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Nota do Editor

No documento Portal Luz Espírita (páginas 89-93)

No livro Obras póstumas, o Codificador discorre sobre interessante capítulo acerca da natureza do Cristo, matéria que tem sido debatida exaustivamente desde os primórdios do Cristianismo, sem, contudo, ter sido resolvida em definitivo pelas religiões cristãs até os nossos dias.

Segundo Allan Kardec, foi a divergência das opiniões sobre este ponto que deu origem à maioria das seitas em que se fragmentou a Igreja, visto que os chefes de cada uma delas, embora homens de talento, esclarecidos e versados na ciência teológica, apoiavam suas opiniões mais em abstrações do que em fatos, recorrendo aos dogmas na expectativa de descobrir o que continham de plausível ou de irracional quanto à natureza de Jesus e sobre outros pontos.

Teriam tido mais sucesso se houvessem recorrido às palavras do próprio Mestre, recolhidas pelos evangelistas e publicadas após a sua passagem na Terra. De fato, quem melhor do que o Cristo de Deus para discorrer sobre a sua própria natureza? Como nenhum historiador profano contemporâneo falou a respeito dele, a única fonte confiável para se chegar ao âmago da questão é buscar a letra e o espírito da Boa- Nova. Por isso os autores sacros, ainda de acordo com Allan Kardec, nada mais conseguiram do que girar dentro do mesmo círculo, dar a sua apreciação pessoal, deduzir consequências de acordo com o seu ponto de vista pessoal, comentar sob novas formas e com maior ou menor brilhantismo o amontoado caótico de opiniões contraditórias.

Dentre tantos pontos que a exegese vem explorando, nada tem suscitado mais paixão do que o referente à divindade do Cristo. Seria Jesus o próprio Deus? Os milagres provariam a sua divindade? Como interpretar certas passagens contidas no Evangelho, que supostamente atestariam a ideia de que Jesus e o Pai são expressões de um mesmo Ser divino, coeternos e incriados, iguais em bondade, sabedoria, onisciência, onipotência e justiça em graus superlativos?

Decerto, não foram as palavras de Jesus que autorizaram os teólogos a legislar sobre a sua pretensa divindade, considerando se que em várias passagens da Boa-Nova Ele protesta de forma veemente contra tal aberração. O fato é que, após vinte séculos de lutas e disputas vãs, durante os quais foi posta inteiramente de lado a parte mais

essencial da mensagem de Jesus — o ensino moral — a única que podia garantir a paz para a Humanidade, as criaturas se acham cansadas dessas discussões estéreis, que só perturbação e incredulidade têm gerado, sem que de modo algum tenham satisfeito à razão.

Em favor da união que deve reinar entre os espíritas, deixemos de vez as abstrações que nos dividem, buscando em Allan Kardec a segura orientação, a bússola inviolável que nos fará chegar sem atropelos ao porto seguro. E sobre a natureza de Jesus, objeto desta matéria tão fascinante, como acerca de tantos outros pontos que mereceram a judiciosa apreciação do Codificador da Doutrina Espírita, jamais titubeemos: permaneçamos com ele!

Jesus

Alberto de Oliveira (Espírito)

Quanta vez, neste mundo, em rumo escuro e incerto, O homem vive a tatear na treva em que se cria! Em torno, tudo é vão, sobre a estrada sombria, No pavor de esperar a angústia que vem perto!… Entre as vascas da morte, o peito exangue e aberto, Desgraçado viajor rebelado ao seu guia,

Desespera, soluça, anseia e balbucia A suprema oração da dor do seu deserto.

Nessa grande amargura, a alma pobre, entre escombros, Sente o Mestre do Amor que lhe mostra nos ombros A grandeza da cruz que ilumina e socorre;

Do mundo é a escuridão, que sepulta a quimera… E no escuro bulcão só Jesus persevera,

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Repercussão

J. S. escreveu:

Amigo Jorge Hessen; Desculpe-me a demora na análise deste e-mail, mas é que estive muito atarefado, e você melhor do que eu, compreende o que desejo dizer, pois suas atividades são ainda maiores que as minhas. Mas vamos à questão em pauta, pois esta é realmente muito interessante. Trata-se de um confrade esclarecido o Sr. Evandro Noleto, editor de o Reformador, que ilhado por Roustanguistas, não se permitiu contaminar, e escreveu um texto muito bom, lógico e racional, sobre a superioridade da natureza de Jesus.

E como sabemos, os adeptos de Roustaing, na FEB são a maioria, e não devem ter ficado nem um pouco satisfeitos; acredito até que o Evandro seja punido, senão exonerado mesmo. Corajosamente o editor de o reformador, desmistifica o que nos é apresentado em Os Quatro Evangelhos de Roustaing, pois nestes somos informados de que Jesus não viveu na terra revestido de um corpo de matéria, era um agêneres, constituído de um corpo fluídico.

Esta mistificação de Roustaing transforma Jesus no espírito mais mistificador que teríamos conhecido, pois fingiu sofrer com as chicotas, depois fingiu viver uma dor angustiante ao ser pregado na cruz, e mais, mistificou ao derramar sangue no momento da crucificação; pelo que podemos entender um corpo fluídico, não tem em sua constituição o plasma sanguíneo.

Não vou descrever outros misticismos que estão inseridos nos quatro evangelhos de Roustaing, pois já é do conhecimento da maioria, e tornar-se-ia redundante, mas eu fico a me perguntar; será que o Ilmo. Presidente Jorge Godinho, acredita mesmo nesse misticismo grasso que é o Roustanguismo, ou ele se submete tão somente para manter-se no cargo?

Eu desejaria muito que ele me respondesse para que pudéssemos polemizar essa mística absurda que a FEB vem tentando a mais de um século inserir na doutrina espírita, mas infelizmente nosso amigo querido não tem tido disposição para encarar essa empreitada. Jorge Hessen estou enviando meus pensamentos aqui inseridos, também para o Jorge Godinho, pois do contrário seria falar dele, sem que ele soubesse

do que eu estou dizendo a seu respeito, e isso seria uma atitude indigna de minha parte. Amigo querido, será que um dia o amigo Jorge Godinho vai se dispor a trocarmos ideias a respeito. desse misticismo insustentável de Roustang? Vamos aguardar.

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No documento Portal Luz Espírita (páginas 89-93)