Vivem-se tempos incertos, estamos em 2010, e muito se discute sobre o fim da crise económica que assola todo o mundo em geral. Contudo, ninguém consegue ao certo dizer se vivemos numa época de fim de crise económica ou de continuação de crise, isto é, se estamos numa fase de início de recuperação ou ainda em fase decrescente. A economia a uma escala mundial está a desenvolver-se a ritmo lento, pelo que é necessário um esforço ainda maior por parte de designers e empresas para tentar cativar consumidores a adquirirem os seus produtos. Num mundo globalizado, somos confrontados em toda a parte com o incentivo ao consumo, à aquisição de bens e serviços. Isto é algo característico da sociedade de consumo em que vivemos, seja o consumo provocado por necessidade, satisfação pessoal, saturação do já adquirido, afirmação social etc. (Baudrillard, 1995).
A realidade é que os produtos, e principalmente os produtos que incorporam tecnologia, tendem cada vez mais a ter um tempo de vida mais curto, estratégia para provocar mais consumo e rotatividade dos mercados. Novos modelos com mais funcionalidades ou com uma nova tecnologia de último grito entram no mercado cada vez menos distanciados no tempo dos seus antecessores. Cativando os consumidores através de manobras como a publicidade para adquirir um produto em detrimento da utilização continuada do anterior modelo, mesmo que este ainda funcione.
A concorrência comercial é tão vasta que a utilidade dos produtos é ofuscada por novos modelos carregados de valores simbólicos tentando vender-se a si próprios, e fazendo ver que são superiores em alguma coisa, criando uma falsa necessidade de compra. Anualmente, as empresas tentam persuadir-nos a adquiri este ou aquele produto para que possamos pertencer a uma sociedade cada vez mais tecnológica, em que o que importa é
possuir as últimas novidades para se ser reconhecido socialmente. Um bom exemplo é o telemóvel, que está constantemente a incorporar novas tecnologias e funcionalidades, acrescentando-se uma máquina fotográfica, agenda, calendário, MP3, rádio, GPS entre outros, despontando a sua rápida troca e substituição por parte dos consumidores.
O tecnológico é por si só factor de venda, o produto com a tecnologia mais recente é considerado novidade de mercado e torna-se apetecível, mesmo que essa tecnologia por vezes não traga grandes melhorias em relação à sua antecedente. Temos de encarar a tecnologia não só como um influente determinante na forma dos produtos, mas também como uma importante ferramenta de marketing para fazer vender o produto. Sendo esta dissertação um estudo que relaciona a tecnologia e a forma dos produtos que a incorporam, desde logo existiu a necessidade de estudar diversas tecnologias e suas características, tendo tomado como ponto de partido para o seu estudo os autores (Bloch,1995;Crilly, Clarkson, e Moultrie, 2009)
bem como sítios generalistas em informação sobre tecnologia como,
www.howstuffworks.com.
Procura-se relacionar características e desempenhos entre produtos que embora iguais na função e utilização diferenciem na tecnologia e mesmo na forma. Foi necessário recorrer a uma base de dados e imagens de produtos para poder compara-los a nível da forma, a internet foi um meio rápido e eficaz de adquirir essas imagens.
O método escolhido para efectuar as referências ao longo deste trabalho foi o método de Harvard, para fazer referência, a livros, a artigos de revista e a artigos de conferência. Para fontes de internet que não sejam incluídas nas categorias anteriores, utiliza-se o método de Vancouver, com numeração por ordem de citação.
2º Capítulo: Tecnologias emergentes
Este é um capítulo introdutório à temática das tecnologias emergentes em estudo, no qual serão apresentadas as três tecnologias em estudo, OLED, CDE e MEMS, indicadas as suas características. Efectuam-se comparações entre estas três tecnologias, e as tecnologias antecedentes de uma gama de três produtos previamente seleccionados: televisores, ferros de engomar e aspiradores. Operacionaliza-se assim a pergunta de investigação P1, que leva a atingir o objectivo específico, O1. É ainda oferecido um contributo parcial para a resposta à pergunta de investigação P2 e para atingir o objectivo que lhe corresponde, O2.
Desenvolve-se e aplica-se neste capítulo uma metodologia de comparação, através da qual se focam as tecnologias que têm vindo a incorporar cada um dos produtos estudados e são confrontadas com a respectiva tecnologia emergente que poderá no futuro ser usada naquele tipo de produto.
Esquema de correspondências – 2º Capítulo
O4 Por fim, desenvolvem-se novas formas para os produtos
estudados, atendendo às restrições impostas pela tecnologia que vai incorporar, contendo as novas concepções, as tecnologias emergentes e antevistas para o futuro estudadas nesta dissertação.
P4 Atendendo às tecnologias emergentes, que formas e tendências
de forma se propõem para os objectos em estudo no futuro próximo? Como influenciarão as tecnologias emergentes a forma dos produtos que as incorporam, nos casos em estudo?
O1 Pretende-se com esta dissertação ajudar a comunidade
científica a perceber qual o papel que poderá ter na sociedade de consumo o aparecimento das tecnologias emergentes em geral, nomeadamente na alteração da forma dos produtos que incorporam tecnologia.
P1 Que tecnologias apresentam um futuro promissor para
incorporação em produtos de consumo, num futuro próximo, podendo levar à alteração da forma desses produtos?
O2 Contribuir para o debate actual da comunidade de design
industrial sobre os aspectos determinantes da forma do produto. Pretende-se alcançar este objectivo dando destaque à importância da tecnologia como um dos elementos primordiais da definição da forma do produto que incorpora tecnologia, a partir da análise de produtos concretos que incorporam tecnologias definidas e que poderão vir a ser substituídas provocando a alteração de forma.
P2 Que desvantagens e vantagens têm as tecnologias
seleccionadas para aplicação futura nos produtos em estudo, em relação as suas antecessoras nesses mesmos arquétipos de produto?
O3 Na sequência da persecução dos dois objectivos específicos já
referidos, procura-se demonstrar a influência da tecnologia na transformação da forma dos produtos, repartindo de forma lógica, numa categorização tripartida, as diferentes maneiras de como a tecnologia pode interferir na forma do produto, a partir de exemplos.
P3 Qual é a importância da tecnologia como determinante da
forma dos produtos que incorporam tecnologia, quando se considera uma gama alargada de produtos e estruturando a análise pela classificação tripartida proposta nesta dissertação, relativa aos efeitos das alterações tecnológicas sobre os produtos?
OG O objectivo geral desde trabalho, é levar a cabo um
levantamento da evolução da forma, tendo em conta a tecnologia, de uma gama seleccionada de produtos tecnológicos de consumo, com vista a desconstruir arquétipos que estão fixos e propor novas concepções, atendendo nomeadamente às tecnologias emergentes.
PG De que forma é que a tecnologia é influente na definição da
forma dos produtos que incorporam tecnologia, nos casos em estudo?
P5 Haverá objectos que correm o risco de desconstrução, de fusão
2º Capítulo: Tecnologias emergentes
OLED | CDE | MEMS
3º Capítulo: Produtos em estudo
TELEVISORES | FERRO DE ENGOMAR | ASPIRADOR
4º Capítulo: A tecnologia como determinante da forma do produto
CARTEGORIZAÇÃO TRIPARTIDA
5º Capítulo: Apresentação de conceitos
APLICAÇÃO DAS TECNOLOGIAS EMERGENTES NOS PRODUTOS EM
ESTUDO
6º Capítulo: Apresentação de resultados metodológicos