• Nenhum resultado encontrado

CAPÍTULO 1 – O ENVELHECIMENTO HUMANO: DA ANTIGUIDADE A

1.2 A NOVA FACE DA VELHICE

As políticas destinadas a prevenção de doenças, as campanhas contra a mortalidade infantil e a educação formam uma tríade com efeito direto no aumento da população mundial nas últimas décadas. No ano de 2017, a população mundial era de 7,6 bilhões de pessoas. Os países em desenvolvimento são os grandes responsáveis no aumento significativo desses números, pois a taxa de fertilidade é relativamente alta. No entanto, a maior concentração do crescimento da população mundial encontra-se nos países mais pobres (ONUBR, 2017).

Sixty per cent of the world’s people live in Asia (4.5 billion), 17 per cent in Africa (1.3 billion), 10 per cent in Europe (742 million), 9 per cent in Latin America and the Caribbean (646 million), and the remaining 6 per cent in Northern America (361 million) and Oceania (41 million). China (1.4 billion) and India (1.3 billion) remain the two most populous countries of the world, comprising 19 and 18 per cent of the global total, respectively (WORLD POPULATION PROSPECTS, 2017, p.1).6

Diante desses dados, é possível observar na figura 4 como a população mundial tem crescido nas últimas décadas e sua projeção até o ano de 2100. Esses dados foram divulgados pela ONUBR (2017) e esclarecem as perspectivas em relação a essa evolução.

FIGURA 1: Projeção da população mundial.

Fonte: ONUBR, 2017.

6 Sobre a distribuição da população mundial, 60% da população vive na Ásia (4,5 bilhões), 10% na Europa (742 milhões), 9% na América Latina e Caribe (646 milhões) e os outros 6% na América do Norte (361 milhões) e na Oceania (41 milhões). Entre os países mais populosos do mundo estão a China, com 1,4 bilhão de habitantes (19% da população mundial) e a Índia, com 1,3 bilhão (18% da população mundial). (WORLD POPULATION PROSPECTS, 2017, tradução nossa).

Por intermédio da figura é possível visualizar que o prolongamento da vida é uma realidade perturbadora, pois é a primeira vez que se vive tal fenômeno (NERI, 1991). Diante deste crescimento populacional acelerado, há necessidade de repensar as ações voltadas para a população que envelhece.

O crescimento populacional está ocorrendo, de forma geral, em todo o mundo e dentro das peculiaridades de cada continente. A figura 2 ilustra como este crescimento se dá em cada região do planeta e traz um panorama mundial. Destaca- se ainda as perspectivas para o continente europeu, que aparece em decréscimo constante.

TABELA 3: A população mundial e regiões

Fonte: WORLD POPULATION PROSPECTS, 2017.

Nessa figura observa-se a distribuição populacional nos continentes e sua projeção para as próximas décadas, reafirmando a importância das ações voltadas aos que envelhecem. Não é uma situação pontual mas sim uma preocupação que atinge todo o mundo, ainda que em escala diferenciada. No continente asiático o crescimento é menos acelerado que no continente africano, por exemplo. Isso se deve, especialmente, ao controle de natalidade diferenciado que existe nos países em desenvolvimento, de acordo com dados da ONUBR (2017).

As perspectivas de crescimento da população mundial trazem consigo outra informação importante: o aumento da população idosa que cresceu em cerca de 200 milhões em todo o mundo. Vários fatores desencadearam tal evolução, como as políticas para a saúde e segurança, por exemplo (ONU, 2017).

FIGURA 2: Expectativa global de vida

Fonte: ONUBR, 2017.

O relatório a ONU (2017) destaca o crescimento da população mundial e a tendência de que essa evolução continue acontecendo. Além disso, a expectativa de vida de 83 anos, em 2100, é um fator que se sobressai pois salienta o êxito em ações contra a mortalidade infantil e o progresso da medicina, especialmente no combate as doenças crônicas e infecciosas, como destaca-se na figura 3.

