produtores
As oportunidades decorrentes de um simples cadastramento de imóveis rurais, prescrito pela legislação nacional, são infinitas. Defini-tivamente, não há mais espaço para o velho paradigma de que não é possível conciliar desenvolvimento e conservação ambiental.
Casos de sucesso do CAR, à semelhança dos projetos implantados nos estados do Pará, do Mato Grosso e alguns outros esta-dos em que a TNC vem operacionalizando sua sistemática, podem e devem ser multipli-cados em todas as regiões do país.
Foto © Rui Rezende
Com o desenvolvimento do CAR e como resultado de um intenso esforço de sensi-bilização sobre a importância do cadastra-mento dos imóveis rurais, os produtores po-derão usufruir de inúmeros benefícios sociais e econômicos.
A premissa de uma regularização baseada no apoio e no incentivo, em sobreposição àquela baseada em sanções aos produtores, permite uma mobilização muito mais eficaz para a conquista da conservação ambien-tal na produção do campo. Mediante a ins-tituição do CAR, as ações de recuperação de áreas degradadas não são mais forçadas pelo medo da punição ou pela simples obri-gatoriedade do cumprimento da legislação ambiental, como nas tradicionais vias de co-mando e controle. Ao contrário, essas ações são impulsionadas pela ampla disseminação das informações sobre como os produtores e, em última instância, toda a sociedade, podem se beneficiar com práticas rurais de produção compatíveis com os preceitos do desenvolvimento sustentável. Tudo isso só é possível com a convergência, propiciada pelo CAR, das visões do Estado e dos produtores rurais.
Sob condições jurídicas mais seguras para se produzir, o produtor usufrui de tranquilidade no uso da sua terra, protegido por um forte processo de consenso social e governamen-tal sobre os critérios técnicos produtivos e preservacionistas que resultam do CAR.
A multiplicação de mercados conscientes e a consequente abertura de espaço para pro-dutores social e ambientalmente responsá-veis dão garantias seguras de comercializa-ção de seus produtos, com transparência e rastreabilidade até a origem dos seus insu-mos. Grandes mercados consumidores inter-nacionais abrem suas portas, aumentando a
competitividade dos produtores brasi-leiros no mercado externo, pela con-fiança na produção e nos contratos firmados.
Financiamentos são viabilizados para a produção rural, tendo como condicionante o cum-primento dos critérios legais ambientais. Desse modo, estimula-se o crescimento da economia regional, po-tencializando a melhoria da qualidade de vida das pessoas.
A servidão ambiental se torna um mecanismo de ganho financeiro com a integridade da cobertu-ra vegetal. Antes con-siderada como um es-paço improdutivo, ou um passivo em termos econômicos, com o CAR as RLs se tornam ativos que estimulam a econo-mia, a conservação dos recursos, a preservação da biodiversidade e dos serviços ambientais que garantem a integridade da vida.
Por meio do cadastramen-to, estudos podem ser sub-sidiados e viabilizados para o aumento da produtividade agrícola sem a necessidade de novas conversões de áreas, produzindo-se mais com menor interferência nos ativos ambientais.
Contribui-se, portanto, com a manu-tenção e com o aumento do capital
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natural, o que favorece consideravelmente os ganhos com a floresta em pé.
Custos de adequação ambiental dos imóveis rurais são reduzidos pela sistematização do processo de cadastramento dos imóveis, es-pecialmente quando estados e municípios implantam o método de varredura para o mapeamento georreferenciado das áreas.
Isso contribui para que produtores adiram mais facilmente ao CAR, numa ação integra-da e, consequentemente, promovam a recu-peração das respectivas áreas degradadas.
O uso de ferramentas tecnológicas prediti-vas e sinergicamente alinhadas ao CAR per-mite a formação de corredores ecológicos, conservando a biodiversidade e o patrimônio genético necessário à manutenção do equi-líbrio ambiental. Isso também garante um maior controle sobre as mudanças climáti-cas e a riqueza de recursos que podem ser explorados de forma controlada para o de-senvolvimento socioeconômico das regiões.
Confere-se maior precisão no monitoramen-to e controle dos desmatamenmonitoramen-tos sob res-ponsabilidade do Estado, resultando num menor índice de infrações ambientais. Com uma eficiência de fiscalização mais apurada por conta do CAR, haverá a certeza da apli-cação da lei, mesmo nas regiões mais remo-tas.
