o processo de tradução para chegar até certo público. Fato que transforma o discurso uma outra versão do texto científico, usando da metalinguagem, para produzir efeitos e sentidos.

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