Na expectativa global de vida, observa-se com maior discernimento o avanço expressivo na perspectiva em idade para o período projetado. São quase 20 anos a mais num período relativamente curto. Para Scortegagna (2010), as mudanças sociais juntamente com o avanço tecnológico e científico modificam a vida da população e influenciam na diminuição da mortalidade infantil bem como nas demais etapas da vida. Neste sentido

o crescimento relativamente mais elevado do contingente idoso é resultado de suas mais altas taxas de crescimento, em face da alta fecundidade prevalecente no passado comparativamente à atual e à redução da mortalidade. Enquanto o envelhecimento populacional significa mudanças na estrutura etária, a queda da mortalidade é um processo que se inicia no momento do nascimento e altera a vida do indivíduo, as estruturas familiares e a sociedade (CAMARANO, 2002, p.1).

A demanda crescente de idosos exige que se reflita e que se elaborem ações que atendam com qualidade a esse grupo populacional, cada vez mais significativo e representativo na sociedade.

FIGURA 3: Envelhecimento da população.

Fonte: ONUBR, 2017.

A previsão da continuidade do envelhecimento da população “se apresenta como um desafio a ser enfrentado por diferentes campos do saber” (TAAM, 2009). Há algumas décadas era impensável o sujeito chegar aos 80 ou 100 anos. Muito da expectativa de vida atual se deve ao avanço a medicina, das políticas públicas, do saneamento básico e das ciências.

De acordo com a figura 4, o envelhecimento da população está acontecendo de forma acelerada: entre os anos de 1990 e 2017 esse número dobrou; um avanço ainda maior acontece entre os anos de 2017 e 2050, quando esse número passará de 1 bilhão de idosos no mundo para 2,1 bilhões. Tais projeções se tornam ainda mais impactantes quando se observa os extremos: os anos de 1990 e 2100, período de 110 anos no qual os idosos passam de meio bilhão para 3,1 bilhões de idosos. Esses números impressionam, mas vão muito além: exigem uma dinâmica social estruturada para atender essa população.

Com o enfraquecimento das relações, especificamente as familiares, quando se alcança a velhice (a partir dos 60 anos, de acordo com o Estatuto do Idoso) explica- se pelos conflitos entre os membros da família, a mudança da centralização familiar, que geralmente volta-se aos mais jovens e mesmo a independência dos filhos e netos que passam a trazer ao idoso um sentimento de impotência (SALGADO, 1980).

Algumas situações, que exigem maior reconhecimento por parte da população e atenção por parte do poder público, emergem juntamente com o fenômeno do envelhecimento populacional e trazem a necessidade de discussões que envolvem questões sociais, como: saúde, educação, políticas e lazer são algumas delas.

De acordo com os apontamentos de Oliveira (1999), a velhice reflete a vida que se construiu com o passar dos anos, ou seja, o envelhecer é coerente com história de vida trilhada. Nesse sentido, pode-se afirmar que a velhice não transforma o sujeito numa outra pessoa, ao contrário, apenas as mudanças pertinentes ao avanço da idade agregam maior conhecimento e experiências a essência dele.

Se por um lado o envelhecimento representa uma fase de novos desafios, nos quais os idosos precisam permanecer como seres ativos diante de tantas mudanças que essa etapa da vida carrega consigo (FONSECA, 2006), por outro lado a dependência (tanto econômica quanto social) ganha novos contornos e pode se tornar progressiva conforme a idade avança (NERI, 2014). A autora cita, entre os tipos de dependência que tendem a aumentar gradativamente com o envelhecimento, além da dependência econômica e social, a dependência física e psicológica. O fato de viverem numa sociedade extremamente individualista, cada vez mais cresce a exigência pela autonomia do idoso.

Existem muitas condições que restringem, facilitam ou moldam o senso de autonomia individual das pessoas idosas. Entre elas podem ser citadas a saúde, a funcionalidade, o acesso a serviços sociais e de saúde, a segurança econômica, a integração em redes sociais e familiares, os arranjos de moradia e o senso de controle sobre o ambiente e sobre a própria vida (NERI, 2014, p. 44).