São construídos pilares mais rígidos para o planejamento e definição de políticas públi-cas, utilizando-se do amplo conhecimento proporcionado pelo CAR sobre o território, suas atividades econômicas principais, con-dições sociais e culturais da população. Go-vernos terão em mãos informações valiosas que subsidiarão as tomadas de decisão mais apropriadas com vistas à melhoria da quali-dade de vida das pessoas.
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Esses são apenas alguns dos cenários po-tencializados pelo cadastramento ambien-tal rural. Os desafios para se atingir essas e outras condições ideais são, na mesma proporção de suas oportunidades, imensos.
A começar pela integração entre as moti-vações socioeconômicas e preservacionis-tas. A conscientização de produtores e de mercados consumidores ainda encontra re-sistência, dependendo da região, nos ideais ultrapassados da velha economia. É nesse cenário que governos, empresas e sociedade civil organizada devem concentrar seus es-forços para capitanear – via sensibilização – a transição rumo a uma economia mais justa, com ativos ambientais conservados e me-lhor distribuição dos ganhos pelo manejo do capital natural.
O aparelhamento dos governos com recur-sos humanos, infraestruturais e tecnológi-cos adequados também é uma condição im-prescindível para se atingir a sustentabilida-de necessária. A integração interinstitucional de informações sob bases únicas e confiáveis de dados, o consenso entre as forças políti-cas, a efetividade do comando e controle e a definição de políticas públicas sob as pre-missas da sustentabilidade poderão garantir a catálise de todo o processo que se conso-lidará nas paisagens sustentáveis.
A mobilização de ONGs como a TNC e ou-tras entidades, direcionada ao fortalecimen-to de parcerias nos arranjos institucionais, é um outro desafio não apenas para o CAR, mas também para outros projetos de con-servação. São grandes os obstáculos para se fazer convergir as múltiplas motivações dos diversos atores sociais, o que demanda experiência na resolução de impasses, muito diálogo, representação legítima do desejo social e fidelidade aos princípios do
desen-volvimento sustentado.
Desburocratizar e viabilizar mecanismos de incentivos aos produtores, a exemplo de li-nhas de crédito oficiais, apoio técnico e fi-nanceiro de instituições representativas e a ampliação de mercados conscientes de commodities ambientais, são importantes desafios para efetivamente se colocar em prática o novo Código Florestal.
A necessidade de recuperação da paisagem degradada e das RLs, eventualmente diag-nosticadas na fase de cadastramento mas-sivo dos imóveis rurais brasileiros, talvez seja uma das maiores dificuldades a serem enfrentadas. Será necessário o delineamen-to de estratégias integradas de governança socioambiental, abrangendo a participação de todas as esferas de governo, ONGs, sindi-catos, associações, produtores e consumido-res, de forma a alinhavar políticas e roteiros técnico-administrativos eficientes, além de condições exequíveis que permitam a recom-posição dos ativos ambientais.
Finalmente, a disposição para aprender novas técnicas, a capacitação de pessoas e a valo-rização do trabalho rural serão peças-chave na sedimentação de uma base sólida para que os movimentos aconteçam.
Semeadas as esperanças, superados os gran-des gran-desafios, o tempo será de colheita. E a safra, perene.
Capítulo V
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e o INCRA. Contou ainda com importantes contribuições do setor produtivo, em escala local e regional, e da sociedade civil; todos voltados à multiplicação de esforços para a implantação do CAR nos territórios do Mato Grosso e do Pará contemplados pela parceria.
Até hoje, o somatório de ações do Projeto resultou em mais de 15,5 mil propriedades georreferenciadas, com a respectiva identi-ficação das Reservas Legais e Áreas de Pre-servação Permanente. Contabilizou-se uma área superior a dez milhões de hectares em bases cartográficas disponibilizadas aos estados e municípios, que também podem enriquecer os Portais Ambientais de Monito-ramento Municipal (PAM), instrumentos que reforçam e qualificam os resultados muni-cipais e os integram ao Sistema Federal de CAR.
Espera-se que o presente compartilhamento das lições aprendidas viabilize novas solu-ções e estimule diferentes parcerias, com a formação de arranjos institucionais próprios para o impulso definitivo do CAR no país.
Antecipando-se à exigência nacional do CAR para os imóveis rurais, instituída pela Lei 12.651 em 25 de maio de 2012, o Fundo Amazônia – gerido pelo BNDES – recepcio-nou demandas espontâneas de cadastra-mento ao longo dos últimos anos.
Cabe aqui um destaque à iniciativa em parce-ria entre a TNC e o Fundo, conhecida como