Os países desenvolvidos, por conta de um planejamento demográfico de décadas, apresentam maior expectativa e qualidade de vida, especialmente quando se refere aos idosos. Nos países em desenvolvimento, ainda há pontos a serem aperfeiçoados de maneira que a população mais velha possa usufruir de qualidade de vida. De acordo com Scortegagna (2016, p. 127) os países em desenvolvimento “[...] estão vivenciando o crescimento da população idosa nas últimas 4 décadas, mas não estavam economicamente e politicamente preparados para os impactos desta questão demográfica.” A figura 5 ilustra a expectativa de vida mundial.

FIGURA 4: Expectativa de vida mundial

Fonte: CIA WORLD FACTBOOK, 2008.

Como Scortegagna (2010) registra, as projeções do início deste século, feitas pela ONU, já apontavam um número elevado de idosos para o ano de 2025 (1,2 bilhões de pessoas com mais de 60 anos) e cerca de 2 bilhões de idosos até 2050. O Brasil, país em desenvolvimento, está realizando seu planejamento para o envelhecimento juntamente com a evolução desse processo. Esses acontecimentos conjuntos acarretam algumas dificuldades em áreas como saúde, previdência social, cultura, educação e segurança (SCORTEGAGNA, 2016).

O que se pode notar dessas projeções até hoje, é que além da confirmação crescente no número de idosos, também deve-se considerar o contingente de centenários no Brasil, que era de 0,1% da população idosa no ano 2000 e saltará para 2,3% desta população em 2050, sendo sua maioria composta por mulheres (WORLD POPULATION PROSPECTS, 2017).

FIGURA 5: Envelhecimento da população idosa (60 anos e +) no Brasil: 2000 – 2100

Fonte: World Population Prospects, 2017.

Na parcial da figura anterior, “Brasil 2000”, se observa uma pirâmide padronizada, com sua base destacada diante de uma quantidade maior de idosos entre 60 – 64 anos; em “Brasil 2030”, projeção a curtíssimo prazo, percebe-se que o número de idosos na base da pirâmide é significativamente maior, com destaque especial para as mulheres entre 80 – 89 anos; na imagem “Brasil 2060” a pirâmide apresenta-se “desconfigurada” diante do grande crescimento em todas as faixas etárias, destacando-se as mulheres entre 95 – 99 anos; a última imagem, “Brasil 2100”, volta a apresentar um certo equilíbrio na pirâmide, mas com base e topo relativamente semelhantes e apontando para um número grande de idosos em todas as faixas etárias.

As transformações na pirâmide etária são objetivas: se projeta uma redução relativa no número de “idosos jovens” (aqueles entre 60 – 80 anos) e o crescimento absoluto e relativo dos idosos (80 anos ou mais). “Como o segmento idosos compreende um intervalo etário amplo, aproximadamente 30 anos, é comum distinguir dois grupos: os idosos jovens e os mais idosos” (CAMARANO, 2002, p. 5). Outro fator que se destaca é a contínua diminuição nas bases das pirâmides, salientando a longevidade dos idosos. A evolução entre as pirâmides demonstra as alterações

esperadas para as próximas décadas e dão indícios das importantes decisões que serão exigidas decorrente do aumento no número de idosos.

Com isso, não são suficientes ações isoladas e pontuais, uma vez que elas não são capazes de atender a população real. As mudanças na situação demográfica do país exigem, inicialmente, maior conhecimento sobre o envelhecimento por parte da população, de modo geral, o planejamento já realizado e as ações que estão acontecendo com o objetivo de manter o idoso integrado na sociedade.

No capítulo seguinte serão abordadas questões específicas sobre o envelhecimento na realidade brasileira, com destaque para as Políticas Públicas internacionais e nacionais e o papel da educação para o idoso.

Documentos relacionados